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27 de maio de 2011

Fontaine de Jarente

A fontaine de Jarente é também popularmente conhecida pelos parisienses como fontaine de la Poissonnerie ou fontaine d'Ormesson e fica discretamente localizada nos fundos do impasse de la Poissonnerie - um beco curtinho situado no 4° arrondissement de Paris.

Construída em 1783, a fonte fez parte de um plano de renovação do quatier, o qual na ocasião contou ainda com a abertura de novas ruas como a rue de Jarente, rue d'Ormesson, rue Necker e rue Caron, além da construção da place du Marché Sainte-Catherine.

Para mim, essa fonte é um dos pequenos 'tesouros escondidos' que muitas vezes acabamos descobrindo meio sem querer quando caminhamos a esmo pelas ruas de Paris.

Com seus bancos convidativos, a place du Marché Sainte-Catherine.

Como o próprio nome sugere, o impasse de la Poissonnerie era na época ocupado por vendedores de peixe. Atendendo aos pedidos desses mercadores para que tivessem fácil acesso a água e assim lidar melhor com seus peixes, o mestre geral dos edifícios reais, monsieur Caron, incluiu no projeto de melhorias do quartier a construção da fontaine de Jarente.

Apesar da careta o sátiro que guarda a fonte é um sujeito boa praça.

Apesar de ficar meio que escondida a fonte é suntuosa e tem aproximadamente 7 metros de altura. Ela é toda trabalhada em baixo relevo, com representações de emblemas da República Francesa, de golfinhos e cornúpias - o símbolo mitológico da fertilidade, riqueza e abundância. Na parte inferior da fonte, o filete de água brota da boca da máscara de um sátiro feita em bronze.

Bela e discreta, a fonte pode passar despercebida para quem apressar o passo.

A fontaine de Jarente se tornou oficialmente monumento histórico da cidade em 17 de junho de 1925. Uma bela fonte que pode acabar passando despercebida para quem passa apressado ou distraído pelas ruas do quatier.

2 de julho de 2010

Hôtel de Villeroy

O hôtel de Villeroy é a sede do Ministère de l'Alimentation, de l'Agriculture, de la Pêche et de la Forêt (Ministério da Alimentação, da Agricultura, da Pesca e das Florestas) e residência do atual ministro Bruno Le Mairee.

Este edifício foi construido entre 1713 e 1724 e está catalogado como monumento histórico nacional.

Dentre os notáveis que viveram no hôtel de Villeroy destacam-se o general e escudeiro real de Louis XIV, René III de Froulay, conde de Tessé; a atriz Charlotte Desmares da Comédie-Française; o duque e a duquesa de Villeroy; e o político francês Paul Devès.

O hôtel de Villeroy fica no número 78 da rue de Varenne, no 7ème arrondissement de Paris.

22 de fevereiro de 2010

Les Grands Moulins de Paris

Os Grands Moulins de Paris são um antigo pastifício industrial criado em Paris durante a Primeira Guerra Mundial. Fica situado no Quai Panhard-et-Levassor, pertinho do jardim Abbé Pierre, no quartier Paris Rive Gauche, tendo sido construído entre 1917 e 1921 pelo arquiteto Georges Wybo.

As atividades do pastifício no edifício terminaram em 1996, quando o maquinário foi transferido para Gennevilliers e Verneuil-l'Étang. Por conta da desativação, grande parte dos prédios, silos e galpões anexos foram demolidos. Porém, o edifício principal em estilo neo-clássico e a grande ala de armazenamento foram preservados.

O edifício cuidadosamente restaurado abriga hoje campus da universidade Paris VII-Denis-Diderot (foto enviada por cortesia da leitora Cristina Barbosa - merci !)

Entre 2004 e 2006 o edifício principal passou por uma grande obra de restauração, conduzida pelo arquiteto Rudy Ricciotti, com a finalidade de abrigar a universidade Paris VII-Denis-Diderot.

Atualmente o edifício também acolhe a administração central da Paris VII, a UFR LCAO (Línguas e Civilização da Ásia Oriental) e o departamento LSH (Letras e Ciências Humanas), bem como a biblioteca central da universidade Paris VII.

Les Grands Moulins de Paris (Université Paris VII-Denis-Diderot)
1, rue des Ecoles
Tel.: 01 4633 5195
Metrô: Jussieu linhas 7 e 10

27 de janeiro de 2010

Le Mur pour la Paix

Não. Este monumento não está ali no Champ de Mars por acaso.

O Mur pour la Paix (muro pela paz) está instalado bem diante do imponente edifício da Ecole Militaire - local que até o final do século XIX era palco de movimentações das tropas militares francesas.

Ao seu modo, o Mur pour la Paix parece querer virar a página do passado militar do local. Idealizado pela pintora Clara Halter (esposa do escritor Marek Halter) e pelo arquiteto Jean-Michel Wilmotte, o monumento foi inaugurado em 30 de março de 2000 pelo presidente Chirac - ainda no âmbito das celebrações que marcaram a virada do milênio.


Com 16,40m de comprimento, 13,80m de largura e 9,00m de altura, o Mur pour la Paix é todo constituído em aço inox, madeira e vidro. Neste último, a palavra 'paz' aparece gravada repetidas vezes, em trinta e dois idiomas diferentes.

O muro ainda abriga 30 monitores conectados à Internet, para onde o público do mundo inteiro pode enviar suas mensagens de paz para serem exibidas nas telas.


Este monumento inicialmente estava previsto para ser itinerante, devendo ser posteriormente instalado em definitivo diante da sede da UNESCO - mas, particularmente, acho que ele ficou muito bem onde está. O Mur pour la Paix de Paris faz uma espécie de 'trilogia' pela paz mundial em conjunto com La Tour de la Paix de Saint Petersbourg e com Les Portes de la Paix, em Hiroshima.


Para consultar as mensagens de paz do Mur de la Paix ou para deixar sua mensagem para ser exibida nos monitores do monumento, acesse o site oficial: MurPourLaPaix.org.

Fotos, na seqüência: Erkan Kefeli, Studio AK para Insecula, Paris-en-Photos e Eric Rougier do site From Paris.

5 de outubro de 2009

La Victoire de Samothrace

A Vitória de Samotrácia (190 a.C.), juntamente com a Gioconda e a Vênus de Milo, é um dos três grandes icones do Musée du Louvre - onde está exposta desde 1884. Uma reprodução da obra pode ser vista na esplanda de l'Europe no quartier Antigone de Montpellier.

O site oficial do Musée du Louvre disponibiliza uma ferramenta interativa super bacana onde você pode ficar conhecendo mais sobre a Vitória de Samotrácia através de um áudio-guia e também vê-la em detalhes.

Acesse: La Victoire de Samothrace à la Loupe

16 de julho de 2009

L'Ours Blanc do musée d'Orsay

O Ours Blanc (urso branco) é uma das esculturas mais notáveis expostas do museu d’Orsay - na verdade, uma das minhas preferidas.

A obra foi criada em 1922 pelo artista francês François Pompon fazendo bom uso de um estilo que se tornaria sua marca registrada: uma escultura lisa, de desenho simples e limpo, ligeiramente estilizado. No caso do nosso amigo urso, as patas levemente desproporcionais lhe conferem uma sensação de movimento, de vida e leveza - apesar de suas maciças proporções.

A materialização da serenidade: o imponente urso branco vigia o musée d'Orsay para a alegria dos visitantes.

Mas se hoje não dá para imaginar o musée d’Orsay sem a carismática figura do Ours Blanc de Pompon, em outros tempos ele podia ser visto vagando livremente nos gramados do jardim Darcy em Dijon.

Oba! Tem mais um: Em Dijon, outro belo representante da espécie.

Com a decisão de levarem o urso para ser exposto em Paris, uma réplica precisou ser prontamente instalada em seu lugar, uma vez que não tardou para que ele se tornasse um verdadeiro símbolo da cidade, tão querido pelo dijonnais quanto a Chouette de Notre-Dame de Dijon - uma corujinha repleta de histórias e superstições, esculpida em pedra em um dos ângulos da igreja.

“Eu faço o animal com quase todos os detalhes, mas pouco a pouco, vou eliminando de modo não conservar nada além do indispensável.” - François Pompon (1855-1933)

6 de abril de 2009

A Pirâmide do Louvre

Hoje ela pode ser considerada uma unanimidade: é raro encontrar alguém que não goste da Pirâmide do Louvre, um dos símbolos incontestáveis de Paris.

Mas houve um tempo em que a pirâmide de vidro de pouco mais de 20 metros de altura foi duramente criticada. As controvérsias em torno de sua construção chegaram até a tomar rumos políticos - os defensores do patrimônio acabaram apoiados pelos direitistas e os que eram favoráveis às audácias arquitetônicas pelos esquerdistas. Os mais conservadores alegavam que ela arruinaria a hamoniosa perspectiva entre o Louvre e o Arco do Triunfo, e que estilos arquitetônicos tão diferentes eram totalmente incompatíveis.

20 anos: tempo mais do que suficiente para que a pirâmide do Louvre se tornasse um clássico parisiense.

Para acirrar a discussão, surgiu até uma lenda urbana que dizia que a pirâmide havia sido construída propositalmente com 666 placas de vidro - número que para os mais religiosos, nunca indicou boa coisa. Na verdade, nem de forma proposital, nem por obra do acaso: a pirâmide do Louvre é formada por 603 losangos e 70 triângulos de vidro.

Foto HDR da pirâmide do Louvre (Floriden, Paris 2008).

Mas entre críticas, mitos e controvérsias, ela foi inaugurada no dia 30 de março de 1989 na cour Napoléon do Musée du Louvre. Vinte anos mais tarde, a criação do arquiteto sino-americano Ieoh Ming Pei (hoje com 91 anos de idade) é um dos lugares mais visitados de Paris. O Louvre passou dos 3 milhões de visitantes anuais de 1989 para os 8,5 milhões de 2008. Depois da Vênus de Milo e da Mona Lisa, a pirâmide do Louvre ocupa o terceiro lugar no ranking das obras mais apreciadas pelos visitantes do maior museu do mundo.

Amplo e modernoso: assim é o amplo interior da pirâmide, a principal porta de entrada do Louvre.

Já a Pyramide Inversée du Louvre (Pirâmide Invertida do Louvre) que complementa a obra, fica no Carrousel du Louvre e tem ao todo 84 losangos e 28 triângulos. Quem viu o filme O Código Da Vinci deve se lembrar da cena final em que o personagem Robert Langdon aparece de pé sobre a base da pirâmide invertida. Na verdade a base dessa pirâmide não é acessível às pessoas, já que ela é muito bem cercada por arbustos no centro da Place du Carrousel - uma rotatória inacessível aos pedestres.

Eu sei, Joãozinho... Eu sei... O Tom Hanks andou lá em cima... Mas me explicaram que não é nada salutar tentar fazer igual. É assim que você vai ver a pirâmide invertida do Carrousel du Louvre.

Curiosidade: O projeto do edifício-sede da EDF em La Défense também é de autoria de Ieoh Ming Pei.

31 de março de 2009

Joyeux anniversaire Mademoiselle !

31 de março de 2009: 120 anos da Tour Eiffel

La Tour Bleue : Em 2008 para celebrar a presidência francesa da UE.

Em amarelo e verde para a Copa do Mundo de Rugby de 2007.

A dama de vermelho para festejar o ano novo chinês em janeiro de 2004.

E é assim que a vemos no dia a dia: Très, très belle... Comme toujours !

Independente da cor ou da ocasião, a mensagem da Torre Eiffel é simples e universal: "Seja você quem for, de onde for ou como estiver: seja bem-vindo à Paris. Liberdade, Igualdade e Fraternidade a todos os povos."

16 de fevereiro de 2009

O Zouave da Pont d'Alma

O Zouave (como eram chamados os antigos soldados argelinos) é uma grande estátua localizada em um dos pilares da ponte d’Alma e desde 1856 vem sendo usado para medir o nível das águas do rio Sena.

Apesar de atualmente o nível do Sena estar sendo medido também a partir da ponte d’Austerlitz, o Zouave é ainda bastante popular em Paris e não perdeu sua função. Ele funciona da seguinte maneira:

3,20m: o estado de alerta é decretado pelas autoridades quando a água chega à base plana sob os pés do Zouave.
3,40m: quando o nível do rio cobre os dedos dos pés do Zouave as vias de acesso aos passeios que margeiam o Sena são fechadas aos pedestres.
4,30m: a navegação é interditada no Sena quando a água chega até as canelas do Zouave - desde que ele passou a guardar a ponte d'Alma as águas do rio só passaram deste ponto em 5 ocasiões históricas.
5,20m: as barras da calça do Zouave foram atingidas pelas águas em 2000.
6,18m: o Sena chegou a molhar os joelhos do Zouave em 1982
7,12m: o rio Sena alcançou a cintura do Zouave em 1955.
7,32m: o rio Sena subiu pouco acima da cintura do Zoave em 1924.
8,62m: o maior recorde já registrado foi na grande cheia de 1910, quando o rio chegou até os ombros do Zouave.

Nosso amigo, o Zouave: um vigilante incansável desde 1856.

Portanto, é bastante raro ver o rio Sena sair de seu estado de normalidade, mesmo em épocas de chuvas fortes. Se você reparar ao longo dos quais do Sena, verá que em alguns pontos existem a inscrição 1910 gravada sobre um traço. Essa marca também aparece no piso inferior da Conciergerie e indica o ponto até onde as águas chegaram na cheia histórica de 1910.

12 de fevereiro de 2009

A Géode de la Vilette

Vista de fora a Géode parece ser apenas um impressionante monumento futurista. Não deixa de ser, é bem verdade - mas para a nossa felicidade a Géode é mais do que isso.

Inaugurada em 1985 e totalmente renovada em 1998, o imenso globo prateado de 36 metros de diâmetro é na verdade um moderno cinema que conta com a maior tela Imax do mundo: uma imensa tela hemisférica de 1.000m2 que recobre parte do interior da Géode. A sala stadium tem capacidade para acolher 370 pessoas por sessão e possui 27° de inclinação em relação ao solo. Ja a tela é enclinada em 30° - toda essa combinação de inclinações e curvaturas permitem que os espectadores tenham a sensação de estarem dentro do filme.

A Géode 'em corte': princípios da física (e muita tecnologia) transportam os espectadores para dentro do filme.

Ao sair da sala do cinema, o visitante passa diante das impressionates cabines de projeção, inteiramente envidraçadas. Isso permite que as pessoas vejam os nichos sobre os quais os equipamentos se alojam durante a projeção, o moderno projetor que corre sobre trilhos, as bobinas dos filmes, os computadores que gerenciam o espetaculo, etc. O sistema de projeção Omnimax daa um efeito otico exepcional ao espectador - a imagem projetada na tela é 10 vezes maior que a de um cinema cinematografico convencional. Outro ponto impressionante da Géode é a sonorização: com 21.000 Watts de potência, otimiza o impacto das imagens.

Quando as luzes se apagam, simplesmente tudo o que está ao seu redor se tranforma na maior tela de alta definição do mundo.

Em 2007 foi inaugurado o sistema IMAX na Géode com capacidade para diversificar a sensação audiovisual em 3 sensações distintas. Assim, nas exibições Géode 3D-relief e Géode HD são apresentados documentarios, filmes de curta e longa metragem em alta definição e filmes de animação digital; a exibição Géode Spectacles é dedicada aos espetaculos ao vivo retransmitidos via satélite.

Aqui as escadas rolantes que dão acesso à sala de cinema.

E é nesse templo da tecnologia cinematográfica que vai ser exibido Moi, Van Gogh, filme sobre o qual acabei de escrever. E sim, Joãozinho, no salão de entrada tem pipoca - e um café montado no capricho.

Voilà, le café de la Géode.

A Géode é praticamente um anexo da Cité des Sciences et de l'Industrie, e são atrações do complexo de entretenimento cultural do parque de la Vilette - um dos mais importantes pólos difusores das manifestações culturais da cidade. Além da Géode e da Cité des Sciences et de l'Industrie, la Vilette também reúne a Cité de la Musique, o Zénith (uma das casas de shows mais importantes da cidade - até o Chico Buarque já tocou lá), um pavilhão de exposições, cinemas convencionais, restaurantes, uma extensa área verde excelente para caminhadas (e para ouvir as batucadas que africanos e latinos organizam nos finais de semana), locais destinados à projeção de filmes open air...

A Géode é parte integrante (e importante) do bonito parque de la Vilette. Ao fundo, a Cité des Sciences et de l'Industrie.

Curiosidade: O espelho d'água que cerca a Géode é na verdade um engenhoso relógio musical.

La Géode
26 avenue Corentin-Cariou
Tel.: 01 4005 7999
Metrô: Porte de la Vilette linha 7

25 de novembro de 2008

Arènes de Lutèce

Você sabia que em Paris existe uma autêntica e bem conservada arena de gladiadores? Construídas no final do século I d.C. as Arènes de Lutèce (Arenas de Lutécia) foram quase completamente destruídas durante as invasões bárbaras de 280. Na ocasião as pedras maiores foram usadas para a construção de refúgios pela população e o anfiteatro acabou tornando-se um cemitério. Apesar disso a cidade soube restaurar e preservar muito mais do que a memória ou o nome do monumento - a Arène de Lutèce é hoje um dos monumentos galo-romanos mais antigos que ainda podem ser vistos em Paris.

A boa modernidade: Antigo espaço de embates entre homens e feras, hoje a Arène de Lutèce é um agradável espaço de convívio.

A arena escavada no solo é cercada por um muro de 2,5 metros de altura com parapeito. O espaço foi concebido para alternar espetáculos teatrais com combates de gladiadores - nove nichos existentes no local da cena tinham como finalidade a melhoria da acústica da arena. E eu que antes de conhecer a Arène de Lutèce nunca pensei que no século I já havia a preocupação com a garantia da qualidade acústica dos teatros.

O podium: essas divisórias de pedra hoje abrigam bancos ideais para você botar a leitura em dia enquanto pega um solzinho.


Cinco cubículos são dispostos sob os primeiros degraus da arquibancada - três dos quais parecem ter sido usado como jaulas de animais, abrindo-se diretamente para a arena. Os degraus que formam a arquibancada envolvem mais da metade da circunferência da arena e comportava até 17.000 pessoas.

Detalhe das jaulas no interior da arena.

Foi Théodore Vagar quem entre 1860 e 1869 restaurou a estrutura da arena e estendeu as investigações arqueológicas no local, realizando escavações em uma área total de 5.000 m2. Mas a descoberta do extenso sítio arqueológico não impediu que a cidade fizesse as obras necessárias ao seu desenvolvimento entre 1877 e 1892. Victor Hugo, Victor Duruy e a Société des Amis des Arènes (Sociedade dos amigos da Arena) também participaram da recuperação da parte Sul do monumento, liberada após a demolição do convento Filles de Jésus-Christ em 1883.

'Alameda Hugo' ou 'Boulevard Juca'?: As reentrâncias da bonita e arborizada entrada principal da arena eram usadas como vomitório durante os eventos do século I.

O Conselho Municipal conseguiu através de votação ordenar a construção de uma praça que foi aberta ao público em 1896 - praça ganhou mais espaço com a substituição da linha do tramway pela linha 10 do metrô em 1916 e até hoje enche os olhos de quem visita a arena. Essa bonita área verde nas imediações da arena é dedicada ao doutor Capitain, que cuidou da restauração do local após a Primeira Guerra Mundial.

Outra coisa que também impressiona é a limpeza impecável do lugar - num mesmo campo de visão você pode enxergar uma dezena de cestos de lixo que são usados de forma consciente pela população. A Arène de Lutèce fica bem atrás da estação Place Monge do metrô. Basta você sair da estação e contornar o gradil verde - o jardim que você vai ver através da grade já faz parte da arena. Depois dali fica fácil emendar um passeio a pé pelo Jardin de Plantes ou pelo quartier Mouffetard-Contrescarpe.

Arène de Lutèce

49 rue Monge

Metrô: Place Monge linha 7

18 de novembro de 2008

Galerie Vivienne

Um lugar interessante e pouco conhecido das pessoas que visitam Paris é a Galerie Vivienne. Com seus 176 metros de comprimento e 3 metros de largura, a Galerie Vivienne é uma das mais bonitas passagens cobertas da cidade, tendo sido inscrita no inventário de monumentos históricos em 1974.

Construída em 1823 pelo presidente da Câmara dos Notários Mercantes no lugar do Hôtel Vanel de Serrant e da passagem dos Petits-Pères, a Galerie Vivienne foi projetada pelo arquiteto François Jean Delannoy totalmente em estilo neoclássico. A galeria é recoberta por vidraças elegantes, mosaicos, pinturas e esculturas que fazem alusão à atividade comercial. A cobertura da grande galeria é toda de vidro, com aberturas de ventilação - assim, o ambiente é bem arejado e durante o dia a claridade natural ilumina todo o interior da passagem.

Inaugurada em 1823 com o nome de Galerie Marchoux, foi rapidamente rebatizada de Vivienne - já que seu acesso principal ficar na rue Vivienne. Dentro dela funcionam pontos de comércio que mesclam o antigo e o moderno, através das boutiques de grifes famosas lado a lado com lojas de serviços tradicionais - alfaiataria, sapataria, loja de vinhos, livraria, artigos de armarinho, restaurantes, etc. Fazer uma pausa para o almoço no Bistrô Vivienne é também um excelente motivo para se conhecer a galeria.

As fachadas da galeria estão localizadas nos seguintes endereços: 4 rue des Petits Champs, 5-7 rue de la Banque e 6 rue Vivienne. Para que você tenha uma idéia melhor da localização, a galeria fica situada entre o Palais Royal, a Bolsa de Valores (La Bourse) e os Grands Boulevards, no coração do 2º arrondissement.

A Galerie Vivienne sofreu um grande declínio de atividade comercial com o fim do Segundo Império quando, motivadas pelas mudanças urbanísticas conduzidas pelo barão Haussmann, as lojas das marcas de prestígio começaram a se mudar para a região da Madeleine e para a Champs-Elysées.

O ressurgimento da Galerie Vivienne como referência comercial ocorreu na década de 60, mas o seu grande up aconteceu mesmo em 1986 - com a instalação em seu interior das lojas de Jean-Paul Gautier e Yuki Torii, outras lojas de confecção prêt-à-porter e objetos decorativos também fossem abertas na galeria.

Tel.: 01 4260 9673
Metrô: Bourse linha 3

14 de novembro de 2008

Sainte-Chapelle

Considerada uma das maiores obras de arte do Ocidente, a Sainte-Chapelle foi totalmente construída em estilo gótico no século XIII por São Luis - o rei Louis IX da França. Conhecido como O Rei Piedoso, Louis IX foi canonizado pelo conjunto de suas boas obras. A concepção da capela tinha como principal objetivo abrigar relíquias como a Santa Coroa (coroa de espinhos usada por Jesus), um pedaço da Santa Cruz, a lança e a esponja retratadas na Paixão de Cristo e outros objetos de igual teor que fossem obtidos durante as Cruzadas - relíquias que atualmente estão guardadas na sala do tesouro da catedral de Notre-Dame.

Os espinhos do pinaculo de 75m de altura representam a Santa Coroa.

Famosa por seus vitrais impressionantes, a Sainte-Chapelle apresenta juntamente com a Consiergerie, vestígios do antigo Palais de La Cité que se localizava onde é hoje o Palácio da Justiça de Paris. Em média, 800.000 visitantes de 46 nacionalidades diferentes visitam anualmente a Sainte-Chapelle.

O teto da capela alta é totalmente pontilhado de estrelas douradas.

As altas muralhas que protegiam a capela alta durante a Idade Média foram totalmente retiradas para dar passagem à luz, dando assim um efeito realmente impressionante aos seus vitrais, que têm como cores predominantes o vermelho e azul - as cores da cidade de Paris. As janelas na nave principal chegam a ter mais de 15 metros de altura e 4,7 metros de largura, ostentando os vitrais que são sustentados por colunas finíssimas.

A grande rosácea-sul de 9 metros de diâmetro retrata o Apocalipse.

Nos vitrais estão representados: O Gênese, o Êxodo, o livro dos Números, o livro de Josué, o livro dos Juízes, o livro de Isaias, São João Batista e a infância de Jesus, a Paixão de Cristo, a vida de São João Batista, o livro de Daniel, o livro de Ezequiel, os livros de Jeremias e de Tobias, os livros de Rute e Jó, o livro de Esther, os livros de Reis e a historia das relíquias da Paixão. Hoje, a capela alta da Sainte-Chapelle torna-se regularmente palco de concertos de música clássica devido ao seu impressionante efeito acústico. A cantora islandesa Björk também realizou dois concertos memoráveis na Sainte-Chapelle em agosto de 2001.

Detalhe da capela baixa.

Curiosidade: As relíquias, compradas do imperador da Constantinopla por São Luis, custaram o triplo do que foi gasto na construção completa da capela.

Desde que passou a ser administrada pelo Centre des Monuments Nationaux da França em abril deste ano, a Sainte-Chapelle também tem entrada gratuita no primeiro domingo de cada mês.

La Sainte-Chapelle
6 boulevard du Palais
Tel.: 01 5340 6080
Metrô: Cité linha 4
Abre diariamente de março a outubro das 9h30 às 18h00 e de novembro a fevereiro das 9h00 às 17h00.

Foto menor: na capela alta os vitrais apresentam mais de 1.000 cenas bíblicas, do Gênese ao Apocalipse.