15 de julho de 2011

Photo escapade: Le pont d'Avignon


A foto mostra a famosa ponte de Avignon que avança sobre o rio Rhône. Para o Joãozinho que gosta de um bom vinho mas ainda não ligou o nome a pessoa, quando falamos num vinho Côtes-du-Rhône nos referimos aos vinhos produzidos a partir de uvas colhidas às margens de um trecho do Rhône situado entre as communes francesas de Vienne e Avignon.

O Rhône nasce nas geleiras dos Alpes Suiços e desagüa no Mediterrâneo francês.

Paris: dicas para ir às compras

Você há de concordar comigo, Joãozinho: gastar dinheiro sem necessidade durante a viagem não é nada legal.

Recentemente, em uma dessas conversas de aeroporto, ouvi o relato de um turista brasileiro que, por simples desconhecimento, acabou gastando mais dinheiro com alimentação do que o necessário e ainda voltou com a impressão equivocada de que "em Paris tudo é caro". Vale lembrar que no ranking das cidades mais caras do mundo São Paulo ocupa a 10a posição, o Rio de Janeiro a 12a, enquanto Paris vem lá atrás no 27° lugar - algo incontestável, em minha opinião.

Para que você não passe pelo mesmo perrengue, reuni neste post algumas dicas práticas que podem lhe ser úteis na hora de ir às compras. Você vai ver que, fazendo uso de um pouquinho de informação sobre a vida cotidiana parisiense, ir às compras na Cidade-Luz pode ser um verdadeiro passeio.

Confesso: sou fanático por supermercados. A cada novo destino de viagem lá estou eu, transitando curioso pelas raias de algum supermercado para ver o que há de diferente, comparando preços e aprendendo um pouco sobre os hábitos de consumo dos habitantes do lugar. Independente da sua predisposição para esse tipo de insanidade é bom saber que os supermercados de grandes redes são as opções mais econômicas para comprar mantimentos em Paris. Portanto, deixe os mercadinhos de bairro (chamados na França de épiceries) apenas para os casos de real necessidade.

As épiceries estão sempre por perto, têm bons produtos, abrem de dia e de noite, algumas até aos domingos e feriados, mas cobram caro por toda essa praticidade - em alguns casos, praticam até o dobro do preço em comparação com os supermercados. Por isso recomendo que você faça as compras do dia a dia nos supermercados de grandes redes, relegando o mercadinho ao lado do hotel à condição de curinga para o caso de alguma necessidade mais pontual.

A épicerie Collignon que aparece no filme da Amélie Poulain é uma típica épicerie parisiense.

E se assim como eu você também gosta de feiras-livres, vai ver que as de Paris são incríveis: têm frutas e legumes deliciosos e de altíssima qualidade (o seu avô Eustáquio vai até querer tirar um retrato das frutas, de tão perfeitas); os queijos e vinhos artesanais são divinos e pode ser encontrada grade variedade de produtos para a alegria dos gourmets mais exigentes. Mas ao contrário do que acontece no Brasil, as feiras francesas de modo geral costumam ter preços um pouco mais elevados do que os supermercados, já que os franceses valorizam os produtos elaborados ou cultivados artesanalmente.

Pode confiar: nas feiras-livres francesas os produtos são previamente selecionados e não é preciso gastar tempo escolhendo.

Mas não deixe de ir à feira por causa disso, em absoluto. Nem de apreciar as cores, ver as novidades e experimentar os sabores disponíveis nas feiras-livres parisienses. Apenas é bom ir sabendo desse pequeno detalhe para evitar surpresas. Minha feira parisiense favorita é a que acontece aos sábados na avenue du President Wilson. Para quem busca uma feira tradicional com produtos mais em conta, a da Bastille é uma boa opção. A feira da Bastille, por sinal, é conhecida por ser a que tem os melhores preços em toda a cidade. Não deixe de provar os morangos franceses - eles costumam ser menores do que os morangos produzidos no Brasil, mas são muito mais doces e saborosos. Prove também os queijos vendidos nas feiras - valem cada centavo. Aproveite também a disponibilidade de cogumelos frescos, difíceis de serem encontrados nas feiras brasileiras.

Açougues e quitandas: assim como as feiras, os bons açougues e quitandas de Paris têm produtos de qualidade superior - e cobram o seu preço por isso. Afinal, em que outro país do mundo as pessoas chamam o açougueiro de Maître Boucher?

Uma típica quitanda parisiense. Assim como nas feiras-livres francesas, as frutas, legume e verduras já são selecionadas e não é preciso escolher.

E se os supermercados são as opções mais econômicas de compra, vale a pena conhecer um pouquinho mais sobre eles. Relacionei abaixo alguns dos principais supermercados que você vai encontrar em Paris.

Auchan: É uma rede de hipermercados das boas, normalmente com unidades localizadas em grandes centros comerciais mais afastados do centro. A mais próxima de Paris é excelente e fica em La Défense (metrô linha 1) e outra ainda maior fica em Gallieni (metrô linha 3). Você encontra no Auchan tudo o que encontraria num grande hipermercado no Brasil: de extrato de tomate a notebook; de tapete de banheiro a TV de plasma. Tem de tudo de todas as marcas - e por bons preços.

Oba! Um Franprix! Sou fã dos escargots congelados desse lugar.

Franprix: É uma rede de supermercados com diversas unidades espalhadas por toda a cidade. Nos supermercados Franprix você encontra tanto produtos de marcas consagradas quanto produtos da própria marca da rede - também de boa qualidade e com preços ainda mais em conta. Os supermercados Franprix costumam fazer promoções bastante atrativas a cada semana, mas no geral têm sempre bons preços e boa variedade de produtos. E se você quer provar bons escargots a um preço muito camarada, experimente os escargots congelados do Franprix; são deliciosos e vêm prontinhos, basta aquecer em forno convencional (preço médio: 3,00€ a dúzia).

Ed e Leader Price: são as redes de supermercados mais econômicas da cidade. Particularmente, entre os dois, prefiro o Leader Price. Quase todos os produtos a venda nos supermercados Leader Price são de marca própria, vendidos a preços irrisórios. Para ter uma ideia, uma peça de camembert no Leader Price custa menos de 1,00€ - e sim: é bom. Os produtos não ostentam belas embalagens e nem devem agradar aos paladares mais exigentes, mas o Leader Price é uma opção a ser considerada pelos viajantes que querem visitar a cidade gastando pouco dinheiro - os parisienses mais abastados torcem o nariz, mas conheço alguns mochileiros que são fãs. Normalmente o Leader Price disponibiliza cupons de desconto no seu site na internet Basta imprimir e apresentar no caixa.

Monoprix: O Monoprix é um dos supermercados mais legais que conheço. Não tem preços tão amistosos quanto o Franprix, mas tampouco cobra valores absurdos pelos produtos. Algumas unidades do Monoprix são verdadeiras lojas de departamentos: vendem roupas, utilidades domésticas, cosméticos... As unidades menores chamadas Monop’ são dedicadas à restauração rápida e venda de produtos de mercearia em estoque reduzido. Meus Monoprix favoritos são os da avenue des Ternes e do boulevard de Clichy. Tem uma na Champs-Elysées, mas está sempre lotada.

Champion e Carrefour City: O City e o Champion são os irmãos menores dos hipermercados Carrefour. Têm bons produtos e preços numa faixa um pouquinho acima da praticada pelo Franprix. Devido ao tamanho e padrão construtivo, os hipermercados da rede Carrefour não têm unidades dentro de Paris. É bom saber que o Carrefour City coloca diariamente 5 frutas diferentes a menos de 1,00€ a unidade ou o quilo - dependendo da fruta. Meu Champion favorito é o da avenue des Ternes, e o Carrefour City o da avenue de Malakoff.

Shopi: Segue a mesma linha do Carrefour City - tanto que algumas de suas unidades foram vendidas ao grupo Carrefour para se tornarem City. O único demérito em minha opinião é que algumas unidades Shopi são bem desleixadas com o atendimento.

Picard: Não é exatamente um supermercado... Na verdade é um supermercado exclusivamente dedicado a venda de congelados a ótimos preços. Tudo na Picard é impecavelmente limpo e bem organizado em gôndolas setorizadas - sopas, peixes, carnes, legumes, massas, cozinha étnica, tortas, sorvetes, etc. De tão bacana já ganhou até um post exclusivo aqui no Viver Paris.

Indiana Jones que me perdoe, mas o templo da perdição é o setor de queijos do Auchan.

Um erro muito frequente dos turistas que vão a Paris pela primeira vez é desconfiar do que é barato demais nos supermercados. Não precisa ficar com um pé atrás, Joãozinho. Em Paris os produtos mais em conta também costumam ser muito bons. Posso citar como exemplo o vinho JP Chenet que nos bons supermercados brasileiros é vendido a aproximadamente 30,00R$ a garrafa. Em Paris, uma garrafa desse mesmo vinho sai em média por míseros 1,60€. Assim como não se deve torcer o nariz ao ver que uma garrafa de 1,5 litros da água mineral Cristaline custa apenas 0,25€. Concordo que no Brasil nunca ouvimos falar da Cristaline, mas é bom saber que ela é a água mineral mais vendida em toda a França, sendo servida inclusive nas reuniões de gabinete do presidente francês.

Ah, me lembrei de mais uma: sempre que possível, evite comprar bebidas nas barraquinhas ou no comércio próximo aos pontos turísticos. Água, refrigerantes e cerveja custam no supermercado menos da metade do preço cobrado nas barracas próximas aos monumentos. Uma vez vi a cerveja Brauburger sendo vendida numa barraquinha próxima a torre Eiffel por 4,00 euros a lata - na época eu pagava pela mesma cerveja 0,42 euros no supermercado. Vale muito mais a pena dar uma passadinha no supermercado antes de cada passeio para abastecer a mochila - deixar uma bolsa térmica dentro da mochila também é uma grande pedida para quem gosta de fazer piqueniques.

Não é a toa que o setor de iogurtes de um supermercado francês é de cair o queixo. Cada francês consome em média 40kg de iogurtes por ano. No Brasil a média de consumo per capita é de 6kg por ano.

Aqui vão algumas dicas que podem até parecer bobas para alguns, mas também podem ser úteis para muita gente:

- A inscrição 7j/7 na fachada de um estabelecimento comercial significa 7 jours sur 7 e indica que ele abre todos os dias da semana. Já a inscrição 24h/24 significa 24 heures sur 24, indicando que o estabelecimento funciona 24 horas por dia.

Tá olhando o quê? Para usar um dos carrinhos accorrentados, basta depositar uma moeda de 1 euro na caixinha cinza. Você devolve o carrinho e o super te devolve a moedinha.

- Em alguns supermercados os carrinhos ficam estacionados acorrentados uns aos outros. Para usar um carrinho, basta depositar uma moeda de 1 euro no cadeado et voilà ! - a fechadura abre. A sua moeda é devolvida assim que você devolver o carrinho onde o retirou. Uma idéia simples que impede os clientes de abandonarem os carrinhos de supermercado em qualquer lugar.

Acabou de colocar as compras na esteira do caixa? Então não se esqueça de colocar também essa barrinha.

- Depois de colocar suas compras na esteira do caixa, não se esqueça de colocar a barrinha de 'cliente suivant' logo atrás dos seus produtos. Isso indica que você já colocou ali todas as suas compras e que o próximo cliente também já pode começar a esvaziar o próprio carrinho sobre a esteira.

Agora que você já sabe o suficiente sobre ir às compras em Paris, é só passar num supermercado, abastecer a mochila com pães, queijos, frios, água e uma garrafa de boa reputação e fazer um piquenique memorável no gramado do parque Monceau. Ah, e piquenique romântico no quarto do hotel também está valendo, Joãozinho! Além de ser uma maneira bastante agradável de fazer economia com alimentação na cidade, os piqueniques fazem parte da vida cotidiana parisiense. Portanto, uma boa dica a ser usada durante suas incursões pela cidade é ter sempre dentro da mochila um kit-piquenique, minimamente com a tal da bolsa térmica, toalha e saca-rolhas (toujours), já que em Paris um piquenique ao ar livre não tem hora para acontecer.

Sobre a Pont des Arts amigos se reunem ao redor de uma toalha de piquenique.

Portanto, nada de pagar caro na hora de ir às compras em Paris. Com um pouquinho de informação colocada em prática, você faz economia e não fica na vontade.

2 de julho de 2011

Paris, je t'aime: Quartier de la Madeleine

O Delano Silveira, leitor assíduo do Viver Paris, me enviou um e-mail com uma pergunta supimpa. Como a resposta serve como sugestão de passeio para os fãs do filme Paris, je t'aime achei bacana publicar um post aqui no blog e compartilhar a informação com vocês. Ele queria saber onde fica a locação do curta-metragem Quartier de la Madeleine - um dos 18 curtas que compõem Paris, je t'aime.

Para quem não se lembra, essa parte do filme é escrita e dirigida por Vincenzo Natali e retrata a 'paixão a primeira mordida' de um rapaz (interpretado por Elijah Wood) por uma bela vampira (Olga Kurylenko) que assombra o quartier. Propositalmente kitsch, Quartier de la Madeleine é o único curta do gênero fantástico em todo o filme.

Construída no século XIX, esta ponte faz uma importante participação em 'Quartier de la Madeleine' (Foto: Gérard Métron).

Famoso por abrigar algumas embaixadas e ministérios importantes, o quartier de la Madeleine fica no 8° arrondissement. Como o próprio nome sugere, está situado nas proximidades da igreja de la Madeleine que dá nome ao quartier. Administrativamente, é conhecido como 31e quartier parisien.

Não menos importante para a história é a escadaria integrada a ponte (Foto: Gérard Métron).

A escadaria e a ponte de aço que aparecem no filme - e onde se desenrola praticamente toda a trama da história - foram construídas em 1868 pela companhia Ernest Gouin & Cie e ficam na junção da rue du Rocher com a rue Portalis.

E aqui uma imagem da escadaria como aparece no filme. Cuidado Frodo!

Curiosamente - e isso pode ser facilmente percebido por quem caminha pelas ruas do quartier - esse exato lugar tem características um tanto atípicas para a região, parecendo meio fora do contexto arquitetônico do restante do arrondissement.

Situado no boulevar Malesherbes, o Hôtel de Cail tem a arquitetura típica dos imóveis do 8° arrondissement.

Para quem quiser dar uma passadinha por lá, segue abaixo o link para o mapa e a indicação do metrô mais próximo. Só tome cuidado para não se engraçar com a vampira alheia, viu Joãozinho?

Mapa: Quartier de la Madeleine (rue du Rocher x rue Portalis)
Metrô: Europe linha 3

Para assistir Quartier de la Madeleine no Dailymotion, clique aqui.

28 de junho de 2011

Sorvete de maçã do amor L'Angélys

Esta delícia gelada foi idealizada pelo maître artisan glacier Denis Layaud para a sorveteria L'Angélys em celebração ao dia dos namorados deste ano, mas acabou fazendo tanto sucesso que felizmente poderá ser degustada durante todo o verão francês.

Deliciosamente caramelizado, o sorbet pomme d'amour é elaborado artesanalmente com ingredientes naturais - sem adição de conservantes, corantes ou aromatizantes - e vem em embalagem com 2 potes de 375ml.

A sorveteria L'Angèlys tem uma única unidade localizada na cidade de Saintes, na Charente-Maritime, mas em Paris você pode encontrar os sorvetes da marca nos supermercados da rede Franprix por míseros 4,50€.


Para saber mais acesse: http://www.langelys.com/

27 de junho de 2011

Paris au temps des Impressionnistes

Uma exposição imperdível que está em cartaz em Paris é a sensacional Paris au temps des Impressionnistes, que pode ser vista até o próximo dia 30 de julho na sala Saint-Jean do Hôtel de Ville.

Concebida originalmente para ser exibida no Musée d'Orsay (que atualmente passa por obras de renovação), a exposição que contou com mais de 60.000 visitantes em seu mês de estréia apresenta mais de 60 telas, diversos desenhos, maquetes e projetos arquitetônicos para nos mostrar a identidade cultural e arquitetônica da Paris de Napoléon III - boa parte dos objetos da mostra jamais haviam sido apresentada ao público.

Curiosidade: para ser transferido do Musée d'Orsay (que fica na rive gauche) ao Hôtel de Ville (que fica na rive droîte) o acervo da exposição seguiu de barco pelo rio Sena.

Montada no mezanino, a primeira parte da exposição apresenta a transformação de Paris através de pinturas, desenhos, maquetes e plantas arquitetônicas. Já a nave principal da sala Saint-Jean é dedicada a Paris renovada, animada e turbulenta. E é assim que a Paris moderna surgida na época dos mestres impressionistas vai se revelando ao visitante a medida em que este vai avançando exposição adentro. Dessa forma, nos deparamos com obras como l’Orchestre de l’Opéra de Degas, le Café-concert de Manet ou ainda la Guinguette à Montmartre de Van Gogh.

La Guinguette à Montmartre de Van Gogh é uma das obras da exposição.

Ah, e um detalhe importante: essa grandiosa exposição tem entrada livre.

Paris au temps des Impressionnistes
Hôtel de Ville de Paris - Sala Saint-Jean
Metrô: Hôtel de Ville linhas 1 e 11
Até 30 de julho de 2011
Aberta de segunda a sábado das 10h00 as 19h00 (último acesso as 18h15)
Entrada gratuita

Esta dica foi sugerida pelo meu amigo Edmilson Siqueira.

O verão parisiense chegou pra valer

Pois é Joãozinho, este ano o verão parisiense chegou cheio de vontade.

Na tarde desta segunda-feira os termômetros registravam 36°C a sombra e 39°C sob pleno Sol. Portanto, se você está de malas prontas ou já está na cidade, não deixe de fazer bom uso de roupas leves e confortáveis, e de redobrar os cuidados com a hidratação.

Ano passado o verão também teve dias de calor intenso, e por isso postei aqui no blog algumas dicas úteis para você aproveitar bem o verão parisiense sem botar a saúde em risco. Se você já leu, muito bem. Caso contrário, segue aqui o link para o artigo.

O espelho d'água do Parc André Citroën: ponto de encontro para fugir do calor.

Apesar do pico de calor desta tarde, a previsão do tempo indica que na noite de hoje Paris terá muita chuva e ventos fortes - o que deve fazer a temperatura despencar mais de 10°C em poucas horas. Amanhã ainda deve fazer calor ao longo do dia, com máxima de 32°C. Para o restante da semana, a previsão é Sol, mas com temperatura amena variando entre os 12°C e os 25°C.

Fotos: Matthieu de Martignac, jornal Le Parisien.

31 de maio de 2011

Trois petits mots

Hoje ao invés das três palavrinhas nós vamos aprender três expressões inteirinhas. Não são expressões muito polidas - é bem verdade - mas são de uso bastante corriqueiro na vida cotidiana dos franceses. A homenageada de hoje: a vaca.

1. Pleuvoir comme vache qui pisse: o sentido literal desta pérola do palavrório francês é algo como "chover como vaca mijando" e é usada como referência a chuva muito forte. Por exemplo: "Petit Jean, ne sors pas sans ton parapluie ! Il pleut comme vache qui pisse !" ou na minha tradução livre "Joãozinho, não saia sem seu guarda-chuva! Está chovendo igual vaca mijando!"

2. Parler français comme une vache espagnole: esta outra maravilha do idioma de Balzac significa ao pé da letra "falar francês como uma vaca espanhola", e é usada para se referir a alguém que fala muito mal uma determinada língua estrangeira - não necessariamente o francês. Por exemplo: "Petit Jean parle le français comme une vache espagnole." que na minha tradução livre fica "Joãozinho fala francês como uma vaca espanhola." - se bem que, para falar a verdade, tenho cá minhas desconfianças de que as vacas francesas falem bem o espanhol.


3. Oh la vache !: "Oh a vaca!" é uma expressão de uso muito freqüente em toda a França da mesma maneira como os brasileiros usam o "Caramba!", ou seja, uma simples exclamação de surpresa com alguma coisa ou situação. Pode ser usada sozinha "Oh la vache !" ou acompanhada do objeto da admiração, como no exemplo: "Oh la vache ! Des glaces Häagen-Dazs gratuitement !" que em português é o mesmo que dizer: "Caramba! Sorvetes Häagen-Dazs de graça!"

27 de maio de 2011

Fontaine de Jarente

A fontaine de Jarente é também popularmente conhecida pelos parisienses como fontaine de la Poissonnerie ou fontaine d'Ormesson e fica discretamente localizada nos fundos do impasse de la Poissonnerie - um beco curtinho situado no 4° arrondissement de Paris.

Construída em 1783, a fonte fez parte de um plano de renovação do quatier, o qual na ocasião contou ainda com a abertura de novas ruas como a rue de Jarente, rue d'Ormesson, rue Necker e rue Caron, além da construção da place du Marché Sainte-Catherine.

Para mim, essa fonte é um dos pequenos 'tesouros escondidos' que muitas vezes acabamos descobrindo meio sem querer quando caminhamos a esmo pelas ruas de Paris.

Com seus bancos convidativos, a place du Marché Sainte-Catherine.

Como o próprio nome sugere, o impasse de la Poissonnerie era na época ocupado por vendedores de peixe. Atendendo aos pedidos desses mercadores para que tivessem fácil acesso a água e assim lidar melhor com seus peixes, o mestre geral dos edifícios reais, monsieur Caron, incluiu no projeto de melhorias do quartier a construção da fontaine de Jarente.

Apesar da careta o sátiro que guarda a fonte é um sujeito boa praça.

Apesar de ficar meio que escondida a fonte é suntuosa e tem aproximadamente 7 metros de altura. Ela é toda trabalhada em baixo relevo, com representações de emblemas da República Francesa, de golfinhos e cornúpias - o símbolo mitológico da fertilidade, riqueza e abundância. Na parte inferior da fonte, o filete de água brota da boca da máscara de um sátiro feita em bronze.

Bela e discreta, a fonte pode passar despercebida para quem apressar o passo.

A fontaine de Jarente se tornou oficialmente monumento histórico da cidade em 17 de junho de 1925. Uma bela fonte que pode acabar passando despercebida para quem passa apressado ou distraído pelas ruas do quatier.