14 de dezembro de 2009

Les Cinoches

Quer um programa legal para as noites de domingo? Então anote esta dica:

A cada domingo o restaurante Les Cinoches oferece uma projeção gratuita de cinema - a idéia surgiu como uma forma bacana do restaurante preservar a memória de suas origens, já que o endereço abrigava uma antiga sala de arte e ensaio.

A programação em cartaz é de primeira grandeza e recheada de cult movies, como O Desprezo (Jean-Luc Godard, 1963), L’Aventure, c’est l’aventure (Claude Lelouch, 1972), Beleza Roubada (Bernardo Bertolucci, 1996), Pulp Fiction (Quentin Tarantino, 1994), entre outros filmes de mesmo calibre. As projeções começam sempre às 19 horas, coincidindo com a abertura da cozinha.

E por falar em cozinha, a sopa de potimarron (uma espécie de abóbora) faz bonito entre as entradas quentes. O coração de alcachofras ao beaufotrt é digno de ser saboreado de joelhos. Se precisar esperar por uma mesa, divirta-se bebericando um aperitivo nas poltronas do bar, delimitado unicamente pela decoração. O atendimento é cordial e eficiente, feito por uma equipe jovem e sempre sorridente.

Sei que preço de restaurante a gente não comenta nem com o padre, mas como é pra você a gente abre uma exceção: no almoço, menu completo (entrada, prato e sobremesa) a 18,00€; o brunch completo custa 25,00€ por pessoa. No jantar, entradas de 6,00€ a 9,00€, pratos de 12,00€ a 26,00€ e sobremesas de 4,00€ a 10,00€. Ah, não deixe de provar o milk-shake de Nutella por míseros 7,00€. Lembrando sempre que os preços podem sofrer alteração sem o aviso prévio deste que vos escreve.

O restaurante Les Cinoches é uma deliciosa opção de divertimento no quartier de l’Odéon - ideal para você encerrar o domingo em grande estilo.

Les Cinoches
1, rue de Condé
Metrô : Odéon linha 6
Tel.: 01 4354 1821

13 de dezembro de 2009

Exposição Miles Davis

Joãozinho, acorda meu filho! Tá esperando o quê? Corre que ainda da tempo!

Até o dia 17 de janeiro a Cité de la Musique de Paris consagra uma retrospectiva memorável a um dos maiores nomes do jazz de todos os tempos: Miles Davis.

Uma grandiosa exposição com mais de 800m2 foi montada e organizada de forma cronológica, mostrando quatro momentos marcantes da vida e da carreira do mestre do jazz. Assim, você vai poder descobrir partituras, documentos e manuscritos originais, instrumentos, roupas usadas no palco, entre outras raridades.

Onde? Como? Quando vai ocorrer a precesseção dos equinócios? Ah, pega papel e caneta que o tio espera...

Musée de La Musique
221, av. Jean-Jaurès - Cité de La Musique
Tel.: 01 4484 4484
Metrô: Porte de Pantin linha 5 ou Porte de la Villette linha 7
Ônibus: 75, PC2 ou PC3
Ingressos: 8,00€

Até 17 de janeiro de 2010 - de terça a sábado das 12h00 as 18h00 (às sextas, noturnos até as 22h00). Domingos das 10h às 18h00. Informe-se no local sobre a série de concertos noturnos We want Miles.

Un jour viendra: Johnny Hallyday



Força Johnny ! Torcemos todos por você.

10 de dezembro de 2009

Floricultura Aquarelle, rue de Buci

Pois é...

Pois é... Engraçado como tem notícia que a gente não vê nos jornais brasileiros.

Quem não se lembra do estardalhaço promovido pela nossa mídia e demais corneteiros de plantão quando uma certa patrícia picareta simulou um ataque de skinheads na Suíça? Os jornais falaram em discriminação, em xenofobia, proferiram nossos bordões ufanistas mais batidos e toda a sorte de bravatas vazias para que nos sentíssemos vitimados pelas injustiças do mundo civilizado - até que se descobriu que tudo não passava de armação, e aí então ninguém mais tocou no assunto. Simples assim. Como se nada houvesse acontecido.

Mas basta a presepada ser nossa que os nossos jornais simplesmente ignoram o assunto. Como parecem ter ignorado por completo a prisão, a meu ver, injusta, de três franceses no último domingo em São Paulo.

Depois de gastarem suas economias viajando pelo Brasil, três turistas franceses terminaram a viagem detidos em São Paulo após um incidente ocorrido, ainda em solo, no interior de um avião da TAM. Os três passageiros, dois homens e uma mulher (com 63, 60 e 54 anos de idade respectivamente), embarcaram no domingo com aproximadamente outros 20 turistas, na maioria aposentados franceses, para retornarem à França. Porém, após o embarque, o avião ficou em solo por aproximadamente três horas devido a um problema técnico.

Segundo a Sra. Camus (a passageira francesa detida) relatou à AFP, o anúncio de que o avião apresentava uma pane no sistema de informática aterrorizou os franceses, que ainda têm na memória a tragédia com o vôo Rio-Paris da Air France, ocorrido em junho deste ano - sim, a imprensa francesa segue acompanhando o caso. Foi então que, impaciente pelo longo atraso e temendo pelas condições de segurança da aeronave, ela e outros passageiros pediram à tripulação para que trocassem de avião. Em resposta, um dos comissários disse que se eles quisessem trocar de avião, que desembolsassem mais algumas centenas de euros e comprassem outro bilhete. Foi então que a discussão se alastrou com a revolta de outros passageiros e culminou com a prisão de três turistas.

Segundo o cônsul geral da França, Sylvain Itte, os depoimentos da tripulação mencionavam ‘rebelião’ e ‘tentativa de invasão do cockpit’. Esta manhã, em entrevista à rádio francesa RTL, uma testemunha disse que o primeiro passageiro a ser preso, o Sr. Michel Illiskas, foi arrastado com truculência de uma ponta a outra do corredor até ser retirado da aeronave.

A Sra. Camus foi acusada de incitação à violência, sendo detida em seguida com outro passageiro, suspeito de ter encorajado o tumulto. Um casal de brasileiros que filmou o episódio também foi preso pela polícia, mas ambos foram liberados na terça-feira.

O caso gerou ainda um desconforto diplomático. Mesmo tendo abusado da paciência dos passageiros por conta do atraso, a TAM acusa os três franceses pelo atraso e posterior cancelamento do vôo, e ameaça processá-los por perdas e danos. Por sua vez, o consulado francês diz não ter sido informado oficialmente dessas acusações.

Assim como as autoridades brasileiras também não informaram o consulado francês sobre a ocorrência, o que impediu que qualquer ação de suporte diplomático aos três franceses fosse tomada. Segundo Sylvain Itte explicou à AFP, ocorreram pelo menos duas violações da Convenção de Viena sobre os procedimentos de prisão de cidadãos estrangeiros. A prisão só foi informada às autoridades francesas graças a um pedido de ajuda feito pelo filho do Sr. Illinskas à polícia de Paris por telefone.

Agora proponho que façamos um pequeno exercício de reflexão e subversão da realidade. Vamos inverter os papéis dessa história: imaginemos três turistas brasileiros sendo presos nessas condições em um avião da Air France em Paris. Imaginou o tamanho da "comoção nacional"? Pois é...

O que alguns chamam de ‘rebelião’ eu conheço por ‘legítimo exercício do direito à vida e à segurança’.

Para saber mais, leia a notícia na íntegra no jornal Le Parisien.

9 de dezembro de 2009

Berthillon

Ontem enquanto folheava uma edição do ano passado da revista inglesa The Sunday Times Travel, me deparei com uma pequena lista com aqueles que a revista classifica como os sorvetes imperdíveis de diferentes (e badalados) destinos de viagem.

E o nome que aparece na lista como o sorvete parisiense que todo turista deveria experimentar foi 'Berthillon'. Bien sûr mon pote...

A listinha completa da The Sunday Times Travel segue logo abaixo, lembrando que não se trata de nenhum ranking - apenas dicas de endereços preciosos, onde você pode provar sorvetes que nunca serão apenas mais um entre os outros. Anote aí Joãozinho...

Paris, França: Berthillon
29-31, rue Saint-Louis-en-l'Ile

Cascais, Portugal: Santini
Av. Valbom, 28F

Snowdonia, País de Gales: Glaslyn Ices
Beddgelert, Caernarfon, Gwynnedd

Florença, Itália: Gelateria Dei Neri
Via Dei Neri 20/22

Roma, Itália: Giolitti
Via Uffici del Vicario

Maison Berthillon: a aglomeração na porta da sorveteria é tão freqüente quanto justificável.

E se você me perguntar se os sorvetes Berthillon são mesmo bons, posso dizer sem receio algum que, particularmente, foi ali onde provei os melhores sorvetes de toda a minha vida. Mas como sempre, o Viver Paris dá a dica - já o melhor da vida, quem escolhe é você.

Quer ler um pouquinho mais sobre as sorveterias parisienses? Então clique aqui. Ou melhor... Aqui.

7 de dezembro de 2009

Bravo Amélie !


Depois de uma vitoriosa carreira de 17 anos e 25 titulos conquistados, a tenista ex-numero 1 do mundo Amélie Mauresmo anunciou esta semana o seu adeus às quadras. Mauresmo era a ultima representante francesa em atividade a ter vencido um torneio do Grande Slam.

Bref:
Melhor classificação: n°1 do mundo (2004)
25 titulos em categoria simples, dos quais 2 torneios do Grande Slam (Open da Australia e Wimbledon 2006)
3 titulos de duplas
Total de ganhos: 15.022.476,00US$
Campeã da Fed Cup 2003
Finalista da Fed Cup 2005
Nomeada Chevalier de la Légion d'Honneur por Jacques Chirac em 2006

28 de novembro de 2009

Place du Châtelet

Seja turista ou parisiense nato, qualquer pessoa que se aventure pelas ruas de Paris acaba hora ou outra passando pela Place du Châtelet.

Lugar incontornável graças à sua localização central privilegiada, é na Place du Châtelet onde se cruzam os eixos viários norte-sul e leste-oeste de Paris, representando para a cidade quase que a própria definição do termo “ponto de encontro”.

Mas além das ruas, a Place du Châtelet também conecta pessoas, através das diversas linhas do metrô que são interligadas em seus subterrâneos, dos tradicionais cafés parisienses que ornamentam o seu entorno e do majestoso Theatre du Châtelet - uma das mais respeitadas casas de espetáculos de Paris. E como se ainda precisasse de um toque a mais de charme, tudo isso fica às margens do Sena, na entrada da Pont au Change.

Vista noturna por sobre as caixas dos bouquinistes: à direita a Place du Châtelet, à esquerda a Pont au Change iluminada sobre o Sena. Extrato de foto panorâmica de Arnaud Fisch de 2003.

Mas apesar de tanta gente que passa diariamente por ali, do parisiense que caminha apressado de sanduiche na mão ao turista que pulsa de contentamento por estar fluindo pelo coração da cidade, são poucos os que conhecem a história dessa praça e o significado de seu nome. Ficou curioso Joãozinho? Calma, o Viver Paris conta um pouquinho dessa história pra você...

Belas babonas: as esfinges que guardam a Fontaine du Palmier - criada para exaltar as glórias napoleônicas - fazem alusão às campanhas de Bonaparte no Egito e ornamentam a Place du Châtelet.

A Place do Châtelet fica no exato ponto onde antigamente (e bota antigamente nisso) havia o Grand Châtelet - uma fortificação construída para guardar a entrada da Pont au Change, e que foi completamente destruída em 1808, durante o império napoleônico. Na verdade existiam duas fotificações: o Petit Châtelet, que protegia o acesso ao Petit Pont, e o Grand Châtelet. Naquela época a Pont au Change ainda se chamava Grand Pont, mas apesar de ficarem no mesmo lugar, a ponte que conhecemos hoje foi construída somente no século XIX.

A noite a Place du Châtelet se ilumina ao lado do Théâtre du Châtelet, o teatro charmosão que abriga grandes espetáculos desde 1868.

Diz a lenda que a construção das primeiras versões desses “castelinhos” foi obra de um dos imperadores romanos, Júlio César ou Juliano - não se sabe bem qual deles - quando a localidade que se tornaria Paris ainda era conhecida por Lutèce. Essas fortalezas foram inicialmente construídas em madeira, sendo reerguidas em pedra somente após um ataque (felizmente sem êxito) dos normandos em 886.

Do outro lado do rio, entre as árvores: a Colonne du Châtelet, a Tour Saint-Jacques, o Théâtre du Chatelet, a Pont au Change... Ici c'est Paris!

Quando o rei dos Francos, Filipe Augusto (1165-1223), começou a expandir o perímetro de Paris, essas fortalezas acabaram sendo engolidas pela cidade, tornando-se inúteis para a defesa do que quer que fosse, e foi assim que o Grand Châtelet acabou sendo usado como sede da jurisdição da polícia da época - que além de garantir a ordem se encarregava de fazer cumprir a justiça criminal à moda da época. A Cour du Châtelet, no interior do castelo, passou então a abrigar prisões e salas de tortura.

Na gravura de Dupré, do livro 'Histoire de Paris' (J.A. Delaure e Gabriel Roux, 1853), uma imagem da entrada do Grand Châtelet, demolido a pedido de Napoleão Bonaparte em 1808.

Mas durante o reinado de Saint Louis o Grand Châtelet foi reformado e ampliado, passando a servir de habitação para os condes de Paris até o fim do século XII.

Se é bonita? A Place du Châtelet é uma verdadeira pintura, Joãozinho! Tanto que inspirou diversos artistas, como Antoine Blanchard (1910-1988) na obra 'Le Châtelet'.

E quem passa hoje pela Place du Châtelet mal consegue acreditar que bem ali aconteceram episódios históricos sangrentos: em junho de 1418, durante a guerra civil contra os Armagnacs, os Borguinhões cercaram o Grand Châtelet, massacrando todos os mais de 4000 Armagnacs que ali estavam presos. Em setembro de 1792, outra época, outro contexto, outra matança de presos - desta vez, entrando para a história como um dos episódios mais sombrios da Revolução Francesa.

O quê? Mas já cansou de andar?! Êita... Então faça uma pausa para bebericar um 'petit café' apreciando a vista da Place du Châtelet. Na foto, um momento de tranquilidade, mas se quer ver o que é movimento, experimente passar por aqui num sábado de Sol.

Mas felizmente toda essa história de fortalezas e prisões faz parte do passado. Hoje a Place du Châtelet é um local onde gente bonita do mundo inteiro se encontra para um bate-papo despreocupado ao redor das mesas dos cafés. Um lugar de convívio, onde a proximidade com a música, a beleza e o teatro se reflete na amizade estampada nos rostos das pessoas, onde as cadeiras dos cafés brotam nas calçadas e as caixas verdes dos bouquinistes estão ao alcance dos olhos, onde a beleza da cidade que sorri às margens do rio da minha vida não nos deixam enganar: Ici c’est Paris !

23 de novembro de 2009

Tramway: inaugurada a extensão da linha T2

Foi inaugurada no último sábado (21/11) a extensão da linha T2 do tramway parisiense, ligando Issy-Val de Seine a Porte de Versailles.

Essa ampliação foi idealizada para atender as 42000 pessoas, aproximadamente, que vivem nas imediações das 4 novas estações que integram a extensão. Atualmente a linha T2 do tramway transporta o equivalente a 80000 passageiros/dia. Segundo a RATP, responsável pela operação do sistema, a freqüência será de 1 tramway a cada 4 minutos durante os horários de pico.

Assim, já é possível ir diretamente de La Défense ao Parc des Expositions de La Porte de Versailles em 32 minutos ou ainda ir de Issy a Porte de Versailles em apenas 8 minutos.

Mas as obras de ampliação do tramway não param por aí: o prolongamento da T2 até Bezons (Val-d’Oise) deve ficar pronta já em 2012, levando transporte público com mais qualidade até as communes de Puteaux, Coubervoie, La Garenne-Colombes, Colombes, Nanterre e Bezons.

O percurso do tramway T2: Clique sobre o mapa para ampliar.

O tramo original da T2 foi inaugurada em 1997 e cada um dos tramways que circulam nessa linha tem capacidade para transportar até 440 passageiros.

Para maiores informações acesse o site da RATP ou o site dedicado à linha T2: t2aparis.fr.