9 de janeiro de 2009

Bouquinistes de Paris

Instalados na margem direita, da pont Marie ao quai du Louvre, e na margem esquerda, do quai de la Tournelle ao quai Malaquais, os bouquinistes de Paris são verdadeiros símbolos culturais da cidade.

Os bouquinistes, na minha opinião, ajudam a construir o cenário romântico e acolhedor da Paris de outros tempos que é tão marcante nesse trecho do rio Sena. Com suas características caixas metálicas verdes se debruçando para o rio, propõem a venda de livros antigos, revistas de segunda mão, cartões postais, selos antigos, velhos cartazes publicitários, fotos e até raríssimas historias em quadrinhos. Livreiros de ofício, apaixonados pela propagação cultural, seus pequenos stands são testemunhas oculares da historia de Paris.

A tradição dos bouquinistes começou por volta do século XVI, quando pequenos livreiros ambulantes começaram a surgir em Paris. Por pressão das grandes livrarias, um regulamento de 1649 proibiu qualquer tipo de “livraria portátil” e a venda de livros sobre a Pont Neuf - o principal ponto onde os livreiros ambulantes se concentravam.

No final do século XIX as boîtes de livros já se faziam presentes nos parapeitos do Sena.

Na época havia uma grande preocupação em limitar os mercados paralelos não sujeitos à censura, e os livreiros ambulantes nesse período sofreram intensa perseguição, mas acabam sendo restabelecidos como comerciantes legais sob algumas regulamentações. Em 1789 o termo bouquiniste aparece pela primeira vez no dicionário da Academia Francesa.

Livros, revistas, selos, postais, fotos... Tudo para todas as idades.

Em 1859, concessões bem regulamentadas são instauradas na cidade de Paris e os bouquinistes podem então se estabelecer em pontos fixos às margens do Sena. Em 1930 são fixadas as normas de padronização e dimensionamento das boîtes - as famosas caixas verdes dos bouquinistes. Instalados sobre mais de três quilômetros ao longo do rio Sena, os bouquinistes parisienses foram declarados em 1992 patrimônio cultural mundial da UNESCO.

As mágicas caixas verdes guardam sempre uma boa surpresa.

E os bouquinistes são mesmo muito visitados pelos parisienses - sejam cidadãos comuns em busca de leitura cotidiana ou estudantes atrás de material de pesquisa. Normalmente um bouquiniste é o primeiro destino de muitos parisienses que buscam boa leitura a preços irrisórios.

Marque na sua agenda, Joãozinho! São esses os locais onde os bouquinistes estão instalados.

Os bouquinistes de Paris têm um site bastante interessante. Nele você pode ler na íntegra diversas edições (em PDF) do jornal trimestral dos bouquinistes: Le Parapet. Algumas edições do jornal são ricamente ilustradas com fotos antigas, reunindo sempre artigos interessantes extraídos dos próprios livros e revistas que eles vendem - apenas em francês.

Para saber mais: Bouquiniste de Paris

Manga Café

Atenção fãs de Evangélion, Gumn, Akira e daqueles malditos Cavaleiros do Zodíaco que eu nunca consegui entender nem na TV: existe em Paris um cybercafé feito sob medida para você. Inspirado nos Manga Kissa de Tokyo, o Manga Café é uma mistura de biblioteca, cybercafé e espaço de eventos especializado na difusão da cultura mangá. Portanto, além de ler sossegadamente o seu mangá enquanto toma um chocolate quente, você ainda pode participar da exibição de filmes em avant-première, de encontros de fãs, palestras, sessões de autógrafos, noites temáticas e outras atividades organizadas pelo estabelecimento.

A decoração é tipicamente japonesa, o atendimento é feito por uma garotada bacana e o ambiente é super descontraído. Portanto, se acabar encarando um Manga Café lotado de sábado a tarde, sinta-se à vontade para sentar-se em algum cantinho no chão com seu livro preferido numa das mãos e um café na outra.

Sim, o lugar é bem legal! Ou você acha que todas essas pessoas estão erradas?

O lugar pode até parecer pequeno nas fotos, mas não se engane: o Manga Café possui o maior e mais completo acervo de mangás de toda a França. Assim, além dos últimos lançamentos em livros e DVD você também encontra títulos raros (e mesmo alguns originais que jamais foram reeditados). Os franceses são verdadeiramente fascinados por quadrinhos, o que faz da França o segundo maior mercado consumidor de mangás do mundo, ficando atrás apenas do Japão.

Tel.: 01 4326 5004
Metrô: Maubert-Mutualité linha 10

Ponto Zero de Paris

Você sabe onde fica o ponto zero da cidade de Paris? Muita gente que visita a cidade acaba passando por ele sem se dar conta. O ponto zero da cidade é o marco geográfico que determina o quilometro zero de todas as estradas que saem da cidade, servindo de referência para o cálculo das distâncias entre Paris e as demais cidades francesas.

O ponto zero da cidade de Paris está localizado na Île de la Cité, há pouco mais de 30 metros da entrada da catedral de Notre-Dame, e discretamente integrado ao parvis da place Jean-Paul II.

O ponto de partida: o ponto zero de Paris em detalhe.

O marco é formado por uma rosa dos ventos gravada no centro de um medalhão octogonal de bronze, o qual está no centro de 4 peças de pedra, formando um círculo. Em cada uma dessas pedras, as inscrições em letras capitais: “POINT”, “ZÉRO”, “DES ROUTES” e “DE FRANCE” - que significa, “Ponto zero das estradas da França”.

A rosa dos ventos em bronze que ornamenta o ponto zero da cidade já foi assim, mas aos poucos foi perdendo os detalhes do relevo de tanto ser pisoteada.

Foto menor: nela você percebe com exatidão a localização do marco em relação à entrada da catedral de Notre-Dame.

8 de janeiro de 2009

Vélib' au glaçon

Só hoje a neve que caiu sobre Paris na última segunda-feira começou a dar sinais de que vai entrar numas de derreter. Assim, são poucos os corajosos que se arriscam a pedalar com esse frio, e as Vélib' (as bicicletas públicas de Paris) ficam assim... Com essa cara de quem já não vê a hora de voltar a rodar pela cidade.

Jane Birkin: tournée Enfant d'Hiver

Depois de se apresentar no Japão, Líbano, Noruega, Suécia e Alemanha, a atriz e cantora Jane Birkin retorna à Paris em março para fazer cinco apresentações da tournée Enfant d’Hiver. O álbum de mesmo título da tournée traz canções inéditas, todas escritas pela própria Birkin.

Jane Birkin tornou-se mundialmente conhecida pelo dueto com Serge Gainsbourg (com quem foi casada entre 1968 e 1981) na canção Je t’aime... Moi non plus (essa eu duvido que você não conheça). A música foi um verdadeiro escândalo na época, chegando a ser proibida em Portugal, mas rapidamente virou um sucesso, vendendo mais de 1 milhão de cópias em poucos meses e firmando-se posteriormente como um dos maiores clássicos da chanson française.

Atualmente a cantora é fortemente engajada na defesa dos direitos humanos. Para conhecer mais sobre sua música, sua carreira e seu trabalho em defesa de causas humanitárias acesse seus sites oficiais - sim, ela tem dois: Jane Birkin.net e Jane Birkin-Le Site.

Curiosidade: Foi a propria Jane Birkin a idealizadora da cobiçada bolsa Birkin Bag da maison Hermès. Em 1984 durante uma viagem de avião entre Paris e Londres, Jane Birkin viajou ao lado de Jean-Louis Dumas - sem saber que ele era o presidente da Hermès. Num determinado momento Jane Birkin deixa cair sua bolsa Hermès, espalhando seus papéis pelo piso do avião. Ela então comenta com o passageiro ao seu lado que não gosta do desenho daquela bolsa, e que tem dificuldade em encontrar uma que considere ideal - e passa então a descrever como seria a bolsa ideal para os ouvidos atentos e interessados do monsieur Dumas. Pouco tempo depois, uma bolsa Hermès exatamente igual à descrita por ela chegava à casa da cantora com uma nota de agradecimento de Jean-Louis Dumas em nome da maison Hermès.

Et voilà la Birkin Bag! Ainda hoje a preferida das 'top célébritées'.

Para os concertos de Jane Birkin em Paris o site da Fnac disponibiliza a opção e-ticket, na qual você pode comprar seus ingressos e imprimi-los de qualquer parte do mundo. Portanto, se vier a Paris em março e quiser ver o show, pode garantir desde já os seus ingressos e viajar com eles na carteira (ou na sua Birkin Bag). Para comprar seu ingresso na Fnac clique em: Jane Birkin en Concert



Recordar é viver: para matar a saudade, 'Je t'aime... Moi non plus' com Serge Gainsbourg e Jane Birkin.

Jane Birkin - Enfant d’Hiver
Le Palace
8 rue du Fauburg-Montmartre
Tel.: 01 4022 6000
Metrô: Grands Boulevards linhas 8 e 9
Em cartaz de 10 a 15 de março de 2009
Ingressos de 34,00€ a 56,00€

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La Remise Kulte

Para comemorar seus 10 anos de existência e aproveitar a ocasião dos saldos de inverno em grande estilo, a Kulte - marca francesa de street wear - montou em Paris uma loja temporária (ou boutique éphémère) para a venda de roupas a preços de fábrica, a La Remise Kulte, onde alguns artigos estão com até 60% de desconto em relação ao preço normal.

As roupas da Kulte são conhecidas pelos seus desenhos criativos e por fazerem alusão aos estilos de clássicos vintage, como Miami Vice e Starsky & Hutch, por exemplo. E é dessa forma que a marca apresenta um conceito diferente de street wear, alinhando a influência da sub-cultura do passado (através da reciclagem de clássicos da cultura popular da música, das artes gráficas e do cinema) com elementos da cultura atual.

La Remise Kulte
30 rue de Charonne
Tel.: 01 4805 6835
Metrô: Ledru-Rollin linha 8
Somente até o dia 14 de fevereiro de 2009

Exposição James Mollison: The Disciples

Uma exposição gratuita curiosa (e bastante engraçada) que fica em cartaz em Paris até dia 24 de janeiro é a exibição fotográfica The Disciples do fotógrafo James Mollison.

Entre os anos de 2004 e 2007 Mollison percorreu boa parte dos Estados Unidos e Europa, indo de concerto em concerto para convidar os fãs de bandas e artistas famosos a posarem para sua câmera, caracterizados exatamente como estavam no dia do show. O resultado são fotos panorâmicas que reúnem de 8 a 10 fãs alinhados lado a lado para cada banda ou artista - no final do trabalho o fotógrafo havia reunido 500 fotos individuais, agrupadas em 58 imagens. Entre elas estão os fãs do The Cure, U2, Radiohead, Elton John, Shakira, Iggy Pop...

Esses são os fãs do Oasis - mas se o segundo da esquerda para a direita não for fã do Joey Ramone é por pura preguiça...

A exposição é gratuita e acontece dentro da badalada loja Colette, a top parisiense em termos de design e tendências. Para os conhecedores, a Colette - Style, Design, Art and Food Paris é a principal referência a tudo o que diz respeito à moda, seja relacionado às roupas e acessórios ou a gadgets e objetos de design em geral. As coleções da loja mudam religiosamente a cada mês, o que permite ao visitante conhecer novos artigos a cada visita e a descobrir, praticamente em tempo real, as mudanças de tendência da moda parisiense.

Consegue adivinhar de quem as figuraças acima são fãs?

Portanto ao visitar a exposição, você faz dois programas em um: vê as divertidas fotos do James Mollison e conhece a loja que serve de termômetro da moda e do design na cidade - aproveite também o water-bar da Colette (o cardápio completo pode ser consultado no site da loja).

Eu sabia! Até o padre gosta do U2!

James Mollison - The Disciples

Colette
213 rue Saint-Honoré

Tel.: 01 5535 3390
Metrô: Tuileries linha 1
Em cartaz até 24 de janeiro de 2009

Foto menor: Rod e Stewart, fotografados por James Mollison

Chez Moi: nota de esclarecimento

Amiguinhos, o Roberto (leitor assíduo do Viver Paris) enviou um comentário importante sobre um artigo publicado na seção Boa Mesa do blog sobre o restaurante Chez Moi.

O comentário do Roberto me serviu de alerta, mostrando o quanto uma informação pode complicar a vida de quem dela faz uso se esta não for passada adiante com a devida clareza. O comentário que ele enviou diz o seguinte:

"Estou morando em Paris desde o dia 6 de dezembro e enquanto aguardo a chegada da família tenho me divertido e aproveitado as suas boas sugestões. No entanto, seguindo as suas orientações, procurei, no domingo à noite, o restaurante Chez Moi, mas não pude encontrá-lo, pelo menos no n° 1 da rue Saint-Ambroise. Descendo do metrô Saint-Ambroise me deparei com um Bistrô de esquina, ao lado de uma igreja, que estava fechado mas que não se chamava Chez Moi. Apesar de considerar chato fazer observações como esta, ainda mais para quem presta um serviço de tão boa qualidade como você, acredito que uma possível ratificação devesse ser feita. Obrigado."

Ontem estive no Chez Moi para constatar o que aconteceu. Apesar de verificar que o restaurante segue funcionando normalmente e que o endereço informado no blog estava correto, faço a ratificação sugerida pelo Roberto porque seu comentário é de fato justificável e pertinente - e por 3 motivos:

1. O bistrô de esquina que ele viu ao sair do Metrô Saint-Ambroise é o Les Cent Kilos. Na rue Saint-Ambroise, ao lado do bistrô, existe um coiffure; e ao lado do coiffure está o Chez Moi. Detalhe: mesmo sendo estabelecimentos comerciais distintos, de forma atípica, todos os três ficam no número 1 da rue Saint-Amboise. E para complicar nem o coiffure nem o Chez Moi têm o número na fachada - apenas o bistrô apresenta o número 1 e o edifício residencial que fica depois do Chez Moi exibe o numero 3 na parede. Como o Chez Moi não tem nada que o identifique escrito à porta, fica mesmo impossível reconhecê-lo orientando-se apenas pelas instruções do artigo caso o restaurante estivesse fechado - como de fato estava no domingo à noite.

O bistrô Les Cent Kilos (A), o coiffure (B) e o Chez Moi (C): parece difícil de acreditar, mas os três estabelecimentos têm como endereço o número 1 da rue Saint-Ambroise.

2. O artigo sobre o Chez Moi foi o único que escrevi sem colocar uma foto que pudesse facilitar a localização.

3. O artigo tampouco apresentava os horários de funcionamento do restaurante ou um telefone no qual o leitor pudesse se orientar a esse respeito.

Portanto, graças ao comentário do leitor, alterei o artigo original que passa agora a incluir a foto que faltava, apresenta a descrição da localização de forma mais detalhada e o horário de funcionamento do Chez Moi. Aproveito o ocorrido para agradecer ao Roberto pelas observações valiosas e para me desculpar com todos vocês pela deficiência do artigo. Estarei mais atento a esse tipo de detalhe daqui por diante para que confusões desse tipo não voltem a ocorrer. Um forte abraço.

Foto menor: o Chez Moi é o pequeno estabelecimento com as paredes em branco e rosa.

7 de janeiro de 2009

Paris: Trilha Sonora Original no Deezer

Para quem quiser conferir, já está disponível no Deezer o álbum com a trilha sonora original do filme Paris, de Cédric Klapisch.

Para quem ainda não conhece, o Deezer é um site com um imenso acervo musical no qual você pode ouvir gratuitamente suas músicas, álbuns e artistas favoritos - pode inclusive montar suas proprias playlists com as músicas que escolher. No entanto, vale lembrar que não é possivel fazer o download das músicas - e nem precisa, pois elas ficam armazenadas no Deezer para você ouvir sempre que quiser.

A propósito, na França chamamos as Trilhas Sonoras Originais de Bande Originale du Film - ou simplesmente pela sigla B.O.F. Portanto, para ouvir o álbum no Deezer clique em: B.O.F. Paris.