17 de setembro de 2008

Fechamento temporario da estação Argentine

A estação Argentine da linha 1 do metrô sera fechada à partir das 22h da sexta-feira 19 de setembro, devendo ser reaberta ao publico somente na manhã na segunda-feira 22 de setembro. O motivo do fechamento temporario são as obras de modernização da linha 1.

Assim, os trens passarão pela estação Argentine sem parada durante esse periodo. Para quem mora no bairro, a linha 1 permanecera acessivel através das estações Porte Maillot e Charles de Gaulle Étoile.

Para saber mais: http://www.ratp.fr/
(Link permanente disponivel na seção Vida Pratica do blog)

Patrick Fiori

Uma das musicas mais tocadas por aqui em 2007 e 2008 foi 4 mots sur un piano, do cantor marseillais Patrick Fiori. O hit que chegou a ocupar o topo da parada francesa em agosto do ano passado fez com que seu clip (sublime, por sinal) pudesse ser visto varias vezes durante o mesmo dia nos canais dedicados à musica na TV francesa. Mas nem deu para enjoar - a musica é bonita até dizer chega - e mesmo que ja não toque mais com a frequência de antes na TV ou no radio, ainda segue firme no topo da parada musical aqui de casa. E como não poderia deixar de ser, coloquei o video de 4 mots sur un piano para vocês aqui no blog.

Fiori recebeu prêmios respeitaveis durante o percurso de sua carreira - entre os quais o titulo de Cidadão de Honra de Berre L'Etang, comprovando a fama de que além de bom cantor o cara é bastante carismatico. Além dos prêmios em concursos musicais, ele ja conquistou muitos outros pela venda expressiva de seus albuns: 5 discos de ouro, 2 de prata e 1 de diamante.

Além de cantar, Fiori ja registra no curriculo algumas participações em filmes, musicais de teatro e na dublagem da versão francesa dos desenhos Mulan (dos Estudios Disney) e O Principe do Egito (da DreamWorks).

Discografia: Puisque c’est l’heure (1994); Le cœur à l’envers (1995); Prends moi (1998); Chrysalide (2000); Patrick Fiori (2002); Si on chantait plus fort (2005) e Best of 4 mots (2007).

Apesar de ainda estar em tourné pela França, não ha nenhum show de Patrick Fiori previsto para a cidade de Paris - ele ja passou por aqui. Mas quem visitar Aix-de-Provence ou Nice ainda consegue ver. A agenda completa de seus concertos pode ser consultada no site da Fnac ou diretamente no site oficial do cantor.

Para saber mais: http://www.patrickfiori.net/
Para ouvir no Deezer: http://www.deezer.com/#music/artist/755
Para comprar o CD na Fnac: Best of 4 mots


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Sous le ciel de Paris

Musée de l'Orangerie

No domingo 7 de setembro (sim, estou em atraso com esse post), aproveitando a manhã chuvosa e a tão esperada chegada do "dia dos museus gratuitos em Paris", visitei o musée de l'Orangerie que fica dentro do jardim de Tuileries. Para quem ainda não sabe, no primeiro domingo de cada mês varios museus da cidade têm entrada gratuita. Mas falarei sobre isso em outro post, d'accord?

O musée de l'Orangerie abriga aquela que talvez seja a obra mais impressonante de Claude Monet: Les Nymphéas (As Ninféias). Eu ja conhecia um pouquinho sobre os quadros, mas ainda não os tinha visto pessoalmente. Uma obra que resume em si mesma a essência do significado de "arte impressionista".

Para mim o mais impressionante não é a visão das pinturas em si, mas ter conhecido em detalhe, apos ver um belissimo documentario na midiateca do museu, o contexto historico e pessoal no qual Monet pintou Les Nymphéas. Entre 1895 e 1926 (ano de sua morte), Monet pintava às margens de um jardim aquatico que ficava em sua propriedade em Giverny, na Normandia. O famoso lago de ninféias foi retratado pelo artista em aproximadamente 300 telas, dentre as quais, mais de 40 em painéis de grande formato. Durante esse periodo, Monet fez de seu jardim um verdadeiro laboratorio estético.

As telas expostas no musée de l'Orangerie foram criadas unicamente para ser um presente do pintor à França. O edificio do museu, um antigo deposito de laranjas de Tuileries, foi escolhido por Monet em 1920 para abrigar as ultimas telas que ele pintaria de seu jardim de ninféias. Durante 7 anos, a chefe de arquitetura do Louvre, Camille Lefèvre coordenou os trabalhos de reforma do edificio seguindo as indicações do proprio Monet. Assim, o museu toma a forma de um refugio de paz e sossego em meio a uma região movimentada da cidade.

Les Nynphéas é um apelo à reflexão humana sobre a pureza e tranquilidade que podemos obter através do contato com natureza e com nosso proprio interior. A obra foi concebida em plena primeira guerra mundial, e foi a linda forma de Monet contestar a barbarie da guerra. Sua maneira particular de acabar com aquela insanidade feita de chumbo e desespero, de pôr um fim ao odio e sofrimento instaurados no coração humano através da reflexão. Como se convidasse cada um a abandonar toda a tristeza para se sentar com ele às margens de seu sossegado lago em Giverny, simplesmente para contemplar a beleza e esquecer o sofrimento.

Outro detalhe curioso: as telas são uma visão panorâmica de um lago, e por isso são dispostas em toda a volta de duas salas elipticas. As telas pintadas ao entardecer, estão voltadas para o Oeste, enquanto que as telas pintadas ao amanhecer ficam a Leste. Também por isso, o museu fica ao longo do Sena, no ponto onde o rio se alinha ao eixo Leste/Oeste da cidade - todo o contexto de concepção do museu foi brilhantemente pensado por Monet. As aguas do Sena passando bem ao lado de l'Orangerie, segundo o proprio Monet, daria a real sensação do tempo que passa enquanto se observa a obra - é algo como, deixar o tempo passar enquanto você contempla nada além de beleza, fazendo assim, bom uso do seu tempo. A disposição das duas salas em elipse tem o objetivo de representar o infinito e as ante-salas vazias entre uma elipse e outra representam o sagrado.

O filme também explica que Monet pintou Les Nymphéas no final da vida, pouco tempo antes de morrer. Tanto que nem chegou a ver a obra instalada no museu - o qual ja estava pronto, aguardando apenas sua conclusão para que as telas fossem expostas. Nesse meio tempo, era Georges Clemenceau, amigo influente de Monet quem acalmava os administradores do museu para que Monet pintasse em seu proprio ritmo, sem que fosse pressionado pelo prazo. Clemenceau sabia melhor do que ninguém a fragil condição do pintor. A catarata que castigava Monet em seus ultimos dias era tão severa que boa parte da obra foi pintada sem que ele enxergasse as cores com as quais pintava - guiava-se apenas pela disposição das tintas na sua paleta, pois colocava as cores sempre nos mesmos lugares para pintar. Uma historia simplesmente apaixonante de amor pela arte e pela humanidade. Poucas vezes me emocionei tanto ao visitar um museu.

Mas além das telas de Monet, o musée de l'Orangerie expõe ainda obras de Paul Cézanne, Henri Matisse, Pablo Picasso, Amadeo Modigliani, Pierre-Auguste Renoir e Alfred Sisley, que faziam parte dos acervos pessoais do arquiteto jean Walter e do merchand de arte Paul Guillaume, fundador do museu. Atualmente o musée de l'Orangerie é dirigido pelo historiador de arte Pierre Georgel - um dos maiores conhecedores do mundo sobre o trabalho do escritor Victor Hugo.

Para ilustrar, coloquei algumas fotos tiradas durante minha visita ao museu.

Musée de l'Orangerie
Place de la Concorde jardin de Tuileries
Metrô: Concorde ou Tuileries linha 1
Ônibus: parada Concorde das linhas 24, 42, 52, 72, 73, 84 e 94
Tel.: 01 4477 8007
Entrada gratuita para menores de 18 anos

Para saber mais: http://www.musee-orangerie.fr/
Para comprar ingressos na Fnac: Musée de l'Orangerie

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16 de setembro de 2008

Flores na janela

Fontaine des 4 points cardinaux

Situada no centro da praça Saint-Sulpice, essa fonte projetada por Louis Tullius Joachin Visconti foi construida em 1844. Ela é chamada de "fonte dos quatro pontos cardeiais" porque tem estatuas dos sacerdotes catolicos Bossuet, Fénelon, Massillon e Fléchier (contemporâneos de Louis XIV) sentados, cada um voltado para um respectivo ponto cardeal. Um fato curioso é que, no entanto, nenhum deles chegou de fato a se tornar cardeal da Igreja.

A fonte passou recentemente por um completo e minucioso trabalho de restauração, sendo reinaugurada no inicio deste ano.

Metrô: Saint-Sulpice linha 4

Paris

Oh-là-là! Acaba de sair em DVD o filme Paris, do diretor francês Cédric Klapisch! E eu, mais do que depressa, corri para garantir o meu. Sou daquele tipo de doido que antes de ir ao cinema pesquisa tudo sobre o filme: entro no site oficial, leio a opinião da critica, vejo trailer na Internet, converso com quem ja viu, leio sinopses, reportagens... Para depois, enfim, me sentar na poltrona do cinema e apreciar meu objeto de pesquisa em plenitude. Sei que pareço um investidor sondando o mercado financeiro antes de aplicar o dinheiro (no meu caso, na compra de um simples ingresso de cinema). Mas toda essa pesquisa não se presta como ferramenta de auto-convencimento - é puro interesse mesmo. As vezes basta ler o nome do diretor num cartaz para ficar interessado num filme. Mas nesse caso, o proprio nome do nome do filme se encarregou de fazer meus olhos brilharem e o coração bater mais forte.

Além disso, sou fã do trabalho de Cédric Klapisch e do ator francês Romain Duris - protagonista da trama. Conheci o trabalho de ambos através de Albergue Espanhol, sobre o qual ainda falarei aqui no blog. Depois veio o filme Bonecas Russas, a sequência de Albergue... E agora ambos estão juntos novamente em Paris, que foi exibido nos cinemas franceses em fevereiro deste ano e so agora lançado em DVD.

Paris conta a historia de um parisiense (Duris) que repentinamente descobre sofrer de uma grave doença. E a consciência de ter pouco tempo de vida lhe da um olhar novo e diferente sobre a cidade e sobre as outras pessoas. Paradoxalmente, o fato de estar prestes a encarar a morte faz com que ele passe a valorizar sua propria vida, a vida dos outros e a relação das pessoas com a cidade. Uma assistente social com três crianças que precisa cuidar do irmão doente (Juliette Binoche, magistral como sempre), um feirante em busca do amor verdadeiro, uma boulanger de habitos duvidosos, um professor de faculdade apaixonado, um imigrante clandestino camaronês cheio de sonhos... Vidas de pessoas tão diferentes que se cruzam e se fundem dentro da cidade de Paris - muitas vezes sem que se dêem conta dessa ligação. Vidas que passam a ter uma importância especial para um parisiense anônimo que começa a morrer - sobretudo de amor pela cidade e pelas pessoas que passam pela janela de seu apartamento.

Na historia, não existem mocinhos nem bandidos. Trata de contar a vida de pessoas simples, com qualidades e defeitos. Pessoas com problemas que podem parecer insignificantes para os outros, mas que muitas vezes são os mais importantes do mundo para quem os vive.

Paris é um filme tocante. Sobre a vida. Sobre a maneira particular com a qual cada um enxerga as relações humanas no contexto cotidiano. Um filme que não poderia se passar em nenhum outro lugar do mundo - Klapisch filma Paris como quem filma um personagem. Vemos na obra de Klapisch não a Paris turistica e glamourosa, mas a Paris de todo dia, com trânsito, com gente que acorda cedo para trabalhar saindo apressada de casa, com barulho de britadeira... Mas que ainda assim mantém sua atmosfera irretocavel de charme, encantamento e carinho com seus habitantes. E é justamente esse o perfil da cidade que mais me encanta. Poucas vezes esperei o lançamento de um DVD com tamanha ansiedade - e valeu a pena esperar tanto tempo.

Segue abaixo o trailer do filme com legendas em inglês:



O filme foi lançado em um coffret collecteur muito bonito - um box contendo o DVD do filme, um DVD de extras, o CD com a trilha sonora original e um livro com o roteiro integral. Enquanto o DVD simples custa 20,00€, o coffret collecteur sai por 25,00€. Portanto, nesse caso vale muito a pena a compra do box completo.

Para comprar o DVD do filme na Fnac: Paris

Para saber mais:
http://www.lefilm-paris.com/
http://www.cedric-klapisch.com/

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15 de setembro de 2008

Eclair da Maison du Chocolat

E depois de ter rezado a minha parte na missa do Papa, descobri algo que não podia deixar de figurar na seção Pequenos Prazeres: os éclairs da Maison du Chocolat. Feliz decisão a de retornar a pé para casa depois da missa. Pude comprovar por conta propria que uma caminhada além de trazer beneficios ao coração pode ser otima também ao paladar.

Enquanto caminhava por uma região onde se concentram alguns dos endereços mais luxuosos de Paris, fui fisgado pela vitrine da Maison du Chocolat - uma das mais prestigiosas chocolateries da cidade. Jean-Paul Gautier que me perdoe, mas a vitrine que me fez dar meia volta foi outra.

Mesmo estando de jeans, tênis e camiseta - além da bandeirinha amarela do meu "kit Papa" no bolso detras da calça - não me senti intimidado pela aparente opulência da loja. E fiz muito bem. O atendimento da Maison du Chocolat é pura simpatia.

A historia da Maison du Chocolat começou em 1955, quando Robert Linxe, depois de uma época de aprendizado em Bayonne e na Suiça, se intala em Paris na pâtisserie La Marquise de Presles da avenida de Wagram. Em pouco tempo ganha notoriedade como criador de delicias feitas em chocolate. Em 1977 abre a primeira Maison du Chocolat - na época, a primeira boutique parisiense inteiramente dedicada ao chocolate.

Situada ao lado da Salle Pleyel, seus primeiros clientes fiéis foram os musicos. Em homenagem a eles, a Maison du Chocolat criou varios chocolates inspirados no mundo da musica, como Bohème, Figaro, Rigoletto e Traviata - os classicos da casa. Entre os clientes famosos que se tornaram fãs dos chocolates da Maison du Chocolat figuram Carole Bouquet, Macha Méril, Jeanne Moreau e Jean-Paul Guerlain.

Em 1987 é aberta uma segunda boutique no 52 da rue François-Ier (que é onde eu fui), em 1989 a terceira abre no 8 do boulevard de la Madeleine. Em 1990 é aberta a primeira Maison du Chocolat fora de Paris, em New York. Em seguida vieram outras em Tokyo, Londres e Cannes.

Em março de 2007, Robert Linxe passa a trabalhar tendo ao seu lado o pâtissier Gilles Marshall, como diretor de criação para o desenvolvimento de uma gama de sobremesas - que é o responsavel pela criação do melhor éclair que eu ja provei na vida. Desde o ultimo sabado passei a incluir o nome desses dois senhores em minhas orações.

E quer saber quanto é a "fortuna" que custa um éclair da Maison du Chocolat, servido numa bandeja dourada por gente sorridente com terno de corte impecavel? Acredite: 4,50€ o de chocolate. Aqui deu para entender perfeitamente a diferença entre um éclair e uma "bomba" - "bomba", são as outras.

Maison du Chocolat
225 rue du Fauburg St-Honoré (mais 6 endereços em Paris)
Tel.: 01 4227 3944
Metrô: Ternes ou Courcelles linha 2
http://www.lamaisonduchocolat.com/

Papa em Paris: Um show de organização

Pois bem, sabado foi dia de acordar cedinho para assistir a missa do Papa Bento XVI (que aqui na França é chamado de Benoît XVI) na esplanada de Invalides. Mesmo estando ainda sonolento, não foi dificil de perceber que a organização do evento era algo como eu jamais havia visto.

O metrô foi reforçado para dar conta de transportar toda multidão. O percurso por onde os fiéis deveriam passar até o local da missa estava muito bem demarcado e o policiamento auxiliava as pessoas de forma cordial e prestativa. O grande contingente de voluntarios, na sua maioria jovens de comunidades catolicas de diversas cidades francesas, também foi fundamental para o sucesso da organização: recebiam a todos com simpatia e entregavam para cada pessoa um "kit Papa": uma pequena sacola feita de tecido que se convertia em bandeirinha. Dentro dela, um livro que trazia a programação do Papa na França, curiosidades sobre a historia dos Papas, dados biograficos de Bento XVI, os cânticos, o programa da missa e informações praticas para o evento. Depois da missa, foram os proprios voluntarios que cuidaram da limpeza da esplanada.

Além disso, as pessoas recebiam gratuitamente garrafinhas de agua mineral. E sem essa de "limitado a um por pessoa". Quer levar um "kit Papa" para o vô que não pode vir? Tudo bem Joãozinho, pode pegar. Mande lembranças ao vovô! Quer três garrafinhas de agua porque tem muita sede? Tudo bem também! E no final da missa, milhares de garrafinhas de agua mineral estavam novamente à disposição das pessoas.

Foram instalados diversos sanitarios quimicos nas imediações e telões bem localizados garantiam que as pessoas mais distantes do altar pudessem acompanhar a missa. Antes do inicio da cerimônia foram passadas instruções de segurança e organização, informando a maneira de proceder durante a comunhão, por exemplo. Bombeiros e socorristas estavam a postos para qualquer eventualidade. O nivel de organização era tamanho, que as vezes parecia surreal.

Mas claro que nada disso funcionaria se não tivesse a contribuição massiva dos fiéis. Na hora de festejar, festejavam. Na hora de rezar, rezavam. E na hora de fazer silêncio, podia-se ouvir o vento balançando as folhas das arvores - 260.000 pessoas. Sem correria, sem gritaria, sem baderna, sem empurra-empurra. Mesmo tendo o Papa ao alcance dos olhos, não pude deixar de me maravilhar com o comportamento das pessoas ao meu redor - um verdadeiro exemplo de organização, educação e civilidade.