28 de novembro de 2008

Marché de Noël de La Défense

Claro que a feira de Natal da avenue des Champs-Elysées é a mais comentada e movimentada (e bota movimentada nisso) da cidade - até aí nenhuma novidade. Como também é evidente que é uma feira super bonita e que merece ser vista. Eu mesmo devo dar uma passada por lá amanhã. Ah, e ao visitar a feira da Champs Elysées não deixe de provar o gaufre (parecido com o que no Brasil conhecemos como waffle) do stand belga - os próprios parisienses andam dizendo que é imperdível.

No Marché de Noël de La Défense você é recebido com tapete vermelho.

Mas se você quer conhecer a maior feira de Natal de Paris e região, visite o Marché de Noël de La Défense. Com uma área total de 10.000m2 e mais de 200 chalés, ela oferece uma vasta gama de produtos artesanais locais e produtos exóticos de diversas partes do mundo (este ano tem até um stand do Brasil), além de colocar à disposição dos visitantes o que existe de melhor na gastronomia regional francesa.

As figuras de presépio vieram da Provence e são feitas artesanalmente.

O Marché de Noël de La Défense existe há 11 anos e se é bonito durante o dia, à noite é um verdadeiro espetáculo, garantido em parte pela bonita iluminação dos modernos edifícios e do Grande Arco de La Défense.

No bem montado stand da Córsega você encontra os saborosos embutidos e as raclettes.

Não deixe de provar os pratos regionais franceses por nada nesse mundo. Meus chalés preferidos são os da Savoy (Savoia) com a deliciosa tartiflette (um prato à base de batatas, cebola, bacon e queijo reblochon) e o da Corse (Córsega) com a estouffade (prato quente à base de pimentão, cebola e os embutidos típicos da região, como a saucisse corse e o figatellu).

Minha perdição: Os presuntos espanhóis de Salamanca. Oh-là-là...

Várias regiões francesas estão representadas nesta feira de Natal através de seus produtos típicos. Se quiser apenas espantar o frio enquanto passeia, a grande pedida é o vinho quente - o pessoal da Córsega também caprichou no vinho quente este ano.

Nem é preciso perguntar para saber: "Zuzubém, tiozinho? O vinho quente está no capricho?"

Em praticamente todos os chalés você pode degustar os produtos: macarons, biscoitos, bolos, presuntos, queijos, vinhos... Êita! E o grande Marché de Noël de La Défense estará em plena atividade até o dia 28 de dezembro - mas se cogita por lá que vão fazer uma prorrogação até o dia 31. Será?

Não tem erro, basta sair do metrô que você estará dentro da maior feira de Natal da cidade.

Marché de Noël de La Défense
Metrô: La Défense linha 1
Até 28 de dezembro de 2008
Aberto diariamente das 10h30 às 19h30

Foto menor: Claro que a foto mais bonita do artigo não é minha. Essa é da Cécile Debise para a L'Internaute Magazine.

Pep's: Libertad

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Pub Télé: Renaul Mégane

Como ficou legal a nova propaganda do Renault Mégane! Esse comercial começou a passar na TV francesa há algumas semanas.

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O texto diz mais ou menos o seguinte:

Você se lembra de quando dizia que as garotas não estavam com nada?
De quando dizia que jamais compraria um celular?
Quando achava que jamais ia precisar de um computador?
Lembra-se de quando prometeu jamais amar outra pessoa?
Ou de quando jurou que jamais voltaria a cortar o cabelo?
De quando dizia que não queria ter filhos?
Se lembra de quando dizia que um Renault... Não era para você?
Novo Renault Mégane - é tempo de mudar.


Bravo!

Paris / La Défense: Hoje, 15h48

Que beleza, o inverno está chegando pra valer! Minutos depois que tirei a foto, o mesmo termômetro já marcava 2°C - mas estava frio demais para tirar a mão do bolso... Desolé.

Então se estiver vindo para cá, trate de escutar a vó e colocar mais uma blusa na mala, Joãozinho!

Bic

Se tem uma empresa francesa que muita gente no Brasil acredita ser genuinamente brasileira, tamanha a identificação com a marca é a Bic. Fundada em Clichy, nos arredores de Paris, em 1945 por Marcel Bich ficou famosa em todo o mundo por fabricar a caneta descartável mais eficiente já inventada. Depois vieram os isqueiros e barbeadores. Mas o que pouca gente sabe no Brasil é que a Bic aqui na França também faz com a mesma maestria pranchas de surf e telefones celulares.

A empresa começou quando Marcel Bich, que trabalhava como gerente de produção de uma fábrica de tintas para canetas comprou em sociedade com Edouard Buffard um galpão em Clichy para montar uma empresa de confecção de peças para canetas-tinteiro e lapiseiras - a empresa chamava-se PPA (Porte-plume, Porte-mines et Accessoires). Depois de obter os direitos de patente para uma esferográfica criada pelo jornalista húngaro László Biró, Marcel Bich lançou-a no mercado em dezembro de 1950 - nascia então a caneta Bic Cristal.

A clássica Bic Cristal: igual em todo o mundo, custa em Paris entre 0,25€ e 0,30€ a unidade - comprando 10 você ganha mais uma de graça.

Promovendo o produto como sendo uma caneta confiável a preço acessível, decidiu mudar o nome da empresa para Bic, uma versão mais curta e fácil de ser lembrada de seu próprio nome. Além disso, o nome Bic poderia ser pronunciado da mesma maneira em praticamente todos os lugares do mundo. A empresa instalou-se no Brasil em 1956 e hoje está presente nos 5 continentes e em mais de 160 países.

Os isqueiros Bic: em todas as cores e desenhos imagináveis, são itens de coleção por aqui. Na foto, a série de jogos de passa-tempo.

O primeiro isqueiro da Bic foi lançado em 1972, já com o dispositivo de regulagem da chama. Em 2000 foi lançada na França uma linha de isqueiros utilitários, dedicado ao acendimento de lareiras e churrasqueiras.

Aloha haole: Estas são as pranchas da Bic Surf. Aposto que com essa você não contava.

Entre os anos de 1988 e 1991 a Bic tentou se lançar no mercado de perfumes, mas foi uma experiência desastrosa - sobretudo porque foi impossível imprimir uma imagem de sofisticação a um perfume que é fabricado por uma empresa consagrada por seus produtos descartáveis.

Seguindo a linha do prático, moderno e barato, os celulares Bic Phone.

Os barbeadores de uma lâmina da Bic existem na França desde 1975. Já em 2003 ela passou a produzir por aqui os barbeadores invocadões de 3 lâminas que até hoje fazem sucesso.

A evolução da marca: a primeira logo de 1950, o primeiro bonequinho da Bic criado em 1952 pelo ilustrador francês Raymond Savignac e a logo atual, inalterada desde sua crição em 1962.

Em 2002 a caneta Bic Cristal entrou para a coleção permantente do Museu de Arte Moderna de Nova York (MOMA) no Departamento de Arquitetura e Design. Estima-se que em todo o mundo a Bic Cristal venda por volta de 100 bilhões de unidades por ano.

Para saber mais:
http://www.bic.fr/
http://www.bicmarking.com/

Compeed

Um dos problemas enfrentados por quem vem à Paris, mas não está muito acostumado a caminhar, são as famigeradas bolhas nos pés. Como por aqui os turistas andam muito (seja passeando pelos quartiers ou dentro dos museus) e sobem muitas escadas no metrô ou nos monumentos, as bolhas não custam a aparecer (principalmente para quem não está bem escoltado por um par de tênis ou sapato confortável). Mas fiquem tranqüilos que aqui existe uma solução genial para o problema: o Compeed.

O Compeed é daqueles produtos que a gente até pode achar um pouco caro quando compra, mas basta usar para sair correndo buscar mais. Fabricado pela Johnson & Johnson francesa, o milagroso produto cumpre o que promete: alivia a dor imediatamente, pára a inflamação, elimina as bactérias e cicatriza as bolhas. Além disso, protege o local como se fosse uma segunda pele, impedindo que aquele seu sapato que mais parece um aparato de tortura volte a lhe incomodar.

Exorcizando a maldição: basicamente tudo o que é ruim sai do seu corpinho através do Compeed - a água da bolha, a inflamação, as bactérias, a dor e o mau-humor. Simples assim.

Outra coisa interessante: o Compeed é totalmente impermeável e você não precisa (na verdade nem deve) trocá-lo até que sua bolha esteja totalmente curada. Quando você aplica um patch de Compeed ele adere por completo à pele, não deixando espaço para a entrada de ar ou água. Dessa maneira ele absorve toda a água formada naquela maldita bolha do dedinho, evaporando-a para o meio externo. O Compeed é super discreto e, se bem aplicado, nem parece que você o está usando.

Na fármacia é assim que você ver as milagrosas caixinhas verdes. Aqui, um Compeed para calcanhares - um dos campeões de venda e um dos meus preferidos.

Você encontra essa maravilha para toda e qualquer parte dos pés - mesmo para aplicar na sola e nas juntas dos dedos. Portanto, verifique a ilustração da caixinha na hora de comprar, pois existe um Compeed específico para cada aplicação.

Também nas versões cotovelo ralado, joelho esfolado e pereba de boca.

O preço varia de acordo com o tipo de aplicação e com a quantidade de patches na embalagem, podendo ir de 3,00€ a 10,00€. Caro? Depois que um desses salvar o seu passeio, duvido que o raio-x do aeroporto não mostre umas caixinhas de Compeed na sua mala. Você acha facilmente toda a linha do Compeed em qualquer fármacia francesa ou nos supermercados da rede Monoprix.

Ah, eu já ia me esquecendo: também existe um stick da Compeed para prevenir o surgimento das bolhas. Assim, basta você passar nos pés antes de calçar o sapato e taadaaa! Nada de bolhas para você.

27 de novembro de 2008

Zazie: FM Air

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Madrugada no Canal de Saint-Martin

Le Coupe-Chou

Um restaurante que recomendo que você conheça em Paris é o Le Coupe-Chou (que em português significa “O Corta-Couve”). Pequeno e autêntico, o restaurante oferece além da boa comida aquela agradável sensação de estarmos vivendo em uma outra época. A hera que cresce ao longo da fachada, a bonita decoração interior, as pedras aparentes e o fogo da lareira aquecendo o ambiente fazem dele um dos restaurantes mais aconchegantes da cidade - em minha opinião, claro. O ambiente montado dentro de uma antiga mansão do século XIV é bem simples e descontraído, dando a impressão de que você está na sua própria casa.

Portanto, uma vez lá dentro, dá quase para esquecer que você está num restaurante. A cozinha cuidadosa é tradicional francesa, com destaque para o magret de canard aux pêches (peito de pato com pêssego) e o carré d’agneau (costela assada de cordeiro). Os preços ficam entre 18,00€ e 32,00€ o menu completo por pessoa (entrada, prato principal e sobremesa). O restaurante é completamente 'não-fumante'.

Não, não é uma casa de campo nos Alpes: é o bonito interior do Le Coupe-Chou, no coração da Cidade-Luz

Recomendo apenas que você evite-o no jantar de sábado, quando o restaurante fica cheio e o serviço impossibilitado de dar a costumeira e dedicada atenção aos clientes. Ideal para ocasiões especiais ou um romântico jantar a dois na autêntica Paris de outros tempos.

Restaurant Le Coupe-Chou
9-11 rue de Lanneau
Tel.: 01 4633 6869
Metrô: Maubert-Mutualité linha 10

CD com as músicas do ano de nascimento

Uma idéia de presente de aniversário bem original que você pode encontrar aqui na França são os CDs com as músicas que tocavam no ano de nascimento do 'presenteado'. Esses CDs são coletâneas bem montadas contendo os principais hits internacionais que marcaram o ano - que pode ser qualquer um entre 1930 e 1990.

As interpretações são originais e completas, todas com qualidade de gravação garantida pelos CDs Sony Music. Além do conteúdo, a apresentação também é caprichada - o CD vem dentro de um estojo de madeira com o nome do aniversariante e o ano de nascimento gravados a laser. Ficou curioso, né Joãozinho? Então para saber quais eram as 20 músicas internacionais que bombavam nas rádios francesas no ano em que você nasceu, clique aqui.

Por dentro ele fica assim, ó...

O preço desse CD é que eu achei um pouco salgadinho (até mesmo para o padrão francês): 35,00€ - mas a exclusividade tem o seu preço, c'est la vie. Esse é um produto da boutique online do jornal Le Figaro e você pode comprá-lo (ou simplesmente dar uma xeretada no que mais tem na loja) clicando aqui.

Mesmo que no CD não tenha aquela uma do Francisco Petrônio, taí uma idéia legal de presente pra você levar para a sua tia Eulália. Achar o presente até que foi fácil, o difícil vai ser você descobrir em que ano ela nasceu.

Para saber mais: http://www.lefigaro.fr/boutiques/

Algo que foi muito bem observado pelo meu amigo Edmilson Siqueira, e que deve ser levado em conta por quem se interessar pelos CDs, é que neles não há sequer uma música dos Beatles ou dos Rolling Stones - talvez devido às condições de direito autoral, já que poucas bandas tocaram tanto quanto eles nos anos 60, conforme o Edmilson menciona no comentário do artigo.

Exposição Rapa Nui, l’ilê de Pâques

Uma exposição muito bacana, gratuita e que foi recém inaugurada em Paris é Rapa Nui, l’ilê de Pâques no Espace Fondation EDF. Na exposição que propõe uma viagem sobre os mistérios da Ilha de Páscoa, estão reunidos objetos e muita informação sobre as paisagens, o patrimônio cultural, os Moai (as misteriosas estátuas de pedra) e também sobre como vivem os habitantes locais, sua historia, seus progressos e descobertas, a contribuição dos polinésios em matéria de religião, cultura e vida prática.

A exposição se baseia em descobertas arqueológicas para contar a história e a vida desse povo praticamente desconhecido, protagonista de várias lendas e clichês através dos tempos.
Metrô: Sèvres-Babylone linhas 10 e 12

Em cartaz até 1 de março de 2009.
Aberta diariamente das 12h00 às 19h00, exceto às segundas e feriados.
Entrada gratuita.

Exposição Akira Kurosawa no Petit Palais

Todo mundo sabe que Akira Kurosawa é universalmente reconhecido como um dos grandes cineastas da segunda metade do século XX. Mas poucos sabem que ele era também um grande desenhista. Através dessa exposição o Petit Palais propõe a descoberta (ou a redescoberta) do gênio artístico de Kurosawa, graças a uma retrospectiva inédita na França. Agrupando 87 desenhos deste artista japonês que sempre amou o ocidente, a exposição revela uma faceta desconhecida do cineasta, a de desenhista excepcional, que punha o traço e a cor a serviço da força emocional.

A exposição permite ao visitante percorrer a carreira cinematográfica de Kurosawa por entre os seus desenhos. E vale dizer que seus desenhos não podem ser resumidos a um trabalho preparatório à realização de seus filmes. Concebidos como obras autônomas, muitos deles retratam cenas não mostradas nas telas do cinema.

Uma verdadeira síntese original das culturas oriental e ocidental pela sua força expressionista, esses desenhos refletem a personalidade de Kurosawa, tanto pelas suas raízes na cultura japonesa como pela sua admiração pela arte de Van Gogh, Cézanne e Chagall.

Exposição Akira Kurosawa
Petit Palais
avenue Winston Churchill
Tel.: 01 5343 4000
Metrô: Champs Elysées-Clemenceau linha 1

Em cartaz até 11 de janeiro de 2009
Aberta diariamente, exceto às segundas e feriados, das 10h00 às 18h00. As quintas até as 20h00.
Ingressos de 2,50€ à 5,00€

Desenho: Sonhos, 1989 de Akira Kurosawa

Pete Doherty improvisará show em Paris

Pete Doherty não faz o gênero do cara que prevê as coisas com muita antecedência - até aí nenhuma novidade. Mas uma surpresa anunciada por ele ontem vai fazer a alegria dos fãs perisienses: O cantor inglês anunciou ontem durante uma entrevista ao jornal Le Parisien que fará um show amanhã (28 de novembro) na La Maroquinerie. Pouca gente da mídia sabia, mas ontem ele também contou ao jornal que já estava circulando pela França há aproximadamente uns 15 dias. Como foi tudo resolvido de última hora, ele se apresentará sem os Babyshambles. Durante o concerto Doherty tocará músicas do seu primeiro álbum solo - que tem lançamento previsto para março do ano que vem.

La Maroquinerie é um espaço relativamente pequeno, com capacidade para apenas 500 pessoas. Os ingressos já foram colocados à venda por 34,00€ e devem esgotar rapidamente. Para este show a Fnac disponibilizou o sistema e-ticket, no qual você faz a compra pela Internet e imprime seu próprio ingresso.

Para comprar seu ingresso na Fnac clique aqui.

Pete Doherty
28 de novembro de 2008 às 20h30
La Maroquinerie
23 rue Boyer
Tel.: 01 4033 3505
Metrô: Ménilmontant linha 2

Foto: Jessica Gow para a agência Reuters

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25 de novembro de 2008

La vache qui rit

La vache qui rit (a vaca que ri) é uma marca francesa de queijo fundido (mais ou menos com a mesma consistência do Polenguinho que conhecemos no Brasil) fabricada industrialmente pela fromagerie Bel. Criada em 1921, La vache qui rit é célebre por sua caixinha redonda ilustrada com a imagem da hilária vaquinha vermelha que porta seus brincos formados pelas caixas do próprio queijo. O queijo La vache qui rit é fabricado a partir de Comté, Emmental e Cheddar, e devido ao seu sabor suave é comumente oferecido às crianças francesas - é reconhecidamente o primeiro queijo que um francês prova na vida.

Historicamente, La vache qui rit é uma das primeiras marcas do mundo a industrializar a fabricação do queijo - até então algo feito de forma estritamente artesanal. Através dos tempos a marca diversificou sua linha de produtos e hoje fabrica desde snacks até requeijão - tudo com a carinha da vaca sorridente, claro.

Um dos brincos da vaca ou uma revolucionária caixinha? Nada disso: La vache qui rit é um delicioso clássico, acima de tudo! Na figura acima, o queijinho como vendido na Alemanha.

A famosa embalagem de La vache qui rit, cuja abertura é feita através de um barbantinho vermelho, foi inventada por Yves Pin. A idéia de Pin era criar um sistema que facilitasse a abertura de envelopes postais. Ao apresentar sua idéia no concurso Lépine, teve sua invenção comprada por aproximadamente 50.000 francos. Hoje a invenção de Yves Pin é utilizada diariamente por milhões de pessoas em toda a França e em diversos outros países do mundo - para abrir queijo. E funciona que é uma maravilha!

E ela também riu na edição parisiense da Cow Parade.

O desenho da vaquinha foi inspirado em uma criação do ilustrador Benjamin Rabier, que decorava com a figura de uma vaquinha sorrindo os caminhões frigoríficos de abastecimento do exército francês durante a Primeira Guerra Mundial. A vaca desenhada nos caminhões por Rabier chamava-se Wachkyria, em uma brincadeira alusiva às Valkirias da mitologia nórdica. Benjamim Rabier e M. Bel (o fundador de La vache qui rit) conheceram-se durante a guerra - ambos faziam parte da mesma unidade do exército. Em 1920, depois da guerra portanto, o jovem queijeiro convidou seu colega de exército para desenhar o logo de seu novo produto. Nascia assim uma das imagens mais marcantes do mercado francês. Um ponto curioso da ilustração é que os brincos da vaquinha possuem um efeito que os franceses chamam de mise en abyme, que consiste em desenhar uma figura dentro dela mesma - e assim a vaquinha segue rindo até o infinito na figura dos brincos na embalagem.

Aqui a vaquinha francesa levando seu sorriso até a Escócia.

Atualmente La vache qui rit é uma das marcas mais conhecidas da França. Uma recente pesquisa realizada no país revelou que aproximadamente 95% dos franceses a conhecem. Ao redor do mundo o queijo da vaquinha leva o mesmo nome traduzido para o idioma local - tendo o mesmo significado em todos os países onde é comercializado.

Para saber mais: http://www.lavachequirit.com/

Foto menor: o primeiro cartaz de La vache qui rit de 1921.

Le métro

Arènes de Lutèce

Você sabia que em Paris existe uma autêntica e bem conservada arena de gladiadores? Construídas no final do século I d.C. as Arènes de Lutèce (Arenas de Lutécia) foram quase completamente destruídas durante as invasões bárbaras de 280. Na ocasião as pedras maiores foram usadas para a construção de refúgios pela população e o anfiteatro acabou tornando-se um cemitério. Apesar disso a cidade soube restaurar e preservar muito mais do que a memória ou o nome do monumento - a Arène de Lutèce é hoje um dos monumentos galo-romanos mais antigos que ainda podem ser vistos em Paris.

A boa modernidade: Antigo espaço de embates entre homens e feras, hoje a Arène de Lutèce é um agradável espaço de convívio.

A arena escavada no solo é cercada por um muro de 2,5 metros de altura com parapeito. O espaço foi concebido para alternar espetáculos teatrais com combates de gladiadores - nove nichos existentes no local da cena tinham como finalidade a melhoria da acústica da arena. E eu que antes de conhecer a Arène de Lutèce nunca pensei que no século I já havia a preocupação com a garantia da qualidade acústica dos teatros.

O podium: essas divisórias de pedra hoje abrigam bancos ideais para você botar a leitura em dia enquanto pega um solzinho.


Cinco cubículos são dispostos sob os primeiros degraus da arquibancada - três dos quais parecem ter sido usado como jaulas de animais, abrindo-se diretamente para a arena. Os degraus que formam a arquibancada envolvem mais da metade da circunferência da arena e comportava até 17.000 pessoas.

Detalhe das jaulas no interior da arena.

Foi Théodore Vagar quem entre 1860 e 1869 restaurou a estrutura da arena e estendeu as investigações arqueológicas no local, realizando escavações em uma área total de 5.000 m2. Mas a descoberta do extenso sítio arqueológico não impediu que a cidade fizesse as obras necessárias ao seu desenvolvimento entre 1877 e 1892. Victor Hugo, Victor Duruy e a Société des Amis des Arènes (Sociedade dos amigos da Arena) também participaram da recuperação da parte Sul do monumento, liberada após a demolição do convento Filles de Jésus-Christ em 1883.

'Alameda Hugo' ou 'Boulevard Juca'?: As reentrâncias da bonita e arborizada entrada principal da arena eram usadas como vomitório durante os eventos do século I.

O Conselho Municipal conseguiu através de votação ordenar a construção de uma praça que foi aberta ao público em 1896 - praça ganhou mais espaço com a substituição da linha do tramway pela linha 10 do metrô em 1916 e até hoje enche os olhos de quem visita a arena. Essa bonita área verde nas imediações da arena é dedicada ao doutor Capitain, que cuidou da restauração do local após a Primeira Guerra Mundial.

Outra coisa que também impressiona é a limpeza impecável do lugar - num mesmo campo de visão você pode enxergar uma dezena de cestos de lixo que são usados de forma consciente pela população. A Arène de Lutèce fica bem atrás da estação Place Monge do metrô. Basta você sair da estação e contornar o gradil verde - o jardim que você vai ver através da grade já faz parte da arena. Depois dali fica fácil emendar um passeio a pé pelo Jardin de Plantes ou pelo quartier Mouffetard-Contrescarpe.

Arène de Lutèce

49 rue Monge

Metrô: Place Monge linha 7

24 de novembro de 2008

Sanisettes

Você pode até ter ficado todo esse tempo sem saber o nome desta maravilha do mundo moderno, mas certamente já ouviu falar delas de alguma maneira (ou até quem sabe já recorreu a elas alguma vez). Falo das fantásticas Sanisettes! Não Joãozinho, elas não são dançarinas de sanatório. Sanisette é o nome dos banheiros públicos automáticos de Paris.

Instaladas pela primeira vez na cidade em 1980 pela empresa JC Decaux, as Sanisettes substituíram as antigas e obsoletas Vespasiennes. Antigamente para usar uma Sanisette você precisava desembolsar algumas moedinhas - você colocava a quantia indicada, apertava um botão e ela abria a porta da salvação. Porém, desde fevereiro de 2006 todas as 400 Sanisettes da cidade passaram a ser de uso gratuito.

Muita calma nessa hora: A Sanisette precisa mostrar a indicação "Libre" na janelinha verde. Caso contrário, ou tem gente ou ela está efetuando o processo de limpeza. Se estiver livre, basta apertar o botãozinho e abrir o sorriso.

Para adequar toda a rede de sanitários públicos da cidade às novas diretrizes francesas de acessibilidade, todas as Sanisettes de Paris serão substituídas a partir de fevereiro de 2009 por modelos mais novos e modernos que permitirão o livre acesso aos portadores de necessidades especiais. Além disso, esse novo modelo de toilette utilizará a claridade natural para a iluminação interna, materiais biodegradáveis na sua construção e a água captada da chuva para ser usada na limpeza. As novas Sanisettes foram concebidas pelo badalado designer francês Patrick Jouin - o mesmo que desenha as cobiçadas jóias de Van Cleef & Arpels e cuida do visual das lojas Häagen Dasz.

As atuais Sanisettes: Mesmo as já adaptada para o uso por handicapés serão substituídas pelo novo modelo high-tech.

O que é interessante nesses banheiros é que depois que você o utiliza ele fecha a porta e realiza, durante aproximadamente 1 minuto, um processo automático de lavagem, desinfecção e secagem, deixando-o limpo para o próximo usuário. Elas também são equipadas com pia e secador de mãos em seu interior - além do papel, é claro. Ah, e um detalhe importante: crianças menores de 10 não devem de maneira alguma entrar sozinhas nas Sanisettes.

Mais bonitas, ecológicas, modernas e acessíveis, as novas Sanisettes que serão instaladas em Paris a partir de março de 2009 serão equipadas com bebedouro no exterior e terão um sistema de limpeza e secagem mais eficiente.

Mas vale mencionar que se as Sanisettes são excelentes para os cavalheiros, são por outro lado um tanto desconfortáveis para as damas - já que o espaço interno é bastante limitado e o sistema de secagem após o processo de limpeza automática das atuais Sainisettes deixa a desejar.

Se você quiser saber onde está localizada cada uma das 400 Sanisettes de Paris, clique aqui. O site da prefeitura de Paris disponibiliza a localização desses banheiros organizados por arrondissement.

Na foto menor, o interior de uma Sanisette. O nome Sanisette é marca registrada da JC Decaux, fabricante dessas belezinhas.

Bonaparte e o Egito: Instituto do Mundo Árabe

Uma exposição bastante interessante que está atualmente em cartaz em Paris é Bonaparte et l’Egypte no Institut du Monde Arabe, que conta a história da interação entre França e Egito iniciada por Napoleão Bonaparte em 1789.

Quando Bonaparte desembarcou na Alexandria para a campanha do Egito, levou consigo um “exército” diferente: além dos soldados e dos mais brilhantes oficiais militares da época, Napoleão tinha a seu lado 160 cientistas das mais variadas disciplinas - a tarefa desses homens consistia em fazer da conquista do Egito uma verdadeira expedição científica. Se pelo lado das ciências e das artes a campanha do Egito foi um sucesso, militarmente entrou para historia como um dos maiores fracassos de Bonaparte - sobretudo pelo choque cultural entre as tropas francesas e a civilização egípcia.

Centrada na expedição, a exposição tem como foco mostrar o amadurecimento das relações entre França e Egito através dos séculos. Para a montagem de Bonaparte et l'Egypte, o Instituto do Mundo Árabe instaurou um comitê científico paritário franco-egípcio que reuniu os melhores especialistas dos dois países. E é através dessa visão recíproca de franceses e egípcios que o público poderá descobrir as mais de 400 obras selecionadas entre as maiores coleções públicas e particulares de todo o mundo - um caleidoscópio que desfila mitos e realidades, nos convidando a testemunhar essa historia de fascinação mútua.

Para comprar seu ingresso na Fnac clique em: Bonaparte et l'Egypte.

Bonaparte et l'Egypte
Em cartaz até 29 de março de 2009
Institut du Monde Arabe
1 rue des Fossés Saint-Bernard - Place Mohammed V
Tel.: 01 4051 3838
Metrô: Cardinal Lemoine linha 10 ou Sully-Morland linha 7

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La Petite Scierie: Foie Gras

Instalada na Île Saint-Louis, a pouco mais de 300m da catedral de Notre-Dame, a Petite Scierie tem simplesmente tudo em matéria de foie gras e derivados de pato em conserva: mousse de foie (patê de fígado de pato), foie gras entier (fígado de pato preparado inteiro), rillettes (patê feito com carne de pato desfiada), confits (carne de pato pré-cozida e conservada na própria gordura) e cassoulets (cozido de miúdos com feijão branco) são alguns dos excelentes produtos à venda na loja.

Não conhece muito bem os produtos? Ficou em dúvidas entre qual levar? Nunca provou um foie gras e gostaria de conhecer? Não tem problema. Catherine e Paul, proprietários da Petite Scierie, preparam para você uma degustação escoltada por uma taça de Coteaux du Layon. Mas não é a administração da loja em Paris a principal atividade do casal - eles são criadores de patos e têm uma plantação de aspargos no Val du Loire. Portanto, tudo o que está a venda na Petite Scierie é cultivado, criado e elaborado por eles - gente que conhece e ama aquilo o que faz. Ah, as conservas com os aspargos que eles plantam também estão à venda na loja.

Como os produtos da Petite Scierie são feitos artesanalmente e sem aditivos químicos, toda a produção da qual eles dispõem no momento fica à venda na loja. Então não há estoque nem a possibilidade de venda por correspondência ou encomenda de grandes quantidades - isso garante que os produtos sejam sempre fresquinhos. A validade aproximada de 3 meses permite que, mesmo você morando no Brasil, possa tranquilamente botar seu foie-gras na mala e levá-lo para degustar em casa - ou até mesmo presentear.

Um detalhe curioso: além de se dedicarem aos patos e aspargos, Catherine e Paul também têm como hobbie cultivar flores e fotografar, respectivamente. Nas paredes da loja em Paris (erguidas no século XVII) estão expostas algumas das belíssimas fotos que ele tira das flores cultivadas por ela e dos pássaros, borboletas e outros pequenos animais que habitam a propriedade do casal em Pouilly sur Loire.

Para uma degustação in loco, a loja também vende sanduíches de foie gras ou rillette feitos na hora. Mas a minha sugestão é que você compre um potinho de um ou do outro, uma baguette em alguma boulangerie próxima, e improvise um piquenique às margens do Sena tendo a Notre-Dame como cenário - um jeito bem parisiense de transformar um simples lanchinho num momento inesquecível.

La Petite Scierie

60 rue Saint Louis en l’Île
Abre de quinta a segunda das 11h00 às 19h00.
Tel.: 01 5542 1488
Metrô: Pont Marie linha 7

Rue Mouffetard

Ontem a tarde, rue Mouffetard: o frio, a chuva e os primeiros flocos de neve parecem ter feito com que os turistas optassem pelos passeios indoor.

21 de novembro de 2008

Benoît Dorémus: Rien à te mettre

Concordo: o clip é toscão e com aquela cara de "feito do jeito que deu pelo colega da turma que baixou um software legalzinho de edição de video." Mas se tivesse que apostar num palpite de quem em breve vai despontar como um grande nome da varieté française, apostaria as minhas fichas nesse cara: Benoît Dorémus.

Ouvi as musicas do Dorémus pela primeira vez durante um show do Renan Luce no Zenith Paris em maio deste ano - foi ele quem fez sozinho e de maneira sublime o show de abertura do concerto. E se Renan Luce arrebentou no palco, Dorémus tendo apenas sua guitarra folk como acompanhamento se apresentou à altura - letras bem elaboradas, acordes tranquilos e um jeito peculiar de "declamar" a musica. Para que você conheça um pouco mais sobre o trabalho de Benoît Dorémus, segue o clip de Rien à te mettre - abstraia o clip, ouça a musica e depois me diga se é legal ou não é.

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A pagina do cara no MySpace ja faz parte do blogroll do Viver Paris. Nela você pode ouvir um extrato de outras musicas e ainda ver alguns videos de suas apresentações.

Jardin du Luxembourg: cena de verão

Chez Moi

Boa comida em lugar simples e inusitado - tão simples e inusitado que não tem nem o nome escrito na entrada. Daqueles restaurantes que você olha meio desconfiado pela vitrine e se arrisca a entrar sem saber ao certo o que vai encontrar lá dentro. Mas se você não entrar, como é que vai saber? E se vale como dica, quem não se arrisca em lugares assim acaba perdendo boas surpresas em Paris. Boas e interessantes como o simpático restaurante Chez Moi.

Como o nome sugere, o Chez Moi (Minha Casa, em português) te acolhe como se você estivesse mesmo na casa do proprietário, um sujeito boa praça chamado Jean-Luc - o mesmo que cuida do restaurante, serve as mesas e comanda as panelas. Se quando você entrar o Jean-Luc estiver no fogão, ele te dá as boas vindas de lá mesmo - você já vai entender. Logo que você se acomoda na cadeira ele chega te trazendo um prato de sopa (e você ainda nem pediu nada). O que ele serve como prato principal? O que tiver inventado de fazer no dia: pode ser, por exemplo, quiche, peixe ou carne - normalmente acompanhados de salada. A cozinha é aberta para a pequena sala de refeições, e é de lá que ele conversa com os clientes enquanto prepara a comida - como se estivesse mesmo em casa cozinhando para amigos de longa data. Meio óbvio dizer que os pratos têm aquele ótimo sabor de feito em casa?

Mesmo sendo três pontos comerciais distintos, o bistrô Les Cent Kilos (que você vai ver na esquina logo que sair do metrô Saint-Ambroise), o salão de coiffure vizinho e o Chez Moi ficam todos no número 1 da rue Saint-Ambroise. O Chez Moi fica na portinha com paredes laterais em branco e rosa, entre o coiffure e o edifício residencial de número 3.

Apesar de tanta simplicidade o interior do restaurante é bonito e bem montado. E o mais importante: a comida é caprichada e muito saborosa. Os ingredientes são sempre frescos - Jean-Luc abastece o Chez Moi diariamente, voltando do mercado momentos antes de abrir as portas da sua casa para clientes que esbanjam bom humor e curiosidade.

Chez Moi
1 rue Saint-Ambroise
Metrô: Saint-Ambroise linha 9
Abre de segunda a sexta das 11h30 às 14h30
Menu completo a 8,50€.

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Alameda Bréchet: Paris ganha nova área verde

Que maravilha! A prefeitura de Paris anunciou esta semana (dia 18/Nov) a criação de mais uma área verde na cidade.

E os trabalhos começam já na próxima semana: A partir de 24 de novembro, e por um período de 10 meses, a alameda André Bréchet será totalmente reestruturada para se adequar ao que em Paris conhecemos por GPRU (Grand Projet de Renouvellement Urbain), ou seja, um grande projeto de renovação urbana que visa proporcionar mais qualidade de vida à população. Essa rua em Porte Pouchet, atualmente uma via de trânsito, receberá uma praça, um passeio arborizado, áreas de lazer para as crianças e outros espaços verdes.

O projeto para a alameda André Bréchet prevê transformar a rua em uma grande área arborizada de passeio graças ao plantio de um gramado, 200 árvores e mais de 15.000 flores e arbustos. A idéia é dar aos pedestres e ciclistas que circularão pelo local a sensação de não saberem ao certo se estão passando por uma rua ou andando dentro de um jardim. As ruas ao redor terão o limite de velocidade reduzido e deverão proporcionar a livre circulação de bicicletas e o exercício da prioridade de passagem aos pedestres.

O projeto foi estudado para que mesmo com a forte presença vegetal também haja a passagem da claridade do sol - assim, árvores de menores dimensões serão plantadas em meio às grandes castanheiras e flamboyants. Também será feito o plantio de árvores frutíferas visando atrair mais pássaros para a região. O projeto também foi pensado para garantir que a alameda permaneça bonita em todas as estações do ano: sendo possível observar pássaros no verão, uma variada gama de cores e flores na primavera, o tom vermelho-alaranjado das árvores no outono e uma atmosfera contemplativa no inverno.

A diminuição dos desconfortos ambientais e a melhoria da acessibilidade também fazem parte da proposta da prefeitura. Além dos trabalhos de jardinagem, as principais mudanças previstas para os próximos 10 meses de obras são: Supressão da circulação de trânsito (para a limitação dos incômodos sonoros e da poluição provocada pelos veículos), adaptação da sinalização para ciclistas e pedestres e a melhoria do acesso aos locais e equipamentos públicos aos portadores de necessidades especiais e pessoas com mobilidade reduzida. Para os motoristas também uma boa notícia: com a implantação do projeto serão criadas mais de 500 vagas de estacionamento nas imediações.

E quer saber o melhor? Todo esse trabalho é apenas a primeira etapa do projeto de renovação do quartier de Porte Pouchet. Portanto, vem mais por aí.

Nas ilustrações, alguns dos esboços divulgados pela prefeitura da nova cara da alameda André Bréchet. Inauguração no verão de 2009.