15 de setembro de 2008

Cantal

O queijo Cantal é tradicional da região de Auvergne, tendo recebido a certificação de Appellation d'Origine Contrôlée (A.O.C.) em 1956 - assim, pode ser fabricado apenas no département de Cantal e em algumas communes de départements vizinhos. A certificação A.O.C. do Cantal vem gravada em uma placa metalica presa à casca da peça original.

O Cantal tem a massa compacta e semi-dura, podendo ser encontrado em três versões, dependendo do tempo de maturação (que aqui chamamos de affinage): Cantal jeune (entre 1 e 2 meses de affinage) Cantal entre-deux ou Cantal doré (entre 2 e 6 meses de affinage) e o Cantal vieux (com affinage superior a 6 meses). Existe ainda uma quarta variedade pouco difundida, o Croutard, com sabor muito forte e casca bastante espessa.

Quando jovem é bem suave, mas o seu amadurecimento concentra o sabor, tornando-o mais intenso. Esse queijo costuma escurecer com o tempo, sem que isso altere sua qualidade. O Cantal é um queijo de massa prensada não-cozida. Feito com leite de vaca não-pasteurizado, tem formato cilindrico e a peça tradicional pode pesar de 35 a 45kg com diâmetro de 36 a 42cm. Também podem ser encontradas outras duas formas de apresentação do Cantal segundo a variação do tamanho: o Petit Cantal (15 à 20kg) e o Cantalet (8 à 10kg).

Com cerca de 45% de gordura, o Cantal tem a casca naturalmente amarela escura, com manchas vermelhas ou alaranjadas. Não precisa desconfiar se te oferecerem um cantal com a casca toda enfarinhada - esse pozinho que solta da casca faz parte do proprio queijo.

Curisidade: Durante a affinage do Cantal, o queijo fica armazenado em uma sala fria, úmida e escura, sendo virado e esfregado 2 vezes por semana por pelo menos 30 dias após sua fabricação.

Dica: Você encontra facilmente o Cantal em pedaços nos supermercados parisienses - em diversas marcas igualmente saborosas. Porém, costumo recomendar a compra de queijos nas feiras de rua. Produzidos de forma artezanal, os queijos vendidos em bancas de feira têm um sabor muito superior ao dos queijos industrializados. São um pouco mais caros, mas o sacrificio vale a pena.

Maison de la Radio

Essa foto vai para os fãs do jornalista Reali Jr., o carismatico correspondente da radio Joven Pan em Paris. Ontem, de dentro do trem para Versailles, consegui essa foto da Maison de la Radio.

Pois é daqui, às margens do Sena, que os paulistanos ficam sabendo diariamente pelo Realinho quanto os termômetros estão marcando em Paris e as noticias em destaque na cidade.

A arvore mais antiga de Paris

Milhares de pessoas transitam todos os dias a poucos passos dali, mas pouca gente sabe que a arvore mais idosa de Paris esta plantada na square Saint-Julien le Pauvre, no 5ème arrondissement, ao lado da Île de la Cité. Trata-se de uma robinier pseudo-acacia que foi plantada em 1602 pelo botanista francês Jean Robin - que da nome à espécie. Essa arvore é também uma das arvores mais antigas de toda a Europa, e apesar de ostentar uma bonita folhagem durante a primavera e o verão, ela precisa ser sustentada por escoras de madeira e concreto para se manter de pé. Portanto, quando passar por perto da catedral de Notre-Dame, não deixe de dar uma passadinha na square Saint-Julien le Pauvre para visitar a querida Madame Robinier.


Jeff Koons em Versailles

Essa exposição esta dando o que falar em Paris. Mesmo antes de sua inauguração ja era noticia em todos os jornais franceses. Em junho deste ano o artista americano Jeff Koons, considerado o rei do kitsch, esteve em Versailles para negociar uma exposição de seu trabalho no castelo. No dia 10 de setembro, durante a efetiva inauguração da exposição no Château de Versailles, Koons disse que suas obras encontraram ali seu ambiente ideal - mas não foi assim que, pelo menos parte do publico francês, viu a fusão de sua arte com a beleza classica e tradicionalista do castelo.

Ainda no inicio de agosto, quando as obras de Koons começaram a chegar em Versailles, a União Nacional dos Ecritores - em decisão unânime de seus 400 membros - endereçou uma carta aberta à ministra da Cultura, Christine Albanel, pedindo a interdição da exposição.

No dia da abertura do château à exibição de 17 das principais obras do artista, um grupo de 80 pessoas ja protestava desde cedo nos portões de Versailles também pedindo a interdição imediata da exposição. Um representante dos manifestantes disse ao jornal Le Parisien que "o château de Versailles é unico. Não queremos que Jeff Koons utilise o ambiente e a arte classica do château de Versailles para vender sua não-arte".

Mas incidentes a parte, Koons é o artista contemporâneo mais em voga na atualidade. Em junho deste ano, sagrou-se como o artista vivo a ter a obra mais cara ja vendida: Balloon Flower Magenta foi arrematada pela Christie's em Londres pela soma de 16.343.000,00€. E não se pode contestar a dedicação do artista à maneira de expressar sua arte - Koons acompanhou pessoalmente a montagem de cada detalhe da exposição em Versailles.

Claro que ele poderia ter escolhido outro local de menor impacto à opinião publica para expor suas obras, como o museu de arte contemporânea de Beaubourg ou La Défense, por exemplo. Mas para quem ja foi casado com a parlamentar italiana Cicciolina, o que menos incomoda é a polêmica - ao contrario, parece ser justamente a polêmica que nutre a arte de Jeff Koons. E em meio a protestos e a tanta cobertura da midia, ele não poderia querer publicidade melhor.

Ontem eu fui visitar a exposição e achei o resultado interessante. Imagine uma boia de piscina no formato de lagosta (Lobster) de 145cm pendurada ao lado do lustre do salon de Mars, um espelho inflavel lilas (Moon) dentro da galerie des Glaces ou ainda Marilyn Monroe abraçada à Pantera Cor-de Rosa (Pink Panter) no salon de la Paix... Para que vocês possam ver o motivo de tanto falatorio, coloquei no post algumas fotos que tirei ontem na exposição.


Jeff Koons à Versailles
de 10 de setembro a 14 de dezembro

Para saber mais:
http://www.chateauversailles.fr/fr/
http://www.jeffkoons.com/

Comprar ingressos para Versailles: Château de Versailles

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12 de setembro de 2008

Le parvis du musée du Louvre

Paris, capital mundial da HQ

Essa vai para quem gosta de ilustrações, desenhos e HQ. Paris é, na minha opinião, a capital mundial dos quadrinhos. Os parisienses são fascinados pelas BDs (bandes dessinées) - que é o equivalente francês para HQ, o que possibilita que aqui seja possivel de se encontrar desde verdadeiras raridades até os ultimos lançamentos. Além disso, a França tem produzido ano apos ano um contingente respeitavel de ilustradores e roteiristas.

Grandes livrarias como Fnac e Virgin mantém em suas lojas um verdadeiro templo para quem gosta de quadrinhos. E não é apenas uma area com um monte de titulos ordenados em ordem alfabética, não - a area destinadas às BDs esta dividida em: mangas, infanto-juvenil, humor, arte e ilustração, classicos, aventura, adaptações de literatura e teatro, comics (padrão americano), edições independentes, entre varias (sim, varias) outras categorias. Por ai você pode imaginar a diversidade de titulos disponiveis e o gosto do parisiense por HQ. E tanto as areas de BD das grandes lojas, quanto os pontos de venda especializados estão sempre repletos de leitores de todas as idades.

Em Paris os lançamentos são aguardados com ansiedade, o que é demonstrado pelas listas de reserva antecipada para a compra de exemplares ou pela atenção prestada pelos jornais de circulação nacional para alguns titulos como Wanderers, de Chris Claremont; Blake et Mortimer - Le sanctuaire de Gondwana, de André Juillard ou Corto Maltese - La jeunesse, de Hugo Pratt.

Portanto, se você procura aquela rara edição de A famosa invasão da Sicilia pelos ursos, de Dino Buzzati (que uma vez encontrei em São Paulo somente sob encomenda ao preço de 200,00R$), aqui você a encontrara sem muita dificuldade por algo em torno de 5,00€ (Pois é!). Ou então se busca toda a obra de Moebius, Robert Crumb, Will Eisner... Ou quem sabe a coleção completa e encadernada das classicas aventuras do Capitão América ou Homem-Aranha... Enfim, aqui tem literatura relacionada aos quadrinhos para todos os gostos, dos que buscam apenas dar um refresco aos miolos aos profissionais da area.

Os quadrinhos também são uma ferramenta bacana para quem, assim como eu, esta sempre procurando dar uma incrementada no francês. Descobri ha tempos uma coleção chamada Les formidables aventures de Lapinot, de Lewis Trondheim que foi um verdadeiro achado - devo confessar que aprendi muitas expressões interessantes com o gato Richard e o coelho Lapinot.

Outra coisa legal é que os quadrinhos por aqui recebem um acabamento grafico que é de babar - capa dura, formato diferenciado, papel brilhante de alta gramatura... Por um preço equivalente ao dos nossos gibis de papel jornal e grampinho na lombada. C'est la vie.

Relacionei abaixo algumas das boas livrarias que conheço especializadas em BDs, anote ai:

Opera BD
2 rue des Tournelles
Metrô: Bastille saida pela rue Saint-Antoine
Tel.: 08 9255 6677
Abre de segunda a sexta das 11h às 24h
http://www.operabd.com/

Univers BD
39 boulevard de Saint-Martin
Metrô: Strasbourg/Saint-Denis ou République
Tel.: 01 4027 8863
http://www.univers-bd.fr/

Pulp's Comics
9 rue Dante
Metrô: Cluny - La Sorbonne
Tel.: 01 4051 8062

Album Bercy Village (minha preferida)
46 cour Saint-Émilion
Tel.: 01 5333 8788
Metrô: Cour Saint-Émilion
Consulte a agenda de eventos no site
http://www.album.fr/

Para acessar a area de BD da Fnac: Fnac BD

Ilustração: No livro "Cité Lumiére", o ilustrador francês Ted Benoît retrata exatamente o endereço onde eu vivi em 2002 - o edificio em frente a onde esta parado o furgão amarelo, no final da avenue Rachel, ao lado do portão de entrada do cemitério de Montmartre. A foto mostra na versão real a mesma vista desenhada por Benoît. Que legal! Descobri isso enquanto redigia o post.

P.S.: Aproveitando a deixa, para quem gosta de desenho e boa leitura, recomendo uma visita ao site do ilustrador paulistano Marcos Guilherme. Além do talento que tem para desenhar o rapaz ainda escreve bem pra caramba. Vai la ver: http://www.artefiguras.com.br/

Top Affaires_120x60

Viajar de carro

E falando na Michelin, segue uma dica bastante util para quem planeja alugar um carro em Paris e singrar as estradas francesas por conta propria. Durante o planejamento da viagem, considere imprimir o mapa rodoviario do trajeto no site Via Michelin.

No Via Michelin você pode simular o percurso de acordo com seu interesse ou necessidade, selecionando por exemplo, critérios de busca em função do caminho mais rapido, mais curto, mais econômico, que tem vista mais agradavel e o recomendado pelo Via Michelin - que combina varios critérios.

Além da rota a seguir, a consulta ainda fornece o tempo de viagem pelas auto-rotas (vias de alta velocidade) ou usando as estradas secundarias, assim como o custo detalhado da viagem (quanto você vai gastar de pedagio e o valor estimado de despesa com combustivel). Você ainda pode incluir na pesquisa a busca por hotéis, locação de veiculos, bons restaurantes e consultar os melhores roteiros de viagem selecionados pelo site.

As folhas de rota contém detelhes sobre pontos na estrada com vista panorâmica, localização dos postos de guarda, radares, postos de combustivel e pedagios. Ou seja, o Via Michelin é uma ferramenta segura e completa para auxiliar no planejamento da sua viagem pela França - ou mesmo pela Europa.

Para quem prefere os mapas em papel, estes podem ser facilmente encontrados em toda a França, categorizados por cidade, região ou mesmo por roteiros historicos. Você encontra a série completa dos mapas em livrarias, papelarias e grandes bancas de jornal ao preço médio de 6,00€.

Na estrada

Se não estiver com pressa de chegar ao destino, considere viajar pelas estradas secundarias - reserve os longos percursos em auto-rotas para quando tiver horario marcado para chegar. As estradas secundarias oferecem uma vista muito mais agradavel ao passeio e nelas você não precisa pagar pedagio. Independente do tamanho ou da localização das estradas francesas, todas elas têm o estado de conservação impecavel - são verdadeiros tapetes de manta asfaltica.

Em algumas estradas, como por exemplo em direção ao Val de Loire, você paga o pedagio proporcional à distância percorrida na auto-rota. Assim, logo que você pega a auto-rota havera uma cabine de pedagio na qual você não paga nada - apenas retira um ticket que registra o local onde você entrou na estrada. O pagamento da tarifa de pedagio nesses casos sera feito no momento em que você sair da auto-rota para entrar em uma cidade ou pegar uma estrada secundaria, atavés da validação do ticket de acesso à estrada.

Ao passar por dentro de cidadezinhas e vilarejos, muita atenção à velocidade! Nesses casos a velocidade é limitada a 50km/h (em alguns casos até 30km/h) e a preferência é sempre do pedestre. Portanto, nas cidades menores, se alguém estiver aguardando na faixa de pedestres para atravessar a rua, pare. O mesmo se aplica às cidades maiores do interior da França quando não ha um semaforo guardando a faixa de travessia, a preferência é sempre do pedestre. Portanto, atenção ao pedestre e atenção também ao carro da frente.

Um ponto interessante: observe que ao longo das auto-rotas existem painéis informativos com o preço dos combustiveis em cada um dos postos existentes na estrada. Uma maneira inteligente de informar o preço praticado pelos postos ao longo do percurso, dando maior liberdade de escolha ao usuario.

Para saber mais: http://www.viamichelin.fr/
(link permanente disponivel na seção vida pratica do Viver Paris!)

Bibendum: o bonequinho da Michelin

Você sabia que o simpatico bonequinho, simbolo dos pneus Michelin, se chama Bibendum? E que por aqui os franceses o chamam carinhosamente de Bib?

O Bib é um dos personagens publicitários mais famosos e carismaticos do mundo e, como a maioria das boas idéias, nasceu ao acaso. Mais de 100 anos depois Bibendum está presente em campanhas, adesivos e até mesmo nos próprios pneus que a Michelin produz. Seu bom humor, sua forma inusitada e sua origem são tão curiosas que motivaram artistas, jornalistas e até colecionadores no mundo inteiro. No ano 2000, ele foi eleito pelo jornal Financial Times e pela revista Report On Business, o melhor logotipo do mundo. Conheça agora um pouco de sua história.

Bib surge aos poucos, como uma idéia que vai tomando forma nos primeiros momentos da vida da Michelin. Em fevereiro de 1893, André Michelin, durante uma palestra sobre as vantagens do pneu na Conferência da Sociedade dos Engenheiros Civis, pronuncia uma frase que entrará para a história da indústria e inspirará o nome do personagem, anos depois: "O nosso pneu bebe o obstáculo". Um ano depois, na Exposição Universal e Colonial de Lyon, Edouard Michelin vê duas altas pilhas de pneus que decoravam a entrada. Na hora, fala com seu irmão André: "Com dois braços e duas pernas, vira um boneco!".

Em 1897, ao ver em meio a alguns esboços do desenhista O'Galop, de um homem gordo levantando uma caneca de cerveja, sob a frase latina nunc est bibendum ("Está na hora de beber"), rapidamente lhe vem a memória: "o pneu bebe o obstáculo". Associando o gordo bebedor à imagem sugerida pela pilha de pneus em Lyon, ele encomenda um cartaz ao artista.

Em 1898, O' Galop apresenta a primeira prova de um personagem imponente, formado de pneus, atrás de uma mesa. Ele segura uma taça cheia de cacos de vidro e pregos, dizendo, no momento de um brinde: "A sua saude, nosso pneu bebe os obstaculos". Na época, ele lembra os antigos donos de automóveis: anel de brasão, charuto, a inegável corpulência e óculos inspirados nos de André Michelin.

O verdadeiro batismo do Bib ocorre alguns meses mais tarde, durante a corrida Paris/Amsterdã/Paris. Ao ver passar André Michelin, o piloto Théry exclama: "Olha lá o Bibendum!" Hoje, passados mais de 100 anos, o Bib continua representando a Michelin como a personificação da marca.

11 de setembro de 2008

O Pequeno Principe

Le Petit Prince, obra mais conhecida de Antoine de Saint Exupéry, publicada originalmente em 1943, é o livro francês mais vendido no mundo. Estima-se que até hoje ja tenham sido vendidos mais de 80 milhões de exemplares, ultrapassando 500 edições.

O livro é ainda o terceiro mais traduzido em todo o mundo, tendo sido publicado em mais de 160 idiomas ou dialetos diferentes. Perde em numero de traduções apenas para a Biblia e O Peregrino - livro de 1687, do escritor inglês John Bunyan.