24 de setembro de 2008
23 de setembro de 2008
La Rosace-Nord
A catedral de Notre-Dame é um dos monumentos mais sublimes e suntuosos de Paris - indiscutivelmente. Basta dizer seu nome que automaticamente pensamos na cidade mais encantadora do mundo. Mas para mim, a rosácea-norte da catedral é um monumento a parte.Há quem goste da lateral sul. Assim como existem os que preferem os imponentes arcobotantes a leste. A maioria gosta mesmo é da face oeste - a entrada da catedral. Eu, contrariando todas as expectativas, sou apaixonado pela face norte da Notre-Dame. Assim sendo, dedico este post à miseravelmente linda lateral norte e sua magnífica rosácea - o vitral mais espetacular já construído, na humilde opinião deste Joãozinho que vos escreve.
A face norte da Notre-Dame é formada por 3 níveis: o primeiro com uma porta, sobreposta por uma parede sem ornamentos. Na porta norte a Virgem há tempos perdeu seu bebê - e os parisienses acreditam que foi a esposa de Saint Louis, Marguerite de Provence, quem serviu de modelo para que o artista retratasse a Virgem. Em seu entorno, as cenas da infância de Cristo. Logo acima, o milagre de Teófilo.
O segundo nível é constituído por uma clarabóia guardada por 9 arcos. Enfim, um terceiro estágio formado pela rosácea (ma chérie rosace-nord). Localizada exatamente em oposição à rosácea-sul, a rosácea-norte conserva praticamente intactos todos os seus vitrais originais, feitos no século XIII. O centro do vitral é ocupado pela Virgem Maria, que tem ao seu redor os juízes, reis, grandes sacerdotes e profetas do Antigo Testamento.

Para quem vê de fora, a rosácea-norte parece um pouco apagada e difícil de ser observada em toda a sua magnitude, pois fica muito no alto para quem passa pela estreita rue du Cloître Notre-Dame. Mas quando se está dentro da catedral, ela é simplesmente enfartante. Basta que o sol passe através dela para que seus vitrais irrompam pela nave transversal com um espetáculo de luzes multicoloridas. A maioria das pessoas acha a face norte da catedral a mais sem graça de todas. Escura. Apagada. Alguns a acham até mesmo ameaçadora. Dizem por aqui que a lateral norte faz com que as pessoas se lembrem de que a catedral é feita de fria pedra e que tem dezenas de gárgulas e quimeras horrendas olhando para nós sem descanso. Pobrezinhos...
A torre norte é sim inquietante... Mesmo sendo mil vezes fotografada ela não se deixa domesticar. Sua encantadora selvageria ganha os céus de Paris nos afrontando em insolente esplendor. Aqui deste lado da Notre-Dame a pedra é mais cinzenta, mais intrigante - tem mais alma. E mesmo o sol não a torna mais acolhedora. Mas quanta beleza há por detrás desse semblante de solido enfrentamento...Acho até que quando passo por ali, Quasimodo fica tentado a me saudar com um breve aceno. Mas antes que isso ocorra, escala apressado as paredes da catedral para ver o sol se pôr, sublime, onde o rio Sena faz a curva. E fico então só, agarrado ao gradil enquanto procuro inutilmente uma posição confortável na estreita mureta do calçamento, a contemplar sorridente a majestosa rosácea-norte enquanto a cidade ensaia seu anoitecer.
Fotos: Gerard Therin (http://www.naturepixel.com/) e site oficial da catedral Notre-Dame de Paris.
Para saber mais: http://www.notredamedeparis.fr/
l'Atelier-des-sens
Um ateliê de cozinha para ensinar pais de primeira viagem a fazer papinhas e comidinhas para bebês é a idéia original do l'Atelier-des-sens (Ateliê dos sentidos). Neste templo das panelas, jovens pais e até mesmo avos põem a mão na massa na doce tarefa de aprender a fazer os potinhos mais gostosos e saudaveis para os pequeninos. Todas as receitas são a base de ingredientes naturais e levam em conta as necessidades nutricionais dos bebês de 6 a 24 meses.Curso: Mes petits pots maison (meus potinhos caseiros)
Duração: 1 semana, das 10h às 13h
Valor: 65,00€ por sessão
O l'Atelier-des-sens tem 2 endereços em Paris:
Metrô: Bastille linha 1, Bréguet Sabin linha 5, Voltaire linha 9 e Chemin Vert linha 8
Metrô: Etienne Marcel linha 4, Strasbourg St-Denis linhas 8 e 9, Chatelet linhas 1, 7 e 14, Réaumur Sébastopol linha 3 e Arts & Métier linha 11
Central de informações: 01 4021 0850
Para saber mais: http://www.atelier-des-sens.com/
Antoine Parmentier
1 ovo
60g de queijo gruyère ou parmesão ralado
Recursos materiais
Refogue a carne na panela.
Quando a carne estiver quase refogada, adicione a salsinha e o ovo misturando bem.
Cozinhe as batatas em agua durante meia hora.
Pique o alho e a cebola bem miudinho, dourando-os em seguida numa panela com um pouco da manteiga.
No refratario, coloque uma camada com metade do purê, depois uma camada de carne e em seguida a ultima camada com o restante do purê.
Monsieur Parmentier pode não ter descoberto a cura da tuberculose com as batatas, mas entrou para a historia como o criador de um dos pratos mais populares da cozinha francesa. Ganhou para sempre todo o meu respeito e admiração!
Rue de Varenne
A origem do nome Varenne é controverso: em francês, uma varenne é um terreno não cultivado que servia como reserva de caça, como era o local na época em que a rua foi aberta. Dizem ainda que o nome pode ter se originado dos abades vindos da cidade de Varennes e que se instalaram em Paris, como Mathieu Perrot, chanceler da academia e da igreja de Bourges durante o reinado de Charles IX ou Jacob de Nuchez, bispo de Chalon-sur-Saône sob o reinado de Louis XIV, ou então do escudeiro da cidade de Varennes no século XVII François Perron ou, finalmente, em homenagem ao almirante francês Florent de Varenne.
A rue de Varenne é uma das ruas mais ricas de Paris em hôtels particuliers, os famosos palacetes particulares construidos, sobretudo, no século XVIII. Vamos a alguns endereços interessantes que estão na rue de Varenne:
45: O Hôtel de Jaucourt foi construido em 1777 por Jacques-Denis Antoine para Élisabeth de La Châtre. Ela foi a segunda esposa do conde Louis Pierre de Jaucourt, que da nome ao palacio.
47, 49 e 51: O Hôtel de Boisgelin (também chamado de Hôtel de La Rochefoucauld - Doudeauville) é a sede da embaixada da Italie na France.
48: A condessa de Ségur e seu marido Eugène de Ségur viveram aqui logo apos seu casamento em 1819.
50: O Hôtel de Galliffet abriga hoje a atual sede do Instituto Cultural Italiano.
53: A escritora americana Edith Wharton viveu neste edificio à partir de 1906.
54: A navegadora e campeã olimpica de vela Virginie Hériot viveu neste imovel.
56: O Hôtel Gouffier de Thoix recebe o nome de Thimoléon François Louis Gouffier, marquês de Thoix que construiu o edificio. Nele viveu o poeta francês Louis Aragon. Hoje o edificio faz parte da area de trabalho do primeiro-ministro.
57: Hôtel Matignon, sede do primeiro-ministro francês.
58: Hôtel de Montalivet (também conhecido como Hôtel de Feuquières ou d'Orrouer). O edificio que foi ocupado a partir de 1764 pela familia La Rochefoucauld-Liancourt, no século XIX pelos Calmann-Lévy e no inicio do século XX pelos Montalivet, foi adquirido pelo Estado em 1947.
60: Hôtel du Prat: Construido por Pierre Boscry e decorado por Nicolas Pineau entre os anos 1732 e 1750.
61: O antigo Hôtel de Mazarin (hoje Hôtel d'Étampes) é um dos palacetes de maior importância arquitetonica da rue de Varenne. Construido em 1703 por Jean Courtonne foi completamente reformado em 1736 por Jean-Baptiste Leroux e Nicolas Pineau para a duquesa de Mazarin.
62: Hôtel construido em 1738 por Pierre Boscry para a marquesa de Feuquières.
69: O Hôtel de Clermont (também chamado de Hôtel de Chaulnes e Hôtel d'Orsay) foi construido entre 1708 e 1714 a pedido da marquesa de Saissac. Atualmente faz parte do Secretariado Geral do Governo, a serviço do primeiro-ministro.
72: Hôtel de Castries, construido no final do século XVII, foi residência do duque de Castries entre 1843 e 1863.
73: O Hôtel de Broglie, de 1704, é hoje a residência parisiense de Hassanal Bolkiah, sultão do Brunei.
78: Construido entre 1713 e 1724 para o barão Antoine Hogguer e transformado posteriormente pelo duque de Villeroy, o Hôtel de Villeroy abriga hoje o Ministério da Agricultura e da Pesca.
80: A construção de qualidade singular abriga alguns serviços do Ministério da Agricultura.
75, 77 e 79: O Hôtel Biron é onde esta instalado o Musée Rodin.
Metrô: Varenne linha 13
A primeira foto do post é a rue de Varennes vista pela sacada do Hôtel de Villeroy. Ja a outra, mostra a placa que foi instalada ao lado da porta no numero 53, onde viveu a escritora Edith Wharton. Clique nas fotos para amplia-las.
22 de setembro de 2008
La Cure Gourmande
Aqui você vai encontrar uma infinidade de cores e sabores: biscoitos artesanais, balas recheadas de frutas frescas, pirulitos de todas as cores imagináveis, caramelos, torrones, calissons (um doce típico do sul do país, feito de massa de amêndoa confeitada com geléia de laranja) e as deliciosas olives au chocolat - o próprio pecado da gula em forma de azeitona. Mesmo de perto é difícil de acreditar que não são azeitonas verdadeiras: trata-se de uma amêndoa inteira coberta com pasta colorida de cacau. Aff...
A apresentração impecável dos biscoitos é marca registrada de La Cure Gourmande.
Escolha sua lata preferida e a recheie como bem entender.A loja foi criada em 1989 numa pequena cidade litorânea do sul da França chamada Balaruc-les-Bains, próxima a Montpellier, e rapidamente ganhou a preferência do público. A loja conta hoje com vários endereços, sobretudo nas regiões de Provence e Côte d'Azur, e mais 5 unidades na Bélgica - o que prova que a marca confia no que faz. Não é qualquer um que se atreve a abrir uma rede de lojas de doces na Bélgica, país famoso pela tradição em bons doces, geléias e chocolates. Atualmente La Cure Gourmande tem 5 endereços em Paris.
La Cure Gourmand
40 Cour Saint-Emilion, Bercy Village (e em mais 4 endereços na cidade)
Tel.: 01 4340 1334
Metrô: Cour Saint-Emilion linha 14
Post atualizado em 06/01/2011
Journée du Patrimoine 2008: Eu fui!
Assim, preferi não fazer parte desse contingente e segui rumo a Sorbonne. Logo no caminho uma otima surpresa: a RATP colocou durante todo o dia um trem dos anos 30 em operação na linha 10 do metrô, com agentes de transporte vestidos a carater. Foi uma sorte danada ter pego esse trem e poder observar o olhar de encantamento dos passageiros - sobretudo dos mais idosos. O trem, impecavelmente restaurado, tinha o interior todo em madeira, lâmpadas incandecentes e bagageiros em aço trabalhado. Peço que me perdoem pela falta de qualidade da foto, mas com o balanço da composição aliado à tecnologia neanderthal da minha maquina fotografica não deu pra fazer melhor. Désolé.
Depois de viajar no tempo pelos trilhos do metrô, cheguei finalmente à Sorbonne. E foi ali que me arrependi mais do que nunca por não ter dado ouvidos à mãe e me empenhado mais nos estudos. Fiquei imaginando como deve ser estudar em uma universidade daquelas. Criada em 1253 por Robert de Sorbon para acolher estudantes carentes, a universidade é hoje uma das maiores referências mundiais em educação superior. Varios daqueles caras que desenvolveram as leis das ciências ou que escreveram obras literarias que fazem os estudantes universitarios de hoje arrancarem os cabelos em véspera de prova, passaram com mérito pela Sorbonne. Quer alguns nomes? Jean-Jacques Ampère (fisico que da nome a unidade de medida de corrente elétrica), o Papa Bento XVI (ele mesmo), Honoré de Balzac (escritor), Pierre de Coubertin (renovador dos JOs modernos), Marie e Pierre Currie (fisicos), Simone de Beauvoir (escritora), Jean-Luc Godard (cineasta), Henri Poincaré (fisico e matamatico), Jean-Paul Sartre (filosofo e escritor), São Vicente de Paulo, entre outros de igual importância. Entre os brasileiros destacam-se o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o diplomata Sergio Vieira de Mello.
A biblioteca, apesar de contar com um controle de acervo completamente informatizado, mantém até hoje os pesados arquivos de madeira com as fichas de cada um de seus livros. Algumas dessas fichas, escritas a bico de pena no século XIV - um verdadeiro monumento de respeito pelo patrimônio. Acho que a foto fala por si mesma - saiu um pouco torta devido a emoção do momento.
Depois de passar toda manhã babando de encantamento pelos corredores da Sorbonne, decidi aproveitar o bonito dia de sol para prestigiar outro patrimônio: os Marchés Flottants du Sud-Ouest. Uma feira de produtos tipicos do sudoeste francês que se instala anualmente durante todo um final de semana no quai Montebello. E não podia haver lugar melhor para almoçar. E em meio ao jazz festivo que uma banda local tocava sem parar, o Joãozinho aqui escolheu um cantinho às margens do Sena para fazer uma boquinha. Positivo. O meliante foi visto no local portando uma taça de vinho em uma das mãos, um pratinho com uvas, escargots e camembert na outra e um sorriso que não lhe saia do rosto nem por decreto. A Notre-Dame, que estava bem atras de mim, é testemunha. Durante todo o dia foram distribuidos gratuitamente sacolas com amostras de produtos tipicos. Assim, voltei para casa com meu "kit Sud-Ouest" com maçãs, uvas e algumas cabeçorras de alho. Tudo era tão ordenado que parecia até distribuição de hostia na hora da comunhão.
Apos comprar ali mesmo o cardapio completo do jantar, fui para a exposição de veiculos antigos da policia e do corpo de bombeiros em frente ao prédio da Préfecture de Police de Paris. Ali, uma espetacular mostra de carros, motos e caminhões que fizeram ativamente parte da corporação desde os idos de 1900 - como este belissimo carro de bombeiros de 1913 com rodas de madeira e motor à manivela. Detalhe: ele ainda funciona perfeitamente!
Ja no domingo, tentei novamente o Palais de l'Elysée, mas a fila estava ainda maior que no dia anterior. A noticia de que Carla e Sarko estavam saudando os visitantes no sabado animou mesmo o pessoal. Abandonando de vez a idéia, segui então em direção ao Hôtel Matignon, residência oficial do Primeiro Ministro francês François Fillon. Além dos diversos salões do edificio e o impecavel jardim, era possivel visitar inclusive o gabinete de trabalho do Primeiro Ministro. A mesa estava como se ele acabasse de sair para buscar um café - so de olhar deu para descobrir que ele é fã da equipe Ferrari de F1 e que escreve com caneta tinteiro, daquelas que se molha a pena no vidro de tinta. Infelizmente não era possivel fotografar dentro do Hôtel Matignon, mas consegui boas fotos do jardim e da area externa.
O edificio de 1722 que ja pertenceu a Talleyrand e ao proprio Napoleão Bonaparte também abrigou o general de Gaulle durante a Segunda Guerra Mundial. Acima, os fundos do Hôtel Matignon qua da acesso ao jardim - que pode ser visto logo abaixo.
Agora simpatica mesmo foi a acolhida no Hôtel de Villeroy, sede do Ministério da Agricultura e da Pesca. O pessoal era super sorridente e atencioso - deve ser o ministério com o clima mais legal para se trabalhar por aqui. Mas ainda assim fico pensando que num pais como a França, com tanta regulamentação e padronização de produtos que passam sob o controle rigoroso desse ministério (queijos, pães, vinhos, frutos do mar, etc.) o trabalho por ali não deve ser nada facil. Na foto, o Hôtel de Villeroy.
Enfim, depois de um final de semana 'cheio' desses, ficou meio dificil manter o blog em dia. Mas espero ter me redimido ao compartilhar com vocês um pouquinho da minha Journée du Patrimoine deste ano. Espero que quem esteve presente possa ter aproveitado tanto quanto eu, e quem ainda não teve a oportunidade de participar possa fazê-lo em breve. Posso garantir que assinar o nome no Livre d'Or do Hôtel Matignon, ler Jacques Prévert na biblioteca da Sorbonne ou andar num trem de metrô da época em que o vovô ainda usava calça curta faz um bem danado à cabeça e ao coração.
Para saber mais:
http://www.premier-ministre.gouv.fr/
http://www.paris-sorbonne.fr/
http://www.journeesdupatrimoine.culture.fr/
http://www.marchesflottants.fr/