27 de setembro de 2008

Rádio podcast

Estimados, gostaria de lembrá-los que os links disponíveis no blog para as rádios de Brasil e França não são para o acesso aos seus sites, mas sim uma forma de conexão direta aos podcasts de cada uma dessas rádios.

Achei interessante incluir os podcasts no blog porque pensei que entre vocês deve haver pessoas como o Serginho lá de Belo Horizonte, que gosta de ouvir musica francesa enquanto navega no blog; o Zé Roberto, que se mudou já faz um tempo de São Paulo para Paris e sente aquela saudade de ouvir as noticias da Jovem Pan e a MPB da Nova Brasil; a Mônica lá de Cascavel, que estuda francês e quer praticar o idioma ouvindo as noticias nas rádios daqui; o Benoît que mora em Lyon e gosta de ouvir musica brasileira; a Anne Sophie aqui de Paris, que estuda português e quer praticar o idioma ouvindo as rádios do Brasil; o Alessandro do Rio de Janeiro, que hoje mora em Washington, mas gosta de matar a saudade do Brasil ouvindo a CBN enquanto planeja sua primeira viagem à Paris; o João Ricardo de Lisboa, que gosta de coletar informações para suas férias parisienses ouvindo música francesa...

Enfim, independente de qual seja o seu caso, seus interesses ou motivações, espero que os links aos podcasts das rádios sejam ferramentas úteis de entretenimento, informação e enriquecimento cultural para todos os leitores do Viver Paris!

Para que vocês saibam o que encontrar em cada uma dessas rádios, montei um pequeno guia de referência rápida:

Rádios brasileiras

- CBN AM: Notícia e informação
- Eldorado FM: Notícias, variedades e musica contemporânea
- Energia 97 FM: Variedades, esporte e música eletrônica
- Jovem Pan AM: Notícia e informação
- Kiss FM: Clássicos do rock
- Nova Brasil FM: Música popular brasileira
- Transamérica FM: Programação jovem, música pop e variedades

Rádios francesas

- Chante France FM: Chanson française (música tradicional francesa)
- Europe 1 FM: Atualidades, informação e esporte
- France Bleu FM: Atualidade, informação e chanson française
- France Culture FM: Atualidade e informações culturais
- France Inter FM: Notícia, jazz, informação e esporte
- NRJ FM: Música pop internacional e varieté française (pop francês)
- RTL2 FM: Pop-rock
- Virgin FM: Música pop e varieté française

Aproveito também para agradecer a vocês pela divulgação pessoal que estão fazendo do Viver Paris! Saibam que essa colaboração tem sido muito importante para o crescimento e enriquecimento do blog. Além disso, suas criticas e sugestões serão sempre muito bem vindas.

Um forte abraço e um ótimo final de semana a todos vocês.

26 de setembro de 2008

Angelina: Chocolate quente

Localizado bem sob as arcades da rue du Rivoli (uma das calçadas mais lembradas pelos turistas que não perdem uma lojinha de souvenir por nada no mundo), o salão de chá Angelina é um endereço de fetiche para quem quer provar o melhor chocolate quente de Paris - o famoso Africain, servido com chantilly a parte.

Não sou muito de classificar as coisas em "o melhor disso, o melhor daquilo ou o melhor de Paris" - para mim, o melhor da vida é sempre uma questão subjetiva: o melhor de cada coisa ou de cada lugar será sempre o que você gostar mais. Mas nesse caso sou obrigado a concordar com meus amigos parisienses: Em matéria de chocolate quente vai ser difícil você encontrar outro mais saboroso na cidade.

Para acompanhar seu chocolat chaud, o jovem chef Sébastien Bauer coloca a sua disposição especialidades de pâtisserie e viennoiserie que são de dar água na boca. Mesmo o bom e básico brioche da casa é uma excelente companhia para o seu Africain - a experimentar, absolutamente!

Fundada em 1903, Angelina é um dos salões de chá mais tradicionais de Paris e teve Coco Chanel como sua habituée mais ilustre. E não se assuste com o tamanho da fila de espera por uma mesa - que pode chegar facilmente até a calçada. O salão é imenso, e o entra e sai constante faz com que a fila ande bem depressa. As mesas de madeira e mármore, as cadeiras revestidas em couro e a decoração no melhor estilo Belle Époque fazem com que você se sinta dentro de um cartão postal do início do século.

Outra especialidade da casa é o Mont-Blanc, um doce gigante feito com massa de castanhas recheada de suspiro e chantilly - dá só um look nas feições da criança.


Ah e por favor, não cometa o sacrilégio de deixar o chantilly do seu chocolate quente abandonado na mesa. Depois você acerta as contas com a balança enquanto queima as calorias ingeridas num passeio pelo Jardin de Tuileries, bem em frente.

Angelina
Tel.: 01 4260 8200
Metrô: Tuileries linha 1

Pont de Neully

Rue Mouffetard

Que tal uma pequena visita à famosa rue Mouffetard, uma das mais antigas e encantadoras ruas de Paris? Seu ambiente com jeitão de cidade interiorana, seu mercado e seu passado de artes faz deste um lugar emblemático na margem esquerda, onde se cruzam estudantes, residentes e turistas em busca de autenticidade.

O bairro Mouffetard-Contrescarpe goza de uma situação privilegiada: é localizado a dois passos do Panthéon, o imponente monumento guardião da memória francesa, onde descansam algumas das grandes personalidades que escreveram seus nomes nas paginas da historia, como Voltaire, Malraux e Rousseau. Alguns metros mais adiante estão as arenas de Lutécia. Construídas no século I, constituem um dos últimos vestígios da Roma Antiga ainda visíveis em Paris. E ali ao lado fica o Quartier Latin, lugar de estudos por excelência, marcado pela evolução da historia política, social e literária parisiense.


Com sua longa e suave inclinação que se estende pelos seus 650 metros (dos quais metade é reservada para pedestres), a rue Mouffetard (também chamada de “la Mouffe” – algo cada vez mais raro de se ouvir) começa na place de la Contrescarpe e termina perto da igreja de Saint-Médard, não distante da estação do metrô les Gobelins. Oferece ao olhar atendo dos visitantes a agradável visão de suas bonitas casas antigas, dos bistrôs convidativos, dos restaurantes de pratos generosos, do mercado muito conhecido pelos sabores da terra-mãe, do cinema de arte e de ensaio, da grande biblioteca de quatro andares, do boliche, dos terraços de café a perder de vista… É sem dúvida alguma a rua mais animada de um bairro conhecido por sua tranqüilidade.

Na place de la Contrescarpe, criada em 1852, a atmosfera é inimitável. À noite as luzes cintilam, os turistas misturam-se aos habitantes e os vendedores de crepe fazem fortuna enquanto os músicos de rua nos presenteiam com um ambiente festivo e descontraido. Então sim, constatamos que o bairro tornou-se ligeiramente boêmio - mas isso já não nos diz muita coisa hoje em dia. O que sei de fato é que ali é um ótimo lugar para se exercer aquilo o que chamo de “boa vida”. Seja simplesmente para passear ou mesmo para instalar-se por lá por um período indeterminado (por que não?).

Já havia vestígios da rue Mouffetard desde a Roma Antiga, no século I. Não levava ainda esse nome, mas já era bastante freqüentada, pois ligava Lutécia à atual Ivry - fora batizada de Mont-Cétard, em algum momento do século XVII. E até hoje ocorrem divergências sobre a origem do nome atual. Alguns dizem que é apenas uma mutação temporal de Mont-Cétard para Mouffetard que deu nome à rua, outros falam que seu nome vem em referência ao cheiro que vinha dos curtumes às margens do rio Castor (o qual era chamado de “moffette”). Hoje esquecido, o Castor era um rio de 40 quilômetros que nascia no Yvelines e se lançava no Sena dentro de Paris. Atravessava a rue Mouffetard próximo à igreja de Saint-Médard, antes de ser preenchido com concreto em 1850. Em 1868, o barão Haussmann empreende seus importantes trabalhos: a rue Mouffetard que se prolongava até a place d’Italie é encurtada pela metade - a outra parte se torna a avenue de Gobelins. E desde então está da maneira como a conhecemos.

Durante suas estadas parisienses, o escritor Ernest Hemingway muda muito freqüentemente e aluga um quarto na rue de Descartes, um prolongamento da rue Mouffetard. A rua sai diretamente na place de la Contrescarpe, o número é o 39. Pouco antes da sua morte, Hemingway tinha lançado as bases do seu livro Paris é uma festa, que foi sua primeira obra publicada de maneira póstuma. Uma placa foi afixada à parede: “De janeiro de 1922 a agosto de 1923 viveu no terceiro andar deste edifício, com Hadley sua esposa, o escritor americano. O bairro que tanto gostava foi o verdadeiro lugar de nascimento da sua obra e do estilo narrativo que o caracterizava.” Seguida da citação: “Tal era a Paris da nossa juventude, do tempo onde estávamos muito pobres e muito felizes.”

Dizem que o fantasma benevolente de Hemingway sempre passeia pela place de la Contrescarpe, e que visivelmente ele não está só: podemos ver Rabelais, Descartes, Diderot, Verlaine ou mesmo Piaf. Todos habitantes ou freqüentadores assíduos do bairro que tanto apreciavam pela sua autenticidade e o seu encanto tipicamente parisiense. Felizes para sempre.

Metrô: Place Monge ou Cencier Daubenton linha 7

No inicio do post, a famosa foto de Henri Cartier-Bresson: Rue Mouffetard 1954, Paris.

25 de setembro de 2008

Yeux ouverts

A banda é escocesa, a musica é cantada em inglês, mas a cidade que aparece no video é Paris. Acabo de ver um clip que ha algum tempo guardo nos meus arquivos. Nele, alguém percorre de carro as ruas de Paris durante a madrugada para se encontrar com a namorada e ver o sol nascendo das escadarias da Sacré-Coeur. Ja fiz boa parte desse caminho anos atras, também para ver o nascer do sol desse mesmo lugar. O dia ainda não havia acordado e eu estava a pé - massageando a cidade nas costas enquanto caminhava.

Se você reparar no caminhão de lixo que vira uma esquina quase no final do video, saiba que eu ja morei exatamente ali - na avenue Rachel. Uma bonita rua arborizada que termina bem nos portões do cemitério de Montmartre. Ela é curtinha e sem saida - até hoje não sei por que a chamam de avenida.

Esse video mostra a cidade por uma perspectiva bem interessante, dando a impressão de que também estamos dentro do carro. O belissimo video é o clip da musica Open your eyes da banda escocesa Snow Patrol, e é um dos meus 'matadores de saudade' quando estou longe de Paris. Um abraço e à demain.

Cidade-luz

Moleskine

Escritor e viajante, o inglês Bruce Chatwin (1940-1989) correu o mundo entrevistando personalidades, acompanhando de perto fatos historicos e colecionando historias que mais tarde se tornariam livros.

Para registrar sua vida cheia de experiências, Chatwin usava um caderno de anotações bastante peculiar - o Moleskine. Pratico, pequeno e resistente, o caderninho ja era um classico quando Chatwin caiu de amores por ele. Diz a lenda que Picasso, Matisse e Hemingway também carregavam seus Moleskine, onde esboçaram possivelmente a evolução de suas obras - mas de fato seus cadernos nunca foram encontrados. Van Gogh porém, teve seus Moleskines expostos em Amsterdam em 2002. Chatwin comprava seus Moleskines em uma pequena papelaria parisiense que acabou fechando quando seu dono morreu em 1986.

O lendario e charmoso caderno so foi resgatado com a chegada da marca italiana Modo & Modo. Em épocas de privacidade escancarada pela Internet, o Moleskine reaparece como uma brisa de romantismo e discrição. Nele seguimos anotando nossas impressões pessoais sobre viagens, arriscamos as primeiras linhas daquele livro que sonhamos escrever ou capturamos as imagens da realidade através de desenhos.

O Moleskine é aquele tipo de objeto que gera um certo tipo de culto entre seus apreciadores. Existem hoje até sites de internet dedicados à paixão pelo Moleskine, como o Wandering Moleskine Project. Dentre as personalidades contemporâneas que não desgrudam de um Moleskine, destaca-se Neil Gaiman, desenhista e escritor criador de Sandman.

A Modo & Modo vende os Moleskines em tiversos tipos. Além do tradicional de bolso (90x140mm) e o maior (130x210mm), existem cadernos especificos para jornalistas, musicos, desenhistas... Além de folhas em diversos padrões, como lisos, pautados, quadriculados, com folhas especiais para aquarela... Eu ja tenho varios (bien sur), e o mais usado no momento é um pequeno caderno de anotações de viagem dedicado a cidade de Paris. Nele, mapas das ruas da cidade, mapas dos transportes publicos, paginas categorizadas por assunto, bolso porta cartões e folhas transparentes para o traçado de roteiros - um verdadeiro primor. Também existe esse mesmo tipo de Moleskine para outras grandes capitais do mundo, como Roma, Londres e Berlin.

Sei que em São Paulo existe uma livraria chiquetosa em Pinheiros que vende os modelos mais tradicionais do Moleskine por aproximadamente 100,00R$ - Oh-là-là, pra quê tudo isso minha gente? Hoje em Paris você pode encontra-los em praticamente todas as papelarias, mesmo nas menores e mais simples instaladas nos bairros, ao preço médio de 6,00€. Os cadernos de viagens city note book são um pouco mais caros, 15,50€.

Para saber mais: http://www.moleskine.com/

Na Fnac (normalmente com 5% de desconto): Moleskine CNB

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24 de setembro de 2008

Indochine

A banda de rock francesa Indochine ja tem muitos anos de estrada. Formada em 1981 o grupo conseguiu o reconhecimento do publico la pela metade da década de 80, não apenas na França como em toda a Europa. Titulos como L'aventurier e Canary Bay tornaram-se grandes hits na época.

Após uma passagem meio apagada pelos anos 90, o grupo retomou o caminho do sucesso em 2002 com o lançamento do album Paradize - que teve mais de 1.200.000 discos vendidos. Apesar de Alice et June, o ultimo album da banda, ter sido lançado em 2005, a tourné Alice et June Tour explodiu mesmo por aqui em 2007 e foi celebrada com o relançamento do album em um box super bacana que acompanha o DVD do show. Alguns ingressos para os shows dessa tourné foram colocados como brinde surpresa nesses box - uma bela sacada promocional que agradou os fãs. Tanta evidência fez com que Alice et June ganhasse na edição de 2007 do Les Victoires de la Musique o prêmio de album de pop/rock do ano.

Os mais jovens não gostam muito, é bem verdade. O grupo Indochine é de certa forma rotulado como "rock para trintões". Como entrei na casa dos 30 ja faz algum tempo, posso me dar ao luxo de dizer sem receio que gosto demais do som desses caras.

Discografia: L'Aventurier (1982); Le Péril Jaune (1983); 3 (1985); 7000 Danses (1987); Le Baiser (1990); Un Jour Dans Notre Vie (1993); Wax (1996); Dancetaria (1999); Paradize (2002); Alice et June (2005).

Postei abaixo o clipe de Alice et June, faixa titulo do ultimo album:

Para saber mais: http://www.indo.fr/
Para ouvir no Deezer: http://www.deezer.com/#music/artist/47
Para comprar Alice et June na Fnac: Alice & June

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Le Petit Journal Saint-Michel

A primeira vez em que entrei no lendario Le Petit Journal de Saint-Michel foi ha 5 anos. Comemorava meu primeiro aniversario longe de rostos conhecidos. Foi quando então decidi me presentear com uma bela noitada de jam session. Durante a tarde, no final do expediente, procurei o endereço nas paginas amarelas, anotei tudo num papelzinho e corri para o Quartier Latin com a adrenalina saindo pelos poros.

Quando cheguei no lugar pensei ter errado o endereço. Deparei-me com um pequeno bar estreito e vazio. Nele, apenas um maciço balcão de madeira escura guarnecido por um bartender mais maciço ainda, que me olhou de canto de olho enquanto enxugava um copo com o vigor de quem combatia o exército inimigo. Perguntei, meio encabulado e com meu francês sofrivel da época, se estava no lugar certo - a essa altura eu ja estava com o tal papelzinho à mão, no qual escrevi: Concert tous les soirs a partir de 21h15. Caramba! Ja eram 21h30 e o lugar ainda estava vazio! E aquela noite não era uma soir qualquer...

O grandalhão então saiu detras do balcão, me perguntando - em inglês - se eu tinha vindo para o concerto. Abri um sorriso e fiz que sim com a cabeça enquanto o Yes! me saia por entre os dentes. Em resposta ouvi apenas -C'mon boy, enquanto fui conduzido para uma pequena escada num canto do bar, como se estivesse indo em direção ao porão - e estava. O espirito do jazz habita naquela cave.

A cave do Le Petit Journal tem pé direito baixo, paredes rusticas e uma acustica inacreditavel. Os musicos não se apresentam num palco, mas no mesmo nivel do salão com mesas dispostas ao redor. Para quem quer um cantinho um pouco mais reservado, existem algumas mesas no fundo da cave dispostas como se fossem carteiras escolares.

Soube depois que o Le Petit Journal tem outro endereço em Montparnasse - com um salão amplo, palco bem montado, decoração caprichada e um ambiente legal para comportar grandes grupos. Assim, acho que fiz meu debut no jazz parisiense no endereço certo. Portanto, se você busca boa musica num ambiente bonito e confortavel, seu lugar é no Le Petit Journal Montparnasse. Mas se como eu, prefere um ambiente mais rustico e improvisado como nos antigos clubes de jazz, a cave de Saint-Michel é incomparavel.

Localizado pertinho do Jardin du Luxembourg, o Le Petit Journal Saint-Michel foi fundado em 1971, e rapidamente tornou-se uma das grandes referência parisienses do jazz tradicional de New Orleans, graças aos convidados de peso que tocam ali. Alguns musicos famosos apresentam-se ali com regularidade, como Claude Bolling, Christian Morin, Maxim Saury, Marcel Zanini e Claude Tissendier. A cave tem capacidade para apenas 80 pessoas e nos remete à Saint-Germain des Prés dos anos 50.

No cardapio, pratos da tradicional culinaria francesa e uma excelente carta de aperitivos. O atendimento é bem bacana e caloroso. Confesso que acho o preço do menu um pouco salgado. Mas vale a penas ir para la apos o jantar e bebericar uma biritinha enquanto ouve musica da melhor qualidade.

Le Petit Journal Saint-Michel
71 boulevard Saint-Michel
Tel.: 01 4326 2859
Metrô: Cluny-La Sorbonne linha 10
RER: Luxembourg linha B
Ônibus: Luxembourg linhas 21, 27, 38, 82, 84 e 85
http://www.petitjournalsaintmichel.com/