28 de agosto de 2009
27 de agosto de 2009
Metrô: Estudantes auxiliam o turista estrangeiro
Este ano o pessoal da RATP (empresa que opera os transportes públicos urbanos de Paris) botou em prática uma bela idéia - contratou 250 jovens estudantes bilíngües e trilingues para melhor acolher e orientar o turista estrangeiro na cidade durante o período de férias de verão.Desde 1° de julho e até o dia 31 de agosto esses jovens agentes estarão presentes nas 35 estações de metrô e nas 4 mais gares do RER mais freqüentadas pelos turistas. Eles são reconhecíveis facilmente à distância: vestem camisa pólo verde e calças azuis - as cores da RATP.
Pois é, acabei perdendo o bonde e divulgando essa notícia com atraso (je suis sincèrement désolé...), mas acredito que, devido ao sucesso dessa medida, seguramente veremos esse pessoal ajudando o turista em visita à cidade pelos próximos anos. Bom para o turista, bom para os jovens estudantes.
Para saber quais estações contam com essa dinâmica equipe de orientação, clique aqui.
26 de agosto de 2009
Em Paris, como embarcar sua bicicleta no trem
Acho que estamos todos de acordo que não é tarefa das mais cômodas pegar um trem carregando uma bicicleta - principalmente quando não se conhece as condutas e procedimentos que devem ser adotados nessa condição. Assim, seguem algumas regrinhas de uso dos trens franceses para quando você estiver acompanhado da sua magrela.Em viagens mais curtas o meio mais fácil de transportar uma bicicleta é usando o TER (trem expresso regional), onde é possível embarcar com sua “duas rodas” a qualquer hora e em qualquer dia sem nenhuma cerimônia. Essa mesma regra vale para o RER parisiense - mas apenas nos finais de semana, pois nos dias de semana as bicicletas são bem-vindas no RER apenas fora dos horários de pico.
RER name is Vélo: No RER parisiense existem pictogramas ao lado das portas indicando onde o acesso de bicicletas é permitido.
Já se você pensa em utilizar o trem Corail carregando uma bicicleta é bom saber que aí as coisas são um pouco mais complicadas. A maior parte dos trens Corail aceitam bicicletas - esses trens camaradas são identificados por um pictograma representando uma bicicleta na tabela de horários. Mas levar sua bike para andar de Corail vai exigir que você reserve seu assento diretamente nos guichês da gare e o pagamento de uma taxa de 10,00€.
Nos trens Corail a taxa vale a pena: Sua pequena rainha de duas rodas viaja bem acomodada (e você também).
Para o TGV o princípio é o mesmo do Corail, exceto pelo fato de que no TGV os trens que aceitam bicicletas são menos numerosos. Também é bom lembrar que os TGV que aceitam bicicletas admitem não mais do que 4 bicicletas a bordo de cada trem. Outro detalhe importante: os trens que partem da gare Paris-Montparnesse não aceitam bicicletas a bordo, assim como os TGV duplex (de dois andares) que circulam em todas as linhas.
No TGV: O pessoal da SNCF ajeita sua bicicleta no capricho.
Mas fique calmo, Joãozinho… Se você não contava com essas dificuldades para embarcar com sua bike num TGV ainda lhe restam duas alternativas:
A primeira consiste em embalar sua bicicleta numa capa especial de transporte, que pode ser adquirida em qualquer loja de artigos esportivos na cidade. O problema é que o preço dessas belezinhas tende a ser um pouco salgado - entre 50,00€ e 100,00€. Mas fique atento a um detalhe: o seu "pacote" deve medir menos de 120 x 90cm e, dependendo da bicicleta, pode ser que você tenha que desmontar pelo menos uma das rodas para atender a essa exigência. O que foi Joãozinho? A grana tá curta? Então clique aqui e aprenda no site Esprit Cabane como fabricar uma autêntica capa de transporte de bicicletas no padrão aceito no TGV.
Capas de transporte "Ultimate Magnata Master Plus": Cabe até o sapato.E, finalmente, você pode despachar sua bicicleta pela Sernam. Por volta de 39,00€ você despacha sua bicicleta a partir de uma agência da Sernam e entre dois ou três dias a retira na agência de destino. Vale lembrar que às vezes as agências da Sernam podem ser um tanto afastadas da gare onde você vai desembarcar. Se quiser que a Sernam entregue sua bicicleta em domicílio, hotel, etc. O custo é de 49,00€ e o serviço pode ser solicitado diretamente nos guichês da empresa ou pelo telefone 3635 em toda a França Metropolitana.
Na faixa e nota 10: A belezoca que você faz em casa seguindo as dicas do site Esprit Cabane.Para saber mais acesse o guia do viajante no site da SNCF. Basta clicar aqui ó: Le guide du voyageur SNCF
Lucky Luke ganha vida no cinema
Enquanto a América segue a linha das adaptações para o cinema das HQs de super-heróis cheios de muque, os franceses dão vida na telona a personagens que podem não ter tanta força muscular, mas que ganham de lavada em romantismo: depois de Asterix e do Petit Nicolas, agora é a vez de Lucky Luke chegar aos cinemas - e já se cogita a filmagem das aventuras de Tintin para breve (Êba!).Quem veste as botas do heróico lonesome cowboy que atira mais rápido que sua própria sombra e está longe, muito longe de casa, é o impagável Jean Dujardin. O diretor James Huth, que já havia trabalhado com Dujardin no hilário Brice de Nice, rodou o filme na Argentina numa produção bem ao estilo dos bang bangs à italiana de Sergio Leoni.
Fã de Lucky Luke desde criancinha, Jean Dujardin promete mais do que uma caracterização perfeita para dar vida ao cowboy.
Além de Jean Dujardin o filme conta com mais dois nomes que merecem destaque: Alexandra Lamy, mulher de Dujardin na vida real, fará o papel de Belle, par romântico do nosso herói (claro) e a genial Sylvie Testud como Calamity Jane.
O filme, em homenagem a Morris e Goscinny (criadores do personagem), ainda não estreou nos cinemas, mas o teaser está logo aí embaixo para você conferir.
Para saber mais: Lucky Luke.com
From Paris: a cidade em imagens
Amiguinhos, segue a dica de um site excelente que reune uma infinidade de belas imagens de Paris: é o From Paris, do fotógrafo Eric Rougier.O site apresenta uma série de fotos panorâmicas, screensavers, wallpapers, informações técnicas sobre fotografia, um mapa interativo da cidade e muito mais. Para ver as imagens aéreas de Paris basta clicar nos ícones dos helicópteros que aparecem ao lado do mapa interativo.
Vale mencionar que ao viajar pelas fotos de Rougier é recomendável ter um babador ao alcance das mãos.
Para acessar clique em: From Paris by Eric Rougier
25 de agosto de 2009
Paris, 25 de agosto: um dia para recordar
Na noite do dia 24 de agosto de 1944 as tropas do marechal Leclerc, encorajadas pelo levante dos parisienses, chegam com seus blindados à Paris através de Porte d’Orléans para finalmente libertar a capital do domínio alemão.Os combates se estenderam durante toda a madrugada. Na manhã do dia 25, poucos soldados alemães ainda esboçavam alguma reação. Nesse mesmo dia o general de Gaulle, um grande homem de poucas palavras, se dirige à população diante do Hôtel de Ville em um discurso célebre:
"Pourquoi voulez-vous que nous dissimulions l'émotion qui nous étreint tous, hommes et femmes, qui sommes ici, chez nous, dans Paris debout pour se libérer et qui a su le faire de ses mains. Non ! Nous ne dissimulerons pas cette émotion profonde et sacrée. Il y a là des minutes qui dépassent chacune de nos pauvres vies.
Paris ! Paris outragé ! Paris brisé ! Paris martyrisé ! Mais Paris libéré ! Libéré par lui-même, libéré par son peuple avec le concours des armées de la France, avec l'appui et le concours de la France tout entière, de la France qui se bat, de la seule France, de la vraie France, de la France éternelle.
Je dis d'abord de ses devoirs, et je les résumerai tous en disant que, pour le moment, il s'agit de devoirs de guerre. L'ennemi chancelle mais il n'est pas encore battu. Il reste sur notre sol. Il ne suffira même pas que nous l'ayons, avec le concours de nos chers et admirables alliés, chassé de chez nous pour que nous nous tenions pour satisfaits après ce qui s'est passé. Nous voulons entrer sur son territoire, comme il se doit, en vainqueurs. C'est pour cela que l'avant-garde française est entrée à Paris à coups de canon. C'est pour cela que la grande armée française d'Italie a débarqué dans le Midi et remonte rapidement la vallée du Rhône. C'est pour cela que nos braves et chères forces de l'intérieur vont s'armer d'armes modernes. C'est pour cette revanche, cette vengeance et cette justice, que nous continuerons de nous battre jusqu'au dernier jour, jusqu'au jour de la victoire totale et complète. Ce devoir de guerre, tous les hommes qui sont ici et tous ceux qui nous entendent en France savent qu'il exige l'unité nationale. Nous autres, qui aurons vécu les plus grandes heures de notre Histoire, nous n'avons pas à vouloir autre chose que de nous montrer jusqu'à la fin, dignes de la France. Vive la France !"
Também chega às bancas a primeira edição do jornal Le Figaro desde que o jornal foi obrigado a cessar sua circulação em 1942. Clique aqui para ler a primeira página dessa edição histórica.

Acima, um registro da 2ª Divisão Blindada. Criada em 1943 no Marrocos, a tropa do marechal Leclerc entrou em Paris antes dos aliados, retidos na Normandia em meio a contratempos. A foto acima foi tirada em 25 de agosto de 1944 e pertence ao acervo do Mémorial du Maréchal Leclerc de Hauteclocque et de la Libération de Paris, Musée Jean Moulin.
Pouco antes, em 10 de agosto, os parisienses preparavam o boulevard Sébastopol para o combate: cortavam árvores, cavavam ruas, usavam grelhas do calçamento na construção de barricadas - a libertação da cidade era tarefa de todos.
Em 20 de agosto, mais de 1000 franceses tomaram o Hôtel de Ville e ali montaram uma base de resistência popular contra o exército alemão.
Difícil de acreditar na imagem de desolação que os soldados do general Fabien encontraram na sua chegada ao Palais du Luxembourg (foto acima) - onde sempre existiram flores, via-se apenas destroços.
E ali mesmo. Onde hoje nos sentamos para ouvir os acordeons entoarem canções de Piaf. Onde por diversas vezes me debrucei tranqüilo sobre uma ponte para ver o rio da minha vida simplesmente passar... Onde um bem tirado petit café servido na calçada serve como pretexto para observar o movimento das ruas e desfrutar dos primeiros raios de sol da manhã. Bem ali. Onde apoiei os cotovelos no balcão, sujei os dedos com tinta de jornal e tive o coração tão repleto de felicidade que ela me saia pelos olhos sem que eu pudesse conter. Ali. Onde famílias de todo o mundo se encantam diante de tanta beleza e amigos se reúnem sorridentes ao redor de uma mesa. Ali. Bem ali. Em 20 de agosto de 1944 barricadas se levantaram. Os sinos da minha linda e entristecida catedral foram abafados pelo som de tiros, sirenes, motores e o marchar pesado dos soldados. A música que emana da cidade, o som da vida passando apressada pelas das ruas, a delicadeza do idioma falado pelas criancinhas, os sotaques do mundo... Todos os sons que tanto aprendi a amar, um dia foram abafados pela estupidez dos homens. E tudo isso aconteceu ali. Logo ali...
Mas há 65 anos, Paris estava novamente livre. Paris. Paris ultrajada. Paris despedaçada. Paris martirizada. Mas Paris livre, enfim! Paris... Uma cidade libertada por si mesma.
O sorridente Monsieur Chat
M. CHAT (escrito sempre em maiúsculas e, por défault, pronuncia-se Monsieur Chat - “Senhor Gato”) é um personagem criado em 1997 pelo artista urbano franco-suíço Thoma Vuille.O roliço e enigmático gatinho alaranjado tem como marca registrada seu enorme sorriso e desde 2003 passou a ostentar asinhas brancas nas costas. Talvez para que possa voar até os lugares de difícil acesso onde normalmente ele é pintado.
Em Orléans ele pode ser visto sem muita dificuldade. Na foto, uma ninhada de M. CHATs.
M. CHAT pode ser visto em diversos países europeus como Inglaterra, Alemanha, Espanha, Suiça, Holanda, Bósnia-Herzegovina... Mas é na França o país onde o bichano alado costuma dar as caras com mais freqüência: são mais de 80, pintados em muros que fazem parte do eixo Porte de Clignancourt a Porte d’Orléans.
Cidadão do mundo, M. CHAT ganha as ruas de Pékin.
Mas não é só na Europa que M. CHAT pode ser visto. Ele também já foi pintado em New York, Hong Kong, Macau, Seul e até em São Paulo - um deles fica bem escondido, e quem quiser conferir precisa subir as escadas que dão acesso ao pavilhão de exposições do Museu da Imagem e do Som (o MIS) e olhar pela janela (mas é preciso prestar atenção: o gatinho francês só pode ser visto de uma janela do MIS). Ainda em São Paulo, outro M. CHAT aparece de braços abertos no bairro de Pinheiros, na esquina das ruas Cardeal Arcoverde e João Moura.
Acho que vi um gatinho! Eu vi, eu vi sim! E foi em São Paulo (Foto de Felipe Lopez).
Mas não se engane pela aparente inocência do felino: apesar de na França ele ser usado como símbolo de otimismo e de partilha, ele também é comumente associado a protestos e manifestações sociais - e até mesmo para expressar o descontentamento com guerras e repressões políticas que acontecem mundo afora. Na França ele foi um dos símbolos dos protestos contra a guerra no Iraque.
Em Paris, a imagem do risonho gatinho tem presença garantida nas manifestações - como nesta, ocorrida em janeiro deste ano.
Confesso que não sou lá muito fã da chamada arte urbana, mas nem por isso M. CHAT deixa de ser um clássico nacional. Sua imagem sorridente faz parte da vida cotidiana dos franceses e, portanto, ele também merece espaço no blog.
Para saber mais: MCHAT'S World
Exposição Brigitte Bardot
De 29 de setembro deste ano a 31 de janeiro de 2010, Boulogne-Billancourt na região parisiense é o palco da primeira exposição inteiramente consagrada à atriz Brigitte Bardot.A concepção da exposição é do jornalista Henry-Jean Servat, grande admirador de Bardot (ora, mas quem não é?). Montada em mais de 15 salas numa área de 900m², a exposição é um verdadeiro convite ao universo deste ícone incontestável do cinema dos anos 50 e 60.
Cada uma das salas abriga um tema marcante na vida e na carreira de Bardot: BB diante das câmeras, BB e a música, BB e a dança, BB e Saint-Tropez, BB e a moda, BB e os animais, etc.
Apesar da exposição ficar sediada em Boulogne-Billancourt, quem quiser conferir não precisa se preocupar com a distância ou dificuldade de acesso: o metrô de Paris também leva você até lá.
Os ingressos custam entre 11,00€ e 13,00€ e podem ser impressos na forma de e-tickets no conforto do seu lar - mesmo no Brasil - a partir do site da Fnac. Para comprar seus bilhetes clique aqui.
Ah, em tempo: será que a escolha de Boulogne-Billancourt para receber esta exposição foi obra do acaso?
Brigitte Bardot, les années d'insouciance
Espace Landowski
26, av. André-Morizet - Boulogne-Billancourt
Tel.: 08 9268 3930
Metrô: Marcel Sembat linha 9