27 de novembro de 2008

Madrugada no Canal de Saint-Martin

Le Coupe-Chou

Um restaurante que recomendo que você conheça em Paris é o Le Coupe-Chou (que em português significa “O Corta-Couve”). Pequeno e autêntico, o restaurante oferece além da boa comida aquela agradável sensação de estarmos vivendo em uma outra época. A hera que cresce ao longo da fachada, a bonita decoração interior, as pedras aparentes e o fogo da lareira aquecendo o ambiente fazem dele um dos restaurantes mais aconchegantes da cidade - em minha opinião, claro. O ambiente montado dentro de uma antiga mansão do século XIV é bem simples e descontraído, dando a impressão de que você está na sua própria casa.

Portanto, uma vez lá dentro, dá quase para esquecer que você está num restaurante. A cozinha cuidadosa é tradicional francesa, com destaque para o magret de canard aux pêches (peito de pato com pêssego) e o carré d’agneau (costela assada de cordeiro). Os preços ficam entre 18,00€ e 32,00€ o menu completo por pessoa (entrada, prato principal e sobremesa). O restaurante é completamente 'não-fumante'.

Não, não é uma casa de campo nos Alpes: é o bonito interior do Le Coupe-Chou, no coração da Cidade-Luz

Recomendo apenas que você evite-o no jantar de sábado, quando o restaurante fica cheio e o serviço impossibilitado de dar a costumeira e dedicada atenção aos clientes. Ideal para ocasiões especiais ou um romântico jantar a dois na autêntica Paris de outros tempos.

Restaurant Le Coupe-Chou
9-11 rue de Lanneau
Tel.: 01 4633 6869
Metrô: Maubert-Mutualité linha 10

CD com as músicas do ano de nascimento

Uma idéia de presente de aniversário bem original que você pode encontrar aqui na França são os CDs com as músicas que tocavam no ano de nascimento do 'presenteado'. Esses CDs são coletâneas bem montadas contendo os principais hits internacionais que marcaram o ano - que pode ser qualquer um entre 1930 e 1990.

As interpretações são originais e completas, todas com qualidade de gravação garantida pelos CDs Sony Music. Além do conteúdo, a apresentação também é caprichada - o CD vem dentro de um estojo de madeira com o nome do aniversariante e o ano de nascimento gravados a laser. Ficou curioso, né Joãozinho? Então para saber quais eram as 20 músicas internacionais que bombavam nas rádios francesas no ano em que você nasceu, clique aqui.

Por dentro ele fica assim, ó...

O preço desse CD é que eu achei um pouco salgadinho (até mesmo para o padrão francês): 35,00€ - mas a exclusividade tem o seu preço, c'est la vie. Esse é um produto da boutique online do jornal Le Figaro e você pode comprá-lo (ou simplesmente dar uma xeretada no que mais tem na loja) clicando aqui.

Mesmo que no CD não tenha aquela uma do Francisco Petrônio, taí uma idéia legal de presente pra você levar para a sua tia Eulália. Achar o presente até que foi fácil, o difícil vai ser você descobrir em que ano ela nasceu.

Para saber mais: http://www.lefigaro.fr/boutiques/

Algo que foi muito bem observado pelo meu amigo Edmilson Siqueira, e que deve ser levado em conta por quem se interessar pelos CDs, é que neles não há sequer uma música dos Beatles ou dos Rolling Stones - talvez devido às condições de direito autoral, já que poucas bandas tocaram tanto quanto eles nos anos 60, conforme o Edmilson menciona no comentário do artigo.

Exposição Rapa Nui, l’ilê de Pâques

Uma exposição muito bacana, gratuita e que foi recém inaugurada em Paris é Rapa Nui, l’ilê de Pâques no Espace Fondation EDF. Na exposição que propõe uma viagem sobre os mistérios da Ilha de Páscoa, estão reunidos objetos e muita informação sobre as paisagens, o patrimônio cultural, os Moai (as misteriosas estátuas de pedra) e também sobre como vivem os habitantes locais, sua historia, seus progressos e descobertas, a contribuição dos polinésios em matéria de religião, cultura e vida prática.

A exposição se baseia em descobertas arqueológicas para contar a história e a vida desse povo praticamente desconhecido, protagonista de várias lendas e clichês através dos tempos.
Metrô: Sèvres-Babylone linhas 10 e 12

Em cartaz até 1 de março de 2009.
Aberta diariamente das 12h00 às 19h00, exceto às segundas e feriados.
Entrada gratuita.

Exposição Akira Kurosawa no Petit Palais

Todo mundo sabe que Akira Kurosawa é universalmente reconhecido como um dos grandes cineastas da segunda metade do século XX. Mas poucos sabem que ele era também um grande desenhista. Através dessa exposição o Petit Palais propõe a descoberta (ou a redescoberta) do gênio artístico de Kurosawa, graças a uma retrospectiva inédita na França. Agrupando 87 desenhos deste artista japonês que sempre amou o ocidente, a exposição revela uma faceta desconhecida do cineasta, a de desenhista excepcional, que punha o traço e a cor a serviço da força emocional.

A exposição permite ao visitante percorrer a carreira cinematográfica de Kurosawa por entre os seus desenhos. E vale dizer que seus desenhos não podem ser resumidos a um trabalho preparatório à realização de seus filmes. Concebidos como obras autônomas, muitos deles retratam cenas não mostradas nas telas do cinema.

Uma verdadeira síntese original das culturas oriental e ocidental pela sua força expressionista, esses desenhos refletem a personalidade de Kurosawa, tanto pelas suas raízes na cultura japonesa como pela sua admiração pela arte de Van Gogh, Cézanne e Chagall.

Exposição Akira Kurosawa
Petit Palais
avenue Winston Churchill
Tel.: 01 5343 4000
Metrô: Champs Elysées-Clemenceau linha 1

Em cartaz até 11 de janeiro de 2009
Aberta diariamente, exceto às segundas e feriados, das 10h00 às 18h00. As quintas até as 20h00.
Ingressos de 2,50€ à 5,00€

Desenho: Sonhos, 1989 de Akira Kurosawa

Pete Doherty improvisará show em Paris

Pete Doherty não faz o gênero do cara que prevê as coisas com muita antecedência - até aí nenhuma novidade. Mas uma surpresa anunciada por ele ontem vai fazer a alegria dos fãs perisienses: O cantor inglês anunciou ontem durante uma entrevista ao jornal Le Parisien que fará um show amanhã (28 de novembro) na La Maroquinerie. Pouca gente da mídia sabia, mas ontem ele também contou ao jornal que já estava circulando pela França há aproximadamente uns 15 dias. Como foi tudo resolvido de última hora, ele se apresentará sem os Babyshambles. Durante o concerto Doherty tocará músicas do seu primeiro álbum solo - que tem lançamento previsto para março do ano que vem.

La Maroquinerie é um espaço relativamente pequeno, com capacidade para apenas 500 pessoas. Os ingressos já foram colocados à venda por 34,00€ e devem esgotar rapidamente. Para este show a Fnac disponibilizou o sistema e-ticket, no qual você faz a compra pela Internet e imprime seu próprio ingresso.

Para comprar seu ingresso na Fnac clique aqui.

Pete Doherty
28 de novembro de 2008 às 20h30
La Maroquinerie
23 rue Boyer
Tel.: 01 4033 3505
Metrô: Ménilmontant linha 2

Foto: Jessica Gow para a agência Reuters

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25 de novembro de 2008

La vache qui rit

La vache qui rit (a vaca que ri) é uma marca francesa de queijo fundido (mais ou menos com a mesma consistência do Polenguinho que conhecemos no Brasil) fabricada industrialmente pela fromagerie Bel. Criada em 1921, La vache qui rit é célebre por sua caixinha redonda ilustrada com a imagem da hilária vaquinha vermelha que porta seus brincos formados pelas caixas do próprio queijo. O queijo La vache qui rit é fabricado a partir de Comté, Emmental e Cheddar, e devido ao seu sabor suave é comumente oferecido às crianças francesas - é reconhecidamente o primeiro queijo que um francês prova na vida.

Historicamente, La vache qui rit é uma das primeiras marcas do mundo a industrializar a fabricação do queijo - até então algo feito de forma estritamente artesanal. Através dos tempos a marca diversificou sua linha de produtos e hoje fabrica desde snacks até requeijão - tudo com a carinha da vaca sorridente, claro.

Um dos brincos da vaca ou uma revolucionária caixinha? Nada disso: La vache qui rit é um delicioso clássico, acima de tudo! Na figura acima, o queijinho como vendido na Alemanha.

A famosa embalagem de La vache qui rit, cuja abertura é feita através de um barbantinho vermelho, foi inventada por Yves Pin. A idéia de Pin era criar um sistema que facilitasse a abertura de envelopes postais. Ao apresentar sua idéia no concurso Lépine, teve sua invenção comprada por aproximadamente 50.000 francos. Hoje a invenção de Yves Pin é utilizada diariamente por milhões de pessoas em toda a França e em diversos outros países do mundo - para abrir queijo. E funciona que é uma maravilha!

E ela também riu na edição parisiense da Cow Parade.

O desenho da vaquinha foi inspirado em uma criação do ilustrador Benjamin Rabier, que decorava com a figura de uma vaquinha sorrindo os caminhões frigoríficos de abastecimento do exército francês durante a Primeira Guerra Mundial. A vaca desenhada nos caminhões por Rabier chamava-se Wachkyria, em uma brincadeira alusiva às Valkirias da mitologia nórdica. Benjamim Rabier e M. Bel (o fundador de La vache qui rit) conheceram-se durante a guerra - ambos faziam parte da mesma unidade do exército. Em 1920, depois da guerra portanto, o jovem queijeiro convidou seu colega de exército para desenhar o logo de seu novo produto. Nascia assim uma das imagens mais marcantes do mercado francês. Um ponto curioso da ilustração é que os brincos da vaquinha possuem um efeito que os franceses chamam de mise en abyme, que consiste em desenhar uma figura dentro dela mesma - e assim a vaquinha segue rindo até o infinito na figura dos brincos na embalagem.

Aqui a vaquinha francesa levando seu sorriso até a Escócia.

Atualmente La vache qui rit é uma das marcas mais conhecidas da França. Uma recente pesquisa realizada no país revelou que aproximadamente 95% dos franceses a conhecem. Ao redor do mundo o queijo da vaquinha leva o mesmo nome traduzido para o idioma local - tendo o mesmo significado em todos os países onde é comercializado.

Para saber mais: http://www.lavachequirit.com/

Foto menor: o primeiro cartaz de La vache qui rit de 1921.

Le métro