27 de novembro de 2008

CD com as músicas do ano de nascimento

Uma idéia de presente de aniversário bem original que você pode encontrar aqui na França são os CDs com as músicas que tocavam no ano de nascimento do 'presenteado'. Esses CDs são coletâneas bem montadas contendo os principais hits internacionais que marcaram o ano - que pode ser qualquer um entre 1930 e 1990.

As interpretações são originais e completas, todas com qualidade de gravação garantida pelos CDs Sony Music. Além do conteúdo, a apresentação também é caprichada - o CD vem dentro de um estojo de madeira com o nome do aniversariante e o ano de nascimento gravados a laser. Ficou curioso, né Joãozinho? Então para saber quais eram as 20 músicas internacionais que bombavam nas rádios francesas no ano em que você nasceu, clique aqui.

Por dentro ele fica assim, ó...

O preço desse CD é que eu achei um pouco salgadinho (até mesmo para o padrão francês): 35,00€ - mas a exclusividade tem o seu preço, c'est la vie. Esse é um produto da boutique online do jornal Le Figaro e você pode comprá-lo (ou simplesmente dar uma xeretada no que mais tem na loja) clicando aqui.

Mesmo que no CD não tenha aquela uma do Francisco Petrônio, taí uma idéia legal de presente pra você levar para a sua tia Eulália. Achar o presente até que foi fácil, o difícil vai ser você descobrir em que ano ela nasceu.

Para saber mais: http://www.lefigaro.fr/boutiques/

Algo que foi muito bem observado pelo meu amigo Edmilson Siqueira, e que deve ser levado em conta por quem se interessar pelos CDs, é que neles não há sequer uma música dos Beatles ou dos Rolling Stones - talvez devido às condições de direito autoral, já que poucas bandas tocaram tanto quanto eles nos anos 60, conforme o Edmilson menciona no comentário do artigo.

Exposição Rapa Nui, l’ilê de Pâques

Uma exposição muito bacana, gratuita e que foi recém inaugurada em Paris é Rapa Nui, l’ilê de Pâques no Espace Fondation EDF. Na exposição que propõe uma viagem sobre os mistérios da Ilha de Páscoa, estão reunidos objetos e muita informação sobre as paisagens, o patrimônio cultural, os Moai (as misteriosas estátuas de pedra) e também sobre como vivem os habitantes locais, sua historia, seus progressos e descobertas, a contribuição dos polinésios em matéria de religião, cultura e vida prática.

A exposição se baseia em descobertas arqueológicas para contar a história e a vida desse povo praticamente desconhecido, protagonista de várias lendas e clichês através dos tempos.
Metrô: Sèvres-Babylone linhas 10 e 12

Em cartaz até 1 de março de 2009.
Aberta diariamente das 12h00 às 19h00, exceto às segundas e feriados.
Entrada gratuita.

Exposição Akira Kurosawa no Petit Palais

Todo mundo sabe que Akira Kurosawa é universalmente reconhecido como um dos grandes cineastas da segunda metade do século XX. Mas poucos sabem que ele era também um grande desenhista. Através dessa exposição o Petit Palais propõe a descoberta (ou a redescoberta) do gênio artístico de Kurosawa, graças a uma retrospectiva inédita na França. Agrupando 87 desenhos deste artista japonês que sempre amou o ocidente, a exposição revela uma faceta desconhecida do cineasta, a de desenhista excepcional, que punha o traço e a cor a serviço da força emocional.

A exposição permite ao visitante percorrer a carreira cinematográfica de Kurosawa por entre os seus desenhos. E vale dizer que seus desenhos não podem ser resumidos a um trabalho preparatório à realização de seus filmes. Concebidos como obras autônomas, muitos deles retratam cenas não mostradas nas telas do cinema.

Uma verdadeira síntese original das culturas oriental e ocidental pela sua força expressionista, esses desenhos refletem a personalidade de Kurosawa, tanto pelas suas raízes na cultura japonesa como pela sua admiração pela arte de Van Gogh, Cézanne e Chagall.

Exposição Akira Kurosawa
Petit Palais
avenue Winston Churchill
Tel.: 01 5343 4000
Metrô: Champs Elysées-Clemenceau linha 1

Em cartaz até 11 de janeiro de 2009
Aberta diariamente, exceto às segundas e feriados, das 10h00 às 18h00. As quintas até as 20h00.
Ingressos de 2,50€ à 5,00€

Desenho: Sonhos, 1989 de Akira Kurosawa

Pete Doherty improvisará show em Paris

Pete Doherty não faz o gênero do cara que prevê as coisas com muita antecedência - até aí nenhuma novidade. Mas uma surpresa anunciada por ele ontem vai fazer a alegria dos fãs perisienses: O cantor inglês anunciou ontem durante uma entrevista ao jornal Le Parisien que fará um show amanhã (28 de novembro) na La Maroquinerie. Pouca gente da mídia sabia, mas ontem ele também contou ao jornal que já estava circulando pela França há aproximadamente uns 15 dias. Como foi tudo resolvido de última hora, ele se apresentará sem os Babyshambles. Durante o concerto Doherty tocará músicas do seu primeiro álbum solo - que tem lançamento previsto para março do ano que vem.

La Maroquinerie é um espaço relativamente pequeno, com capacidade para apenas 500 pessoas. Os ingressos já foram colocados à venda por 34,00€ e devem esgotar rapidamente. Para este show a Fnac disponibilizou o sistema e-ticket, no qual você faz a compra pela Internet e imprime seu próprio ingresso.

Para comprar seu ingresso na Fnac clique aqui.

Pete Doherty
28 de novembro de 2008 às 20h30
La Maroquinerie
23 rue Boyer
Tel.: 01 4033 3505
Metrô: Ménilmontant linha 2

Foto: Jessica Gow para a agência Reuters

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25 de novembro de 2008

La vache qui rit

La vache qui rit (a vaca que ri) é uma marca francesa de queijo fundido (mais ou menos com a mesma consistência do Polenguinho que conhecemos no Brasil) fabricada industrialmente pela fromagerie Bel. Criada em 1921, La vache qui rit é célebre por sua caixinha redonda ilustrada com a imagem da hilária vaquinha vermelha que porta seus brincos formados pelas caixas do próprio queijo. O queijo La vache qui rit é fabricado a partir de Comté, Emmental e Cheddar, e devido ao seu sabor suave é comumente oferecido às crianças francesas - é reconhecidamente o primeiro queijo que um francês prova na vida.

Historicamente, La vache qui rit é uma das primeiras marcas do mundo a industrializar a fabricação do queijo - até então algo feito de forma estritamente artesanal. Através dos tempos a marca diversificou sua linha de produtos e hoje fabrica desde snacks até requeijão - tudo com a carinha da vaca sorridente, claro.

Um dos brincos da vaca ou uma revolucionária caixinha? Nada disso: La vache qui rit é um delicioso clássico, acima de tudo! Na figura acima, o queijinho como vendido na Alemanha.

A famosa embalagem de La vache qui rit, cuja abertura é feita através de um barbantinho vermelho, foi inventada por Yves Pin. A idéia de Pin era criar um sistema que facilitasse a abertura de envelopes postais. Ao apresentar sua idéia no concurso Lépine, teve sua invenção comprada por aproximadamente 50.000 francos. Hoje a invenção de Yves Pin é utilizada diariamente por milhões de pessoas em toda a França e em diversos outros países do mundo - para abrir queijo. E funciona que é uma maravilha!

E ela também riu na edição parisiense da Cow Parade.

O desenho da vaquinha foi inspirado em uma criação do ilustrador Benjamin Rabier, que decorava com a figura de uma vaquinha sorrindo os caminhões frigoríficos de abastecimento do exército francês durante a Primeira Guerra Mundial. A vaca desenhada nos caminhões por Rabier chamava-se Wachkyria, em uma brincadeira alusiva às Valkirias da mitologia nórdica. Benjamim Rabier e M. Bel (o fundador de La vache qui rit) conheceram-se durante a guerra - ambos faziam parte da mesma unidade do exército. Em 1920, depois da guerra portanto, o jovem queijeiro convidou seu colega de exército para desenhar o logo de seu novo produto. Nascia assim uma das imagens mais marcantes do mercado francês. Um ponto curioso da ilustração é que os brincos da vaquinha possuem um efeito que os franceses chamam de mise en abyme, que consiste em desenhar uma figura dentro dela mesma - e assim a vaquinha segue rindo até o infinito na figura dos brincos na embalagem.

Aqui a vaquinha francesa levando seu sorriso até a Escócia.

Atualmente La vache qui rit é uma das marcas mais conhecidas da França. Uma recente pesquisa realizada no país revelou que aproximadamente 95% dos franceses a conhecem. Ao redor do mundo o queijo da vaquinha leva o mesmo nome traduzido para o idioma local - tendo o mesmo significado em todos os países onde é comercializado.

Para saber mais: http://www.lavachequirit.com/

Foto menor: o primeiro cartaz de La vache qui rit de 1921.

Le métro

Arènes de Lutèce

Você sabia que em Paris existe uma autêntica e bem conservada arena de gladiadores? Construídas no final do século I d.C. as Arènes de Lutèce (Arenas de Lutécia) foram quase completamente destruídas durante as invasões bárbaras de 280. Na ocasião as pedras maiores foram usadas para a construção de refúgios pela população e o anfiteatro acabou tornando-se um cemitério. Apesar disso a cidade soube restaurar e preservar muito mais do que a memória ou o nome do monumento - a Arène de Lutèce é hoje um dos monumentos galo-romanos mais antigos que ainda podem ser vistos em Paris.

A boa modernidade: Antigo espaço de embates entre homens e feras, hoje a Arène de Lutèce é um agradável espaço de convívio.

A arena escavada no solo é cercada por um muro de 2,5 metros de altura com parapeito. O espaço foi concebido para alternar espetáculos teatrais com combates de gladiadores - nove nichos existentes no local da cena tinham como finalidade a melhoria da acústica da arena. E eu que antes de conhecer a Arène de Lutèce nunca pensei que no século I já havia a preocupação com a garantia da qualidade acústica dos teatros.

O podium: essas divisórias de pedra hoje abrigam bancos ideais para você botar a leitura em dia enquanto pega um solzinho.


Cinco cubículos são dispostos sob os primeiros degraus da arquibancada - três dos quais parecem ter sido usado como jaulas de animais, abrindo-se diretamente para a arena. Os degraus que formam a arquibancada envolvem mais da metade da circunferência da arena e comportava até 17.000 pessoas.

Detalhe das jaulas no interior da arena.

Foi Théodore Vagar quem entre 1860 e 1869 restaurou a estrutura da arena e estendeu as investigações arqueológicas no local, realizando escavações em uma área total de 5.000 m2. Mas a descoberta do extenso sítio arqueológico não impediu que a cidade fizesse as obras necessárias ao seu desenvolvimento entre 1877 e 1892. Victor Hugo, Victor Duruy e a Société des Amis des Arènes (Sociedade dos amigos da Arena) também participaram da recuperação da parte Sul do monumento, liberada após a demolição do convento Filles de Jésus-Christ em 1883.

'Alameda Hugo' ou 'Boulevard Juca'?: As reentrâncias da bonita e arborizada entrada principal da arena eram usadas como vomitório durante os eventos do século I.

O Conselho Municipal conseguiu através de votação ordenar a construção de uma praça que foi aberta ao público em 1896 - praça ganhou mais espaço com a substituição da linha do tramway pela linha 10 do metrô em 1916 e até hoje enche os olhos de quem visita a arena. Essa bonita área verde nas imediações da arena é dedicada ao doutor Capitain, que cuidou da restauração do local após a Primeira Guerra Mundial.

Outra coisa que também impressiona é a limpeza impecável do lugar - num mesmo campo de visão você pode enxergar uma dezena de cestos de lixo que são usados de forma consciente pela população. A Arène de Lutèce fica bem atrás da estação Place Monge do metrô. Basta você sair da estação e contornar o gradil verde - o jardim que você vai ver através da grade já faz parte da arena. Depois dali fica fácil emendar um passeio a pé pelo Jardin de Plantes ou pelo quartier Mouffetard-Contrescarpe.

Arène de Lutèce

49 rue Monge

Metrô: Place Monge linha 7

24 de novembro de 2008

Sanisettes

Você pode até ter ficado todo esse tempo sem saber o nome desta maravilha do mundo moderno, mas certamente já ouviu falar delas de alguma maneira (ou até quem sabe já recorreu a elas alguma vez). Falo das fantásticas Sanisettes! Não Joãozinho, elas não são dançarinas de sanatório. Sanisette é o nome dos banheiros públicos automáticos de Paris.

Instaladas pela primeira vez na cidade em 1980 pela empresa JC Decaux, as Sanisettes substituíram as antigas e obsoletas Vespasiennes. Antigamente para usar uma Sanisette você precisava desembolsar algumas moedinhas - você colocava a quantia indicada, apertava um botão e ela abria a porta da salvação. Porém, desde fevereiro de 2006 todas as 400 Sanisettes da cidade passaram a ser de uso gratuito.

Muita calma nessa hora: A Sanisette precisa mostrar a indicação "Libre" na janelinha verde. Caso contrário, ou tem gente ou ela está efetuando o processo de limpeza. Se estiver livre, basta apertar o botãozinho e abrir o sorriso.

Para adequar toda a rede de sanitários públicos da cidade às novas diretrizes francesas de acessibilidade, todas as Sanisettes de Paris serão substituídas a partir de fevereiro de 2009 por modelos mais novos e modernos que permitirão o livre acesso aos portadores de necessidades especiais. Além disso, esse novo modelo de toilette utilizará a claridade natural para a iluminação interna, materiais biodegradáveis na sua construção e a água captada da chuva para ser usada na limpeza. As novas Sanisettes foram concebidas pelo badalado designer francês Patrick Jouin - o mesmo que desenha as cobiçadas jóias de Van Cleef & Arpels e cuida do visual das lojas Häagen Dasz.

As atuais Sanisettes: Mesmo as já adaptada para o uso por handicapés serão substituídas pelo novo modelo high-tech.

O que é interessante nesses banheiros é que depois que você o utiliza ele fecha a porta e realiza, durante aproximadamente 1 minuto, um processo automático de lavagem, desinfecção e secagem, deixando-o limpo para o próximo usuário. Elas também são equipadas com pia e secador de mãos em seu interior - além do papel, é claro. Ah, e um detalhe importante: crianças menores de 10 não devem de maneira alguma entrar sozinhas nas Sanisettes.

Mais bonitas, ecológicas, modernas e acessíveis, as novas Sanisettes que serão instaladas em Paris a partir de março de 2009 serão equipadas com bebedouro no exterior e terão um sistema de limpeza e secagem mais eficiente.

Mas vale mencionar que se as Sanisettes são excelentes para os cavalheiros, são por outro lado um tanto desconfortáveis para as damas - já que o espaço interno é bastante limitado e o sistema de secagem após o processo de limpeza automática das atuais Sainisettes deixa a desejar.

Se você quiser saber onde está localizada cada uma das 400 Sanisettes de Paris, clique aqui. O site da prefeitura de Paris disponibiliza a localização desses banheiros organizados por arrondissement.

Na foto menor, o interior de uma Sanisette. O nome Sanisette é marca registrada da JC Decaux, fabricante dessas belezinhas.