31 de outubro de 2008

Estacionar em Paris

Achar uma vaga de estacionamento nas ruas de Paris pode ser uma tarefa digna de figurar entre os trabalhos de Hércules. “Ô grandão! Você aí que matou a Hidra de Lerna… Toma, vai lá estacionar. Quero ver se você é fera mesmo.”

Mas apesar disso, se você resolver alugar um carro em Paris não precisa se preocupar com o fator estacionamento. Devido ao número restrito de vagas nas ruas, a cidade conta com uma infinidade de bolsões subterrâneos com preços muitas vezes equiparáveis aos dos parquímetros de rua. Você entra, retira o ticket na cancela de entrada, estaciona o carro, faz o que tem que fazer e ao voltar paga tranquilamente nas máquinas de auto-atendimento. Alguns desses estacionamentos contam inclusive com postos de combustível, lava-rápido e locadoras de veículos, como este da foto que fica na avenue Foch pertinho do Arco do Triunfo. Existem placas de trânsito por toda a cidade indicando os bolsões de estacionamento mais proximos de você - basta procurar pela letra "P" branca inscrita no quadrado azul, igual a da placa que aparece na foto. Se estiver com sorte, deixar o carro estacionado na rua também é bastante seguro.

O site oficial da prefeitura de Paris conta com um eficiente localizador de estacionamentos. Para encontrar um estacionamento perto de você, basta clicar na opção consulter la carte e seguir com a pesquisa fornecendo os dados de localização.

Un seul monde : Nous sommes ici !

Acabo de voltar da rua. Imagino que quem ouviu a Jovem Pan esta manhã deve ter ouvido o Reali Jr. comentar que os termômetros às margens do Sena devem estar tremendo de frio - frio, vento e uma chuva fininha e constante. Hoje nem as pombas se animavam a botar o pescoço de fora - se encorujavam em bolotas felpudas e cinzentas, enfileiradas no parapeito das janelas. Como precisei sair cedo para atender alguns afazeres, resolvi aproveitar a deixa mesmo estando o tempo de cara amarrada e caminhar um pouco pela cidade - e também registrar algumas imagens para o blog.

A entrada do Jardin de Tuileries pela rue du Rivoli.

Em certo ponto da andança, enquanto eu esperava para atravessar a rue Tronchet ainda próximo à Madeleine, me distrai olhando um daqueles grandes mapas de rua que eu costumo chamar de 'Vous êtes ici' (você está aqui). Antes mesmo do farol de pedestres abrir fui abordado por um parisiense prestativo que me perguntou se eu precisava de ajuda. Comentei com ele que na verdade eu estava era estranhando a posição do mapa, pois eu seguia em direção à square Edouard VII e o mapa dizia que eu deveria tomar o caminho oposto. O rapaz então me explicou que aquele mapa havia sido instalado de cabeça para baixo. "Toda vez que passo por aqui e vejo alguém consultando o mapa paro pra avisar e indicar o caminho. Como conheço bem o quartier fica fácil ajudar. Mas a prefeitura ja foi avisada." Agradeci e nos saudamos mutuamente com votos de "Bonne journée". Chovia. Ventava. Os termômetros marcavam 3 graus ao sol. As pombas seguiam redondas, sem pés nem pescoço. E ainda assim o cara foi um exemplo voluntário de boa vontade. Seu único interesse: ajudar um estranho aparentemente perdido.

Jardin de Tuileries, hoje às 8h30: "Ué! Pra onde foi todo mundo?"

Um dos meus afazeres da manhã era deixar alguns documentos de trabalho num escritório do 8ème arrondissement. Mas ainda precisava encontrar um envelope de papelão rígido. Depois de comprá-lo numa papelaria familiar da rue de l’Isly achei que seria uma boa pedida procurar uma brasserie onde eu pudesse preenche-lo e fazer algumas anotações enquanto me aquecia com uma xícara de café. Achei uma bem bacana não muito longe dali. Apoiei-me numa ponta do balcão, pedi um expresso e saquei meu caderno, caneta e o tal envelope da mochila. Para minha surpresa meu café foi parar numa mesa grande, daquelas que acomodam 4 pessoas. Uma senhora, provavelmente proprietária da brasserie, disse para eu me acomodar na mesa, onde seria mais confortável para escrever. Em Paris, sabidamente o café servido no balcão custa praticamente a metade do que você pagaria se o pedisse na mesa. Ao pagar a conta, me cobraram o preço do café no balcão - a cordialidade era por conta da casa.

Palais Garnier: Opéra National de Paris.

Devo ter ficado aproximadamente umas 2 horas e meia fora de casa. E foi o suficiente para colher dois bons exemplos de que a imagem do "parisiense carrancudo e mau-humorado" é um dos estereótipos mais contestáveis e condenáveis do qual tenho notícia. Já faz um bom tempo que decidi não mais aceitar a rotulação de povos e pessoas. Tenho verdadeira aversão por aquela coisa de “Ah, mas todo 'langoliano' é assim...” Venha com esse tipo de papo para o meu lado e verá até que ponto um bom brasileiro também pode se tornar mau-humorado. Nações são feitas de indivíduos. Cada um com suas virtudes e defeitos. Cada um com suas idiossincrasias. E acho no mínimo injusta qualquer tentativa de expansão disso para todo um povo ou nação, seja esta qual for. Pude comprovar isso em todo e qualquer lugar do mundo onde meus pés já tenham pisado. E é perceber a grandiosidade de pequenos gestos nas mais simples situações cotidianas que fazem com que eu me sinta em casa onde quer que eu esteja.

Dale gomia!: A bonita placa em baixo-relevo foi um presente da Argentina à cidade de Paris em agradecimento ao nome da rue d'Argentine.

Acreditar na bondade e generosidade das pessoas independente de quem elas sejam ou de onde quer que venham. Para um mundo melhor isso não é algo apenas permitido - é necessário. O calor-humano compensou enfim, o frio desta manhã de sexta-feira.

30 de outubro de 2008

Roquefort

Certa vez, um pastor da região de Causses de l’Aveyron, preferindo correr atrás de uma jovem camponesa ao invés de se ocupar do rebanho, deixou seu almoço (pão e queijo de ovelha) guardado dentro de uma gruta ao abrigo da luz e do calor. Alguns dias depois, ser ter obtido sucesso com a garota, retorna à gruta e encontra o pão e o queijo cobertos de fungos. Faminto, não se importa com o aspecto da comida e descobre que o queijo tinha ficado imprestavelmente delicioso. O fungo penicillium roqueforti tinha feito a sua obra. Nascia assim a lenda do queijo Roquefort.

O queijo Roquefort é feito com leite cru (não pasteurizado) de ovelha da raça Lacaune. Proveniente da região de Causses de l’Aveyron, ele se beneficia da appellation d’origine desde 1925, da AOC (appellation d’origine contrôlée) desde 1979 e da AOP (appellation d’origine protégée) desde 1996. Esse queijo, de reputação mundial, está intimamente associado à excelência da gastronomia francesa.

A região de coleta de leite para a produção se limita a uma zona situada dentro de um raio de 100km ao redor da pequena cidade de Roquefort-sur-Soulzon. Por outro lado, a zona de affinage - maturação - do queijo é circunscrita somente à commune de Roquefort-sur-Soulzon, e ainda assim limitada pelo rochedo de Combalou. Normalmente o Roquefort é feito dentro das caves naturais obtidas pela erosão das falésias da região - o que proporciona condições de temperatura e umidade precisas e ideais à produção do queijo. A ventilação natural é fornecida às caves através de fissuras nas rochas - as fleurines. E são essas características particulares das caves de Roquefort que dão ao queijo um sabor único e inimitável.

As ovelhas Lacaune se adaptam facilmente a condições climáticas rigorosas e as variações bruscas de temperatura. O cuidado da criação também é fundamental para a produção do Roquefort. As ovelhas Lacaune devem ser alimentadas somente com ervas, forragem e cereais que devem vir, pelo menos 75%, da região geográfica de Roquefort. Fora do período de inverno a pastagem ao ar livre é obrigatória.

O peso médio de um queijo Roquefort ficar em torno de 2,5kg. A coagulação do leite deve ser feita precedida a inclusão do fungo penicillinum roqueforti. Depois que a massa do queijo é elaborada, a criação das condições para o crescimento dos fungos é garantida por uma etapa da preparação chamada piquage - na qual a massa é transpassada por lâminas para a entrada de ar em seu interior. A piquage deve ser feita 48 horas antes do inicio do período de affinage no interior das caves de Roquefort (outra etapa obrigatória do processo para que o queijo possa receber o nome de Roquefort). O queijo passa por um período de pré-affinage exposta de 14 dias, quando então é envelopado em folhas de estanho para a maturação final que deve durar, pelo menos, 5 meses.

Bom saber: o melhor período de degustação do Roquefort ocorre de março a dezembro, principalmente entre abril e outubro. Uma bela fatia do autêntico Roquefort nos supermercados parisienses custa algo em torno de 2,50€ - quase nada se comparado ao prazer que proporciona. Queijos excelentes também podem ser encontrados nas feiras-livres parisienses a preços um pouco mais elevados.

A Roquefort-Société, uma das maiores e melhores produtoras mundiais do queijo Roquefort abre suas caves para visitação em algumas épocas do ano. Consulte horários e condições no site.

Para saber mais: http://www.roquefort.fr/

Fotos: Cave da Roquefort-Societé e a village de Roquefort

ViverParis! na mídia

Já estou há tempos para escrever este post - na verdade desde 14 de setembro, quando o jornalista Edmilson Siqueira publicou um artigo inteiramente dedicado ao ViverParis! na coluna Farol, que escreve semanalmente para a revista Metrópole. Como o próprio nome sugere, o Farol serve de referência aos leitores da região metropolitana de Campinas ao tratar de temas relacionados à cultura, tendências e comportamento.

O Edmilson já havia feito em seu blog uma menção elogiosa ao ViverParis! quando este passava ainda por aquela complicada fase na qual eu ainda tinha mais dúvidas do que certezas se a coisa ia mesmo vingar. Alguns auto-questionamentos eram recorrentes:

- Será que 'se' alguém ler o blog vai gostar deste artigo?

E o Joãozinho aqui relia o mesmo texto até enjoar para chegar à conclusão alguma.

- Será que não escrevi nenhuma besteira?

E tornava a puxar pela memória, consultar anotações e conferir mil vezes a mesma informação.

- Será que o blog vai mesmo ser útil e interessante às pessoas?
E me punha a pensar. Em mim, e em você leitor - que também dedica seu precioso tempo em busca de informação útil e interessante em meio ao oceano de futilidades que permeiam hoje os canais de comunicação massiva.

E foi justamente nesse momento que a opinião do Edmilson chegou como um verdadeiro farol - ao mostrar que o ViverParis! estava no rumo certo. Que para encontrar “terra à vista”, bastava apenas seguir adiante. E era uma opinião de peso - claro! Vinha de um profissional do jornalismo. De um cara que vive de absorver e transmitir informação e opinião em um grande jornal - algo que ainda espero fazer um dia. E que, além disso, é outro aficionado pela cidade de Paris. Dizer mais o quê? Merci monsieur Siqueira. Naquela manhã de domingo seu artigo me deixou tão contente quanto o Petit Parisien da foto de Doisneau. Obrigado meu amigo, pela luz e pelo incentivo.

O Blog do Edmilson Siqueira (cujo link permanente figura no blogrool do ViverParis!) faz uma análise aguçada e bastante corajosa do panorama político brasileiro. A coluna Farol, como eu já disse, tem um foco cultural. A revista Metrópole é suplemento semanal do jornal Correio Popular e vai às bancas todos os domingos.

Para ler o artigo da coluna Farol sobre o ViverParis!: Vivendo Paris

Foto: Petit Parisien, de Robert Doisneau

Notre-Dame de Paris: La Rosace Sud

Grégoire

Eis que surge um novo fenômeno musical no cenário da varieté française. Quem? Um rapaz parisiense chamado Grégoire. Mas não é só a música que chama a atenção nesse novo astro da música pop francesa - o surgimento de Grégoire foi também um tanto curioso.

Ele é um dos artistas filiados ao site francês MyMajorCompany, que se propõem a fazer uma verdadeira revolução musical. O site permite que os internautas vejam em vídeo o trabalho realizado pelos artistas e então escolham qual deles deseja produzir, ajudando financeiramente a lançá-lo no mercado fonográfico. Para atuar como neo-produtor o internauta precisa depositar um valor na conta da MyMajorCompany que será dedicado a ajudar o artista escolhido no lançamento do primeiro CD. O site informa o valor total que é preciso juntar para a gravação e promoção do álbum - no caso de Grégoire, 70.000,00€ que foram rateados entre os internautas. Nesse sistema a MyMajorCompany garante um percentual maior ao artista na divisão do montante arrecadado com as vendas, bons preços para os fãs adquirirem o CD, e os internautas que bancaram o lançamento do cantor recebem participação sobre os lucros - a prova de que quando as coisas são feitas de forma justa e honesta todo mundo sai ganhando.

E foi assim que Grégoire tornou-se o primeiro artista francês integralmente produzido pelos internautas - que devem estar felizes da vida com o desempenho do astro que acabaram de lançar. Seus clipes começaram a aparecer timidamente na TV há algumas semanas e hoje Grégoire já ocupa o 9º lugar no ranking geral de vendas da Fnac e o 1º lugar em audições no Deezer France. Nada mal para quem acaba de se lançar para a música.

Depois desse empurrãozinho inicial, o talento do rapaz se encarregou do resto. Musicalmente Grégoire não decepciona - ao contrário: surpreende. Ouvi o álbum completo no Deezer (várias vezes, por sinal) e gostei bastante. O tipo de varieté française cantada por ele flerta um pouco com a folk music, resultando num som bacana de ouvir em qualquer ocasião.

No vídeo Toi+Moi, o primeiro grande hit de Grégoire.



Para ouvir: Deezer Grégoire
Para comprar na Fnac: Grégoire - Toi et Moi


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29 de outubro de 2008

Fim da parceria entre Tam e Air France

Era muito bom para brasileiros e franceses, mas acabou. No proximo dia 31 de outubro, Tam e Air France deixam de operar como empresas parceiras para o uso e acumulo de pontos em seus programas de milhagem. Assim, não sera mais possivel voar pela Air France com as milhas do Fidelidade Tam e nem usar as milhas do programa Flying Bleu para voar pela Tam.

Não procurei me aprofundar sobre o assunto, mas tudo leva a crer que o final da parceria com a Air France esta relacionado com a migração da Tam para o grupo Star Alliance no inicio do mês. Se de um lado isso deve aumentar o numero de empresas parceiras da Tam num futuro bem proximo, de outro, o fim do acordo com a Air France vai deixar na saudade muitos brasileiros que vivem na França (eu, por exemplo) e franceses que viajam constantemente ao Brasil.

Square Jean XXIII

Promoção no Cine Gaumont Gobelins

Podem comemorar com pipoca e Orangina! O Cine Gaumont Gobelins reduziu o valor da entrada para quem tem menos de 26 anos (o que infelizmente ja não é o meu caso). O valor normal da entrada que é de 8,90€ passa automaticamente para 3,90€ - bastando para isso que você apresente um documento de identidade. E esse desconto é valido durante todas as sessões, todos os dias, para todos os filmes - sem restrições.

Essa promoção faz parte do plano de revitalização cultural do 13º arrondissement desenvolvido pela Mairie de Paris em parceria com o grupo Gaumont & Pathé. O Cine Gaumont Gobelins tem 5 salas e 1146 lugares.

Cine Gaumont Gobelins
58 avenue des Gobelins
Tel.: 08 9269 6696
Metrô: Gobelins ou Place d'Italie linha 7

Para saber mais: http://www.gaumont.com/