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11 de dezembro de 2008

A Rive Droite por Raphaël Haroche

Em uma matéria publicada na última sexta-feira no jornal francês Le Figaro o cantor Raphaël (que se apresenta amanhã em Bercy), falou sobre sua paixão pela Rive Droite, a famosa “margem direita”, que é toda aquela parte de Paris que vemos do lado de cima do rio Sena no mapa.

Quando não está viajando em tournée, Raphaël costuma transitar entre o seu escritório situado no 18º arrondissement e seu apartamento no 17º - onde está instalado seu estúdio. Autêntico parisiense e apaixonado pela cidade, o cantor já viveu em vários arrondissements de Paris, mas disse na reportagem do Le Figaro ter uma identificação maior com a Paris da margem direita, sobretudo pelas imediações da sua atual residência. Para Raphaël, “os limites do mundo” (Les limites du monde é o nome de uma das faixas de seu último álbum) situam-se em algum lugar entre a rue Abbesses e o mercado de pulgas de Clignancourt.

Nessa reportagem Raphaël dá algumas dicas interessantes sobre o que ver e fazer no 17º e 18º arrondissements - áreas que normalmente são pouco exploradas (no bom sentido, claro) por quem está na cidade a passeio.

Para ele o restaurante Kifune é o melhor endereço da cidade para se apreciar a cozinha japonesa (44 rue Saint-Ferdinand - Tel.: 01 4572 1119). Segundo ele, é ali que você vai encontrar a verdadeira culinária de Kioto em Paris.

Já um restaurante à moda antiga que ele recomenda, sobretudo para saborear pratos de inverno e que “tem uma iluminação que faz com que você não saiba se é noite ou dia” é o La Mascotte (52 rue des Abbesses - Tel.: 01 4606 2815).

Quer saber onde Raphaël faz as consultas literárias para suas composições ou participa de reuniões sobre as obras de Beckett, Apollinaire ou outros autores contemporâneos? Na livraria Abbesses (30 rue Yvonne-Le-Tac - Tel.: 01 4606 8430). E não é raro ele abordar algum freqüentador da livraria para saber “qual livro marcou sua vida” - portanto, ao entrar ali esteja preparado para responder a essa pergunta.

O cinema que ele recomenda na cidade é o Cinéma Studio 28 (10 rue Tholozé - Tel.: 08 9268 0743) - no qual ele começou a ir por comodidade devido à falta de tempo e acabou se tornando a sua sala de cinema preferida na cidade.

Para ele o restaurante que serve a melhor combinação carne e vinho do mundo é o Les Gourmets de Ternes. Segundo Raphaël o ambiente particularmente caloroso faz deste um dos melhores endereços de Paris para encontrar os amigos - como o cantor Jean-Louis Aubert, que é visto com freqüência com Raphaël no restaurante. Apesar da excelente comida, para Raphaël é o atendimento particularmente cordial o que mais se destaca no restaurante. Les Gourmets des Ternes (87 boulevard de Courcelles - Tel.: 01 4227 4304).

Quando tocou com Alain Bashung na sala Pleyel, Raphaël acabou descobrindo meio que sem querer uma igreja ortodoxa que fica logo ao lado. Faça como ele e entre nessa igreja em busca de serenidade - ou faça como eu, que vai lá só para ficar boquiaberto diante de tanta beleza. Eglise Cathédrale Russe (12 rue Daru - Tel.: 01 4227 3734).

Já para comprar de tudo - sobretudo antiguidades, o mercado de pulgas de Clignancourt é inigualável na opinião de ambos.

O álbum Caravane de Raphaël fez um enorme sucesso por aqui, vendendo quase 2 milhões de exemplares. Já seu último álbum Je sais que la Terre est plate é de uma riqueza musical que impressiona, tanto pelos arranjos musicais quanto pelas suas sublimes composições.

Para ver a matéria na integra no Le Figaro, clique aqui. Para não perder a viagem, veja o video de Sur la route, de Raphaël e Jean-Louis Aubert.


O blog do Raphaël faz parte da lista de favoritos do Viver Paris, e você pode acessá-lo sempre que quiser através do link localizado na seção Blogroll, à esquerda.

8 de dezembro de 2008

Arvore de Natal da Ferrero Rocher

Esta é a árvore de Natal estilosa instalada pela Ferrero Rocher em La Défense.

No stand montado sob a árvore você pode ver em primeira mão a nova campanha publicitária da marca e ainda ver como são feitos os chocolates Ferrero Rocher através da exibição de um vídeo em telas de alta definição - o mais interessante é que quando você chega perto das telas onde passam os vídeos, você sente o cheiro do chocolate.

Essas são as "telas aromáticas" no interior do stand que mostram como são feitos os chocolates Ferrero Rocher.


E claro que sua visita merece um prêmio: ao sair do stand você ganha um chocolate Ferrero Rocher.

A árvore da Ferrero Rocher tem bolas de Natal que lembram os chocolates da marca.

21 de novembro de 2008

Alameda Bréchet: Paris ganha nova área verde

Que maravilha! A prefeitura de Paris anunciou esta semana (dia 18/Nov) a criação de mais uma área verde na cidade.

E os trabalhos começam já na próxima semana: A partir de 24 de novembro, e por um período de 10 meses, a alameda André Bréchet será totalmente reestruturada para se adequar ao que em Paris conhecemos por GPRU (Grand Projet de Renouvellement Urbain), ou seja, um grande projeto de renovação urbana que visa proporcionar mais qualidade de vida à população. Essa rua em Porte Pouchet, atualmente uma via de trânsito, receberá uma praça, um passeio arborizado, áreas de lazer para as crianças e outros espaços verdes.

O projeto para a alameda André Bréchet prevê transformar a rua em uma grande área arborizada de passeio graças ao plantio de um gramado, 200 árvores e mais de 15.000 flores e arbustos. A idéia é dar aos pedestres e ciclistas que circularão pelo local a sensação de não saberem ao certo se estão passando por uma rua ou andando dentro de um jardim. As ruas ao redor terão o limite de velocidade reduzido e deverão proporcionar a livre circulação de bicicletas e o exercício da prioridade de passagem aos pedestres.

O projeto foi estudado para que mesmo com a forte presença vegetal também haja a passagem da claridade do sol - assim, árvores de menores dimensões serão plantadas em meio às grandes castanheiras e flamboyants. Também será feito o plantio de árvores frutíferas visando atrair mais pássaros para a região. O projeto também foi pensado para garantir que a alameda permaneça bonita em todas as estações do ano: sendo possível observar pássaros no verão, uma variada gama de cores e flores na primavera, o tom vermelho-alaranjado das árvores no outono e uma atmosfera contemplativa no inverno.

A diminuição dos desconfortos ambientais e a melhoria da acessibilidade também fazem parte da proposta da prefeitura. Além dos trabalhos de jardinagem, as principais mudanças previstas para os próximos 10 meses de obras são: Supressão da circulação de trânsito (para a limitação dos incômodos sonoros e da poluição provocada pelos veículos), adaptação da sinalização para ciclistas e pedestres e a melhoria do acesso aos locais e equipamentos públicos aos portadores de necessidades especiais e pessoas com mobilidade reduzida. Para os motoristas também uma boa notícia: com a implantação do projeto serão criadas mais de 500 vagas de estacionamento nas imediações.

E quer saber o melhor? Todo esse trabalho é apenas a primeira etapa do projeto de renovação do quartier de Porte Pouchet. Portanto, vem mais por aí.

Nas ilustrações, alguns dos esboços divulgados pela prefeitura da nova cara da alameda André Bréchet. Inauguração no verão de 2009.

27 de outubro de 2008

Um passeio pela região sul de Paris

Sábado fiz um passeio chouette completamente fora do roteiro turístico pela região sul de Paris, no 13º e 14º arrondissements. Aproveitei para incluir uma volta de tramway no percurso. Através da linha 13 do metrô cheguei a Porte de Vanves para acessar a linha T3 do tramway - um veículo que se locomove sobre trilhos e que circula em corredores exclusivos instalados nas avenidas que margeiam o limite periférico de Paris. Um transporte moderno, silencioso e confortável. Justamente por atender as zonas próximas a periferia é pouco conhecido dos turistas que visitam a cidade. O tramway é integrado ao sistema municipal de transporte e você pode usar o mesmo tipo de bilhete que usa no ônibus ou metrô - assim como o NaviGo.

Segui de tramway sentido Porte d’Ivry e desci no ponto Cité Universitaire. Localizado bem no sul de Paris, o Parc de la Cité Internationale é uma área preservada de 34 hectares onde funciona a Cité Internationale Universitaire de Paris (CIUP), universidade que acolhe anualmente por volta de 10.000 residentes de 140 nacionalidades diferentes. Por ficar longe da agitação urbana é um local muito tranqüilo, ideal para ler, estudar ou simplesmente exercitar o pensamento.

Edifício da Maison Internationale da CIUP

Além do château principal, conhecido como Maison Internationale (dedicada ao relacionamento social internacional e abriga piscinas, bibliotecas, ateliers de arte, espaço orquestra, teatro, brasserie, restaurante, espaço para o estudo de idiomas, etc.), a CIUP tem ainda outras 40 maisons dedicadas a diferentes países, cada uma com estilo arquitetônico próprio - como por exemplo a Maison du Brésil, inaugurada em 1959, a Maison d’Argentine, que data de 1928 e a Résidence André de Golveia, de 1960, dedicada a Portugal.

A Maison du Brésil lembra a arquitetura de alguns edifícios típicos de Brasília

Essas maisons servem como alojamento estudantil e são centros de difusão cultural de seus países de origem. Além dos centros de ensino e pesquisa, a CIUP tem espaços dedicados às manifestações culturais e esportivas. Com uma área verde super bonita, toda a estrutura nos lembra muito as grandes universidades retratadas no cinema. Saindo da universidade, foi preciso apenas atravessar a avenida para chegar a um verdadeiro paraíso verde: o Parc Montsouris.

O Parc Montsouris foi outra bela realização do Barão Haussmann. Inaugurado em 1869, esse parque de 15 hectares completou o projeto do Barão de oferecer à Paris uma extensa área verde para cada um dos quatro pontos cardeais de Paris: Bois de Boulogne à Oeste, Buttes-Chaumont ao Norte, Bois de Vincennes à Leste e o Parc Montsouris ao Sul. Um verdadeiro refúgio de tranqüilidade freqüentado pelos parisienses e estudantes da CIUP que o procuram para caminhadas ou um piquenique.

O lugar chega a parecer irreal de tão bonito. E ainda tem gente que diz que não existe a perfeição - pois para mim a perfeição é pura questão de ponto de vista, e o Parc Montsouris fundamenta bem minha teoria. Se uma volta pelos jardins da CIUP nos faz sentir como se estivéssemos dentro do filme Sociedade dos Poetas Mortos, o Parc Montsouris nos coloca numa paisagem de cartão postal ou de um bonito quebra-cabeça. E é exatamente neste parque que foi filmada a parte mais sublime daquele trecho do filme Paris je t’aime que postei aqui no blog mês passado.

Saindo de Montsouris segui de tramway até Porte d’Italie. A linha T3 passa bem ao lado do moderno estádio Charléty, sede do Paris Football Club. Do ponto Porte d’Italie segui a pé pela Avenue d’Italie, onde descobri a loja Maisons du Monde. Uma loja super bacana de artigos de decoração cujo piso térreo já está praticamente tomado por enfeites de Natal - os bons preços também chamam a atenção. Uma infinidade de enfeites de primeiríssima qualidade a preços convidativos. Tanto a Avenue d’Italie quanto a Avenue des Gobelins (seu prolongamento a partir da Place d’Italie) são avenidas comerciais onde você pode encontrar de tudo a bons preços. Outra loja curiosa na Avenue d’Italie é a 1001 Piles, que vende todo tipo de pilhas, baterias e carregadores imagináveis. Cheguei enfim à Place d’Italie, que vale uma parada para contemplação - uma bonita e ampla rotatória (também obra de Haussmann) rodeada pela Mairie du 13º arrondissement e pelo prédio futurista do shopping Italie 2.

A arquitetura moderna do shopping Italie 2 na Place d'Italie

A Aveue des Gobelins tem dois achados: o outlet André Stock, com sua vasta variedade de calçados a bons preços no número 31 e uma outra loja que vende toda a linha de vestimenta para profissionais de gastronomia a preços risíveis - mas que infelizmente não me lembro do nome nem do endereço exato. Mas não tem erro: descendo a Avenue des Gobelins pelo lado ímpar você acha fácil - a vitrine é grande e chama a atenção. Terminei o passeio ao chegar no marché da rue Mouffetard, cansado de tanta andança mas feliz da vida com o meu roteiro do sábado. O dia estava frio e nublado, mas e daí? Ici c'est Paris!

Alguns endereços para a sua agenda:

Maison du Monde
57 avenue d’Italie
Tel.: 01 4424 7090
Metrô: Tolbiac linha 7
Abre de segunda à sabado das 10h00 as 19h00

La Cité Internationale Universitaire de Paris
17 boulevard Jourdan
Tel.: 01 4416 6400
RER: Cité Universitaire linha B
Tramway: Cité Universitaire linha T3
Metrô: Porte d’Orléans linha 4
Abre todos os dias das 7h00 as 22h00

1001 Piles
143 avenue d’Italie
Tel.: 01 4583 5322
Metrô: Maison Blanche linha 7
Abre as segundas e sábados das 9h30 as 12h30 e das 14h00 as 18h00, de terça a sexta das 9h00 as 19h00

O legal é que a partir de Porte d'Italie o roteiro acompanha a linha 7 do metrô. Se você cansar de andar ou se quiser encurtar o passeio, basta entrar numa das estações do metrô que aparecerão pelo caminho ao longo da Avenue d'Italie ou Avenue des Gobelins. Durante o percurso você terá muitas opções de bons restaurantes a preços amistosos. Se sobrar disposição, entre no Quartier Latin pela rue Mouffetard e termine o passeio em um agradável café.

18 de outubro de 2008

Bercy Village e Quartier Bercy

O Bercy Village é um charmoso centro de comércio e lazer instalado no 12º arrondissement de Paris. Foi construído no local onde, durante o século XIX e início do século XX, funcionava o mais importante centro de negociação e estocagem de vinho da cidade. O grande up do desenvolvimento do quartier Bercy aconteceu em 1984, com a abertura do Palais Omnisports de Paris-Bercy (a maior casa de shows de Paris) e a construção do novo edifício do Ministério das Finanças.

O centro comercial Bercy Village foi inaugurado em 2001 e comporta mais de 30 estabelecimentos, entre lojas e restaurantes. O local também oferece excelentes salas de cinema da UGC - a UGC Ciné Cité Bercy. A infra-estrutura de serviços de Bercy Village conta ainda com caixas eletrônicos, telefones públicos e banheiros impecavelmente limpos (apesar dos banheiros serem de uso gratuito, é de bom tom deixar umas moedinhas na ante-sala para as senhoras que cuidam da limpeza).

Um pequeno - porém interessante - roteiro que você pode fazer quando for a Bercy Village é passear ainda pelo bonito Parc de Bercy que fica bem ao lado e andar pela Passerelle Simone-de-Beauvoir até a Bibliotèque François Miterrand. O Parc de Bercy é uma área verde muito agradável de 14 hectares formada por três jardins - ideal inclusive para quem quer um local tranqüilo para fazer um piquenique. Fica entre o Palais Omnisports de Paris-Bercy (POPB) e o centro comercial Bercy Village.

O jardim mais próximo de Bercy Village chama-se Jardin Romantique e compreende fontes com peixes, a bonita escultura Demeure X cercada de ninféias e a Maison du Lac, uma casa de época à beira de um lago. Era na Maison du Lac que eram cobradas as taxas e realizados os pagamentos dos mercadores de vinho que trabalhavam na região em outros tempos.

Duas passarelas permitem a passagem para o jardim Parterres, dedicado às atividades de cultivo de plantas, flores e hortaliças. O Parterres tem importância lúdica para os alunos das escolas públicas de Paris, pois é aberto às instituições de ensino para a realização de atividades ambientais extra-classe.

O jardim mais próximo do POPB é chamado de Les Praires, sendo formado por uma ampla área gramada alardeada por grandes árvores. No Les Praires é alguns parisienses se reúnem nos finais de semana para animadas partidas de futebol. O jardim ainda tem uma área de terra batida bem ao lado do POPB onde se reúnem praticantes de skate e patinadores.

O Parc de Bercy foi concebido entre os anos de 1993 e 1997 por arquitetos e paisagistas de renome e é um dos parques mais importantes da cidade. Outro ponto interessante é que tudo isso está às margens do Sena.

Atravessando a moderna ponte trançada ao lado do jardim Les Praires, a Passerelle Simone-de-Beauvoir, você aproveita uma bonita vista do rio e tem acesso à Bibliothèque François Mitterand - de acesso público, é a maior e mais importante biblioteca da França e uma das mais importantes do mundo.

O complexo faz parte da Bibliothèque Nationale de France e conserva mais de 13 milhões de livros impressos, além de outra quantidade também impressionante de volumes digitalizados. Além da guarda e disposição pública dos livros para consulta, ali costumam acontecer grandes exposições e eventos literários abertos ao grande público visando a difusão da cultura e do conhecimento.

A gigantesca biblioteca ocupa uma área de 7,5 hectares e tem uma esplanada de 60.000m2. A obra arquitetônica de Dominique Perrault se caracteriza pelas 4 torres angulares de 79m de altura, como se fossem grandes livros abertos. Cada uma das torres tem um nome: Tour des temps (Torre dos tempos), Tour des lois (Torre das leis), Tour des nombres (Torre dos números) e Tour des lettres (Torre das letras). O centro do edifício tem um jardim de 12.000m2 que pode ser visto do alto da esplanada, mas que é fechado ao público.

O passeio ainda dá direito a conhecer a linha 14 do metrô - a linha mais moderna da RATP tem apenas 10 anos de existência e é a única da cidade que é totalmente automatizada. Nela os trens funcionam sem operador e a via é protegida pelas Platform Screen Doors (PSD) - imensas portas de vidro que se abrem automaticamente ao alinhamento do trem na plataforma.

Metrô: estações Bercy, Cour Saint-Emilion ou Bibliothèque François Miterrand, todas na linha 14

Para saber mais:
http://www.bercyvillage.com/
http://www.bnf.fr/
http://www.bercy.fr/

9 de outubro de 2008

O fabuloso café de Amélie Poulain

Se você também se emocionou com Audrey Tautou no filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain", dirigido por Jean-Pierre Jeunet, não pode deixar de visitar o café que virou uma das grandes sensações de Montmartre: o Café des Deux Moulins.

O famoso café é o local onde trabalhava Amélie, a adorável garçonete que tinha o dom de realizar os sonhos das pessoas à sua volta, deixando sempre de lado seus interesses e desejos pessoais. Localizado no coração de Montmartre, o Café des Deux Moulins é parada obrigatória para quem visita um dos mais poéticos arrondissements parisienses. O simpático café, por onde já passaram grandes nomes das artes como Cézanne, Renoir e Van Gogh, mantém a decoração como foi exibida pelas telas do cinema - até mesmo a disposição das mesas e o balcão de Amélie foram mantidos. A única diferença que você vai perceber no cenário é a tabacaria, que foi retirada do interior do café para dar mais espaço aos clientes, devido ao grande aumento de freqüentadores depois do sucesso do filme.

A sobremesa mais pedida da casa (como não podia deixar de ser) é o crème brûlée, a preferida de Amélie, que fazia do ato de comer o doce um verdadeiro ritual de sensibilidade. Portanto, antes de saboreá-lo, faça como Poulain - quebre a casquinha de açúcar queimado do seu crème brûlée com a parte arredondada da colher, apreciando esse doce momento com tudo o que pode.

Café des Deux Moulins
15 rue Lepic
Tel.: 01 4254 9050
Metrô: Blanche linha 2

2 de outubro de 2008

La Mosquée de Paris

La Grande Mosquée de Paris é a maior e mais antiga mesquita da França. Construída de 1922 a 1926, a bonita edificação ocupa uma área total de aproximadamente um hectare.

Durante a Segunda Guerra Mundial o local foi um importante centro da Resistência, onde se reuniam os muçulmanos que viviam na França. Os franco-atiradores argelinos - que usavam o local como base - tinham o importante papel de dar apoio aos pára-quedistas britânicos, além de prestar assistência às famílias de judeus que se refugiavam na Mesquita.

Mas nem só de orações e historia é feita a Grande Mesquita de Paris. Além do templo usado pelos seguidores da fé muçulmana, este centro de referência islâmica abriga uma escola, uma biblioteca, uma sala de conferências, um restaurante, um salão de chá, jardins para meditação, um centro de bem-estar (Hammam) e algumas lojas.


O atendimento do restaurante e do salão de chá é bem caloroso. O couscous é o meu prato favorito na Mesquita, e serve bem duas pessoas. Os doces do Oriente Médio, como o cornes de gazelles ou o baklawa, são excelentes e feitos segundo as receitas originais da região. Tomar o chá de menta (2,00€) da Mesquita é quase uma tradição - não deixe de provar. E não é a toa que o restaurante foi batizado de Aux Portes de l'Orient (As Portas do Oriente) - a música típica aliada à decoração se encarrega de fazê-lo(a) sentir-se numa tenda de "As 1001 noites".


O Hammam é uma área dedicada exclusivamente ao relaxamento e ao bem-estar - através de massagens e de uma sucessão de salas de banho a vapor que vão gradativamente aumentando de temperatura. Para completar, a decoração com revestimentos em mármore, mosaicos, colunas e a fonte oferecem uma atmosfera insólita, ideal para te fazer esquecer daquela maldita listinha de encomendas da sua prima Durvalina e relaxar.

Independente de qual seja sua crença, na Grande Mesquita de Paris todos são bem-vindos.

O restaurante Aux Portes de l'Orient abre diariamente, inclusive aos domingos, para o almoço e o jantar. O salão de chá funciona todos os dias das 9h00 às 00h00. Para as meninas, o Hammam funciona as segundas, quartas, quintas e sábados das 10h00 as 21h00 e as sextas das 14h00 as 21h00. Para o Joãozinho, somente as terças de 14h00 as 21h00 e domingos das 10h00 as 21h00.

39 rue Geoffrey Saint-Hilaire
Tel.: 01 4331 3820
Metrô: Censier-Daubenton linha 7

29 de setembro de 2008

Les Catacombes de Paris

Confesso que esse não é o meu tipo preferido de promenade, mas não dava para deixar de fora um dos passeios mais curiosos da cidade: uma visita à cidade subterrânea - as catacumbas de Paris.

Formadas por um complexo de túneis subterrâneos de aproximadamente 300km de extensão, as catacumbas estão localizadas a 30 metros abaixo da superfície da capital francesa. O ossuário, que ocupa apenas parte dos túneis, começou a ser organizado em 1785 e foi aberto ao público como atração turística no início do século XIX. Calcula-se que o local contenha os despojos de 5 a 6 milhões de pessoas.

Algumas ruas subterrâneas correspondem em exatidão o traçado das ruas a céu aberto, e nesses casos existem placas indicando sob qual rua da cidade você está. Algumas placas esculpidas em pedra estão posicionadas em todo o percurso para dar um clima de suspense ao passeio. Portanto, quem não sabe francês pode se considerar em vantagem neste caso. Em cada ala das catacumbas existem placas explicativas, descrevendo o que aconteceu àquelas pessoas e de onde vieram as ossadas. Um dado curioso: os únicos corpos que foram sepultados diretamente nas Catacumbas foram os dos mortos nos combates da Revolução Francesa dos dias 28 e 29 de agosto de 1788 na praça do Hôtel de Ville, de 28 de abril de 1789 na Manufacture de Réveillon e do dia 10 de agosto de 1792 em Tuileries.

A visita não é recomendada aos que possam se impressionar, nem para quem sofre de claustrofobia ou rinite - o local é úmido, escuro e muito empoeirado. Além disso, reserve um fôlego para subir a escadaria na volta. E uma vez lá embaixo, cuidado com a cabeça, Joãozinho! O pé direito em alguns pontos é bastante baixo e sua altura pode variar. Apesar de ser um passeio um tanto mórbido, apenas no ano passado as catacumbas receberam mais de 253.000 visitantes. Este ano foi reaberta para visitação a galeria Port-Mahon das catacumbas, que estava fechada ao público desde 1995.

Catacombes de Paris
1 avenue du Colonel Henri Rol-Tanguy
Tel.: 01 4322 4763
Metrô: Denfert-Rochereau linha 4 ou 6
Abre de terça a domingo das 10h00 às 17h00

26 de setembro de 2008

Rue Mouffetard

Que tal uma pequena visita à famosa rue Mouffetard, uma das mais antigas e encantadoras ruas de Paris? Seu ambiente com jeitão de cidade interiorana, seu mercado e seu passado de artes faz deste um lugar emblemático na margem esquerda, onde se cruzam estudantes, residentes e turistas em busca de autenticidade.

O bairro Mouffetard-Contrescarpe goza de uma situação privilegiada: é localizado a dois passos do Panthéon, o imponente monumento guardião da memória francesa, onde descansam algumas das grandes personalidades que escreveram seus nomes nas paginas da historia, como Voltaire, Malraux e Rousseau. Alguns metros mais adiante estão as arenas de Lutécia. Construídas no século I, constituem um dos últimos vestígios da Roma Antiga ainda visíveis em Paris. E ali ao lado fica o Quartier Latin, lugar de estudos por excelência, marcado pela evolução da historia política, social e literária parisiense.


Com sua longa e suave inclinação que se estende pelos seus 650 metros (dos quais metade é reservada para pedestres), a rue Mouffetard (também chamada de “la Mouffe” – algo cada vez mais raro de se ouvir) começa na place de la Contrescarpe e termina perto da igreja de Saint-Médard, não distante da estação do metrô les Gobelins. Oferece ao olhar atendo dos visitantes a agradável visão de suas bonitas casas antigas, dos bistrôs convidativos, dos restaurantes de pratos generosos, do mercado muito conhecido pelos sabores da terra-mãe, do cinema de arte e de ensaio, da grande biblioteca de quatro andares, do boliche, dos terraços de café a perder de vista… É sem dúvida alguma a rua mais animada de um bairro conhecido por sua tranqüilidade.

Na place de la Contrescarpe, criada em 1852, a atmosfera é inimitável. À noite as luzes cintilam, os turistas misturam-se aos habitantes e os vendedores de crepe fazem fortuna enquanto os músicos de rua nos presenteiam com um ambiente festivo e descontraido. Então sim, constatamos que o bairro tornou-se ligeiramente boêmio - mas isso já não nos diz muita coisa hoje em dia. O que sei de fato é que ali é um ótimo lugar para se exercer aquilo o que chamo de “boa vida”. Seja simplesmente para passear ou mesmo para instalar-se por lá por um período indeterminado (por que não?).

Já havia vestígios da rue Mouffetard desde a Roma Antiga, no século I. Não levava ainda esse nome, mas já era bastante freqüentada, pois ligava Lutécia à atual Ivry - fora batizada de Mont-Cétard, em algum momento do século XVII. E até hoje ocorrem divergências sobre a origem do nome atual. Alguns dizem que é apenas uma mutação temporal de Mont-Cétard para Mouffetard que deu nome à rua, outros falam que seu nome vem em referência ao cheiro que vinha dos curtumes às margens do rio Castor (o qual era chamado de “moffette”). Hoje esquecido, o Castor era um rio de 40 quilômetros que nascia no Yvelines e se lançava no Sena dentro de Paris. Atravessava a rue Mouffetard próximo à igreja de Saint-Médard, antes de ser preenchido com concreto em 1850. Em 1868, o barão Haussmann empreende seus importantes trabalhos: a rue Mouffetard que se prolongava até a place d’Italie é encurtada pela metade - a outra parte se torna a avenue de Gobelins. E desde então está da maneira como a conhecemos.

Durante suas estadas parisienses, o escritor Ernest Hemingway muda muito freqüentemente e aluga um quarto na rue de Descartes, um prolongamento da rue Mouffetard. A rua sai diretamente na place de la Contrescarpe, o número é o 39. Pouco antes da sua morte, Hemingway tinha lançado as bases do seu livro Paris é uma festa, que foi sua primeira obra publicada de maneira póstuma. Uma placa foi afixada à parede: “De janeiro de 1922 a agosto de 1923 viveu no terceiro andar deste edifício, com Hadley sua esposa, o escritor americano. O bairro que tanto gostava foi o verdadeiro lugar de nascimento da sua obra e do estilo narrativo que o caracterizava.” Seguida da citação: “Tal era a Paris da nossa juventude, do tempo onde estávamos muito pobres e muito felizes.”

Dizem que o fantasma benevolente de Hemingway sempre passeia pela place de la Contrescarpe, e que visivelmente ele não está só: podemos ver Rabelais, Descartes, Diderot, Verlaine ou mesmo Piaf. Todos habitantes ou freqüentadores assíduos do bairro que tanto apreciavam pela sua autenticidade e o seu encanto tipicamente parisiense. Felizes para sempre.

Metrô: Place Monge ou Cencier Daubenton linha 7

No inicio do post, a famosa foto de Henri Cartier-Bresson: Rue Mouffetard 1954, Paris.

24 de setembro de 2008

Le Petit Journal Saint-Michel

A primeira vez em que entrei no lendario Le Petit Journal de Saint-Michel foi ha 5 anos. Comemorava meu primeiro aniversario longe de rostos conhecidos. Foi quando então decidi me presentear com uma bela noitada de jam session. Durante a tarde, no final do expediente, procurei o endereço nas paginas amarelas, anotei tudo num papelzinho e corri para o Quartier Latin com a adrenalina saindo pelos poros.

Quando cheguei no lugar pensei ter errado o endereço. Deparei-me com um pequeno bar estreito e vazio. Nele, apenas um maciço balcão de madeira escura guarnecido por um bartender mais maciço ainda, que me olhou de canto de olho enquanto enxugava um copo com o vigor de quem combatia o exército inimigo. Perguntei, meio encabulado e com meu francês sofrivel da época, se estava no lugar certo - a essa altura eu ja estava com o tal papelzinho à mão, no qual escrevi: Concert tous les soirs a partir de 21h15. Caramba! Ja eram 21h30 e o lugar ainda estava vazio! E aquela noite não era uma soir qualquer...

O grandalhão então saiu detras do balcão, me perguntando - em inglês - se eu tinha vindo para o concerto. Abri um sorriso e fiz que sim com a cabeça enquanto o Yes! me saia por entre os dentes. Em resposta ouvi apenas -C'mon boy, enquanto fui conduzido para uma pequena escada num canto do bar, como se estivesse indo em direção ao porão - e estava. O espirito do jazz habita naquela cave.

A cave do Le Petit Journal tem pé direito baixo, paredes rusticas e uma acustica inacreditavel. Os musicos não se apresentam num palco, mas no mesmo nivel do salão com mesas dispostas ao redor. Para quem quer um cantinho um pouco mais reservado, existem algumas mesas no fundo da cave dispostas como se fossem carteiras escolares.

Soube depois que o Le Petit Journal tem outro endereço em Montparnasse - com um salão amplo, palco bem montado, decoração caprichada e um ambiente legal para comportar grandes grupos. Assim, acho que fiz meu debut no jazz parisiense no endereço certo. Portanto, se você busca boa musica num ambiente bonito e confortavel, seu lugar é no Le Petit Journal Montparnasse. Mas se como eu, prefere um ambiente mais rustico e improvisado como nos antigos clubes de jazz, a cave de Saint-Michel é incomparavel.

Localizado pertinho do Jardin du Luxembourg, o Le Petit Journal Saint-Michel foi fundado em 1971, e rapidamente tornou-se uma das grandes referência parisienses do jazz tradicional de New Orleans, graças aos convidados de peso que tocam ali. Alguns musicos famosos apresentam-se ali com regularidade, como Claude Bolling, Christian Morin, Maxim Saury, Marcel Zanini e Claude Tissendier. A cave tem capacidade para apenas 80 pessoas e nos remete à Saint-Germain des Prés dos anos 50.

No cardapio, pratos da tradicional culinaria francesa e uma excelente carta de aperitivos. O atendimento é bem bacana e caloroso. Confesso que acho o preço do menu um pouco salgado. Mas vale a penas ir para la apos o jantar e bebericar uma biritinha enquanto ouve musica da melhor qualidade.

Le Petit Journal Saint-Michel
71 boulevard Saint-Michel
Tel.: 01 4326 2859
Metrô: Cluny-La Sorbonne linha 10
RER: Luxembourg linha B
Ônibus: Luxembourg linhas 21, 27, 38, 82, 84 e 85
http://www.petitjournalsaintmichel.com/

23 de setembro de 2008

Rue de Varenne

A rue de Varenne é uma rua de importância historica para a cidade de Paris. Situada no 7ème arrondissement, ela tem 930 metros que se estendem da rue de la Chaise até o boulevard des Invalides.

Aberta no inicio do século XVII, a rue de Varenne ja foi chamada sucessivamente de rue du Plessis, rue de la Garenne e, finalmente, rue de la Varenne. Até 1850, apenas o trecho entre a rue du Bac e o boulevard des Invalides era chamado de rue de Varenne - o restante da rua que ia da rue du Bac até a rue de la Chaise era conhecida como rue de la Planche desde 1640. A rue de la Planche foi unida à rue de Varenne por decreto em 8 de janeiro de 1850.

A origem do nome Varenne é controverso: em francês, uma varenne é um terreno não cultivado que servia como reserva de caça, como era o local na época em que a rua foi aberta. Dizem ainda que o nome pode ter se originado dos abades vindos da cidade de Varennes e que se instalaram em Paris, como Mathieu Perrot, chanceler da academia e da igreja de Bourges durante o reinado de Charles IX ou Jacob de Nuchez, bispo de Chalon-sur-Saône sob o reinado de Louis XIV, ou então do escudeiro da cidade de Varennes no século XVII François Perron ou, finalmente, em homenagem ao almirante francês Florent de Varenne.

A rue de Varenne é uma das ruas mais ricas de Paris em hôtels particuliers, os famosos palacetes particulares construidos, sobretudo, no século XVIII. Vamos a alguns endereços interessantes que estão na rue de Varenne:

45: O Hôtel de Jaucourt foi construido em 1777 por Jacques-Denis Antoine para Élisabeth de La Châtre. Ela foi a segunda esposa do conde Louis Pierre de Jaucourt, que da nome ao palacio.
47, 49 e 51: O Hôtel de Boisgelin (também chamado de Hôtel de La Rochefoucauld - Doudeauville) é a sede da embaixada da Italie na France.
48: A condessa de Ségur e seu marido Eugène de Ségur viveram aqui logo apos seu casamento em 1819.
50: O Hôtel de Galliffet abriga hoje a atual sede do Instituto Cultural Italiano.
53: A escritora americana Edith Wharton viveu neste edificio à partir de 1906.

54: A navegadora e campeã olimpica de vela Virginie Hériot viveu neste imovel.
56: O Hôtel Gouffier de Thoix recebe o nome de Thimoléon François Louis Gouffier, marquês de Thoix que construiu o edificio. Nele viveu o poeta francês Louis Aragon. Hoje o edificio faz parte da area de trabalho do primeiro-ministro.
57: Hôtel Matignon, sede do primeiro-ministro francês.
58: Hôtel de Montalivet (também conhecido como Hôtel de Feuquières ou d'Orrouer). O edificio que foi ocupado a partir de 1764 pela familia La Rochefoucauld-Liancourt, no século XIX pelos Calmann-Lévy e no inicio do século XX pelos Montalivet, foi adquirido pelo Estado em 1947.
60: Hôtel du Prat: Construido por Pierre Boscry e decorado por Nicolas Pineau entre os anos 1732 e 1750.
61: O antigo Hôtel de Mazarin (hoje Hôtel d'Étampes) é um dos palacetes de maior importância arquitetonica da rue de Varenne. Construido em 1703 por Jean Courtonne foi completamente reformado em 1736 por Jean-Baptiste Leroux e Nicolas Pineau para a duquesa de Mazarin.
62: Hôtel construido em 1738 por Pierre Boscry para a marquesa de Feuquières.
69: O Hôtel de Clermont (também chamado de Hôtel de Chaulnes e Hôtel d'Orsay) foi construido entre 1708 e 1714 a pedido da marquesa de Saissac. Atualmente faz parte do Secretariado Geral do Governo, a serviço do primeiro-ministro.
72: Hôtel de Castries, construido no final do século XVII, foi residência do duque de Castries entre 1843 e 1863.
73: O Hôtel de Broglie, de 1704, é hoje a residência parisiense de Hassanal Bolkiah, sultão do Brunei.
78: Construido entre 1713 e 1724 para o barão Antoine Hogguer e transformado posteriormente pelo duque de Villeroy, o Hôtel de Villeroy abriga hoje o Ministério da Agricultura e da Pesca.
80: A construção de qualidade singular abriga alguns serviços do Ministério da Agricultura.
75, 77 e 79: O Hôtel Biron é onde esta instalado o Musée Rodin.

Metrô: Varenne linha 13

A primeira foto do post é a rue de Varennes vista pela sacada do Hôtel de Villeroy. Ja a outra, mostra a placa que foi instalada ao lado da porta no numero 53, onde viveu a escritora Edith Wharton. Clique nas fotos para amplia-las.

17 de setembro de 2008

Musée de l'Orangerie

No domingo 7 de setembro (sim, estou em atraso com esse post), aproveitando a manhã chuvosa e a tão esperada chegada do "dia dos museus gratuitos em Paris", visitei o musée de l'Orangerie que fica dentro do jardim de Tuileries. Para quem ainda não sabe, no primeiro domingo de cada mês varios museus da cidade têm entrada gratuita. Mas falarei sobre isso em outro post, d'accord?

O musée de l'Orangerie abriga aquela que talvez seja a obra mais impressonante de Claude Monet: Les Nymphéas (As Ninféias). Eu ja conhecia um pouquinho sobre os quadros, mas ainda não os tinha visto pessoalmente. Uma obra que resume em si mesma a essência do significado de "arte impressionista".

Para mim o mais impressionante não é a visão das pinturas em si, mas ter conhecido em detalhe, apos ver um belissimo documentario na midiateca do museu, o contexto historico e pessoal no qual Monet pintou Les Nymphéas. Entre 1895 e 1926 (ano de sua morte), Monet pintava às margens de um jardim aquatico que ficava em sua propriedade em Giverny, na Normandia. O famoso lago de ninféias foi retratado pelo artista em aproximadamente 300 telas, dentre as quais, mais de 40 em painéis de grande formato. Durante esse periodo, Monet fez de seu jardim um verdadeiro laboratorio estético.

As telas expostas no musée de l'Orangerie foram criadas unicamente para ser um presente do pintor à França. O edificio do museu, um antigo deposito de laranjas de Tuileries, foi escolhido por Monet em 1920 para abrigar as ultimas telas que ele pintaria de seu jardim de ninféias. Durante 7 anos, a chefe de arquitetura do Louvre, Camille Lefèvre coordenou os trabalhos de reforma do edificio seguindo as indicações do proprio Monet. Assim, o museu toma a forma de um refugio de paz e sossego em meio a uma região movimentada da cidade.

Les Nynphéas é um apelo à reflexão humana sobre a pureza e tranquilidade que podemos obter através do contato com natureza e com nosso proprio interior. A obra foi concebida em plena primeira guerra mundial, e foi a linda forma de Monet contestar a barbarie da guerra. Sua maneira particular de acabar com aquela insanidade feita de chumbo e desespero, de pôr um fim ao odio e sofrimento instaurados no coração humano através da reflexão. Como se convidasse cada um a abandonar toda a tristeza para se sentar com ele às margens de seu sossegado lago em Giverny, simplesmente para contemplar a beleza e esquecer o sofrimento.

Outro detalhe curioso: as telas são uma visão panorâmica de um lago, e por isso são dispostas em toda a volta de duas salas elipticas. As telas pintadas ao entardecer, estão voltadas para o Oeste, enquanto que as telas pintadas ao amanhecer ficam a Leste. Também por isso, o museu fica ao longo do Sena, no ponto onde o rio se alinha ao eixo Leste/Oeste da cidade - todo o contexto de concepção do museu foi brilhantemente pensado por Monet. As aguas do Sena passando bem ao lado de l'Orangerie, segundo o proprio Monet, daria a real sensação do tempo que passa enquanto se observa a obra - é algo como, deixar o tempo passar enquanto você contempla nada além de beleza, fazendo assim, bom uso do seu tempo. A disposição das duas salas em elipse tem o objetivo de representar o infinito e as ante-salas vazias entre uma elipse e outra representam o sagrado.

O filme também explica que Monet pintou Les Nymphéas no final da vida, pouco tempo antes de morrer. Tanto que nem chegou a ver a obra instalada no museu - o qual ja estava pronto, aguardando apenas sua conclusão para que as telas fossem expostas. Nesse meio tempo, era Georges Clemenceau, amigo influente de Monet quem acalmava os administradores do museu para que Monet pintasse em seu proprio ritmo, sem que fosse pressionado pelo prazo. Clemenceau sabia melhor do que ninguém a fragil condição do pintor. A catarata que castigava Monet em seus ultimos dias era tão severa que boa parte da obra foi pintada sem que ele enxergasse as cores com as quais pintava - guiava-se apenas pela disposição das tintas na sua paleta, pois colocava as cores sempre nos mesmos lugares para pintar. Uma historia simplesmente apaixonante de amor pela arte e pela humanidade. Poucas vezes me emocionei tanto ao visitar um museu.

Mas além das telas de Monet, o musée de l'Orangerie expõe ainda obras de Paul Cézanne, Henri Matisse, Pablo Picasso, Amadeo Modigliani, Pierre-Auguste Renoir e Alfred Sisley, que faziam parte dos acervos pessoais do arquiteto jean Walter e do merchand de arte Paul Guillaume, fundador do museu. Atualmente o musée de l'Orangerie é dirigido pelo historiador de arte Pierre Georgel - um dos maiores conhecedores do mundo sobre o trabalho do escritor Victor Hugo.

Para ilustrar, coloquei algumas fotos tiradas durante minha visita ao museu.

Musée de l'Orangerie
Place de la Concorde jardin de Tuileries
Metrô: Concorde ou Tuileries linha 1
Ônibus: parada Concorde das linhas 24, 42, 52, 72, 73, 84 e 94
Tel.: 01 4477 8007
Entrada gratuita para menores de 18 anos

Para saber mais: http://www.musee-orangerie.fr/
Para comprar ingressos na Fnac: Musée de l'Orangerie

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15 de setembro de 2008

A arvore mais antiga de Paris

Milhares de pessoas transitam todos os dias a poucos passos dali, mas pouca gente sabe que a arvore mais idosa de Paris esta plantada na square Saint-Julien le Pauvre, no 5ème arrondissement, ao lado da Île de la Cité. Trata-se de uma robinier pseudo-acacia que foi plantada em 1602 pelo botanista francês Jean Robin - que da nome à espécie. Essa arvore é também uma das arvores mais antigas de toda a Europa, e apesar de ostentar uma bonita folhagem durante a primavera e o verão, ela precisa ser sustentada por escoras de madeira e concreto para se manter de pé. Portanto, quando passar por perto da catedral de Notre-Dame, não deixe de dar uma passadinha na square Saint-Julien le Pauvre para visitar a querida Madame Robinier.


9 de setembro de 2008

Île de Puteaux

A Île de Puteaux é um lugar praticamente desconhecido dos turistas que vêm a Paris - e mesmo da maioria dos brasileiros que vivem aqui. Não que a ilha seja propriamente um local de apelo turístico, mas é bonita até dizer chega. Além de ser um refúgio de paz e sossego para aqueles momentos nos quais você quer apenas curtir o silêncio e contemplar a beleza do mundo.

Localizada sob a ponte de Neully, a Île de Puteaux é dividida em duas partes: a primeira (a qual chamo de ponta oriental) é um belíssimo jardim arborizado com bancos de onde você pode contemplar o rio Sena passando de ambos os lados da ilha. E é esta ponta da ilha o seu ponto mais sossegado - um universo de tranqüilidade para ler um livro, escrever suas memórias, botar as idéias em ordem, admirar a perfeição com a qual o bom Deus fez as coisas ou simplesmente chorar as pitangas por ter brigado com a namorada.

Já a segunda parte da ilha (a parte ocidental - não chamo de “ponta” porque este lado da ilha é largo e tem mais de 2km de comprimento), é formada por um bonito bosque (o jardim público municipal de Puteaux) e por um centro esportivo de alto nível (o Complex Sportif de Neully), construído para receber algumas competições dos Jogos Olímpicos de 1900. Algumas partidas da Copa do Mundo de Futebol de 1938 também foram disputadas ali.

Além do Palais des Sports com suas piscinas e ginásios, o complexo esportivo ainda abriga 6 campos de futebol, 24 quadras de tênis, 1 campo de golfe, entre outras áreas para a prática de diversas modalidades esportivas. Um equipado centro de ensino de remo está anexado ao Palais des Sports – e é muito legal ver de qualquer ponto da ilha os longos caiaques passando com aquele monte de gente remando em pleno rio Sena. Há ainda um centro de treinamento de tênis localizado bem debaixo da ponte de Neully, e é justamente ele que separa a ponta oriental da parte ocidental da Île de Puteaux. Uma bela atração do jardim público são suas roseiras, com flores devidamente classificadas segundo o gênero, localizadas entre o Palais des Sports e o complexo esportivo de Neully.

Curiosidade: a primeira ponte de Neully foi construída em madeira em 1606. A segunda ponte, de 1774, tinha 5 arcos de pedra de 219m de comprimento e foi concebida pelo engenheiro Jean-Rodolphe Perronet, fundador da École des ponts et chaussées. Ente 1936 e 1942 essa ponte foi destruida, sendo substituida em 1942 por uma ponte metalica projetada por L.A. Lévy da empresa Daydé. Em 1992 as passarelas da ponte foram reduzidas para permitir a passagem aérea do prolongamento da linha 1 do metrô até La Défense. Ainda hoje se observa a estátua de Jean-Rodolphe Perronet na ponta oriental da Île de Puteaux.

Île de Puteaux
Metrô: Pont de Neully linha 1
Saindo do metrô basta caminhar em direção a La Défense. Existe uma escadaria no meio da ponte de Neully que dá acesso à ilha.

5 de setembro de 2008

Bateau Nike 1924

Para quem quiser visitar um lugar em Paris que é descolado, diferente, pouca gente conhece e sem gastar nada, uma boa pedida é o Bateau 1924 - um belíssimo barco que a Nike atracou no quai de Seine pertinho da Bastille.

Criado para ser um ponto de exposição das novas tendências a serem seguidas pela marca, rapidamente se tornou um ponto de encontro bastante festivo às margens do Sena.

O 1924 tem uma área de circulação de 300m2 e foi inaugurado em 08/08/08. Logo na entrada você percebe um visual retrô, inspirado nos antigos ginásios esportivos americanos: linhas de quadra de basquete traçadas no piso, armários de vestiário em aço e moveis de couro patinado de atmosfera vintage. O interessante é que cada objeto ícone da exposição esta integrado a um elemento antigo de mobiliário. E a idéia é justamente essa: ligar o passado e futuro da marca através do presente.

No espaço Nike ID foram instalados 5 notebooks de livre acesso aos visitantes para a criação customizada de tênis. Você acessa um desses terminais, usa todo o seu potencial designer para criar o seu proprio Nike e, uma vez feito o pedido, basta esperar algumas semanas para receber seu par de tênis mais do que personalizado: estilizado por você.

Personalidades famosas também marcam presença no local, seja em mostras de vídeo, palestras, shows de musica ou mesmo para dar uma espiadinha. Alguns eventos bem legais ja estão agendados, como por exemplo, a apresentação do cantor Kenna marcado para o dia 16 de setembro. Alguns dos famosos que ja passaram pelo barco foram os astros da NBA Toby Parker, Ronnie Turiaf e Yakouba Diawara e os rugbymen Vincent Clerc e Clément Poitrenaud. Não deixe de consultar a programação completa dos eventos no site que indiquei no final do post.

Bateau 1924 (Yatchs de Paris)
Entrada em frente ao numero 10 bis
Quai Henri IV, Paris
Metrô: Sully Marland linha 7 ou Bastille linhas 1, 5 e 8
Ônibus: Sully Marland linhas 67 ou 86
Abre diariamente das 12h às 20h
Entrada gratuita

Para saber mais: http://www.nikesportsware.com/

28 de agosto de 2008

Parc Monceau

O parque Monceau é um tranquilo e agradavel jardim localizado no 8ème arrondissement de Paris. Preferido das noivas parisienses para as tradicionais fotos pos-cerimônia, o parque é servido pela estação Monceau da linha 2 do Metrô.

Antiga propriedade do duque de Chartres, o jardim foi confiscado durante a Revolução, tornando-se um bem nacional em 1793 - porém, tornou-se propriedade da familia d'Oeléans na época da Restauração. Em 1860 a cidade de Paris compra o jardim. Parte é vendida ao banqueiro Péreire para loteamento e o restante é entregue aos cuidados Jean-Charles Alphand. As suntuosas grades que cercam o jardim são obra de Gabriel Davioud.

Na area do bosque estão estatuas em marmore de escritores e musicos de renome como Guy de Maupassant, Frederic Chopin, Charles Gounoud, Amboise Thomas ou Edouard Pailleron. O parque é margeado por imoveis de luxo e hotéis particulares. Claude Monet pintou uma tela do parque em 1876.

Atualmente o parque Monceau tem 1km de circunferência e é ideal para quem busca um pouco de tranquilidade para ler um livro debaixo da sombra das arvores, fazer uma caminhada ou mesmo um pique nique com os amigos.

Para saber mais, acesse: http://www.parcmonceau.org/