Mostrando postagens com marcador classicos nacionais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador classicos nacionais. Mostrar todas as postagens

31 de agosto de 2011

Paris celebra os 110 anos do metrô

Na última segunda-feira 15 de agosto o metrô de Paris completou 110 anos de funcionamento. Apesar de atrasado, o Viver Paris não poderia deixar de prestar sua homenagem, já que este que vos escreve é um entusiasta incondicional do metrô parisiense.

A linha 1 do metrô de Paris foi a primeira linha metroviária a operar na França. Inaugurada em 1900 para a Exposição Universal, a linha percorria na época o trajeto entre as estações Porte de Vincennes e Porte Maillot. Atualmente, a linha 1 é também a mais movimentada dentre as 16 linhas operadas pela RATP e até 2012 será a segunda a contar com operação completamente automatizada - atualmente a linha 14 é única da rede a operar com automatismo integral.

Em Paris as ruas, avenidas e boulevares foram literalmente rasgados para a passagem do metrô. Por isso a maior parte das linhas subterrâneas acompanha o traçado das ruas na superfície.

Os primeiros estudos para a construção do metrô de Paris começaram em 1845. Porém, a obra só foi concluída anos mais tarde sob o comando do engenheiro Fulgence Bienvenüe - conhecido na França como o pai do metrô. Foi ele quem em 1895 desenvolveu o ante-projeto do que viria a ser, de fato, o metrô parisiense.

Fulgence Bienvenüe diante da entrada da estação Monceau.

Ao longo de sua vida Bienvenüe colecionou inúmeras homenagens em reconhecimento aos seus feitos notáveis dedicados ao metrô de Paris. Entre elas, o título de Cavaleiro da Legião de Honra da França, a Grande Medalha de Ouro de Paris e até uma estação de metrô foi batizada em sua homenagem: a Montparnasse-Bienvenüe. Um selo postal também foi editado em sua memória em 1987 e hoje é objeto disputado por colecionadores de todo o mundo. Mesmo tendo perdido o braço esquerdo durante uma obra, Bienvenüe trabalhou praticamente até o final de sua vida, atuando como engenheiro conselheiro da cidade de Paris até sua aposentadoria definitiva em dezembro de 1932 aos 80 anos de idade. O pai do metrô de Paris morreu em 3 de agosto de 1936 e repousa na divisão 82 do Père-Lachaise.

Homenagem a Fulgence Bienvenue em Uzel, cidade natal do engenheiro.

Engenharia a parte, as elegantes edículas que ornamentavam as entradas das estações em estilo art nouveau foram projetadas pelo arquiteto Hector Guimard. Ainda hoje algumas dessas belas edículas podem ser vistas em Paris. As edículas Guimard também já ganharam um post só para elas aqui no blog.

Amor a primeira vista: Foi pela estação Place de Clichy (linhas 2 e 13) que andei pela primeira vez no metrô de Paris.

Como na época não existiam as modernas perfuratrizes conhecidas como tatus para cavar os túneis do metrô, as ruas e avenidas de Paris eram totalmente abertas e escavadas para a colocação dos trilhos e a construção de plataformas. Ao término da construção, tudo era coberto com terra e concreto e a avenida era novamente pavimentada. Pois é Joãozinho, como já dizia o seu vô Eupídio "quem quer faz!" - e em Paris foi assim.

Até a década de 40 eram assim os bilhetes de metrô em Paris.

Atualmente o metrô de Paris se estende por 211km de trilhos distribuídos em 16 linhas e 298 estações. A rede metroviária de Paris atende diariamente cerca de 4,5 milhões de usuários e emprega mais de 15 mil pessoas.

Plataforma da estação Olympiades da linha 14, a linha mais moderna da rede.

O termo metrô usado em diversos países do mundo é originário da abreviação do nome da companhia que operava o sistema de transporte subterrâneo de Paris na época de sua construção, a Compagnie du Chemin de Fer Métropolitain de Paris - popularmente conhecida como Métro.

28 de setembro de 2010

BN: um clássico para você provar sorrindo

Impossível não mencionar aqui no blog este verdadeiro clássico do ‘casse-croûte’ francês: os animados biscoitos recheados BN, que desde 1896 fazem a alegria da petizada em toda a França.

E basta provar um para ver que a garotada tem razão em dilatar as pupilas diante de um BN: a massa é sequinha, crocante, e o sabor do recheio, hummm... Dilícia!

Os biscoitos BN podem ser encontrados em qualquer supermercado francês em 6 sabores diferentes: chocolate, morango, baunilha, framboesa, apricot e chocolate ao leite. Ah, quase ia me esquecendo de um detalhe importante: os BN não têm apenas uma, mas quatro tipos diferentes de carinhas sorridentes em cada pacote. A versão Mini-BN tem a mesma variedade de sabores e de caretinhas, mas além do tamanho, tem como diferencial o fato dos biscoitos serem redondinhos, enquanto que os BN tradicionais são quadradinhos.

Um cartaz publicitário dos biscoitos BN da época em que o vô Pierre ainda usava calças curtas.

O nome BN vem de Biscuiterie Nantaise, a primeira fabricante dos sorridentes biscoitinhos. Digo ‘primeira fabricante’ porque em 1968 a Biscuiterie Nantaise foi comprada pelo grupo norte-americano General Mills; em 1992 passou para as mãos da PepsiCo; em 1998 foi comprada pela United Biscuits (a quarta maior fabricante de biscoitos do mundo) e atualmente a marca está na mira do conglomerado alimentício chinês Bright Food.

Pacotão econômico? Com 2 embalagens gratuitas? Eu quero!

Em 1986 as vendas dos BN tiveram um declínio expressivo. Para restabelecer as vendas, os BN passaram por uma reformulação completa, através de um forte plano de ação empreendido pela General Mills para garantir a sobrevivência de nossos amiguinhos sorridentes no mercado: surgiram novos sabores, o sabor original de chocolate ficou ainda mais gostoso, a embalagem ficou mais bonita e foram lançadas campanhas publicitárias caprichadas. Mas o que de fato garantiu o sucesso do plano foi o lançamento do BN Box - um estojinho rígido com capacidade para transportar até 2 biscoitos BN, preservando-os intactos até a hora da merenda. E assim, a criança que aparecesse na escola com um BN Box fazia o maior sucesso entre a petizada - isso porque as crianças francesas costumavam saboreavam os BN em casa, quando voltavam da escola. Com o surgimento do BN Box, os biscoitos chegavam inteirinhos até a hora do recreio, sem derrubar um cisco sequer na lancheira.

Joãozinho, claro que nossos amiguinhos BN são divertidos e deliciosos! Milhões de crianças francesas não podem estar erradas.

E é por essas e outras que considero esse risonho biscoitinho mais do que um pequeno prazer - BN é um verdadeiro clássico nacional. A dispensa aqui de casa é prova disso.

10 de julho de 2010

Quiz Le Figaro

Se existe uma seção do jornal Le Figaro que eu acho supimpa é « Le quiz du Figaro ». A cada sexta-feira o jornal publica em sua página de internet um jogo de perguntas que é ao mesmo tempo útil e divertido.

O objetivo do quiz é nos fazer descobrir o quanto conseguimos reter de informação sobre algumas das atualidades que estiveram nas páginas do jornal ao longo da semana, e que foram veiculadas pelos cadernos de política, economia, esporte, ciências, etc.

Cada pergunta do quiz está associada a uma foto e a três alternativas, das quais apenas uma é a correta. Mesmo que você não tenha tido tempo de acompanhar as notícias da semana, através do quis você tem um resumo de tudo o que foi destaque nos noticiários franceses durante a semana.

O quiz é publicado sempre às sextas-feiras, mas fica disponível na página principal do site do Le Figaro durante todo final de semana.

Et vous ? Qu'avez-vous retenu de l'actualité de la semaine ?

Para saber mais: Le Figaro

14 de outubro de 2009

Serge: o coelhinho do metrô parisiense

Seu nome está longe de ser uma unanimidade: Lapin du métro parisien, Lapin rose e Lapin RATP são algumas das denominações recorrentes dadas a Serge, o simpático coelhinho que aparece nos avisos dos trens do metrô e do RER parisiense. Mas independente da divergência em torno de seu nome, uma coisa é incontestável: essa emblemática figurinha faz parte da vida cotidiana de qualquer parisiense.

O coelhinho Serge pode ser visto nos adesivos de sinalização em todos os trens da RATP, orientando os usuários para que tenham cuidado com as mãos durante o procedimento de abertura e fechamento automático das portas. O pobre coelhinho rosa de roupa amarela está com os dedos presos às portas do metrô parisiense desde 1977, quando surgiu pela primeira vez na linha 1. De lá, seguiu em 1980 para as demais linhas da RATP, visando, sobretudo, chamar a atenção das crianças e dos jovens que utilizam os trens. Sua imagem tornou-se tão difundida que na década passada outras cidades francesas também passaram a adotá-la em suas redes de transporte metropolitano.

Serge está estampado em camisetas e relógios da loja de souvenir da RATP.

Curiosamente, em alguns modelos de trens operados pelo metrô de Paris como o MF67 (linhas 2, 3, 3bis, 5, 9, 10 e 12), o MP59 (linhas 4 e 11) e o MP73 (linhas 6 e 11), o risco de maior preocupação do coelhinho não é com relação ao fechamento, mas sim com a abertura das portas: quando se abrem, as portas desses trens são as que deslizam mais bruscamente para o interior do revestimento dos vagões e alguém com a mão espalmada sobre a porta pode tê-la prensada entre a folha da porta e o revestimento no momento da abertura.

Assim era o coelhinho Serge nos anos 70: já distraído naquela época, costumava prender os dedos nas portas de acesso às plataformas das estações.

Graças às experiências empíricas realizadas por este Joãozinho que vos escreve, posso garantir a vocês: Serge tem toda a razão - ter a mão pinçada pela porta de um MF67 dói pacas. O coelhinho bem que avisou, mas num momento de distração… Voilà la main du petit Jean là !

O famoso adesivo do metrô parisiense: coelhinho para chamar a atenção das crianças, aviso áustero em 5 idiomas para orientar os adultos.

O primeiro coelhinho criado pela RATP era um pouco diferente do atual, e orientava os usuários sobre o cuidado que devemos ter ao passar pelas portas automáticas de acesso às plataformas das estações. Tempos mais tarde o coelhinho foi redesenhado e passou a alertar os usuários do metrô sobre a segurança no interior dos trens. Sempre por perto do distraído Serge podemos ler a advertência sobre as portas em francês, inglês, alemão, espanhol e italiano. Apesar da mensagem traduzida não ser idêntica entre os idiomas, o sentido é o mesmo - além do mais, a cara de surpreso do coelhinho é um exemplo clássico da imagem que vale mais que 1.000 palavras.

Portanto, uma vez no interior dos trens do RER ou do metrô, preste atenção ao aviso do coelhinho Serge e tenha cuidado durante a abertura e fechamento das portas nas estações.

14 de setembro de 2009

Moncler

Eu sei, eu sei... Você também é fã das míticas doudounes da Moncler. Então que tal conhecer um pouquinho mais sobre a marca de roupas que tem lugar de destaque no inverno parisiense?

Pois bem, começando pelo nome: Moncler é a abreviação de Monastier de Clermont, uma localidade perto de Grenoble onde René Ramillon e André Vincent decidiram se associar, em 1952, para fundar a marca.

Um detelhe curioso é que as famosas doudounes da Moncler, que hoje são objetos de desejo em todo o mundo, foram criadas em 1954 para servir como uniformes de uso exclusivo de seus funcionários - que as chamavam de boîte bleue (caixa azul).

Fala sério, Joãozinho... Com uma destas você só passa frio se quiser.

A Moncler ainda era apenas a caçula das roupas de inverno, mas o premiado alpinista francês Lionel Terray já se rendia à qualidade da marca, que adotou para protegê-lo do frio em suas incursões pelas altas montanhas da Europa. Nos jogos olímpicos de inverno de 1968 em Grenoble, a Moncler se tornou o fornecedor oficial de equipamentos esportivos para a equipe francesa de esqui alpino - ocasião na qual adota o galo tricolor como logomarca.

Os anos passam, mas as doudounes não perdem o pique.

Mas foi somente durante os anos 80 que as roupas da Moncler ganharam maior variedade de cores, modelos e foram das montanhas para as ruas, se impondo não apenas como um elemento de estilo de qualidade superior, mas também como verdadeiro clássico nacional.

Uma das figurinhas carimbadas dos passeios pela "Champs".

Além da doudoune, as parkas masculinas em tweed também se tornaram célebres, ganhando adeptos de peso, como o ator Alain Delon e Pierre Casiraghi, também conhecido como Príncipe Pierre de Mônaco.

As jaquetas de esqui da Moncler: Para encarar a neve na maior estica.

O estilo próprio das doudounes podem não ser uma unanimidade, mas que elas são quentinhas, confortaveis e têm um grande diferencial de qualidade, isso ninguém contesta. Todas as peças da Moncler são fabricadas em pluma de ganso, seguindo um processo particular que garante leveza e calor.

Moncler
5 rue du Faubourg Saint-Honoré
Tel.: 01 5305 9215
Metrô: Madeleine linhas 8, 12 e 14

25 de agosto de 2009

O sorridente Monsieur Chat

M. CHAT (escrito sempre em maiúsculas e, por défault, pronuncia-se Monsieur Chat - “Senhor Gato”) é um personagem criado em 1997 pelo artista urbano franco-suíço Thoma Vuille.

O roliço e enigmático gatinho alaranjado tem como marca registrada seu enorme sorriso e desde 2003 passou a ostentar asinhas brancas nas costas. Talvez para que possa voar até os lugares de difícil acesso onde normalmente ele é pintado.

Em Orléans ele pode ser visto sem muita dificuldade. Na foto, uma ninhada de M. CHATs.

M. CHAT pode ser visto em diversos países europeus como Inglaterra, Alemanha, Espanha, Suiça, Holanda, Bósnia-Herzegovina... Mas é na França o país onde o bichano alado costuma dar as caras com mais freqüência: são mais de 80, pintados em muros que fazem parte do eixo Porte de Clignancourt a Porte d’Orléans.

Cidadão do mundo, M. CHAT ganha as ruas de Pékin.

Mas não é só na Europa que M. CHAT pode ser visto. Ele também já foi pintado em New York, Hong Kong, Macau, Seul e até em São Paulo - um deles fica bem escondido, e quem quiser conferir precisa subir as escadas que dão acesso ao pavilhão de exposições do Museu da Imagem e do Som (o MIS) e olhar pela janela (mas é preciso prestar atenção: o gatinho francês só pode ser visto de uma janela do MIS). Ainda em São Paulo, outro M. CHAT aparece de braços abertos no bairro de Pinheiros, na esquina das ruas Cardeal Arcoverde e João Moura.

Acho que vi um gatinho! Eu vi, eu vi sim! E foi em São Paulo (Foto de Felipe Lopez).

Mas não se engane pela aparente inocência do felino: apesar de na França ele ser usado como símbolo de otimismo e de partilha, ele também é comumente associado a protestos e manifestações sociais - e até mesmo para expressar o descontentamento com guerras e repressões políticas que acontecem mundo afora. Na França ele foi um dos símbolos dos protestos contra a guerra no Iraque.

Em Paris, a imagem do risonho gatinho tem presença garantida nas manifestações - como nesta, ocorrida em janeiro deste ano.

Confesso que não sou lá muito fã da chamada arte urbana, mas nem por isso M. CHAT deixa de ser um clássico nacional. Sua imagem sorridente faz parte da vida cotidiana dos franceses e, portanto, ele também merece espaço no blog.

Para saber mais: MCHAT'S World

27 de março de 2009

Rádio: uma paixão nacional

A França conta com um enorme contingente de ouvintes fiéis de rádio. Cultivam o habito há tanto tempo que muitos são incapazes de se lembrar quando foi que o rádio passou a fazer parte de seu dia a dia de forma indispensável.

A rádio France Inter, por exemplo, está tão presente na vida dos franceses que apreciam informação e cultura quando pode estar a Jovem Pan ou a CBN para um paulistano em busca das primeiras notícias do dia. Assim como muitos brasileiros fazem todas as manhãs, os franceses também têm o hábito de sintonizarem os rádios de seus carros enquanto dirigem até o trabalho. Alguns ouvem o mesmo programa todos os dias, enquanto outros mudam de estação de acordo com seu humor, saltando da France Culture para a France Info e desta para a Europe1 para, em seguida, mudar para a RTL2.

A Maison de la Radio France: Referência de informação também no Brasil.

Independente do perfil do ouvinte, 42,5 milhões de franceses (o que representa 83% da população do país com idade acima dos 13 anos de idade) ouvem rádio por um período médio de 3 horas - diariamente. Na França, ao contrário do que se possa imaginar, a evolução tecnológica dos meios de informação como a Internet ou TV digital, não afetou a importância do papel do rádio como meio de comunicação social.

Jornalista, escritor e produtor, Daniel Mermet é um dos principais nomes do rádio francês.

O que contribui para a fidelização dos ouvintes com relação ao rádio na França é a grande variedade de programas de ótima qualidade que agrada a todo tipo de ouvinte. Existem programas para os que buscam seu estilo preferido de música (com rádios especializadas em jazz, clássico, rock, pop internacional, varieté française, chanson française...), boa informação, entretenimento, cultura, esporte e mesmo debates ou crônicas literarias. As rádios são vistas por aqui, sobretudo como um canal de difusão do conhecimento. Diria até que as rádios ajudam a ritmar a vida cotidiana dos franceses.

O divertido showman Laurent Gerra apresenta suas crônicas na rádio RTL - querido pelo público, ganhou uma estátua no Musée Grévin, o museu de cera de Paris.

Numa pesquisa divulgada hoje pelo grupo Radio France, os mais idosos vêem o rádio como o complemento ideal à TV. São muitos os que, logo após assistirem o noticiário da manhã no bem humorado jornal Télématin, desligam a TV para ouvirem pelo rádio as emissões de debates e exposições de idéias da France Inter, Europe 1 ou France Culture. Segundo revelou essa mesma pesquisa, essa é uma das maneiras que os mais idosos encontraram para se manterem atualizados e não ficarem para trás dos jovens em termos de cultura atual e informação.

As logos padronizadas das estações da Radio France: Cada uma de uma cor diferente segundo a especialidade. A France Musique, por exemplo, é dedicada ao jazz e à musica clássica e tem a logo na cor bordeaux.

O rádio também foi apontado por alguns franceses como um meio de comunicação que aproxima as pessoas, pois não prende a atenção visual dos membros da família como fazem a TV ou a Internet. Assim, quando estão em família são muitos os que preferem o rádio à TV, pois as pessoas podem conversar e realizar atividades em conjunto enquanto ouvem suas emissões preferidas.

Com programação voltada ao público jovem, a NRJ FM promove um dos mais importantes prêmios anuais da música pop na Europa, o NRJ Music Awards. A sigla significa Nouvelle Radio Jeune (Nova Rádio Jovem), mas ao ser pronunciada em francês a sigla NRJ faz um jogo de palavras com 'énergie' (energia). Como diria o Silvio Santos: "Muito bem bolado!"

Outro ponto interessante apresentado pelos entrevistados da enquete foi o fato do rádio trazer às pessoas boas lembranças da infância aos ouvintes. A voz sempre suave e calorosa do locutor Claude Maupomé é lembrada com saudade pelos ouvintes mais antigos da France Musique.

Alguns números sobre a audiência do rádio na França, segundo a enquete da Radio France: 83% dos franceses ouvem o rádio diariamente. Destes, 50% ouvem o rádio fora de casa, sendo que 21,5% o fazem no trabalho enquanto 20,8% no percurso entre suas casas e o trabalho ou escola. O rádio é também a mídia mais consultada via Internet: 70% dos internautas franceses ouvem rádio na web.

As principais audiências: RTL (12,7%), NRJ (10,7%), France Inter (10,6%), Europe 1 (10%), France Info (9,1%).

O rádio também foi apontado pelos franceses como o veículo de comunicação mais confiável, com 58% de preferência. Em segundo lugar vem a mídia impressa com 52%, seguida da televisão com 48% e, por último, a Internet com 34%. Essa hierarquia vem se mantendo estável no país há anos.

Você pode ouvir algumas das principais rádios francesas acessando os podcasts pelos links da seção "Rádios França" do Viver Paris - coluna do lado esquerdo da tela.

Na foto menor o cartaz do programa da rádio RTL2 em homenagem a Serge Gainsbourg: "Para uma homenagem, três minutos de música as vezes valem mais do que um minuto de silêncio." Fonte: Radio France e Jornal La-Croix.

6 de março de 2009

O Guia Michelin chega ao número 100

Na última segunda-feira aconteceu no salão de recepções do Musée d’Orsay em Paris a festa de lançamento da edição comemorativa de número 100 do renomado Guia Michelin, reunindo os principais chefs da Europa. E quer oportunidade melhor que essa para conhecermos um pouquinho da história de um dos mais antigos e prestigiosos anuários gastronômicos do mundo?

Pois bem... O lendário Guia Michelin foi publicado pela primeira vez em 1900 por André Michelin e seu irmão Edouard, fundadores da Compagnie Générale des Établissements Michelin, a famosa empresa fabricante de pneus. A primeira edição do guia tinha foco meramente publicitário, motivado pela Exposição Universal de 1900. Nessa época o Guia Michelin era um brinde que os clientes recebiam na compra dos pneus Michelin. Na virada do século XX a França contava com pouco mais de 2.400 motoristas, para os quais o guia trazia informações como endereços de oficinas, postos de gasolina, farmácias, médicos, mapas e curiosidades.

Hotel du Commerce: mencionado na primeira edição do Guia Michelin em 1900. No detalhe, a capa do primeiro 'Guide Rouge'. Hoje colecionadores pagam até 7.000,00€ por um exemplar dessa edição.

Até 1908 o guia passou a servir principalmente para a divulgação de hotéis e oficinas mecânicas. No ano seguinte a Michelin optou pela supressão total da publicidade paga no guia visando tornar-se mais independente e conquistar maior credibilidade de seus leitores.

Foi só a partir de 1920 que o guia deixou de ser oferecido como brinde e passou a ser vendido. Comenta-se que certa vez André Michelin, ao passar por uma garagem, ficou aborrecido ao ver o eixo de um carro sendo calçado por uma pilha de Guias Michelin. Para que o guia não fosse tratado com banalidade, ele decide trabalhar melhor o seu conteúdo e a cobrar por ele. Foi então que surgiram no guia a avaliação de restaurantes realizada pelos criteriosos inspetores anônimos da Michelin.

Exemplar do Guia Michelin de 1960: o número de páginas já era próximo do que temos nas edições mais atuais.

Se de um lado a idéia era nobre, de outro tais mudanças não agradaram os leitores - poucos mostraram interesse em pagar pelo guia que estavam acostumados a receber de graça. Como estratégia para valorizar a imagem do guia e a desencalhar as edições já impressas, a Michelin os distribuiu nas escolas como uma recompensa aos melhores alunos. E a idéia deu certo, já que os pais desses alunos tão aplicados também passaram a conhecer o novo Guia Michelin. A partir do ano seguinte, portanto, o Guia Michelin tornou-se um sucesso de vendas.

O maior do mundo: O chef Paul Bocuse (de paletó azul) é o recordista de permanência com 3 'estrelas' no Guia Michelin. Seu restaurante Collonges-au-Mont-d’Or ostenta todos os seus 3 macarons desde 1965. Foto: Auberge des 3 Canards, Ognon, França (2004).

Em 1926 surgem os macarons para designar os melhores restaurantes e em 1931 a classificação em 1, 2 e 3 macarons. 1926 foi também o ano da criação do Guia Regional Michelin - o guia turístico que deu origem aos atuais guias de capa verde. Apesar de ser um termo amplamente mencionado pelas pessoas, as tão famosas 'estrelas' dos restaurantes classificados pelo Guia Michelin na realidade não existem. Até hoje o guia atribui às boas mesas os macarons, que nada têm a ver com as estrelas - usadas no guia para a classificação de hotéis.

Exceto pela edição de 1921, o Guia Michelin não foi editado durante as duas grandes guerras. Em 1944, em plena Segunda Guerra Mundial, a direção de Michelin em Paris decide imprimir em Washington uma reprodução da última edição do guia lançada antes da guerra - a de 1939. A empresa pede então que o Estado Maior das Forças Aliadas distribua o guia a cada soldado americano que fosse desembarcar na Normandia, já que o guia continha centenas de mapas detalhados e atualizados das cidades francesas. Esses mapas foram extremamente úteis aos soldados aliados para a desocupação das cidades de Bayeux, Cherbourg e Caen.

A chef Anne-Sophie Pic é a única mulher do mundo a conquistar 3 macarons no Guia Michelin.

Editado em 22 países, o 'Guide Rouge' da Michelin já vendeu vendeu mais de 30 milhões de exemplares desde sua criação. E é justamente as cores das capas que nos fazem reconhecê-lo de longe nas livrarias segundo a especialidade: capa vermelha para o guia de hotéis e restaurantes e capa verde para os guias de viagem. Impresso sempre no mais absoluto sigilo, nem mesmo o número dos exemplares de tiragem é divulgado - estima-se que sejam impressos em torno de 500.000 por ano. O mítico guia vermelho é dedicado aos seguintes países: França, Bélgica, Holanda, Itália, Alemanha, Espanha, Portugal, Suíça, Grã Bretanha e Irlanda, além de uma edição-coletânea dedicada às principais cidades da Europa. Em 2006 foi lançada uma edição específica para a cidade de New York e em 2008 outras duas novidades: edições de Tokio e Hong Kong.

A atribuição anual dos macarons (estrelas) é aguardada com ansiedade pelos grandes chefs. Se o recebimento de um macaron pode ser a glória para alguns o não recebimento de um aguardado macaron resulta em grande decepção ou mesmo em tragédia, como a que aconteceu em 2003, quando o chef francês Bernard Loiseau cometeu suicídio ao se desesperar com rumores de que seu restaurante perderia uma de suas três 'estrelas' no Guia Michelin. O sobe e desce da classificação de restaurantes no guia costuma promover discussões acaloradas na mídia especializada e não é raro acontecer alguma reação pontual curiosa: seja um crítico reclamando que certo restaurante foi injustiçado, um chef que se recusa a receber o macaron, um chef surtando de raiva enquanto outro exibe exageradamente suas 'estrelas' ou mesmo um restaurante até então ignorado pelo público se tornar a sensação do momento por conta de um macaron recebido.

O chef Eric Fréchon do restaurante Bristol de Paris foi o único este ano a se juntar ao seleto grupo dos 'chefs 3 macarons' - além dessa honraria, o chef Fréchon já havia sido agraciado com o título de Melhor Trabalhador de França em 1993 e recebido das mãos do presidente Nicolas Sarkozy no ano passado a medalha de Cavaleiro da Legião de Honra.

Além dos famosos guias verde e vermelho a Michelin ainda edita desde 1997 o guia Bib Gourmand, que classifica os restaurantes de boa mesa a preços modestos (um verdadeiro manual de sobrevivência para quem não tem o cacife à altura do bom gosto) e desde 2003 um guia dedicado a roteiros de charme e outro sobre lojas e restaurantes de cozinha regional francesa. Existem ainda mapas rodoviarios, guias menores sobre temas específicos e mais recentemente a revista bimestral étoile, com notícias e atualidades sobre as cozinhas mencionadas no mais famoso guia gastronômico do mundo.

Para saber mais acesse a página oficial da Centésima Edição do Guia Michelin ou ainda o site da étoile, a recém lançada revista bimestral do Guia Michelin (nas bancas por 4,90€). Para conhecer a historia do bonequinho da Michelin, clique em Bibendum: o bonequinho da Michelin.

Artigo sugerido pelo leitor Edu Rocha. Fontes: Sites oficiais do grupo Michelin, jornal Le Figaro, jornal Direct Soir e revista étoile, le magazine du Guide Michelin.

5 de março de 2009

Sandwich: um clássico nacional

Li na edição de ontem do jornal gratuito Direct Matin uma informação curiosa: a França é o único país no mundo onde o sanduíche faz frente ao hamburguer. E não é por pouco - a vantagem do sanduíche em relação ao hamburguer é esmagadora. Segundo a reportagem, para cada hamburguer vendido na França são consumidos no país oito sanduíches - com ampla preferência pelos sanduíches feitos com a tradicional baguette. Esse número representa 2,2 milhões de sanduíches vendidos diariamente em toda a França, resultando em 830 milhões de unidades por ano.

Para você ter idéia da importância dos sanduíches na vida cotidiana dos franceses, sobretudo dos parisienses, que de forma recorrente costumam substituir o almoço por um sanduíche bem equilibrado, foi aberta ontem no Palais des Congrès de Paris a 10ª edição do Sandwich & Snack Show - o Salão Europeu do Sanduíche, voltado aos profissionais da área - inclusive com a participação de chefs estrelados no Guia Michelin.

Em Paris o sanduíche campeão de vendas é o Parisien (voilà), que é feito na baguette e leva o jambon de Paris (presunto típico da cidade) e manteiga - podendo ou não ser complementado com alface ou pepinos (os cornichons). Além do Parisien, uma infinidade de pães e recheios faz do sanduíche um verdadeiro clássico nacional.

Mais "fofinho" que a baguette, o pão viennois também faz bonito por aqui.

Dia desses vi também uma reportagem interessante na TV sobre o assunto, que comparava os sanduíches feitos nas pequenas boulangeries dos quartiers com os industrializados vendidos nos supermercados e lojas de conveniência. A reportagem que contava com o auxilio de nutricionistas e especialistas em gastronomia, mostrava ainda todo o processo de preparação dos sanduíches numa boulangerie e numa fábrica. O veredicto: ambos são igualmente bons, feitos com capricho e atendem bem às necessidades nutricionais diárias, sendo uma opção saudavel de refeição - uma vez que não levam ingredientes fritos na composição e contém porções equilibradas de nutrientes - uns mais, outros menos, dependendo da variedade escolhida. A recomendação dos nutricionistas é de que o sanduíche contenha sempre alguma verdura ou legume. Vale também dizer que os franceses não costumam consumir mais do que um sanduíche por dia.

Sua majestade "Le Parisien": mais do que um simples sanduíche, um verdadeiro clássico!

E aqui cabe uma pequena regrinha de boa conduta para quem quer se iniciar na degustação de um bom sanduíche na hora do almoço em Paris - daquelas que não estão escritas em lugar algum, mas que todo mundo segue por hábito cultural. Ao chegar na boulangerie você vai perceber que a fila é grande, mas anda rápido. Isso porque os parisienses só entram na fila depois de decidirem o que vão pedir. Portanto, para não empatar a fila, entre antes na boulangerie, escolha o seu sanduíche preferido, sua bebida, sobremesa, etc. e só depois então entre na fila. Normalmente nas boulangeries o contigente de funcionários é reforçado na hora do almoço para dar conta do volume de clientes. Assim, as pessoas são atendidas na própria fila e tudo funciona com praticidade e rapidez.

Para saber mais sobre os sanduíches e aprender a preparar 270 receitas diferentes, recomendo que acessem o site francês Club-Sandwich - inteiramente dedicado aos sanduíches. Para saber mais sobre o Salão Europeu do Sanduíche clique em Sandwich Show.

Na foto menor, uma cena do cotidiano parisiense: filas se formam nas portas das boas boulangeries à hora do almoço para a compra de sanduíche.

20 de fevereiro de 2009

As colunas Morris

Um verdadeiro clássico do mobiliário urbano de Paris (que em pouco tempo acabou se espalhando por diversas outras cidades francesas) são as colunas Morris (Colonnes Morris).

Essa grande coluna serve sobretudo para a promoção de espetáculos teatrais, eventos culturais e filmes em cartaz - portanto, aqueles imensos outdoors que poluem visualmente outras cidades mundo afora não têm vez por aqui.

Mas além de promover eventos as colunas Morris têm outra função que muita gente desconhece: é no seu interior que ficam guardados os materiais de trabalho utilizados pelos funcionários que cuidam da limpeza pública municipal - algumas delas são equipadas até com banheiro e telefone para uso desses funcionários da prefeitura.

Um dos símbolos da identidade visual de Paris, as colunas Morris estão por toda a cidade.

O nome dessas colunas rende homenagem ao gráfico Gabriel Morris, que em 1863 conseguiu uma concessão para a implantação dessas colunas em Paris. Já o inventor responsável pelo desenho das colunas Morris foi o alemão Enst Litfass, que as criou em 1854 para substituir os outdoors e a acabar com a panfletagem que enfeavam a cidade de Berlin.

La Colonne Morris, Jean Beraud, Paris (1885).

Iluminadas durante a noite, muitas delas giratórias, as colunas Morris atualmente são fabricadas pela JC Decaux e são elementos tão emblemáticos para a cidade de Paris quanto as Fontes Wallace e as Edículas Guimard.

12 de fevereiro de 2009

Guignol, Guignol, Guignol !

O Guignol é como Maizena, que de tão famoso acabou virando sinônimo da coisa toda. Guignol é o nome de um personagem do teatro de marionetes criado na cidade de Lyon há 200 anos e que desde então virou uma verdadeira febre entre a petizada e alguns adultos que não viram dessas coisas quando crianças, como eu por exemplo.

O Guignol é um personagem inventado em 1808 por Laurent Mourget - um tecelão desempregado que decidiu tornar-se dentista por conta própria para formar alguma renda. Diz a lenda que viajando de cidade em cidade com seu boticão de extrair dentes, muitas vezes os pobres pacientes de monsieur Mourget fugiam assustados de seu consultório improvisado ao ouvir os gritos do paciente que estava sendo atendido. Para evitar perder a freguesia, o criativo Mourget criou um bonequinho à sua semelhança para divertir as pessoas que estavam na sala de espera enquanto ele trabalhava.

O Guignol (o tal bonequinho de Mourguet) tornou-se tão popular que ele acabou optando por deixar de lado a profissão de dentista para se tornar um famoso manipulador de fantoches. A idéia acabou se espalhando, e passaram a existir muitos Guignols pela França. Tantos que o governo chegou a proibir a exibição por um tempo para evitar o tumulto e possíveis conspirações. Como tudo que é proibido é mais gostoso em qualquer lugar do mundo, a proibição só fez com que o teatro de Guignol proliferasse em todo o país.

Os teatrinhos de Guignol seguem há 2 séculos a mesma fórmula que a criançada não se cansa de ver: com o anti-herói Guignol sempre metido em encrencas. Por mais que as crianças o ajudem dizendo que a polícia esta por perto ou que madame Cassandre está bem atrás dele para cobrar o aluguel atrasado, o espertalhão Guignol sempre acaba se dando mal no final da brincadeira.

Guignol e sua patota fazem alegria da criançada (e a minha também).

Os personagens que normalmente aparecem nos teatrinhos de Guignol são: Guignol (Yeah!) com seu cassetetes (que no fim das contas serve para pouca coisa) e uma trancinha nos cabelos, Gnafrom (amigo bebum de Guignol, famoso por gostar do vinho Beaujolais e que se parece com um palhacinho), Madelon (a mulher do pobre Guignol), Toinon (esposa de Gnafron), o policial Flageolet, a senhoria Cassandre e monsieur le Bailli (o juiz). A graça toda está no fato das crianças participarem da brincadeira, avisando Guignol (aos berros de Guignol, Guignol, Guignol...) sobre os perigos que o aguardam enquanto ele se faz passar pelo dono do pedaço.

No final do ano passado estive em Lyon e pude ver de perto a importância do teatro de Guignol para a cultura local na celebração do segundo centenário do teatro de Guignol - tanto que o Guignol acabou por tornar-se um símbolo cultural de Lyon. Símbolo que está presente em toda a França. E é realmente bonito ver como essa cultura foi passada na base do boca a boca, já que Laurent Mourget era analfabeto e jamais deixou nenhuma história por escrito.

O sucesso do Guignol na França é tanto que o Canal+ (o maior canal de TV por assinatura francês) tem como um de seus grandes sucessos o programa Les guignols de l’info - um programa de bonecos que faz críticas políticas repletas de bom humor. Em Paris, os melhores lugares para se ver os Guignols são no Jardin d’Acclimatation (o melhor lugar para passear com as crianças em Paris), no Parc Floral de Paris e no Parc Clemenceau, perto do rond point, onde terminam as lojas da Champs Elysées. Algumas igrejas parisienses também costumam organizar teatros de Guignol durante suas quermesses.

Chamar alguém por aqui de Espèce de Guignol é insulto grave: é o mesmo que dizer que alguém fala, fala, mas na hora H... Falha. Esse é um dos insultos preferidos do Petit Nicolas quando briga com os coleguinhas da escola.

Tel.: 01 4067 9084
Metrô: Les Sablons linha 1

Tel.: 01 4808 1300
Metrô: Châteu de Vincennes linha 1

3 de fevereiro de 2009

Crêpe

Que tal começar o dia falando de uma especialidade culinária bacana, que todo mundo gosta e que (claro) é tipicamente francesa? Primeiro vamos às informações e curiosidades - e se você prestar atenção, depois tem receita. Senão, nada de crêpe para você.

Até hoje não conheci um brasileiro sequer que tenha vindo à Paris e resistido ao delicioso cheiro do crêpe que sai das barraquinhas espalhadas pela cidade. E para que você conheça o crêpe em prática e teoria, seguem algumas curiosidades sobre essa irresistivel iguaria. Vamos à elas:

As massas dos crêpes são preparadas basicamente de duas maneiras distintas, de acordo com o tipo de farinha utilizada: crêpes de massa clara são feitos a partir da farinha de froment (trigo) e os crêpes de massa escura com farinha de sarrasin (trigo mourisco). A maneira mais comum de consumo do crêpe é com recheios que podem variar ao gosto do freguês. E é aqui que entra a importância da diferença entre as massas: crêpes doces costumam ser feitos com a massa clara de froment, já os salgados usam a massa escura de sarrasin. Mesmo em Paris os crêpes salgados são comumente chamados de galettes (não confunda com a galette des rois, Joãozinho - que é outra coisa completamente diferente). Essa denominação dada ao crêpe salgado de massa escura é proveniente da Bretanha, local onde o crêpe é uma especialidade regional.

Versáteis, essas belezinhas podem ser recheadas ao gosto do freguês.

Na Bretanha o recheio mais tradicional da galette é o de presunto e queijo (a famosa galette jambon/fromage). E aqui vale um lembrete: nas creperias da Bretanha normalmente perguntam se o cliente quer a galette "complète" - a complète leva um ovo semi-cru por cima.

Outras variações regionais comuns para o crêpe são encontradas em Pas-de-Calais, extremo norte do país, onde a cerveja é incorporada à massa; e na Normandia, onde a massa leva o calvados - uma bebida destilada feita de cidra.

Já o famoso crêpe Suzette, inventado por Auguste Escoffier, é preparado com a adição da beurre Suzette à massa (manteiga fundida com açúcar, Grand Marnier e sumo de laranja e limão). Depois de pronto o crêpe Suzette pode ou não ser flambado ao Grand Marnier. Auguste Escoffier (1846-1935) ficou conhecido mundialmente em sua época como o rei dos chefes de cozinha, tendo comandado as panelas nos restaurantes do Grand Hôtel de Monte-Carlo e dos hotéis Ritz de Paris e New York - e em outros locais de renome similar.

O que é Joãozinho? Ficou com vontade de comer crêpe mas está longe da França? Não tem problema. Você vai aprender agora a fazer a receita de uma autêntica massa de crêpes que foi publicada no livro Ô les bonnes crepes, de Marie-Laure Tombini - uma especialista no assunto.

Crêpe Salée: os crêpes salgados também são chamados de galettes.

Recursos materiais (eu sei, engenheiro anotando receita é um inferno)
-250g de farinha
-3 ovos
-500ml de leite
-1 colher de sopa de óleo
-2 colheres de sopa de Grand Marnier (rum também serve)
-1 pitada de sal

Implementação
-Dentro de uma tigela coloque a farinha e o sal. Bata ligeiramente os ovos e adicione-os à sua mistura. Misture tudo com um batedor manual até que a massa fique bem lisa.
-Adicione lentamente o leite e, em seguida o óleo e o licor. Misture tudo.
-Cubra a tigela com um pano e deixe sua massa repousar em temperatura ambiente durante 1 hora.
-Na hora de usar verifique a fluidez da massa - ela deve ser bem leve e fluida: se necessário, adicione um pouco mais de leite ou de licor. A diferença de fluidez pode variar dependendo da farinha utilizada.
-Em seguida basta espalhar bem a massa sobre uma chapa de crêpe (que a propósito, o nome correto é billing) ou sobre uma frigideira antiaderente grande et voilà ! Eu costumo fazer com queijo emmental ralado ou com Nutella, mas você pode rechear o seu crêpe com o que bem entender. Depois basta dobrar o danadinho em quatro e partir para o abraço. A receita é suficiente para você fazer 15 crêpes.

Duas pequenas observações úteis:
1. Escrevi "crêpe" (com o acento do vovô) no artigo para respeitar a grafia francesa, porém, aqui pronunciamos da mesma maneira que no Brasil: crépe.
2. Crêpe em francês é uma palavra feminina. Portanto aqui você diz "la crêpe", "une crêpe", etc. Como em português "crepe" é uma palavra masculina, eu usei sempre a referência no masculino para não ficar esquisito.

9 de janeiro de 2009

Bouquinistes de Paris

Instalados na margem direita, da pont Marie ao quai du Louvre, e na margem esquerda, do quai de la Tournelle ao quai Malaquais, os bouquinistes de Paris são verdadeiros símbolos culturais da cidade.

Os bouquinistes, na minha opinião, ajudam a construir o cenário romântico e acolhedor da Paris de outros tempos que é tão marcante nesse trecho do rio Sena. Com suas características caixas metálicas verdes se debruçando para o rio, propõem a venda de livros antigos, revistas de segunda mão, cartões postais, selos antigos, velhos cartazes publicitários, fotos e até raríssimas historias em quadrinhos. Livreiros de ofício, apaixonados pela propagação cultural, seus pequenos stands são testemunhas oculares da historia de Paris.

A tradição dos bouquinistes começou por volta do século XVI, quando pequenos livreiros ambulantes começaram a surgir em Paris. Por pressão das grandes livrarias, um regulamento de 1649 proibiu qualquer tipo de “livraria portátil” e a venda de livros sobre a Pont Neuf - o principal ponto onde os livreiros ambulantes se concentravam.

No final do século XIX as boîtes de livros já se faziam presentes nos parapeitos do Sena.

Na época havia uma grande preocupação em limitar os mercados paralelos não sujeitos à censura, e os livreiros ambulantes nesse período sofreram intensa perseguição, mas acabam sendo restabelecidos como comerciantes legais sob algumas regulamentações. Em 1789 o termo bouquiniste aparece pela primeira vez no dicionário da Academia Francesa.

Livros, revistas, selos, postais, fotos... Tudo para todas as idades.

Em 1859, concessões bem regulamentadas são instauradas na cidade de Paris e os bouquinistes podem então se estabelecer em pontos fixos às margens do Sena. Em 1930 são fixadas as normas de padronização e dimensionamento das boîtes - as famosas caixas verdes dos bouquinistes. Instalados sobre mais de três quilômetros ao longo do rio Sena, os bouquinistes parisienses foram declarados em 1992 patrimônio cultural mundial da UNESCO.

As mágicas caixas verdes guardam sempre uma boa surpresa.

E os bouquinistes são mesmo muito visitados pelos parisienses - sejam cidadãos comuns em busca de leitura cotidiana ou estudantes atrás de material de pesquisa. Normalmente um bouquiniste é o primeiro destino de muitos parisienses que buscam boa leitura a preços irrisórios.

Marque na sua agenda, Joãozinho! São esses os locais onde os bouquinistes estão instalados.

Os bouquinistes de Paris têm um site bastante interessante. Nele você pode ler na íntegra diversas edições (em PDF) do jornal trimestral dos bouquinistes: Le Parapet. Algumas edições do jornal são ricamente ilustradas com fotos antigas, reunindo sempre artigos interessantes extraídos dos próprios livros e revistas que eles vendem - apenas em francês.

Para saber mais: Bouquiniste de Paris