25 de novembro de 2008

Arènes de Lutèce

Você sabia que em Paris existe uma autêntica e bem conservada arena de gladiadores? Construídas no final do século I d.C. as Arènes de Lutèce (Arenas de Lutécia) foram quase completamente destruídas durante as invasões bárbaras de 280. Na ocasião as pedras maiores foram usadas para a construção de refúgios pela população e o anfiteatro acabou tornando-se um cemitério. Apesar disso a cidade soube restaurar e preservar muito mais do que a memória ou o nome do monumento - a Arène de Lutèce é hoje um dos monumentos galo-romanos mais antigos que ainda podem ser vistos em Paris.

A boa modernidade: Antigo espaço de embates entre homens e feras, hoje a Arène de Lutèce é um agradável espaço de convívio.

A arena escavada no solo é cercada por um muro de 2,5 metros de altura com parapeito. O espaço foi concebido para alternar espetáculos teatrais com combates de gladiadores - nove nichos existentes no local da cena tinham como finalidade a melhoria da acústica da arena. E eu que antes de conhecer a Arène de Lutèce nunca pensei que no século I já havia a preocupação com a garantia da qualidade acústica dos teatros.

O podium: essas divisórias de pedra hoje abrigam bancos ideais para você botar a leitura em dia enquanto pega um solzinho.


Cinco cubículos são dispostos sob os primeiros degraus da arquibancada - três dos quais parecem ter sido usado como jaulas de animais, abrindo-se diretamente para a arena. Os degraus que formam a arquibancada envolvem mais da metade da circunferência da arena e comportava até 17.000 pessoas.

Detalhe das jaulas no interior da arena.

Foi Théodore Vagar quem entre 1860 e 1869 restaurou a estrutura da arena e estendeu as investigações arqueológicas no local, realizando escavações em uma área total de 5.000 m2. Mas a descoberta do extenso sítio arqueológico não impediu que a cidade fizesse as obras necessárias ao seu desenvolvimento entre 1877 e 1892. Victor Hugo, Victor Duruy e a Société des Amis des Arènes (Sociedade dos amigos da Arena) também participaram da recuperação da parte Sul do monumento, liberada após a demolição do convento Filles de Jésus-Christ em 1883.

'Alameda Hugo' ou 'Boulevard Juca'?: As reentrâncias da bonita e arborizada entrada principal da arena eram usadas como vomitório durante os eventos do século I.

O Conselho Municipal conseguiu através de votação ordenar a construção de uma praça que foi aberta ao público em 1896 - praça ganhou mais espaço com a substituição da linha do tramway pela linha 10 do metrô em 1916 e até hoje enche os olhos de quem visita a arena. Essa bonita área verde nas imediações da arena é dedicada ao doutor Capitain, que cuidou da restauração do local após a Primeira Guerra Mundial.

Outra coisa que também impressiona é a limpeza impecável do lugar - num mesmo campo de visão você pode enxergar uma dezena de cestos de lixo que são usados de forma consciente pela população. A Arène de Lutèce fica bem atrás da estação Place Monge do metrô. Basta você sair da estação e contornar o gradil verde - o jardim que você vai ver através da grade já faz parte da arena. Depois dali fica fácil emendar um passeio a pé pelo Jardin de Plantes ou pelo quartier Mouffetard-Contrescarpe.

Arène de Lutèce

49 rue Monge

Metrô: Place Monge linha 7

24 de novembro de 2008

Sanisettes

Você pode até ter ficado todo esse tempo sem saber o nome desta maravilha do mundo moderno, mas certamente já ouviu falar delas de alguma maneira (ou até quem sabe já recorreu a elas alguma vez). Falo das fantásticas Sanisettes! Não Joãozinho, elas não são dançarinas de sanatório. Sanisette é o nome dos banheiros públicos automáticos de Paris.

Instaladas pela primeira vez na cidade em 1980 pela empresa JC Decaux, as Sanisettes substituíram as antigas e obsoletas Vespasiennes. Antigamente para usar uma Sanisette você precisava desembolsar algumas moedinhas - você colocava a quantia indicada, apertava um botão e ela abria a porta da salvação. Porém, desde fevereiro de 2006 todas as 400 Sanisettes da cidade passaram a ser de uso gratuito.

Muita calma nessa hora: A Sanisette precisa mostrar a indicação "Libre" na janelinha verde. Caso contrário, ou tem gente ou ela está efetuando o processo de limpeza. Se estiver livre, basta apertar o botãozinho e abrir o sorriso.

Para adequar toda a rede de sanitários públicos da cidade às novas diretrizes francesas de acessibilidade, todas as Sanisettes de Paris serão substituídas a partir de fevereiro de 2009 por modelos mais novos e modernos que permitirão o livre acesso aos portadores de necessidades especiais. Além disso, esse novo modelo de toilette utilizará a claridade natural para a iluminação interna, materiais biodegradáveis na sua construção e a água captada da chuva para ser usada na limpeza. As novas Sanisettes foram concebidas pelo badalado designer francês Patrick Jouin - o mesmo que desenha as cobiçadas jóias de Van Cleef & Arpels e cuida do visual das lojas Häagen Dasz.

As atuais Sanisettes: Mesmo as já adaptada para o uso por handicapés serão substituídas pelo novo modelo high-tech.

O que é interessante nesses banheiros é que depois que você o utiliza ele fecha a porta e realiza, durante aproximadamente 1 minuto, um processo automático de lavagem, desinfecção e secagem, deixando-o limpo para o próximo usuário. Elas também são equipadas com pia e secador de mãos em seu interior - além do papel, é claro. Ah, e um detalhe importante: crianças menores de 10 não devem de maneira alguma entrar sozinhas nas Sanisettes.

Mais bonitas, ecológicas, modernas e acessíveis, as novas Sanisettes que serão instaladas em Paris a partir de março de 2009 serão equipadas com bebedouro no exterior e terão um sistema de limpeza e secagem mais eficiente.

Mas vale mencionar que se as Sanisettes são excelentes para os cavalheiros, são por outro lado um tanto desconfortáveis para as damas - já que o espaço interno é bastante limitado e o sistema de secagem após o processo de limpeza automática das atuais Sainisettes deixa a desejar.

Se você quiser saber onde está localizada cada uma das 400 Sanisettes de Paris, clique aqui. O site da prefeitura de Paris disponibiliza a localização desses banheiros organizados por arrondissement.

Na foto menor, o interior de uma Sanisette. O nome Sanisette é marca registrada da JC Decaux, fabricante dessas belezinhas.

Bonaparte e o Egito: Instituto do Mundo Árabe

Uma exposição bastante interessante que está atualmente em cartaz em Paris é Bonaparte et l’Egypte no Institut du Monde Arabe, que conta a história da interação entre França e Egito iniciada por Napoleão Bonaparte em 1789.

Quando Bonaparte desembarcou na Alexandria para a campanha do Egito, levou consigo um “exército” diferente: além dos soldados e dos mais brilhantes oficiais militares da época, Napoleão tinha a seu lado 160 cientistas das mais variadas disciplinas - a tarefa desses homens consistia em fazer da conquista do Egito uma verdadeira expedição científica. Se pelo lado das ciências e das artes a campanha do Egito foi um sucesso, militarmente entrou para historia como um dos maiores fracassos de Bonaparte - sobretudo pelo choque cultural entre as tropas francesas e a civilização egípcia.

Centrada na expedição, a exposição tem como foco mostrar o amadurecimento das relações entre França e Egito através dos séculos. Para a montagem de Bonaparte et l'Egypte, o Instituto do Mundo Árabe instaurou um comitê científico paritário franco-egípcio que reuniu os melhores especialistas dos dois países. E é através dessa visão recíproca de franceses e egípcios que o público poderá descobrir as mais de 400 obras selecionadas entre as maiores coleções públicas e particulares de todo o mundo - um caleidoscópio que desfila mitos e realidades, nos convidando a testemunhar essa historia de fascinação mútua.

Para comprar seu ingresso na Fnac clique em: Bonaparte et l'Egypte.

Bonaparte et l'Egypte
Em cartaz até 29 de março de 2009
Institut du Monde Arabe
1 rue des Fossés Saint-Bernard - Place Mohammed V
Tel.: 01 4051 3838
Metrô: Cardinal Lemoine linha 10 ou Sully-Morland linha 7

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La Petite Scierie: Foie Gras

Instalada na Île Saint-Louis, a pouco mais de 300m da catedral de Notre-Dame, a Petite Scierie tem simplesmente tudo em matéria de foie gras e derivados de pato em conserva: mousse de foie (patê de fígado de pato), foie gras entier (fígado de pato preparado inteiro), rillettes (patê feito com carne de pato desfiada), confits (carne de pato pré-cozida e conservada na própria gordura) e cassoulets (cozido de miúdos com feijão branco) são alguns dos excelentes produtos à venda na loja.

Não conhece muito bem os produtos? Ficou em dúvidas entre qual levar? Nunca provou um foie gras e gostaria de conhecer? Não tem problema. Catherine e Paul, proprietários da Petite Scierie, preparam para você uma degustação escoltada por uma taça de Coteaux du Layon. Mas não é a administração da loja em Paris a principal atividade do casal - eles são criadores de patos e têm uma plantação de aspargos no Val du Loire. Portanto, tudo o que está a venda na Petite Scierie é cultivado, criado e elaborado por eles - gente que conhece e ama aquilo o que faz. Ah, as conservas com os aspargos que eles plantam também estão à venda na loja.

Como os produtos da Petite Scierie são feitos artesanalmente e sem aditivos químicos, toda a produção da qual eles dispõem no momento fica à venda na loja. Então não há estoque nem a possibilidade de venda por correspondência ou encomenda de grandes quantidades - isso garante que os produtos sejam sempre fresquinhos. A validade aproximada de 3 meses permite que, mesmo você morando no Brasil, possa tranquilamente botar seu foie-gras na mala e levá-lo para degustar em casa - ou até mesmo presentear.

Um detalhe curioso: além de se dedicarem aos patos e aspargos, Catherine e Paul também têm como hobbie cultivar flores e fotografar, respectivamente. Nas paredes da loja em Paris (erguidas no século XVII) estão expostas algumas das belíssimas fotos que ele tira das flores cultivadas por ela e dos pássaros, borboletas e outros pequenos animais que habitam a propriedade do casal em Pouilly sur Loire.

Para uma degustação in loco, a loja também vende sanduíches de foie gras ou rillette feitos na hora. Mas a minha sugestão é que você compre um potinho de um ou do outro, uma baguette em alguma boulangerie próxima, e improvise um piquenique às margens do Sena tendo a Notre-Dame como cenário - um jeito bem parisiense de transformar um simples lanchinho num momento inesquecível.

La Petite Scierie

60 rue Saint Louis en l’Île
Abre de quinta a segunda das 11h00 às 19h00.
Tel.: 01 5542 1488
Metrô: Pont Marie linha 7

Rue Mouffetard

Ontem a tarde, rue Mouffetard: o frio, a chuva e os primeiros flocos de neve parecem ter feito com que os turistas optassem pelos passeios indoor.

21 de novembro de 2008

Benoît Dorémus: Rien à te mettre

Concordo: o clip é toscão e com aquela cara de "feito do jeito que deu pelo colega da turma que baixou um software legalzinho de edição de video." Mas se tivesse que apostar num palpite de quem em breve vai despontar como um grande nome da varieté française, apostaria as minhas fichas nesse cara: Benoît Dorémus.

Ouvi as musicas do Dorémus pela primeira vez durante um show do Renan Luce no Zenith Paris em maio deste ano - foi ele quem fez sozinho e de maneira sublime o show de abertura do concerto. E se Renan Luce arrebentou no palco, Dorémus tendo apenas sua guitarra folk como acompanhamento se apresentou à altura - letras bem elaboradas, acordes tranquilos e um jeito peculiar de "declamar" a musica. Para que você conheça um pouco mais sobre o trabalho de Benoît Dorémus, segue o clip de Rien à te mettre - abstraia o clip, ouça a musica e depois me diga se é legal ou não é.



A pagina do cara no MySpace ja faz parte do blogroll do Viver Paris. Nela você pode ouvir um extrato de outras musicas e ainda ver alguns videos de suas apresentações.

Jardin du Luxembourg: cena de verão

Chez Moi

Boa comida em lugar simples e inusitado - tão simples e inusitado que não tem nem o nome escrito na entrada. Daqueles restaurantes que você olha meio desconfiado pela vitrine e se arrisca a entrar sem saber ao certo o que vai encontrar lá dentro. Mas se você não entrar, como é que vai saber? E se vale como dica, quem não se arrisca em lugares assim acaba perdendo boas surpresas em Paris. Boas e interessantes como o simpático restaurante Chez Moi.

Como o nome sugere, o Chez Moi (Minha Casa, em português) te acolhe como se você estivesse mesmo na casa do proprietário, um sujeito boa praça chamado Jean-Luc - o mesmo que cuida do restaurante, serve as mesas e comanda as panelas. Se quando você entrar o Jean-Luc estiver no fogão, ele te dá as boas vindas de lá mesmo - você já vai entender. Logo que você se acomoda na cadeira ele chega te trazendo um prato de sopa (e você ainda nem pediu nada). O que ele serve como prato principal? O que tiver inventado de fazer no dia: pode ser, por exemplo, quiche, peixe ou carne - normalmente acompanhados de salada. A cozinha é aberta para a pequena sala de refeições, e é de lá que ele conversa com os clientes enquanto prepara a comida - como se estivesse mesmo em casa cozinhando para amigos de longa data. Meio óbvio dizer que os pratos têm aquele ótimo sabor de feito em casa?

Mesmo sendo três pontos comerciais distintos, o bistrô Les Cent Kilos (que você vai ver na esquina logo que sair do metrô Saint-Ambroise), o salão de coiffure vizinho e o Chez Moi ficam todos no número 1 da rue Saint-Ambroise. O Chez Moi fica na portinha com paredes laterais em branco e rosa, entre o coiffure e o edifício residencial de número 3.

Apesar de tanta simplicidade o interior do restaurante é bonito e bem montado. E o mais importante: a comida é caprichada e muito saborosa. Os ingredientes são sempre frescos - Jean-Luc abastece o Chez Moi diariamente, voltando do mercado momentos antes de abrir as portas da sua casa para clientes que esbanjam bom humor e curiosidade.

Chez Moi
1 rue Saint-Ambroise
Metrô: Saint-Ambroise linha 9
Abre de segunda a sexta das 11h30 às 14h30
Menu completo a 8,50€.

Leia também o artigo relacionado Chez Moi: nota de esclarecimento.

Alameda Bréchet: Paris ganha nova área verde

Que maravilha! A prefeitura de Paris anunciou esta semana (dia 18/Nov) a criação de mais uma área verde na cidade.

E os trabalhos começam já na próxima semana: A partir de 24 de novembro, e por um período de 10 meses, a alameda André Bréchet será totalmente reestruturada para se adequar ao que em Paris conhecemos por GPRU (Grand Projet de Renouvellement Urbain), ou seja, um grande projeto de renovação urbana que visa proporcionar mais qualidade de vida à população. Essa rua em Porte Pouchet, atualmente uma via de trânsito, receberá uma praça, um passeio arborizado, áreas de lazer para as crianças e outros espaços verdes.

O projeto para a alameda André Bréchet prevê transformar a rua em uma grande área arborizada de passeio graças ao plantio de um gramado, 200 árvores e mais de 15.000 flores e arbustos. A idéia é dar aos pedestres e ciclistas que circularão pelo local a sensação de não saberem ao certo se estão passando por uma rua ou andando dentro de um jardim. As ruas ao redor terão o limite de velocidade reduzido e deverão proporcionar a livre circulação de bicicletas e o exercício da prioridade de passagem aos pedestres.

O projeto foi estudado para que mesmo com a forte presença vegetal também haja a passagem da claridade do sol - assim, árvores de menores dimensões serão plantadas em meio às grandes castanheiras e flamboyants. Também será feito o plantio de árvores frutíferas visando atrair mais pássaros para a região. O projeto também foi pensado para garantir que a alameda permaneça bonita em todas as estações do ano: sendo possível observar pássaros no verão, uma variada gama de cores e flores na primavera, o tom vermelho-alaranjado das árvores no outono e uma atmosfera contemplativa no inverno.

A diminuição dos desconfortos ambientais e a melhoria da acessibilidade também fazem parte da proposta da prefeitura. Além dos trabalhos de jardinagem, as principais mudanças previstas para os próximos 10 meses de obras são: Supressão da circulação de trânsito (para a limitação dos incômodos sonoros e da poluição provocada pelos veículos), adaptação da sinalização para ciclistas e pedestres e a melhoria do acesso aos locais e equipamentos públicos aos portadores de necessidades especiais e pessoas com mobilidade reduzida. Para os motoristas também uma boa notícia: com a implantação do projeto serão criadas mais de 500 vagas de estacionamento nas imediações.

E quer saber o melhor? Todo esse trabalho é apenas a primeira etapa do projeto de renovação do quartier de Porte Pouchet. Portanto, vem mais por aí.

Nas ilustrações, alguns dos esboços divulgados pela prefeitura da nova cara da alameda André Bréchet. Inauguração no verão de 2009.