10 de outubro de 2008

Albergues em Paris

Muito bem, Joãozinho! A grana segue curta, mas nem por isso você vai deixar de passar suas tão esperadas férias em Paris. Pois é, se a gente fica esperando demais acaba usando o dinheiro para outra coisa e nada de viajar. Além disso, você já percebeu que a cidade oferece muitos passeios e eventos culturais de primeira grandeza mesmo para quem quer gastar nada ou quase nada. Por isso você fez como o seu Nonô Corrêa e economizou todo o dinheiro que pode, decidiu planejar um roteiro econômico bem bacana e está organizando a viagem com a devida antecedência.

Logo mais, você estará colocando os sonhos na mochila e caminhando pelas ruas de Paris - e claro que vai voltar com a bagagem cheia de historias para contar. Então para te ajudar a aproveitar bem sua viagem sem gastar muito, coloquei abaixo algumas informações práticas sobre alguns dos principais albergues da cidade. Vamos a eles...

Auberge Internationale des Jeunes: Aqui os preços das diárias variam de 14,00€ a 20,00€, dependendo da acomodação e da época do ano - veja tabela de preços detalhada no site. Os pontos fortes do lugar são a limpeza, o espaço e a simpatia do atendimento. O albergue é gigantesco (tem 120 camas) e cuidadosamente limpo. Os quartos acomodam de duas a quatro pessoas, sendo que os maiores tem toilette e chuveiro próprios. Por ser um dos albergues mais em conta no centro de Paris (fica perto da Bastille), costuma estar sempre lotado. Por isso, não deixe de reservar sua vaga com antecedência. O albergue fica aberto 24h por dia, mas os quartos são fechados diariamente para limpeza das 10h00 as 15h00. Ah, fique atento também quanto ao limite de idade - se você tem mais de 35 anos, nada feito. Tem Internet e microondas. O café da manhã e o uso do cofre da recepção estão inclusos no valor da diária. Albergue limpo, barato, bem localizado e equipadão.

Auberge Internationale des Jeunes
10 rue Trousseau
Tel.: 01 4700 6200
Metrô: Ledru-Rollin linha 8
Aceita AmEx, Master Card e Visa

Auberge Jules-Ferry: Aqui os preços das diárias começam em 21,50€ por pessoa e inclui o café da manhã e a roupa de cama limpinha. O simpático albergue da République tem 99 camas distribuídas em quartos que acomodam de duas a seis pessoas. Também fica aberto 24h por dia, mas os quartos fecham diariamente para limpeza das 10h00 as 14h00. Tem Internet e cozinha para quem quiser se arriscar nas panelas. Aceita reservas pela Internet. Um dos bons filiado internacionais dos Albergues da Juventude.

Auberge Jules-Ferry
Tel.: 01 4357 5560
Metrô: République linhas 3, 5, 8, 9 e 11
Aceita Master Card e Visa

BVJ Paris: O BVJ é bonitão e fica num ponto bem bacana do Quartier Latin. Tem 121 camas (todas com colcha xadrez) distribuídas em dormitórios modernosos que acomodam até 10 pessoas - todos com chuveiro. O valor das diárias inclui café da manhã e vai de 28,00€ a 42,00€, dependendo da acomodação. Tem sala de TV, sala de reuniões (ideal para atualizar seu caderno de viagens), máquinas de bebidas e Internet. Apesar de ser bem equipado, levar a toalha de banho fica por sua conta. O atendimento é simpático e feito em vários idiomas. Também tem uma unidade perto do Louvre.

BVJ Paris
44 rue des Bernardins
Tel.: 01 4329 3480
Metrô: Maubert Mutualité linha 10
Não aceita cartão

MIJE: O MIJE (pare de rir, Joãozinho) administra 3 respeitáveis unidades em imóveis do século XVII nos arredores do Marais. São os albergues mais bacanas de Paris: tem limpeza cuidadosa, roupa de cama impecável, e quartos grandes que acomodam com conforto até 8 pessoas - todos com chuveiro e toilette privativos. Fecha as portas diariamente à 1h00 da manhã - portanto, se resolver fazer uma noitada, não se esqueça de deixar avisado na recepção. As diárias custam de 29,00€ a 47,00€. A unidade da rue de Fourcy tem restaurante e serve a refeição completa a 10,50€.

MIJE
6 rue de Fourcy
Tel.: 01 4274 2345
Metrô: Saint-Paul linha 1 ou Pont Marie linha 7

Consulte também o site dos Albergues da Juventude, que tem muita informação interessante para quem considera se hospedar num albergue.

Foto: Cena do filme L'Auberge Espagnole de Cédric Klapisch.

Jean-Marie Le Clézio: Nobel de Literatura 2008

Jean-Marie Gustave Le Clézio, tido como um dos grandes mestres da literatura francesa da atualidade nasceu no dia 13 de abril de 1940 em Nice, sul da França. Seu estilo de escrita é considerado simples e clássico - mas a aparentemente simplicidade guarda em si traços de grande refinamento lingüístico.

Em 1963, logo na sua estréia como autor, recebeu com apenas 23 anos o Prêmio Renaudot pela obra Le Procès-Verbal. Até a década de 80, Le Clézio passava uma imagem de inovador e rebelde - imagem que acabou sendo modificada ao longo do tempo, conferindo ao autor uma impressão mais contida e ensimesmada que perdura até hoje. Tinha inicio então a jornada do grande escritor que se destacaria ao retratar com grande afeição as minorias étnicas espalhadas pelo mundo e sobre suas experiências pessoais de viagem. Mas não traduza esse 'lado intimista' do autor por 'contemplação plena': aqui na França Le Clésio é conhecido por ser inimigo feroz do modo de vida materialista ocidental.

Mas foi na última quinta-feira, que veio a consagração máxima de Le Clézio: o escritor francês recebeu o Prêmio Nobel de Literatura de 2008. Le Clézio é o 14º francês a receber esse prêmio. "Escritor da ruptura, da aventura poética e do êxtase sensual". "Um explorador da humanidade além e por baixo da civilização reinante". Foi assim que o texto do anúncio oficial da Academia Nobel na Suécia se referia a Le Clézio - que já era tido como favorito ao prêmio há alguns anos até, finalmente, ser agraciado com o prêmio. Ainda este ano o escritor já havia recebido, também na Suécia, o prêmio literário Stig Dagerman, cuja cerimônia de entrega está marcada para o próximo dia 25 em Estocolmo.

Sua obra, sempre diversificada, carrega em si as demonstrações recorrentes de sua pela paixão pelas viagens, relatos dos tempos exílio e um certo saudosismo das civilizações primitivas oriundas da América Latina, Oceania e África - as culturas desses povos, para Le Clézio, costumam aparecem em suas obras no contexto de paraísos perdidos. Desde muito jovem, o escritor viajou muito pelos EUA, Tailândia, Marrocos, Ilhas Mauricio e por toda a América Latina. Sempre se declarou um apaixonado pelo México e pelo Panamá. Com o passar dos anos, todo esse mundo de viagens e estudo das civilizações passaram a convergir em seus textos para uma exploração mais intimista da vida - através de lembranças da própria infância e de sua história familiar.

Le Clézio receberá em 10 de dezembro, durante a solenidade de entrega dos Prêmios Nobel, um cheque de 10 milhões de coroas suecas (no dinheiro de hoje, como diria meu avô, cerca de 3,4 milhões de Reais).

O escritor vive hoje em Albuquerque (Novo México, EUA) com a mulher e as duas filhas. Costuma vir com freqüência para o sul da França, onde alterna períodos de descanso e criação.

Obras de ficção: Le Procès-Verbal (1963), Le Jour où Beaumont fit connaissance avec sa douleur (1964), La Fièvre (1965), Le Déluge (1966), Terra Amata (1967), Le Livre des Fuites (1969), La Guerre (1970), Lullaby (1970), Les Géants (1973), Voyages de l'Autre Côté (1975), Mondo et Autres Histoires (1978), Désert (1980), La Rounde et Autres Faits Divers (1982), Le Chercheur d'Or (1985), Voyage à Rodrigues (1986), Printemps et Autres Saisons (1989), Onitsha (1991), Etoile Errante (1992), Pawana (1992), La Quarantaine (1995), Poisson d'Or (1997), Hazard (1999), Coeur Brûle et Autres Romances (2000), Révolutions (2003), Ourania (2005) e Ritournelle de la Faim (2008).

Obras publicadas no Brasil: O Africano (Onitsha), A Quarentena (La Quarantaine) e Peixe Dourado (Poisson d'Or).

Prêmios: Prêmio Renaudot por Le Procès-Verbal (1963), Prêmio Valery Larbaud (1972), Grande Prêmio de Literatura Paul-Morand da Academia Francesa por Désert (1980), Grande Prêmio Jean Giono (1997), Prêmio Prince-de-Monaco (1998), Prêmio Stig Dagerman (2008), Prêmio Nobel de Literatura (2008).

"Tenho a sensação de ser uma coisa pequena neste planeta, e a literatura me serve para expressar isso. Se me atrevesse a filosofar, diriam que sou um 'rousseauista', que não compreendi nada." - Jean-Marie Gustave Le Clézio

Na Fnac France: Ritournelle de la Faim
No Submarino: http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&ProdTypeId=1&ProdId=54430&ST=SE&franq=267936

9 de outubro de 2008

O fabuloso café de Amélie Poulain

Se você também se emocionou com Audrey Tautou no filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain", dirigido por Jean-Pierre Jeunet, não pode deixar de visitar o café que virou uma das grandes sensações de Montmartre: o Café des Deux Moulins.

O famoso café é o local onde trabalhava Amélie, a adorável garçonete que tinha o dom de realizar os sonhos das pessoas à sua volta, deixando sempre de lado seus interesses e desejos pessoais. Localizado no coração de Montmartre, o Café des Deux Moulins é parada obrigatória para quem visita um dos mais poéticos arrondissements parisienses. O simpático café, por onde já passaram grandes nomes das artes como Cézanne, Renoir e Van Gogh, mantém a decoração como foi exibida pelas telas do cinema - até mesmo a disposição das mesas e o balcão de Amélie foram mantidos. A única diferença que você vai perceber no cenário é a tabacaria, que foi retirada do interior do café para dar mais espaço aos clientes, devido ao grande aumento de freqüentadores depois do sucesso do filme.

A sobremesa mais pedida da casa (como não podia deixar de ser) é o crème brûlée, a preferida de Amélie, que fazia do ato de comer o doce um verdadeiro ritual de sensibilidade. Portanto, antes de saboreá-lo, faça como Poulain - quebre a casquinha de açúcar queimado do seu crème brûlée com a parte arredondada da colher, apreciando esse doce momento com tudo o que pode.

Café des Deux Moulins
15 rue Lepic
Tel.: 01 4254 9050
Metrô: Blanche linha 2

O Urso Branco do Museu d'Orsay


A estatua em pedra Ours Blanc de François Pompon (1855-1933) foi esculpida entre 1923 e 1933 e faz parte do acervo permanente do Musée d'Orsay.

Damart: roupas de conforto climático

Eis que ontem, sensibilizado com o post sobre a expurga do sistema de calefação, um leitor de alma anônima e caridosa resolveu me enviar uma ótima sugestão diretamente da Polônia: as roupas da marca francesa Damart.

Ele disse num comentário do post que foram os próprios habitantes de Varsóvia que (até onde eu sei) são submetidos à temperaturas ambientais abaixo de zero com muito mais freqüência e austeridade que os parisienses, que recomendaram uma roupa “especial e milagrosa” para enfrentar o frio polonês.

Tão logo recebi a sugestão, a loja virtual da marca foi colocada à prova - e passou com mérito. O que achei mais interessante nas roupas da Damart é que o seu sistema de regulação de temperatura se deve aos excelentes materiais de confecção. Assim, a marca oferece uma infinidade de roupas bonitas, leves e confortáveis para serem usadas no mais frio dos invernos e roupas nem tão leves assim, próprias para encarar o mais infernal dos verões - algo, no mínimo, interessante. Além disso, você pode escolher o mesmo modelo de roupa em 5 graduações diferentes de proteção térmica, e também modelos feitos exclusivamente para suportar confortavelmente temperaturas específicas. Tudo isso através de três linhas de produtos: Vêtements Réchauffants (roupas para aquecer), Vêtements Climatisants (roupas inteligentes que se adaptam a qualquer temperatura) e Vêtements Refraîchissants (roupas refrescantes para o calor) - Sem falar nos calçados. Não é a toa que o slogan da Damart é “criamos o bem-estar”. Simplesmente genial!

Além de seus produtos serem vendidos em grandes magazines de diversos países, a Damart também está presente através de lojas (sejam elas reais ou virtuais) em toda a França, Suíça, Bélgica, Inglaterra, EUA e Japão. A grande vantagem é que nas lojas de Paris você não precisa “pagar os rins”, como em Varsóvia, por uma roupa da Damart. Os preços por aqui são bem camaradas. Isso é o que eu chamo de dica quente.

Damart
67 boulevard Haussmann (e em mais dois endereços em Paris)
Tel.: 08 9269 0237
Aberta de segunda a sábado das 9h30 as 19h00
Metrô: Saint-Lazare linhas 3, 9, 12, 13 e 14, Saint-Augustin linha 9 ou Havre-Caumartin linhas 3 e 9


Agrandir le plan

8 de outubro de 2008

Expurgando o ar do sistema de aquecimento

Pois é Joãozinho, o outono parisiense já chegou. E como você se mudou para a cidade faz pouco tempo, ainda não precisou usar os radiadores de aquecimento. Mas logo mais vai chegar a hora de botá-los em operação. Numa bela noite de frio você vai até ele, olha com aquela cara de expert, vira a torneirinha e... Nada! Nada do seu aquecedor esquentar. Ou então aquece só uma parte, deixando o restante do aparelho mais gelado que nariz de foca. Mas antes que você comece a contabilizar o custo do conserto do radiador, o ViverParis! explica um jeito prático, rápido e gratuito de botar o aquecedor para funcionar.

Quer saber por que não aquece? É que durante os meses de inatividade é normal haver o acúmulo de ar no encanamento do radiador. Portanto, basta expurgar (purger) o ar contido no aquecedor que a água quente passa a circular no interior das câmaras e tudo se resolve. Vamos lá?

Você vai precisar de:
1 - Recipiente (comprovei que um pote de Nutella vazio é perfeito para isso - todo brasileiro que mora em Paris tem Nutella em casa);
1 - Alicate universal ou de bico;
1 - Pedaço de pano.

Antes de começar:
Abra a torneira do seu radiador no máximo. Se depois de alguns minutos ele continuar frio, apenas “morninho”, ou quente na parte de baixo e frio na parte de cima, voilà! Você deve retirar o ar do encanamento.

Como fazer:
1. Mantenha a torneira do aquecedor aberta.
2. Coloque o recipiente sob o bico expurgador.
3. Abra o bico purgador com o alicate virando no sentido anti-horário, até começar a ouvir o ar saindo. Aqui um detalhe importante: você deve abrir a tampinha redonda e lisa que fica bem na ponta do bico. Não tente abrir a porca sextavada que fica na base do purgador. Outra coisa: é normal o ar do encanamento apresentar um cheiro desagradável. Mas não se preocupe, não é nenhum gás inflamável, nem coisa do seu primo Adamastor que está ao lado dando palpite - é apenas vapor d’água. A água quente é a responsável pelo aquecimento do radiador.
4. Feche o bico purgador quando começar a gotejar água. Não precisa fechar com muita força, apenas o suficiente para vedar a água. Também é normal que essa água saia um pouco suja no começo.
5. Pode ser que você precise refazer todo o processo depois de algumas horas ou no dia seguinte. Aqui em casa precisei de 3 dias para esgotar todo o ar dos aquecedores e deixá-los funcionando direito.
6. Use o pano para enxugar a molhadeira que você fez no tapete da sala.

Trocadero: I Love Paris

E. Dehillerin utensílios de cozinha

Com direito a trocadilho, esse endereço é um prato cheio para quem gosta de cozinhar. A E. Dehillerin é uma das melhores lojas parisienses para se comprar todo e qualquer utensílio de cozinha imaginável. Entre batedores de chantilly, amassadores de batatas, panelas e alguns utensílios incompreensíveis aos meros mortais, a loja tem simplesmente de tudo.

Reconhecida internacionalmente como grande especialista em material de cozinha, a E. Dehillerin existe desde 1820, e ainda segue a estrutura familiar de administração que vem desde a época de sua fundação. Para açougueiros, churrasqueiros, doceiras, pasteleiros, marmiteiros, sorveteiros, padeiros... Ou simplesmente apreciadores da boa mesa.

E. Dehillerin

18 e 20, rue Coquillière
Tel.: 01 4236 5313
Metrô: Les Halles linha 4 ou Louvre-Rivoli linha 1
Abre as segundas das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 18h00; de terça a sábado das 9h00 às 18h00.

Inclusão de mapas Google Maps

Estimados, como vocês devem ter percebido, desde ontem passei a colocar os mapas do Google Maps de acesso aos pontos recomendados no blog. Para quem ainda não conhece a ferramenta, ao clicar no mapinha você pode mudá-lo de posição, convertê-lo para imagem fotográfica de satélite, arrastá-lo dentro da tela para espiar as imediações, imprimi-lo para não ter que desenhar um mapa igual ao de pirata, etc. Além disso, você ainda poderá expandi-lo, indo direto para o site Google Maps, através do link “Agrandir le plan” em azul, logo abaixo do mapa. Portanto, considere os mapinhas do blog como uma referência inicial que você pode modificar como bem entender, inclusive traçando o roteiro do hotel ou da sua casa até o ponto de interesse.

Os novos posts já estão saindo com seus respectivos mapas, mas aos poucos incluirei essa ferramenta também nos posts já publicados, garantindo assim a padronização do blog e que ninguém ficará sem o seu mapa só porque o Joãozinho aqui demorou em se lembrar desse recurso. Espero que a inclusão dos mapas seja uma ferramenta útil aos leitores do blog e que sirva para deixar o ViverParis! ainda mais completo e interessante. Como sempre, seus comentários serão bem vindos. Um forte abraço a todos.