24 de setembro de 2010

Le Parisien: edição de hoje tem download livre

Por conta da adesão de seus distribuidores à greve contra a reforma da aposentadoria na França, o jornal Le Parisien disponibilizou, excepcionalmente, a edição de hoje na íntegra para download. Para obter seu exemplar gratuitamente, clique no link abaixo:

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22 de setembro de 2010

A imagem do dia

A foto acima começou a circular esta tarde nos sites dos principais jornais franceses. Ela retrata a deputada italiana Licia Ronzulli durante a sessão plenária de hoje do Parlamento Europeu, em Strasbourg. Ela foi aplaudida pelos seus colegas ao aparecer com seu bebê de apenas um mês, momentos antes de reivindicar melhoria dos direitos trabalhistas para as mulheres. A foto é de Vincent Kessler para a agência Reuters.

Metrô Abbesses

Quem me conhece sabe que sou um entusiasta do metrô de Paris. Uma das estações que mais me atraem na cidade é Abbesses, da linha 12 do metrô. E se você acha que estação de metrô ‘é tudo igual’, vou te contar por que acho que estações como Abbesses estão longe de ser apenas mais uma entre as outras.

Para começar Abbeses é a mais profunda de todas as estações de metrô da cidade. Suas plataformas estão firmemente plantadas a 36 metros abaixo do nível da rua. Devido a profundidade, as escadas de acesso às plataformas precisaram ser projetadas em forma de espiral para que a inclinação não fosse muito acentuada. Além da escada ‘escargot’, a estação também tem elevadores que interligam a bilheteria às suas plataformas.

A estação Abbesses foi inaugurada em 31 de outubro de 1912, mas vale mencionar que a bela edícula Guimard que ornamenta sua entrada foi permanentemente emprestada da estação Hôtel de Ville em 1974. Nem sempre a estação Abbesses foi operada pela RATP; em sua tenra idade ela fazia parte da malha da antiga Societé Nord-Sud que, diga-se de passagem, sempre foi contrária à instalação de edículas Guimard em suas estações. Curiosamente, hoje é impossível de imaginar Abbesses sem a sua edícula.

A bela edícula Guimard que enfeita o acesso a Abbesses (foto: Steve Cadman, 2007)

Apesar de não gostarem das edículas Guimard, para uma coisa eu tiro o chapéu para os engenheiros e arquitetos da Societé Nord-Sud: suas estações eram muito bem construídas. Caracterizavam-se, sobretudo, pelas plataformas amplas, bem elaboradas e com detalhes caprichados: os nomes das estações eram escritos com belos mosaicos em cerâmica, as paredes eram enfeitadas com afrescos típicos da companhia e o topo dos arcos dos túneis sempre indicavam a direção dos trens.

Assim é a área da bilheteria em Abbesses (foto: Pline, 2007).

Ao longo dos anos 50 diversas estações do metrô parisiense passaram por obras de renovação. Nessa ocasião Abbeses recebeu colunas de suspensão na forma de placas metálicas decorativas. Outro grande trabalho de restauração aconteceu entre 2006 e 2007 - dessa vez para devolver a Abbesses o estilo original de suas plataformas, aquele jeitão de estação da Nord-Sud.

Aqui uma vista das plataformas (foto: Ben Leto, 2008).

Além de bem projetada, Abbesses é também muito charmosa. Já virou cartoon no clip da canção Flowers de Émilie Simon, já foi homenageada com a música Abbesses da banda francesa Birdy Nem Nem e, se você puxar pela memória, vai se lembrar de que Abbesses é a estação do metrô da Amélie Poulain no filme Le Fabuleux destin d'Amélie Poulain. Ah, e até pouco antes de sua conclusão, o filme tinha como título provisório Amélie des Abbesses. Até de inspiração para uma bolsa da Louis Vuitton, Abbesses já serviu.

E aqui uma rara imagem dos afrescos originais de Abbesses que se perderam ao longo de sucessivas reformas (Foto de Gérard Laurent para o site Paris Cool).

Abbesses tem um único acesso, localizado na Place des Abbesses, diante da casa de número 2 da rue de la Vieuville. Seu nome vem da própria Place des Abbesses, que faz referência à Abadia das Damas de Montmartre (Abbaye des Dames de Montmartre).

A estação é muito utilizada por turistas em suas visitas a Sacré-Coeur, a Place du Tertre, a igreja Saint-Jean-de-Montmartre... E também por outros usuários que, assim como eu, sentem-se mais vivos apenas por caminhar a esmo pelas ruazinhas que ficam ao redor da estação, tendo como única e nobre intenção massagear Paris nas costas enquanto caminham.

E então, Joãozinho? Ainda acha que estação de metrô ‘é tudo igual’?

Ilustração: Detalhe de ornamento da estacao Abbesses, by Paris in Color.

Paris em português

Esta manhã meu amigo Edmilson Siqueira me enviou uma notícia supimpa que foi publicada no Estadão de hoje.

Na matéria o correspondente do jornal O Estado de São Paulo em Paris, Andrei Netto, fala do trabalho de preparação de hotéis e lojas parisienses para a melhoria da acolhida dos turistas lusófonos que visitam a cidade. Esse empenho tem sido motivado principalmente pelo aumento do número de turistas brasileiros em Paris.

Além de faciliatar a vida dos turistas brasileiros e portugueses, que em sua maioiria não falam o francês, essa iniciativa também está abrindo as portas do mercado de trabalho para quem manda bem nos dois idiomas. Portanto, essa é uma boa notícia para brasileiros e portugueses, independente de estarem na cidade a passeio ou em busca de uma oportunidade de trabalho.

Para ler o artigo no jornal O Estado de São Paulo, clique no link abaixo:

OESP - Em Paris, hotéis e lojas já atendem em português

5 de setembro de 2010

Construindo castelos na Espanha

A expressão "bâtir des châteaux en Espagne" (construir castelos na Espanha) é muito comum na França e faz parte do vocabulário popular francês desde o século XVI. O termo é muito usado para designar sonhos impossíveis de serem realizados ou planos que nunca saem do papel. Quer um exemplo?

Então vamos imaginar o caso do... Joãozinho. Há anos ele fala do sonho de passar um mês inteirinho hospedado no Ritz Paris - e sempre arremata dizendo que assim que se hospedar vai passar um dia inteirinho de roupão e óculos escuros, bebendo champagne na sacada e apreciando o movimento na Place Vendôme. O problema é que o Joãozinho nunca economiza 1 centavo sequer - nem para visitar a tia Eulália em Osasco. Assim, os franceses diriam que ao alimentar esse sonho um tanto opulento e irreal, o Joãozinho está construindo castelos na Espanha. Ou ainda que a tal estadia no Ritz é o “château espagnol” do Joãozinho. Portanto, a expressão é usada em qualquer situação para se referir a planos ou sonhos irrealistas.

Acima, caricatura britânica de 1740 menciona a Espanha construindo castelos no ar.

Apesar de ao longo da historia os espanhóis terem efetivamente construído cerca de 10.000 castelos em seu território (e 2.500 deles existem até hoje), a expressão foi usada pela primeira vez pelo estadista, humanista, poeta e jurista francês Etienne Pasquier (1529-1615), que certa vez exprimiu o fato de ter passado dias nos campos espanhóis e não ter visto nenhum castelo - influente do jeito que era Pasquier, sua máxima pegou rapidinho, e até hoje andam dizendo que não existem castelos na Espanha.

Mas é claro que eles existem! O castelo da foto fica na Segovia - sim, Espanha.

E acabo de me lembrar de duas canções francesas nas quais você encontra referências ao uso da expressão: Rue de la Paix, de Zazie (Pour mettre un hôtel, rue de la paix. Un monde où tout le monde s'aimerait enfin. J'achète un château en Espagne. J'achète un monde où tout le monde gagne à la fin) e L’alcool de Serge Gainsbourg (Et dans les vapeurs de l'alcool, j'vois mes châteaux espagnols, mes haras et toutes mes duchesses).

Também é comum ouvir alguns franceses usarem como sinônimo para essa expressão "bâtir des plans sur la comète" (construir planos sobre um cometa).

Para desmistificar a lenda que deu origem à expressão, segue o link para o Castillos.net, um site bastante interessante que cataloga os castelos espanhóis.

Foto menor: cartaz do filme francês “Um château em Espagne”, de Isabelle Doval.

11 de agosto de 2010

França: em 2010, uma primavera animal

Joãozinho, dá só uma olhada nos bebezinhos ilustres que nasceram em solo francês durante a primavera de 2010: todos são filhotinhos de espécies raras ou ameaçadas de extinção. Vamos dar uma espiada?

No dia 14 de maio o nascimento de Pati e Jaya, filhotes de pantera nebulosa foi a sensação do Jardin des Plantes de Paris. Foto: Stevens Frederic.

O filhote de gibão nasceu em Mulhouse no dia 13 junho - mesmo dia do meu aniversário. Foto: Sebastien Bozon.

Esta lobinha do ártico nasceu no Parc Lorraine, uma belíssima reserva natural francesa. Foto: Jean-Christophe Verhargen.

Já o miquinho nasceu no zoológico de Amnéville. Foto: Jean-Christophe Verhargen.

Fonte: 20minutes.fr.

"O destino dos animais é muito mais importante para mim do que o medo de parecer ridículo." - Émile Zola

Camille Lacourt: um recorde histórico

O francês Camille Lacourt se tornou o primeiro nadador a bater um recorde após a proibição do uso dos supermaiôs.

O feito aconteceu ontem, na final do Campeonato Europeu realizado na Hungria. Lacourt foi o mais rápido no nado de costas, completando a prova dos 100 metros em 52s11.

A marca de Lacourt é a segunda melhor da história da natação, ficando atrás apenas do recorde mundial do americano Aaron Peirsol, que é de 51s94 em 2008 nas Olimpíadas de Pequim. Detalhe: o americano usava o supermaiô quando estabeleceu o recorde mundial.

Félicitations, monsieur Lacourt !