15 de janeiro de 2009

Mylène Farmer: C'est une belle journée





Mylène Farmer - Les mots (duplo)
Na Fnac France
CD: 35,00€*
Download: 14,99€*

*Os preços podem sofrer alteração sem aviso prévio.

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Quartier Saint-Blaise

Localizado no coração do 20° arrondissement, o quartier Saint-Blaise é uma agradável sugestão de passeio em Paris. Com ares de cidadezinha do interior, não espere ver ali grandes monumentos, museus importantes ou obras suntuosas. Não. O quartier Saint-Blaise é um lugar bastante simples, para ser visto sem pressa - um verdadeiro refúgio da agitação cotidiana na capital.

Completamente fora dos roteiros turísticos, o quartier de ruas estreitas e bonita área verde guarda algumas preciosidades historicas. Ao ver a torre da igreja Saint-Germain-de-Charonne pela rue Saint-Blaise (uma das minhas vistas preferidas dessa região da cidade) você tem mesmo a impressão de estar em outra cidade - na verdade o quartier era a antiga village de Charone, que juntamente com Belleville foi incorporada a Paris em 1860 para formar o 20° arrondissement.

Contruída entre os séculos XII e XV, a igreja Saint-Germain-de-Charonne pode ser vista ao longo de boa parte da rue de Saint-Blaise.

Recomendo esse passeio para a primavera ou verão, que são as estações nas quais os terraço dos restaurantes da rue Saint-Blaise são mais convidativos e as praças arborizadas do quartier podem ser apreciadas em plenitude.

Um pequeno cemitério fica discretamente localizado nos fundos da igreja Saint-Germain-de-Charonne.

A rue Saint-Blaise é uma via de pedestres alardeada por casarões antigos - e o interessante nessa rua é poder ver (mesmo que através dos portões) as cours amplas e arborizadas dessas maisons. A cour da maison de número 21, por exemplo, guarda um jardim repleto de árvores; no número 29 estão duas bonitas cerejeiras do Japão - nem sempre os portões estão abertos, e ver esses jardins demanda um pouco de sorte. A rue Saint-Blaise também é conhecida por abrigar pequenas lojas de restauração de antiguidades e objetos de arte.

Um dos bonitos casarões do quartier Saint-Blaise.

A bonita square des Grès também ficam pertinho dali - o acesso é pela rue de Vitruve - e é uma bela área verde perfeita para você botar as idéias em ordem ou colocar as anotações em dia no seu caderno de viagem. Quer apenas descansar enquanto se encanta com a vista? Opa! Tambem vale! E como vale.

A square des Grès: para você aproveitar minutos preciosos de sossego.

Novamente a square des Grès: um lugar assim mereceu outra foto.

Entrando pela rue Vitruve você verá bonitos exemplares da arquitetura do século XIX - destaque para as casas de números 49 a 55. A cantora francesa Barbara viveu entre 1946 e 1959 no número 50 dessa rua. Já na esquina da rue Vitruve com a rue Albert-Marquet fica a famosa escultura da salamandra escalando as paredes de um edifício - ela é conhecida com la salamandre de la rue de Vitruve. O disputado albergue Le d'Artagnan, conhecido por ser o melhor e mais completo Albergue da Juventude de Paris, fica no número 80 da rue de Vitruve.

O Jardin Debrousse fica no Pavillon de l'Ermitage - esquina da rue de Bagnolet com a rue des Balkans - e é aberto à visitação.

E ao se deixar levar pelas pequenas ruas do quertier Saint-Blaise, não deixe de circular também pela rue des Balkans, rue Florian e rue de Bagnolet. Por onde começar? Por onde você quiser - ir para onde o coração mandar também faz parte do passeio.

Detalhe do bonito jardim da rue des Balkans.

Como chegar: mapa do quertier Saint-Blaise
Metrô: Porte de Montreuil linha 9

Yves Saint Laurent

Após passar a juventude na Argélia, país onde nasceu em 1 de agosto de 1936, Yves Henri Donat Mathieu-Saint Laurent vem à Paris aos 18 anos para estudar desenho na Chambre Syndicale de la Haute Couture (Câmara Sindical da Alta Costura).

Em 1955, Christian Dior percebe o talento do jovem Saint Laurent e o emprega como assistente modelista. Dois anos mais tarde, com a morte de seu mentor, Saint Laurent o sucede no comando da famosa maison Dior e conhece o seu primeiro grande sucesso: a coleção Trapèse (Trapézio). Com apenas 21 anos na época, passa a ser conhecido em Paris como o Pequeno Príncipe da Costura.

Com a ajuda do companheiro, o influente homem de negócios Pierre Bergé, Saint Laurent funda sua própria linha de alta costura em 1961 com a criação da marca YSL - a parceria administrativa entre Bergé e Saint Laurent duraria praticamente até os últimos anos de vida do estilista, apesar de terem rompido ligações afetivas em 1976.

O jovem comandante da maison Dior na foto de Loomis Dean para a revista Life em 1958.

A primeira coleção de Saint Laurent, de 1962, foi um grande sucesso, o qual se confirmou nas décadas seguintes através da genialidade criativa que lhe garantiu reputação mundial: aliando praticidade e sofisticação, Yves Saint Laurent lançou o smoking feminino - que permitiria que as mulheres pudessem enfim trabalhar de calças compridas. Além disso, foi o responsável pela popularização dos casacos pretos, pelo desenvolvimento do estilo beatnik dos anos 60, pela criação das sahariennes, dos costumes de tweed, do tailleur-pantalon...

Em 1966, Saint Laurent abre uma loja de moda feminina na Rive Gauche de Paris com a proposta de popularizar o prêt-à-porter, desenvolvendo roupas de bom gosto e corte impecável a preços bem mais acessíveis que a alta costura. Três anos mais tarde, Saint Laurent inicia o mesmo trabalho com as roupas masculinas.

Imagem da Yves Saint Laurent Rive Gauche em Paris.

Posteriormente Yves Saint Laurent realizou numerosas criações de vestimenta e decoração para o cinema e o teatro. A partir de 1983, vários museus passam a lhe consagrar homenagens e exposições. Em 2001, Yves Saint Laurent foi nomeado Comandante da Legião de Honra da França, recebendo a honraria do próprio presidente francês Jacques Chirac.



No video da AFP, a coleção prêt-à-porter outono-inverno 2008-2009 Yves Saint Laurent com comentários de Stefano Pilati.


No dia 7 de Janeiro de 2002, Yves Saint Laurent anuncia seu adeus ao mundo da moda após apresentar um desfile de retrospectiva de toda a sua carreira. A direção da maison Yves Saint Laurent passa então para Tom Ford, que em 2004 deixa o posto para Stefano Pilati.

Yves Saint Laurent morreu no dia 1 de junho de 2008, vítima de câncer cerebral, em seu apartamento em Paris, deixando para sempre a imagem de seu gênio revolucionário gravado na historia da moda. As cinzas de Yves Saint Laurent repousam no Jardin Majorelle, um jardim-atelier de propriedade do estilista em Marrakech.

Nos traços do cartunista Jipad, o adeus ao Petit Prince de la Couture.

Com Pierre Bergé, ele criou uma famosa fundação em Paris que mostra toda a história da maison YSL. A Fondation Pierre Bergé-Yves Saint Laurent conta com um acervo de mais de 15 mil objetos e 5 mil peças de vestuário relacionadas ao estilista.

"Tenho um único arrependimento: não ter inventado o jeans." -Yves Saint Laurent

Fondation Pierre Bergé-Yves Saint Laurent
5 avenue Marceau

Tel.: 01 4431 6400
Metrô: Alma Marceau linha 9
Ônibus: linhas 42, 63, 80, 92 e 72
Abre de segunda a sexta das 9h30 as 13h00 e das 14h30 as 18h00

Para saber mais: YSL

14 de janeiro de 2009

Sammy Decoster na Fnac Montparnasse

Provavelmente você nunca ouviu falar em Sammy Decoster. E é ainda mais improvável que ele venha a fazer sucesso no Brasil sabe-se lá por que - na verdade a gente até sabe, mas enfim...

O que interessa é que seja cantando em francês ou em inglês, o francês Sammy Decoster trás a America de Johnny Cash até Paris no próximo dia 19 de janeiro com o lançamento de Tucumcari - álbum de estréia do cantor. E mesmo antes do lançamento de seu primeiro CD o cara já emplacou alguns sucessos por aqui, como o hit 'The Drive' - que você vê no vídeo abaixo. Suas músicas tem aquele ar de road movie, de Route 66, de Tennessee, de rio Mississipi, de Cadillacs conversíveis correndo por estradas empoeiradas que não levam a lugar algum. A cada verso Decoster nos convida para uma viagem até a America que amamos - feita de Elvis, Johhny Cash e Roy Orbison.



E para divulgar seu trabalho de estréia, Sammy Decoster fará um show case gratuito na Fnac Montparnasse no próximo dia 21 de janeiro às 17h30. Portanto, se estiver em Paris nesse dia recomendo que dê uma passada por lá para prestigiar o evento e apreciar boa música sem desembolsar tostão algum.

A propósito, o nome Tucumcari vem de um vilarejo no Novo-México que é comumente associado aos filmes de western.

Show case Sammy Decoster
21 de janeiro de 2009 as 17h30
Fnac Montparnasse
136 rue de Rennes
Tel.: 08 2502 0020
Metrô: Saint-Placide linha 4

Para saber mais acesse: MySpace Sammy Decoster
Para ouvir no Deezer: Sammy Decoster - Tucumcari

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Hotel Bedford: Villa-Lobos e Pedro II em Paris

Gerenciado pela mesma família há mais de um século, o Hotel Bedford de Paris é conhecido como o último hotel suíço da cidade - os hotéis suíços eram numerosos em toda a França no início do século XX.

Ontem acabei passando meio sem querer defronte ao charmoso Hotel Bedford, que já foi a casa de um ilustre cidadão do mundo: Heitor Villa-Lobos. O compositor, que já havia morado em Paris entre os anos de 1923 e 1924, e posteriormente de 1926 a 1930, viveu no Hotel Bedford de 1952 a 1959. Como ontem esqueci a máquina fotográfica em casa, seguem as fotos extraídas do site oficial do hotel.

A bonita entrada do Hotel Bedford de Paris.

E depois que eu já havia concluído este post, a Cláudia (leitora assídua do Viver Paris) me enviou um comentário muito interessante lembrando que o imperador Pedro II também viveu no Hotel Bedford durante os anos de exílio. Enfim, segue na íntegra o comentário da Cláudia:

"Estas plaquinhas me trazem ótimas lembranças. Em 2002 quando passeava pela Rue de l'Arcade fiquei surpresa quando as descobri por acaso. Adorei ver na fachada do Hotel Bedford um pedaço da história do Brasil. Uma mencionava Villa-Lobos e a outra, mais surpreendente ainda, dizia que D. Pedro II, grande patriota e protetor das artes, havia vivido seus últimos dias lá. Até aquele momento só sabia do exílio de D. Pedro II na Europa, jamais que ele tinha morado em Paris, no Bedford, e morrido lá mesmo de pneumonia em 1891. Entrei e conheci este hotel que guarda um pedaço da hitória brasileira que poucos conhecem."

Mesmo tendo colocado a foto com as placas em homenagem a Villa-Lobos e D. Pedro II, realmente me passou batido a parte que cabe ao nosso imperador. Graças ao ótimo comentário da Cláudia, o artigo foi complementado e a injustiça histórica corrigida.

Hotel Bedford
17 rue de l’Arcade
Tel.: 01 4494 7777
Metrô: Saint-Augustin linha 9

Foto menor: As placas em homenagem a Heitor Villa-Lobos e ao imperador D. Pedro II na fachada do hotel.

Instrumentos musicais: bons endereços em Paris

Quem procura variedade e bons preços na hora de comprar instrumentos musicais em Paris tem uma infinidade de opções, mas vou falar especificamente de duas delas - que já foram testadas e aprovadas com mérito por mim mesmo.

A primeira é a Total Music. Aberta em junho de 2006 e instalada numa área de 1.200m2, é a maior e mais completa loja de instrumentos musicais de toda a França. Tem simplesmente tudo para todos os tipos músicos - do iniciante ao profissional. Além da vastidão de marcas de instrumentos e acessórios a loja também conta com uma ótima oficina de reparação e livros especializados. O atendimento é cordial e feito por uma equipe que entende do assunto. Toda essa estrutura garante ao cliente ótimos preços - de tudo para todos os bolsos. Digamos que a Total Music seja a Sephora dos instrumentos musicais. A loja costuma realizar bons encontros musicais com certa regularidade.


Video: um tour pela Total Musique, a maior loja de instrumentos musicais da França.

Outro ponto de encontro dos músicos parisienses são as ruas nas proximidades do metrô Blanche. Conhecidas como as ruas dos instrumentos musicais, a rue Pierre Fontaine, rue de Douai e rue Victor Massé concentram pequenas - e excelentes - lojas e oficinas de reparação de instrumentos musicais de todos os tipos. Muitas lojas com bons preços e atendimento especializado. Vale a pena dar uma circulada pela região, seja para comprar seus instrumentos e acessórios ou mesmo para ver algumas das raridades que essas lojas reservam. Particularmente eu gosto bastante da Sarl Style (22, rue de Douai), exclusivamente dedicada às guitarras (clássicas, acústica e elétricas), mas ainda existe a La Baquetterie - o paraíso dos bateristas (36, rue Victor Massé), a La Pedale - especializada em pedais de efeito para baixos e guitarras (37, rue Victor Massé), entre outras.

Total Music
11 boulevard de Sébastopol
Tel.: 01 5534 9939
Metrô: Châtelet linhas 1, 4, 7, 11 e 14
Abre de segunda a sábado das 10h00 as 20h00

Ruas Pierre Fontaine, de Douai e Victor Massé e imediações
Metrô: Blanche linha 2

Foto: vitrine de uma das lojas de instrumentos musicais da rue Victor Massé.

12 de janeiro de 2009

Paris: cenas de inverno

Quer algumas imagens do inverno parisiense? Pois ontem à tarde estive na sensacional exposição Serge Gainsbourg na Cité de la Musique e captei essas imagens do Parque de la Vilette. Repare no canal completamente congelado - as pessoas brincam de jogar bolotas de neve no canal para vê-las se espatifando na camada de gelo.


E abaixo uma imagem inusitada: a fonte do Trocadero acabou virando pista de patinação no gelo.

9 de janeiro de 2009

Carla Bruni: l'Amoureuse



Carla Bruni - Comme si de rien n'était
Na Fnac France
CD: 15,99€*
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Bouquinistes de Paris

Instalados na margem direita, da pont Marie ao quai du Louvre, e na margem esquerda, do quai de la Tournelle ao quai Malaquais, os bouquinistes de Paris são verdadeiros símbolos culturais da cidade.

Os bouquinistes, na minha opinião, ajudam a construir o cenário romântico e acolhedor da Paris de outros tempos que é tão marcante nesse trecho do rio Sena. Com suas características caixas metálicas verdes se debruçando para o rio, propõem a venda de livros antigos, revistas de segunda mão, cartões postais, selos antigos, velhos cartazes publicitários, fotos e até raríssimas historias em quadrinhos. Livreiros de ofício, apaixonados pela propagação cultural, seus pequenos stands são testemunhas oculares da historia de Paris.

A tradição dos bouquinistes começou por volta do século XVI, quando pequenos livreiros ambulantes começaram a surgir em Paris. Por pressão das grandes livrarias, um regulamento de 1649 proibiu qualquer tipo de “livraria portátil” e a venda de livros sobre a Pont Neuf - o principal ponto onde os livreiros ambulantes se concentravam.

No final do século XIX as boîtes de livros já se faziam presentes nos parapeitos do Sena.

Na época havia uma grande preocupação em limitar os mercados paralelos não sujeitos à censura, e os livreiros ambulantes nesse período sofreram intensa perseguição, mas acabam sendo restabelecidos como comerciantes legais sob algumas regulamentações. Em 1789 o termo bouquiniste aparece pela primeira vez no dicionário da Academia Francesa.

Livros, revistas, selos, postais, fotos... Tudo para todas as idades.

Em 1859, concessões bem regulamentadas são instauradas na cidade de Paris e os bouquinistes podem então se estabelecer em pontos fixos às margens do Sena. Em 1930 são fixadas as normas de padronização e dimensionamento das boîtes - as famosas caixas verdes dos bouquinistes. Instalados sobre mais de três quilômetros ao longo do rio Sena, os bouquinistes parisienses foram declarados em 1992 patrimônio cultural mundial da UNESCO.

As mágicas caixas verdes guardam sempre uma boa surpresa.

E os bouquinistes são mesmo muito visitados pelos parisienses - sejam cidadãos comuns em busca de leitura cotidiana ou estudantes atrás de material de pesquisa. Normalmente um bouquiniste é o primeiro destino de muitos parisienses que buscam boa leitura a preços irrisórios.

Marque na sua agenda, Joãozinho! São esses os locais onde os bouquinistes estão instalados.

Os bouquinistes de Paris têm um site bastante interessante. Nele você pode ler na íntegra diversas edições (em PDF) do jornal trimestral dos bouquinistes: Le Parapet. Algumas edições do jornal são ricamente ilustradas com fotos antigas, reunindo sempre artigos interessantes extraídos dos próprios livros e revistas que eles vendem - apenas em francês.

Para saber mais: Bouquiniste de Paris