2 de setembro de 2008

2 CV Expo Show

Para quem gosta de carros antigos a grande sacada é visitar o "2 CV Expo Show", que vai até 30 de novembro. A exposição comemora os 60 anos do simpatico modelo Citroën 2 CV (o mais parisiense dos carros) e tras como "convidado" o modernissimo carro conceito C-Cactus. Exposição trilingue: francês, inglês e espanhol.

2 CV Expo Show
Cité des Sciences et de l'Industrie
30, avenue Corentin Cariou
Metrô Porte de la Villette (linha 7)
Ônibus linhas 75, 139, 150, 152, 249 e PC
Tel.: 01 4005 7000

Entradas: 8€ inteira e 6€ reduzida (consultar condições de redução no local). Gratuito para menores de 7 anos, portadores de necessidades epeciais e seus acompanhantes. O bilhete de entrada da direito ainda a visitar às demais exposições da Explora (acervo da Cité des Sciences et de l'Industrie), ver as animações disponiveis e a uma sessão no cinema Louis-Lumière.

Aberto de terça a sabado de 10h às 18h e domingos de 10h às 19h.

Para saber mais: http://www.cite-sciences.fr/

A chama da Liberdade

Uma réplica da chama da Estatua da Liberdade, a Flamme de la Liberté, foi um presente de retribuição dos Estados Unidos para Paris e esta localizada na place de l'Alma desde 1989. Ela ficou mundialmente conhecida por se tornar um monumento em homenagem e reconhecimento à princesa Diana, que morreu em 31 de agosto de 1997 num acidente no tunel de l'Alma que passa sob a chama.

E no ultimo domingo, 31 de agosto, desci no metrô Alma-Marceau para dali ir caminhando até o Musée du Quai Branly. Confesso que não me lembrava da data, mas logo na saida do metrô me deparei com o monumento, sobre o qual estavam depositadas diversas homenagens para a princesa Diana.

Você pode ver a imagem ampliada clicando na foto.

Estatua da Liberdade

Sim, aqui em Paris também temos Estatua da Liberdade. Ou melhor, temos duas. A maior delas fica na extremidade da Île des Cygnes, na altura da Ponte de Grenelle e esta voltada para oeste, para a estatua original em Nova York.

A estatua pode ser observada durante os passeios de barco pelo rio Sena ou desde as proximidades da Ponte de Grenelle. Essa replica de 11,5m e 14 toneladas foi doada à cidade em 1885 e inaugurada em 15 de novembro de 1889 na presença de seu criador, o escultor francês Frédéric Auguste Bartholdi.

A segunda réplica esta esta dentro dos Jardins du Luxembourg, e foi um presente de Bartholdi ao Musée du Luxembourg em 1900 - a estadua foi instalada definitivamente nos jardins seis anos mais tarde. Essa estatua é feita em bronze e serviu como modelo para a construção da estatua de Nova York. Ela segura uma tabua com a inscrição "15 de novembre 1889" - referenciando a data de inauguração da réplica da Île des Cygnes.

A altura total da estatua original de Nova York é de 92,9m, sendo 46,9m correspondendo à altura da base e 46m à altura apenas da estatua.

Le cheval ailé

Le Queniau

Le Queniau é um restaurante de tradição familiar: um pai, grande conhecedor dos bons produtos do terroir, que ensina o que sabe ao filho por entre as mesas e bancos de seus restaurantes. E foi com a dedicação ensinada pelo pai que Marco Reze seguiu a via da familia. E ha 20 anos, apos obter o titulo de professionnel de cuisinier, assumiu a gestão esmerada desse pequeno e charmoso restaurante que é um dos meus preferidos em Paris.

E se a comida é boa é porque os ingredientes são de qualidade: Marco passou pelas cozinhas de restaurantes renomados como o Ducasse e o Vigato, coordena uma equipe dedicada e competente e tem ao seu lado o olhar experiente (e sempre presente) do pai, Maurice Reze.

A historia do Queniau começa no La Chope Pasteur, uma brasserie decadente do 15ème arrondissement de Paris. Maurice Reze acha o lugar interessante e leva o filho para uma "visita". O empolgado Marco parte então para a aventura. Os trabalhos de rstauração e decoração transformam o ambiente. As cores preenchem a velha brasserie de forma surpreendente, pois desafiam todas as leis da decoração classica - no Queniau, cada parede tem uma cor diferente.

O Queniau possui dois ambientes distintos: O café-bar com um longo balcão de madeira e mesinhas com poltronas modernosas e o charmoso restaurante. Outros elementos decorativos ajudam a dar um ar leve ao local: luminarias orientais, paredes com molduras coloridas e ardosias, propositalmente desgastadas, aparecendo de forma discreta.

O cardapio é um verdadeiro primor: Marco resgatou receitas antigas do terroir e apresenta pratos tradicionais da cozinha francesa praticamente esquecidos pelos demais restaurantes parisienses. Por exemplo, as entradas de croûte aux morilles et champignons de Paris (crosta cogumelos morille e champignons de Paris) e o terrine de queue de Boeuf (terrine de cauda de boi) são originais e imperdiveis. Como prato principal o confit de canard maison (coxa e sobre-coxa de pato) é o melhor que eu ja provei na vida - e olha que eu ja sou bem rodado nesse prato. Outro que eu experimentei e é igualmente divino é a blanquette de veau à l'ancienne - prato a base de vitela. Como sobremesa recomendo o gratin de fruits frais de saison (frutas frescas gratinadas) ou o délice du Queniau, que é a mais pedida da casa: um belissimo prato com 4 sobremesas diferentes - uma autêntica degustação.

Uma curiosidade: a casa dispõe de uma adega de Wisky com mais de 30 rotulos diferentes e uma carta de armagnacs com millésimes realmente impressionantes: 1990, 1985, 1979, 1934, 1929 e 1914!

O site do restaurante mostra o menu completo, o mapa detalhado de como chegar e é rico em fotos (inclusive dos pratos). E ao contrario do que possa parecer, o restaurante tem preços simpaticos. Bon appétit!

Le Queniau
150, rue de Vaugirard
Tel.: 01 4734 4823
Metrô: Pasteur (linhas 6 e 12) ou Fauguière (linha 6)
Ônibus: Pasteur-Lycée Buffon (linha 89)
Fechado para férias de verão de 9 de agosto a 8 de setembro

1 de setembro de 2008

Un gars, une fille

Se ha uma série na TV francesa que me faz parar tudo o que eu estiver fazendo para assistir é Un gars, une fille.

A série é uma adaptação livre de Isabelle Camus e Hélène Jacques de outra série canadense de mesmo nome. Aqui em Paris as duas versões são transmitidas pela TV, mas não ha como comparar - a versão francesa ganha de lavada, graças à quimica entre os divertidos atores Jean Dujardin e Alexandra Lamy - que são marido e mulher na vida real.

Un gars, une fille mostra a cada dia pequenas sketches da vida cotidiana do casal trintenário parisiense Jean e Alex - respectivamente Chouchou e Loulou, como são chamados na intimidade. São retratadas situações hilárias que podem acontecer na vida de qualquer casal, com humor leve e inteligente, tiradas impagáveis e personagens pra lá de carismáticos... O único problema é que a série vicia - e eu já estou na fase crônica de comprar os DVDs.

A série foi exibida originalmente no canal France 2 em 4.500 sketches distribuídos em 486 episódios de 6 minutos e 5 temporadas entre 1999 a 2003. Atualmente é reprisada de segunda a sexta pelos canais Téva (18h20) e France 4 (19h45).

Abaixo postei um dos episódios - infelizmente não encontrei nenhum com legendas em português. Mas mesmo quem ainda não sabe o idioma consegue pegar facilmente o espírito da coisa.



Para saber mais, acesse: http://www.1gars1fille.com/

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Jardim vertical do quai Branly


Musée du Quai Branly

Pois bem, ontem foi domingo e o tempo ameaçava chuva - dia perfeito para ir ao museu. O escolhido de ontem foi o Musée du Quai Branly, que reune peças de todos os continentes exceto Europa. Além do acervo permanente, o museu ainda abriga exposições temporarias bastante interessantes.

O Musée du Quai Branly é bem recente, foi aberto ao publico em 23 de junho de 2006. Sua moderna arquitetura é um espetaculo a parte. Outro destaque fica por conta de seus jardins, abertos para visitação gratuita, e o jardim vertical que enche os olhos de quem passa na calçada do quai. A area interna é muito bonita e bem planejada. A cor do piso determina o continente ao qual pertence o acervo. A estrutura do museu ainda conta com uma midiateca (que explica de forma muito interessante e interativa a origem das linguas faladas no mundo), cinema, sala de leitura e diversos terminais de video-documentario espalhados por entre as coleções.

Uma curiosidade: um dos lendarios crânios de cristal que inspirou o ultimo filme de Indiana Jones esta exposto no Musée du Quai Branly.

A loja de souvenirs do museu é muito bem montada, com livros, DVDs, revistas de arte e uma boa seleção de CDs de musicas do mundo - até o novo album do Seu Jorge ja estava la. Os preços também agradam: uma belissima edição em grande formato do livro Paris Mon Amour (editora Taschen) com fotos de Paris de todas as épocas clicadas por mestres da fotografia B&W como Cartier-Bresson e Doisneau, por apenas 9,99€.

O Café Branly oferece uma vista privilegiada do edificio do museu e da Tour Eiffel. O serviço é bastante cordial e o menu é primoroso. Por ficar na area dos jardins não é necessario comprar o ingresso do museu para usufruir do café. Ja o restaurante Les Ombres precisa de reserva, independente do dia e do horario. Fica no terraço superior do museu e oferece uma das mais belas vistas da Tour Eiffel que se pode ter durante o jantar.

Por essas e outras, recomendo que inclua uma visita ao Musée du Quai Branly no seu roteiro. Você não vai se arrepender.

Musée du quai Branly
37, quai Branly
Tél.: 01 5661 7000

Les Ombres Restaurant
27, quai Branly
Tél.: 01 4753 6800

Para saber mais:
http://www.quaibranly.fr/
http://www.lesombres-restaurant.com/

Cassetada também é cultura

Ontem no Quai Branly pude perceber que uma visita ao museu pode enriquecer nossa bagagem cultural de formas curiosas, fora do contexto artistico.

Foi ali, em meio aos utensilios fabricados pelos nativos das Ilhas Fidji, que descobri quase sem querer a origem da palavra "cassetete". Em francês, casse-têtes é, literalmente, um "quebra-cabeças". O termo também serve para designar o nome do jogo quebra-cabeças em francês.

Para nos brasileiros, não sei o que soaria mais estranho se não tivessemos a distinção das palavras: um policial andando com um quebra-cabeças preso à cintura ou uma criança brincando de cassetete com os amiguinhos.

Para ilustrar, segue a foto do detalhe de um dos instrumentos usados pelas tribos polinésias na refinada arte da cassetada: um casse-têtes do inicio do século XIX.