10 de dezembro de 2009

Floricultura Aquarelle, rue de Buci

Pois é...

Pois é... Engraçado como tem notícia que a gente não vê nos jornais brasileiros.

Quem não se lembra do estardalhaço promovido pela nossa mídia e demais corneteiros de plantão quando uma certa patrícia picareta simulou um ataque de skinheads na Suíça? Os jornais falaram em discriminação, em xenofobia, proferiram nossos bordões ufanistas mais batidos e toda a sorte de bravatas vazias para que nos sentíssemos vitimados pelas injustiças do mundo civilizado - até que se descobriu que tudo não passava de armação, e aí então ninguém mais tocou no assunto. Simples assim. Como se nada houvesse acontecido.

Mas basta a presepada ser nossa que os nossos jornais simplesmente ignoram o assunto. Como parecem ter ignorado por completo a prisão, a meu ver, injusta, de três franceses no último domingo em São Paulo.

Depois de gastarem suas economias viajando pelo Brasil, três turistas franceses terminaram a viagem detidos em São Paulo após um incidente ocorrido, ainda em solo, no interior de um avião da TAM. Os três passageiros, dois homens e uma mulher (com 63, 60 e 54 anos de idade respectivamente), embarcaram no domingo com aproximadamente outros 20 turistas, na maioria aposentados franceses, para retornarem à França. Porém, após o embarque, o avião ficou em solo por aproximadamente três horas devido a um problema técnico.

Segundo a Sra. Camus (a passageira francesa detida) relatou à AFP, o anúncio de que o avião apresentava uma pane no sistema de informática aterrorizou os franceses, que ainda têm na memória a tragédia com o vôo Rio-Paris da Air France, ocorrido em junho deste ano - sim, a imprensa francesa segue acompanhando o caso. Foi então que, impaciente pelo longo atraso e temendo pelas condições de segurança da aeronave, ela e outros passageiros pediram à tripulação para que trocassem de avião. Em resposta, um dos comissários disse que se eles quisessem trocar de avião, que desembolsassem mais algumas centenas de euros e comprassem outro bilhete. Foi então que a discussão se alastrou com a revolta de outros passageiros e culminou com a prisão de três turistas.

Segundo o cônsul geral da França, Sylvain Itte, os depoimentos da tripulação mencionavam ‘rebelião’ e ‘tentativa de invasão do cockpit’. Esta manhã, em entrevista à rádio francesa RTL, uma testemunha disse que o primeiro passageiro a ser preso, o Sr. Michel Illiskas, foi arrastado com truculência de uma ponta a outra do corredor até ser retirado da aeronave.

A Sra. Camus foi acusada de incitação à violência, sendo detida em seguida com outro passageiro, suspeito de ter encorajado o tumulto. Um casal de brasileiros que filmou o episódio também foi preso pela polícia, mas ambos foram liberados na terça-feira.

O caso gerou ainda um desconforto diplomático. Mesmo tendo abusado da paciência dos passageiros por conta do atraso, a TAM acusa os três franceses pelo atraso e posterior cancelamento do vôo, e ameaça processá-los por perdas e danos. Por sua vez, o consulado francês diz não ter sido informado oficialmente dessas acusações.

Assim como as autoridades brasileiras também não informaram o consulado francês sobre a ocorrência, o que impediu que qualquer ação de suporte diplomático aos três franceses fosse tomada. Segundo Sylvain Itte explicou à AFP, ocorreram pelo menos duas violações da Convenção de Viena sobre os procedimentos de prisão de cidadãos estrangeiros. A prisão só foi informada às autoridades francesas graças a um pedido de ajuda feito pelo filho do Sr. Illinskas à polícia de Paris por telefone.

Agora proponho que façamos um pequeno exercício de reflexão e subversão da realidade. Vamos inverter os papéis dessa história: imaginemos três turistas brasileiros sendo presos nessas condições em um avião da Air France em Paris. Imaginou o tamanho da "comoção nacional"? Pois é...

O que alguns chamam de ‘rebelião’ eu conheço por ‘legítimo exercício do direito à vida e à segurança’.

Para saber mais, leia a notícia na íntegra no jornal Le Parisien.

9 de dezembro de 2009

Berthillon

Ontem enquanto folheava uma edição do ano passado da revista inglesa The Sunday Times Travel, me deparei com uma pequena lista com aqueles que a revista classifica como os sorvetes imperdíveis de diferentes (e badalados) destinos de viagem.

E o nome que aparece na lista como o sorvete parisiense que todo turista deveria experimentar foi 'Berthillon'. Bien sûr mon pote...

A listinha completa da The Sunday Times Travel segue logo abaixo, lembrando que não se trata de nenhum ranking - apenas dicas de endereços preciosos, onde você pode provar sorvetes que nunca serão apenas mais um entre os outros. Anote aí Joãozinho...

Paris, França: Berthillon
29-31, rue Saint-Louis-en-l'Ile

Cascais, Portugal: Santini
Av. Valbom, 28F

Snowdonia, País de Gales: Glaslyn Ices
Beddgelert, Caernarfon, Gwynnedd

Florença, Itália: Gelateria Dei Neri
Via Dei Neri 20/22

Roma, Itália: Giolitti
Via Uffici del Vicario

Maison Berthillon: a aglomeração na porta da sorveteria é tão freqüente quanto justificável.

E se você me perguntar se os sorvetes Berthillon são mesmo bons, posso dizer sem receio algum que, particularmente, foi ali onde provei os melhores sorvetes de toda a minha vida. Mas como sempre, o Viver Paris dá a dica - já o melhor da vida, quem escolhe é você.

Quer ler um pouquinho mais sobre as sorveterias parisienses? Então clique aqui. Ou melhor... Aqui.

7 de dezembro de 2009

Bravo Amélie !


Depois de uma vitoriosa carreira de 17 anos e 25 titulos conquistados, a tenista ex-numero 1 do mundo Amélie Mauresmo anunciou esta semana o seu adeus às quadras. Mauresmo era a ultima representante francesa em atividade a ter vencido um torneio do Grande Slam.

Bref:
Melhor classificação: n°1 do mundo (2004)
25 titulos em categoria simples, dos quais 2 torneios do Grande Slam (Open da Australia e Wimbledon 2006)
3 titulos de duplas
Total de ganhos: 15.022.476,00US$
Campeã da Fed Cup 2003
Finalista da Fed Cup 2005
Nomeada Chevalier de la Légion d'Honneur por Jacques Chirac em 2006

28 de novembro de 2009

Place du Châtelet

Seja turista ou parisiense nato, qualquer pessoa que se aventure pelas ruas de Paris acaba hora ou outra passando pela Place du Châtelet.

Lugar incontornável graças à sua localização central privilegiada, é na Place du Châtelet onde se cruzam os eixos viários norte-sul e leste-oeste de Paris, representando para a cidade quase que a própria definição do termo “ponto de encontro”.

Mas além das ruas, a Place du Châtelet também conecta pessoas, através das diversas linhas do metrô que são interligadas em seus subterrâneos, dos tradicionais cafés parisienses que ornamentam o seu entorno e do majestoso Theatre du Châtelet - uma das mais respeitadas casas de espetáculos de Paris. E como se ainda precisasse de um toque a mais de charme, tudo isso fica às margens do Sena, na entrada da Pont au Change.

Vista noturna por sobre as caixas dos bouquinistes: à direita a Place du Châtelet, à esquerda a Pont au Change iluminada sobre o Sena. Extrato de foto panorâmica de Arnaud Fisch de 2003.

Mas apesar de tanta gente que passa diariamente por ali, do parisiense que caminha apressado de sanduiche na mão ao turista que pulsa de contentamento por estar fluindo pelo coração da cidade, são poucos os que conhecem a história dessa praça e o significado de seu nome. Ficou curioso Joãozinho? Calma, o Viver Paris conta um pouquinho dessa história pra você...

Belas babonas: as esfinges que guardam a Fontaine du Palmier - criada para exaltar as glórias napoleônicas - fazem alusão às campanhas de Bonaparte no Egito e ornamentam a Place du Châtelet.

A Place do Châtelet fica no exato ponto onde antigamente (e bota antigamente nisso) havia o Grand Châtelet - uma fortificação construída para guardar a entrada da Pont au Change, e que foi completamente destruída em 1808, durante o império napoleônico. Na verdade existiam duas fotificações: o Petit Châtelet, que protegia o acesso ao Petit Pont, e o Grand Châtelet. Naquela época a Pont au Change ainda se chamava Grand Pont, mas apesar de ficarem no mesmo lugar, a ponte que conhecemos hoje foi construída somente no século XIX.

A noite a Place du Châtelet se ilumina ao lado do Théâtre du Châtelet, o teatro charmosão que abriga grandes espetáculos desde 1868.

Diz a lenda que a construção das primeiras versões desses “castelinhos” foi obra de um dos imperadores romanos, Júlio César ou Juliano - não se sabe bem qual deles - quando a localidade que se tornaria Paris ainda era conhecida por Lutèce. Essas fortalezas foram inicialmente construídas em madeira, sendo reerguidas em pedra somente após um ataque (felizmente sem êxito) dos normandos em 886.

Do outro lado do rio, entre as árvores: a Colonne du Châtelet, a Tour Saint-Jacques, o Théâtre du Chatelet, a Pont au Change... Ici c'est Paris!

Quando o rei dos Francos, Filipe Augusto (1165-1223), começou a expandir o perímetro de Paris, essas fortalezas acabaram sendo engolidas pela cidade, tornando-se inúteis para a defesa do que quer que fosse, e foi assim que o Grand Châtelet acabou sendo usado como sede da jurisdição da polícia da época - que além de garantir a ordem se encarregava de fazer cumprir a justiça criminal à moda da época. A Cour du Châtelet, no interior do castelo, passou então a abrigar prisões e salas de tortura.

Na gravura de Dupré, do livro 'Histoire de Paris' (J.A. Delaure e Gabriel Roux, 1853), uma imagem da entrada do Grand Châtelet, demolido a pedido de Napoleão Bonaparte em 1808.

Mas durante o reinado de Saint Louis o Grand Châtelet foi reformado e ampliado, passando a servir de habitação para os condes de Paris até o fim do século XII.

Se é bonita? A Place du Châtelet é uma verdadeira pintura, Joãozinho! Tanto que inspirou diversos artistas, como Antoine Blanchard (1910-1988) na obra 'Le Châtelet'.

E quem passa hoje pela Place du Châtelet mal consegue acreditar que bem ali aconteceram episódios históricos sangrentos: em junho de 1418, durante a guerra civil contra os Armagnacs, os Borguinhões cercaram o Grand Châtelet, massacrando todos os mais de 4000 Armagnacs que ali estavam presos. Em setembro de 1792, outra época, outro contexto, outra matança de presos - desta vez, entrando para a história como um dos episódios mais sombrios da Revolução Francesa.

O quê? Mas já cansou de andar?! Êita... Então faça uma pausa para bebericar um 'petit café' apreciando a vista da Place du Châtelet. Na foto, um momento de tranquilidade, mas se quer ver o que é movimento, experimente passar por aqui num sábado de Sol.

Mas felizmente toda essa história de fortalezas e prisões faz parte do passado. Hoje a Place du Châtelet é um local onde gente bonita do mundo inteiro se encontra para um bate-papo despreocupado ao redor das mesas dos cafés. Um lugar de convívio, onde a proximidade com a música, a beleza e o teatro se reflete na amizade estampada nos rostos das pessoas, onde as cadeiras dos cafés brotam nas calçadas e as caixas verdes dos bouquinistes estão ao alcance dos olhos, onde a beleza da cidade que sorri às margens do rio da minha vida não nos deixam enganar: Ici c’est Paris !

23 de novembro de 2009

Tramway: inaugurada a extensão da linha T2

Foi inaugurada no último sábado (21/11) a extensão da linha T2 do tramway parisiense, ligando Issy-Val de Seine a Porte de Versailles.

Essa ampliação foi idealizada para atender as 42000 pessoas, aproximadamente, que vivem nas imediações das 4 novas estações que integram a extensão. Atualmente a linha T2 do tramway transporta o equivalente a 80000 passageiros/dia. Segundo a RATP, responsável pela operação do sistema, a freqüência será de 1 tramway a cada 4 minutos durante os horários de pico.

Assim, já é possível ir diretamente de La Défense ao Parc des Expositions de La Porte de Versailles em 32 minutos ou ainda ir de Issy a Porte de Versailles em apenas 8 minutos.

Mas as obras de ampliação do tramway não param por aí: o prolongamento da T2 até Bezons (Val-d’Oise) deve ficar pronta já em 2012, levando transporte público com mais qualidade até as communes de Puteaux, Coubervoie, La Garenne-Colombes, Colombes, Nanterre e Bezons.

O percurso do tramway T2: Clique sobre o mapa para ampliar.

O tramo original da T2 foi inaugurada em 1997 e cada um dos tramways que circulam nessa linha tem capacidade para transportar até 440 passageiros.

Para maiores informações acesse o site da RATP ou o site dedicado à linha T2: t2aparis.fr.

22 de novembro de 2009

19 de novembro de 2009

Paris em Sampa: Le nouveau est arrivé !

Pode reunir a patota e sair para comemorar, Joãozinho! O Beaujolais Nouveau chegou ontem a São Paulo!

Na França o Beaujolais chega na terceira terça-feira de novembro, mas leva mais 2 dias para poder ser saboreado no resto do mundo.

Aproximadamente 30 restaurantes e importadoras de São Paulo receberam a safra 2009 desse vinho emblemático e leve, que deve ser consumido jovem, estando prontinho para a degustação em aproximadamente dois meses após a colheita das uvas gamay, com a qual é exclusivamente elaborado (e negue a primeira taça a quem não pronunciar gamé).

Rótulos com desenhos alegres e coloridos: tudo a ver com o Beaujolais.

Como já mencionei em artigos anteriores, na França o Beaujolais Nouveau é sempre recebido em clima de festa, sendo um vinho que não pede pratos muito caprichados para harmonizar. O Beaujolais é o vinho dos prazeres simples, mas não menos importantes, para ser bebericado sem cerimônia com os amigos, petiscando qualquer coisa que estiver à mão: pão, queijo, azeitona, copa... Tudo cai bem com o Beaujolais.

Terça para a França, quinta para o mundo: pode esperar que ele vem!

Nos supermercados franceses você encontra o Beaujolais Nouveau a partir de 3,50€. Já em São Paulo o preço de uma garrafa não costuma ser tão frutado, o que é uma pena, já que o Beaujolais reune todos os atributos para emplacar de vez no Brasil: é um vinho super leve e frutado, que pode ser consumido geladinho e de forma descontraída, combinando perfeitamente com o calor brasileiro.

Segue a lista publicada ontem no portal Uol com os restaurantes e importadoras que receberam o Beaujolais Nouveau em São Paulo.

Adega Santiago
R. Desembargador Joaquim Celidênio, 16 - Jd. Paulistano
Tel.: 11 3085 5758

Aizome
Al. Fernão Cardim, 39 - Jardim Paulista
Tel.: 11 3251 5157

AK Delikatessen
R. Mato Grosso, 450 - Higienópolis
Tel.: 11 3129 7359

Allez Allez
R. Wisard, 288 - Vila Madalena
Tel.: 11 3032 3325

Bacalhoeiro
R. Azevedo Soares, 1580 - Vl. Gomes Cardim
Tel.: 11 2091 6798

Cacilda
Pc. Alfredo Weiszflog, 13 - Vila Romana
Tel.: 11 3679 2044

Cadoro
R. Augusta, 129 - 1 Sub Solo - Cj 402 - Consolação
Tel.: 11 3236 4374

Caluma
Av. Nações Unidas, 12901 - Loja 123/124 - Brooklin Novo
Tel.: 11 5509 1916

Charlô
R. Barão de Capanema, 440 - Cerqueira Cesar
Tel.: 11 3087 4444

Cosi
R. Barão de Tatuí, 302 - Vila Buarque
Tel.: 11 3826 5088

Churrascaria Estância
Av. Vereador José Diniz, 3271 - Santo Amaro
Tel.: 11 5533 1828

Espírito Santo
Av. Horácio Lafer, 634 - Itaim Bibi
Tel.: 11 3078 2758

Felix Bistrô
R. José Félix de Oliveira, 555 - Granja Viana
Tel.: 11 4702 3555

Franciacorta
R. Pais de Araújo, 184 - Itaim Bibi
Tel.: 11 3071 2226

Jardineira Grill
Av. dos Bandeirantes, 1001 - Vila Olímpia
Tel.: 11 3845 0299

La Vecchia Cucina
R. Pedroso Alvarenga, 1088 - Itaim Bibi
Tel.: 11 3079 7115

Ladrillo
R. Inhambú, 1177 - Moema
Tel.: 11 3562 6499

Le Chef Rouge
R. Bela Cintra, 2238 - Consolação
Tel.: 11 3081 7539

Le Petit Trou
R. Vupabussu, 71 - Pinheiros
Tel.: 11 3097 8589

Le Marais
R. Jeronimo da Veiga, 30 - Itaim Bibi
Tel.: 11 3071 4635

Le Vin Bistrô
Al. Tiete, 184 - Cerqueira Cesar
Tel.: 11 3091-3924

Lucca
R. Quintana, 934 - Cidade Monções
Tel.: 11 5507 6001

Marcel (em minha opinião, o melhor soufflé de São Paulo)
R. da Consolação, 3545 - Cerqueira Cesar
Tel.: 11 3064 3089

Marquês de Marinalva
Al. Purus, 265, Letra A - Alphaville
Tel.: 11 4191 5360

Quattrino
R. Oscar Freire, 506 - Cerqueira Cesar
Tel.: 11 3068 0319

Rodeio
R. Haddock Lobo, 1498 - Cerqueira Cesar
Tel.: 11 3474 1333

Ruffino's
R. Dr. Mário Ferraz, 377 - Itaim
Tel.: 11 3074 8800

Rustico Café
R. Itapura, 1535 - Vl. Gomes Cardim
Tel.: 11 2094 2020

Portucho
Av. Dr. Cardoso de Melo, 1261 - Vila Olímpia
Tel.: 11 3045 8159

Mistral
R. Rocha, 288
Tel.: 11 3372 3400

Quer ler outros dois artigos nos quais falo um pouquinho mais sobre o Beaujolais? Então clique em Beaujolais: A festa começou e em Paris mês a mês: Novembro. Santé !

18 de novembro de 2009

Allez les bleus...

... qu'on est tous avec vous.