4 de setembro de 2008

3 de setembro de 2008

Journées Européennes du Patrimoine 2008

Se você estiver na França no final de semana de 20 e 21 de setembro, não deixe de aproveitar as Journées Européennes du Patrimoine - a grande oportunidade de visitação aos monumentos e edificios que normalmente são fechados ao publico.

Em Paris, por exemplo, sera possivel a visitação de locais como o Palais de l'Elysée (Palacio Presidencial da Republica) ou o Hôtel Matignon (Residência Oficial do Primeiro Ministro), ministérios, embaixadas, entre varios outros. Além da abertura dos portões ao publico, varios eventos especificos estão agendados para os locais de visita e em diversos outros pontos espalhados pela cidade.

Criado em 1984 pelo Ministério da Cultura, as Journées Européennes du Patrimoine acontece anualmente em toda a França no terceiro final de semana de setembro. Esse evento cultural é uma maneira interessante de marcar oficialmente o fim do periodo de férias de verão. Em 2007 o evento registrou mais de 12 milhões de visitantes em toda a França, e seu sucesso se deve à grande diversidade patrimonial colocada em visitação. Paralelamente aos monumentos arquitetônicos de referência politica e religiosa, serão apresentados eventos relacionados às atividades industriais, agricolas, arqueologicas, fluviais, militares e ainda à preservação de parques e jardins, patrimônio literario e objetos mobiliarios.

Para o site oficial com todas as informações e programação completa do evento acesse:

http://www.journeesdupatrimoine.culture.fr/

Quebrando o gelo

Falar sobre costumes culturais é sempre um tema delicado. Mas aprender um pouquinho sobre a cultura social de um país diferente que se pretende visitar é tão importante quanto conhecer seu idioma. E não me refiro aqui à cultura relacionada às artes, falo sobre fatores básicos da vida em sociedade. De comportamento. Da maneira como a vida cotidiana funciona no lugar. Creio que isso serve para qualquer pessoa, em qualquer lugar: para o brasileiro visitando a França, o alemão que vai ao Brasil ou o americano em férias na Indonésia. Às vezes são detalhes simples que não apenas abrem portas, mas evitam situações embaraçosas, além de ser uma bonita demonstração de atenção e respeito ao país visitado.

Portanto, peço que ouça com reservas o turista que acabou de voltar de Paris reclamando que o parisiense é mal-humorado e criticando a maneira como as pessoas agem ou se vestem. Normalmente esse é o tipo de turista que já sai da casa com uma imagem estereotipada na cabeça. Que prefere colher opiniões ao invés de planejar a viagem e que, infelizmente, por fazer uso de uma visão simplista sobre a vida cotidiana da cidade, pouco terá a acrescentar na volta. Vai falar de compras, de comida, mostrar fotos de monumentos (sim, muitas fotos, pois passa pelos marcos historicos na velocidade de um click) e passar adiante suas impressões distorcidas.

Por isso acredito que “Viver Paris é descobrir a cidade por conta própria... Nada se compara às suas próprias experiências.” Essas frases estão na apresentação do blog. E creio que também se aplicam bem aqui. Quer uma dica preciosa? Talvez a melhor que eu possa lhe dar? Veja o mundo com seus próprios olhos. Experimente a atmosfera parisiense por si mesmo. O resultado de uma viagem feita com a cabeça livre de conceitos pré-concebidos, porém aberta às novidades, seguramente vai te surpreender. Para uma viagem agradável a boa informação é essencial. Já os julgamentos colhidos de segunda mão são totalmente dispensáveis.

E esse verdadeiro clássico do conceito distorcido, no qual “o francês não se esforça em entender, é mal-humorado e não gosta de falar inglês” deve ser visto com cautela.

Sim, os franceses de modo geral falam bem inglês. Por outro lado, vejo que o problema esta mais nas nossas diferenças culturais do que no fato deles gostarem ou não de falar o inglês. As regras básicas de etiqueta social que infelizmente estão saindo de uso no Brasil, aqui são respeitadas a risca. Ignorar essas regras é o que faz toda a diferença entre receber um sorriso e atenção ou um semblante fechado. Portanto, quer ver um francês ser afável e prestativo? Dirija-se a ele com a devida cordialidade. Quer um exemplo prático? Imagine que você precisa de uma informação simples e vai abordar uma pessoa na banca de jornal.

Assim não: “Onde fica a rue du Bac?” Variações: “Escuta, onde fica a rue du Bac?”, “Ô meu querido, onde fica a rue du Bac?” ou ainda “Psiu... Onde fica a rue du Bac?”

Assim sim: “Bom dia, por gentileza, o senhor sabe me informar onde fica a rue du Bac?” Variação: “Com licença, o senhor pode me informar onde fica a rue du Bac?”

Portanto, não é o inglês o problema, mas a maneira como se fala com as pessoas. Com um pouquinho de educação o turista consegue facilmente atenção e cordialidade - em francês, inglês, mímica ou desenho. E isso vale para falar com o garçom, com a atendente da loja ou com o seu Pierre da quitanda.

Portanto, responda sempre a uma saudação. Não custa nada retribuir a cordialidade e faz uma diferença imensa. Se ao entrar na lojinha de souvenirs a moça do caixa te disser bonjour, por favor, faça o mesmo por ela. E agradeça: seja a informação recebida, a atenção da pessoa que lhe cedeu passagem no elevador, etc. Um simples merci mostra que você pode não saber falar francês, mas é educado.

Além disso, aja com naturalidade, sem elevar a voz, sem muita gesticulação, sem tocar as pessoas ao falar - seja na rua, em casa ou no trabalho. Ser discreto e comedido é a norma fundamental e o segredo da elevação social.

Sobre a boa vontade na compreensão há um ponto importante que muita gente desconhece: o idioma francês tem muitas sutilezas de pronuncia, e vem daí a dificuldade dos franceses em compreender corretamente alguém que tenta se comunicar em francês meio “engessado”. Quer um exemplo?

Dessus (acima); dessous (abaixo); déçu (desapontado): em português pode parecer fácil de pronunciar essas palavras de forma distinta, mas em francês a diferença entre elas é extremamente sutil.

O intuito desta postagem não é desfilar regras de convívio social, mas mostrar que a diferença cultural entre os dois países existe e pode ser facilmente minimizada através do respeito e da compreensão pelos valores culturais que ja estão fortemente enraizados no dia a dia das pessoas. Esse, no meu entendimento, é o melhor modo de evitar situações desagradáveis ou mal-entendidos desnecessários. Para quebrar o gelo, é preciso apenas um sorriso, respeito e cordialidade. Sei que este post pode ser desnecessario para alguns e parecer um tanto cáustico para outros. Mas pelo que ja testemunhei por mim mesmo, sei que também pode ser util à muita gente.

Ilustração: Louis-Philippe Cyr

Etiqueta

Você sabe onde surgiu o termo etiqueta para se referir às regras de conduta e boas maneiras? Pois foi aqui mesmo, no século XVII.

Os pequenos bilhetes (etiquetas) eram escritos e estrategicamente distribudos por Louis XIV para ensinar aos representantes da Corte como se portar em determinado evento ou cerimônia. Desde então concencionou-se chamar de etiqueta as regras de bons modos na convivência social.

Illustração: "Une journée du roi-soleil", 1997 - Jean-Marie Ruffieux

Manhã em Versailles

2 de setembro de 2008

Paris não tem fim

Pois bem, segue aqui a preciosa indicação literária do jornalista (e parisiense de coração) Edmilson Siqueira: O livro Paris não tem fim, do escritor espanhol Enrique Vila-Matas - e também o link para ler na integra seu artigo na revista Metrópole.

Para saber o que este livro lhe reserva, peço apenas que vocês leiam o artigo "Recaída amorosa". Irretocável e fala por si mesmo. Eu, portanto, nada tenho a acrescentar. Paris não tem fim.

Link para "Recaída amorosa", de Edmilson Siqueira:
http://www.cpopular.com.br/metropole/conteudo/mostra_noticia.asp?noticia=1589908&area=2250&authent=2E7DAE64F3BCF2292FA936F4EEF57B


Uma palavrinha do Viver Paris!

É com grande satisfação que informo que no último sábado meu blog recebeu a primeira menção honrosa de sua historia: foi citado no blog do jornalista Edmilson Siqueira, que assina a coluna Farol da revista Metrópole - suplemento de moda, tendências e comportamento do jornal Correio Popular. Para mim, uma agradável surpresa.

Edmilson Siqueira é outro apaixonado por Paris e escreveu há algumas semanas um belíssimo artigo sobre sua recaída amorosa pela cidade, além de fazer uma ótima indicação literária. Mas isso é assunto para o próximo post.

Por enquanto, quero registrar meu agradecimento e deixar com vocês o endereço do blog do Edmilson Siqueira, que analisa sobretudo questões políticas e cidadania:
http://www.edmilsonsiqueira.com.br/

Para ler sua coluna na revista Metropole:
http://www.cpopular.com.br/metropole/

Ilustração: Isabelle Oziol de Pignol / Accro de la Mode

Emily Loizeau

Sabe quando eu falo sobre a nova geração de grandes cantores franceses? Pois bem, nesse caso me refiro a artistas como Emily Loizeau - sem duvida alguma um dos maiores expoentes atuais da varieté française.

Neta da comediante inglesa Peggy Ashcroft e irmã da jornalista Manon Loizeau, Emily tem como fonte de inspiração o trabalho de artistas como: Bob Dylan, Georges Brassens, Thomas Fersen, Tom Waits, Randy Newman, Antony & The Johnsons, Nina Simone, Rufus Wainwright e Sufjan Stevens. Oh-là-là!

Coloquei abaixo o video de Je ne sais pas choisir. Uma canção leve como se fosse saida de uma caixinha de musicas. Mas não se deixe enganar pelas aparências: a moça escreve letras intensas e tem uma presença de palco de dar inveja a muito artista com anos de estrada. Ainda este ano vi uma participação de Emily Loizeau no show de encerramento da tourné Repenti de Renan Luce. Eles interpretaram juntos a canção Elisabeth de Thomas Fersen - até hoje agradeço ao bom Deus por ter estado ali.

Discografia: La folie en tête (2005); L'autre bout du monde (2006); L'autre bout du monde coffret collector - duplo (2007); Live au Grand Rex - edição limitada de 200 exemplares (2007).

Shows: Os proximos shows de Emily Loizeau em Paris estão marcados para os dias de 4 a 6 de março de 2009 na casa de shows Alhambra (10ème arr.). Os ingressos custam 33,00€ e podem ser adquiridos na Fnac France clicando no link: Emily Loizeau

Alhambra
21, rue Yves Toudic
Metrô Jacques Bonsergent

Para comprar "L'autre bout du monde - coffret collector" pela Fnac France: L'autre bout du monde

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Esqueça Paris

Um dos filmes que de tempos em tempos eu gosto de rever é a comédia romântica Esqueça Paris (Forget Paris, 1995). O filme conta a historia de um juiz de basquete (Billy Crystal) que vai à Paris enterrar o pai e acaba se apaixonando pela funcionaria de uma companhia aérea (Debra Winger) que vive na cidade. Tempos depois, acabam se casando em Paris e vivendo uma lua-de-mel digna de cinema na Cidade-Luz (desculpem o trocadilho). O problema começa quando precisam voltar aos Estados Unidos para encarar a rotina do casamento e conviver com suas diferenças. O filme é repleto de situações engraçadas, dialogos ageis e de boas amostras do humor afiado de Billy Crystal, que além de atuar, dirige o filme e assina o roteiro.

A historia toda é contada pelos amigos do casal, que reunidos num restaurante recordam os momentos apaixonados e as crises de relacionamento vividos por eles. O elenco de apoio, encabeçado por Joe Mantegna conduz muito bem o divertido desenrolar da trama. E as cenas filmadas em Paris, como sempre, são uma atração a parte. A proposito: apesar do que sugere o nome do filme, você vera que Paris é inesquecivel.

Vasculhando o YouTube encontrei uma montagem bem bacana feita por fãs da atriz Debra Winger com cenas extraidas do filme. A musica que aparece no video é Que c'est triste Venise de Charles Aznavour.



No Submarino: http://www.submarino.com.br/dvds_productdetails.asp?Query=ProductPage&ProdTypeId=6&ProdId=96303&ST=SR&franq=267936

Na Fnac France: Forget Paris