31 de outubro de 2008

Estacionar em Paris

Achar uma vaga de estacionamento nas ruas de Paris pode ser uma tarefa digna de figurar entre os trabalhos de Hércules. “Ô grandão! Você aí que matou a Hidra de Lerna… Toma, vai lá estacionar. Quero ver se você é fera mesmo.”

Mas apesar disso, se você resolver alugar um carro em Paris não precisa se preocupar com o fator estacionamento. Devido ao número restrito de vagas nas ruas, a cidade conta com uma infinidade de bolsões subterrâneos com preços muitas vezes equiparáveis aos dos parquímetros de rua. Você entra, retira o ticket na cancela de entrada, estaciona o carro, faz o que tem que fazer e ao voltar paga tranquilamente nas máquinas de auto-atendimento. Alguns desses estacionamentos contam inclusive com postos de combustível, lava-rápido e locadoras de veículos, como este da foto que fica na avenue Foch pertinho do Arco do Triunfo. Existem placas de trânsito por toda a cidade indicando os bolsões de estacionamento mais proximos de você - basta procurar pela letra "P" branca inscrita no quadrado azul, igual a da placa que aparece na foto. Se estiver com sorte, deixar o carro estacionado na rua também é bastante seguro.

O site oficial da prefeitura de Paris conta com um eficiente localizador de estacionamentos. Para encontrar um estacionamento perto de você, basta clicar na opção consulter la carte e seguir com a pesquisa fornecendo os dados de localização.

Un seul monde : Nous sommes ici !

Acabo de voltar da rua. Imagino que quem ouviu a Jovem Pan esta manhã deve ter ouvido o Reali Jr. comentar que os termômetros às margens do Sena devem estar tremendo de frio - frio, vento e uma chuva fininha e constante. Hoje nem as pombas se animavam a botar o pescoço de fora - se encorujavam em bolotas felpudas e cinzentas, enfileiradas no parapeito das janelas. Como precisei sair cedo para atender alguns afazeres, resolvi aproveitar a deixa mesmo estando o tempo de cara amarrada e caminhar um pouco pela cidade - e também registrar algumas imagens para o blog.

A entrada do Jardin de Tuileries pela rue du Rivoli.

Em certo ponto da andança, enquanto eu esperava para atravessar a rue Tronchet ainda próximo à Madeleine, me distrai olhando um daqueles grandes mapas de rua que eu costumo chamar de 'Vous êtes ici' (você está aqui). Antes mesmo do farol de pedestres abrir fui abordado por um parisiense prestativo que me perguntou se eu precisava de ajuda. Comentei com ele que na verdade eu estava era estranhando a posição do mapa, pois eu seguia em direção à square Edouard VII e o mapa dizia que eu deveria tomar o caminho oposto. O rapaz então me explicou que aquele mapa havia sido instalado de cabeça para baixo. "Toda vez que passo por aqui e vejo alguém consultando o mapa paro pra avisar e indicar o caminho. Como conheço bem o quartier fica fácil ajudar. Mas a prefeitura ja foi avisada." Agradeci e nos saudamos mutuamente com votos de "Bonne journée". Chovia. Ventava. Os termômetros marcavam 3 graus ao sol. As pombas seguiam redondas, sem pés nem pescoço. E ainda assim o cara foi um exemplo voluntário de boa vontade. Seu único interesse: ajudar um estranho aparentemente perdido.

Jardin de Tuileries, hoje às 8h30: "Ué! Pra onde foi todo mundo?"

Um dos meus afazeres da manhã era deixar alguns documentos de trabalho num escritório do 8ème arrondissement. Mas ainda precisava encontrar um envelope de papelão rígido. Depois de comprá-lo numa papelaria familiar da rue de l’Isly achei que seria uma boa pedida procurar uma brasserie onde eu pudesse preenche-lo e fazer algumas anotações enquanto me aquecia com uma xícara de café. Achei uma bem bacana não muito longe dali. Apoiei-me numa ponta do balcão, pedi um expresso e saquei meu caderno, caneta e o tal envelope da mochila. Para minha surpresa meu café foi parar numa mesa grande, daquelas que acomodam 4 pessoas. Uma senhora, provavelmente proprietária da brasserie, disse para eu me acomodar na mesa, onde seria mais confortável para escrever. Em Paris, sabidamente o café servido no balcão custa praticamente a metade do que você pagaria se o pedisse na mesa. Ao pagar a conta, me cobraram o preço do café no balcão - a cordialidade era por conta da casa.

Palais Garnier: Opéra National de Paris.

Devo ter ficado aproximadamente umas 2 horas e meia fora de casa. E foi o suficiente para colher dois bons exemplos de que a imagem do "parisiense carrancudo e mau-humorado" é um dos estereótipos mais contestáveis e condenáveis do qual tenho notícia. Já faz um bom tempo que decidi não mais aceitar a rotulação de povos e pessoas. Tenho verdadeira aversão por aquela coisa de “Ah, mas todo 'langoliano' é assim...” Venha com esse tipo de papo para o meu lado e verá até que ponto um bom brasileiro também pode se tornar mau-humorado. Nações são feitas de indivíduos. Cada um com suas virtudes e defeitos. Cada um com suas idiossincrasias. E acho no mínimo injusta qualquer tentativa de expansão disso para todo um povo ou nação, seja esta qual for. Pude comprovar isso em todo e qualquer lugar do mundo onde meus pés já tenham pisado. E é perceber a grandiosidade de pequenos gestos nas mais simples situações cotidianas que fazem com que eu me sinta em casa onde quer que eu esteja.

Dale gomia!: A bonita placa em baixo-relevo foi um presente da Argentina à cidade de Paris em agradecimento ao nome da rue d'Argentine.

Acreditar na bondade e generosidade das pessoas independente de quem elas sejam ou de onde quer que venham. Para um mundo melhor isso não é algo apenas permitido - é necessário. O calor-humano compensou enfim, o frio desta manhã de sexta-feira.

30 de outubro de 2008

Roquefort

Certa vez, um pastor da região de Causses de l’Aveyron, preferindo correr atrás de uma jovem camponesa ao invés de se ocupar do rebanho, deixou seu almoço (pão e queijo de ovelha) guardado dentro de uma gruta ao abrigo da luz e do calor. Alguns dias depois, ser ter obtido sucesso com a garota, retorna à gruta e encontra o pão e o queijo cobertos de fungos. Faminto, não se importa com o aspecto da comida e descobre que o queijo tinha ficado imprestavelmente delicioso. O fungo penicillium roqueforti tinha feito a sua obra. Nascia assim a lenda do queijo Roquefort.

O queijo Roquefort é feito com leite cru (não pasteurizado) de ovelha da raça Lacaune. Proveniente da região de Causses de l’Aveyron, ele se beneficia da appellation d’origine desde 1925, da AOC (appellation d’origine contrôlée) desde 1979 e da AOP (appellation d’origine protégée) desde 1996. Esse queijo, de reputação mundial, está intimamente associado à excelência da gastronomia francesa.

A região de coleta de leite para a produção se limita a uma zona situada dentro de um raio de 100km ao redor da pequena cidade de Roquefort-sur-Soulzon. Por outro lado, a zona de affinage - maturação - do queijo é circunscrita somente à commune de Roquefort-sur-Soulzon, e ainda assim limitada pelo rochedo de Combalou. Normalmente o Roquefort é feito dentro das caves naturais obtidas pela erosão das falésias da região - o que proporciona condições de temperatura e umidade precisas e ideais à produção do queijo. A ventilação natural é fornecida às caves através de fissuras nas rochas - as fleurines. E são essas características particulares das caves de Roquefort que dão ao queijo um sabor único e inimitável.

As ovelhas Lacaune se adaptam facilmente a condições climáticas rigorosas e as variações bruscas de temperatura. O cuidado da criação também é fundamental para a produção do Roquefort. As ovelhas Lacaune devem ser alimentadas somente com ervas, forragem e cereais que devem vir, pelo menos 75%, da região geográfica de Roquefort. Fora do período de inverno a pastagem ao ar livre é obrigatória.

O peso médio de um queijo Roquefort ficar em torno de 2,5kg. A coagulação do leite deve ser feita precedida a inclusão do fungo penicillinum roqueforti. Depois que a massa do queijo é elaborada, a criação das condições para o crescimento dos fungos é garantida por uma etapa da preparação chamada piquage - na qual a massa é transpassada por lâminas para a entrada de ar em seu interior. A piquage deve ser feita 48 horas antes do inicio do período de affinage no interior das caves de Roquefort (outra etapa obrigatória do processo para que o queijo possa receber o nome de Roquefort). O queijo passa por um período de pré-affinage exposta de 14 dias, quando então é envelopado em folhas de estanho para a maturação final que deve durar, pelo menos, 5 meses.

Bom saber: o melhor período de degustação do Roquefort ocorre de março a dezembro, principalmente entre abril e outubro. Uma bela fatia do autêntico Roquefort nos supermercados parisienses custa algo em torno de 2,50€ - quase nada se comparado ao prazer que proporciona. Queijos excelentes também podem ser encontrados nas feiras-livres parisienses a preços um pouco mais elevados.

A Roquefort-Société, uma das maiores e melhores produtoras mundiais do queijo Roquefort abre suas caves para visitação em algumas épocas do ano. Consulte horários e condições no site.

Para saber mais: http://www.roquefort.fr/

Fotos: Cave da Roquefort-Societé e a village de Roquefort

ViverParis! na mídia

Já estou há tempos para escrever este post - na verdade desde 14 de setembro, quando o jornalista Edmilson Siqueira publicou um artigo inteiramente dedicado ao ViverParis! na coluna Farol, que escreve semanalmente para a revista Metrópole. Como o próprio nome sugere, o Farol serve de referência aos leitores da região metropolitana de Campinas ao tratar de temas relacionados à cultura, tendências e comportamento.

O Edmilson já havia feito em seu blog uma menção elogiosa ao ViverParis! quando este passava ainda por aquela complicada fase na qual eu ainda tinha mais dúvidas do que certezas se a coisa ia mesmo vingar. Alguns auto-questionamentos eram recorrentes:

- Será que 'se' alguém ler o blog vai gostar deste artigo?

E o Joãozinho aqui relia o mesmo texto até enjoar para chegar à conclusão alguma.

- Será que não escrevi nenhuma besteira?

E tornava a puxar pela memória, consultar anotações e conferir mil vezes a mesma informação.

- Será que o blog vai mesmo ser útil e interessante às pessoas?
E me punha a pensar. Em mim, e em você leitor - que também dedica seu precioso tempo em busca de informação útil e interessante em meio ao oceano de futilidades que permeiam hoje os canais de comunicação massiva.

E foi justamente nesse momento que a opinião do Edmilson chegou como um verdadeiro farol - ao mostrar que o ViverParis! estava no rumo certo. Que para encontrar “terra à vista”, bastava apenas seguir adiante. E era uma opinião de peso - claro! Vinha de um profissional do jornalismo. De um cara que vive de absorver e transmitir informação e opinião em um grande jornal - algo que ainda espero fazer um dia. E que, além disso, é outro aficionado pela cidade de Paris. Dizer mais o quê? Merci monsieur Siqueira. Naquela manhã de domingo seu artigo me deixou tão contente quanto o Petit Parisien da foto de Doisneau. Obrigado meu amigo, pela luz e pelo incentivo.

O Blog do Edmilson Siqueira (cujo link permanente figura no blogrool do ViverParis!) faz uma análise aguçada e bastante corajosa do panorama político brasileiro. A coluna Farol, como eu já disse, tem um foco cultural. A revista Metrópole é suplemento semanal do jornal Correio Popular e vai às bancas todos os domingos.

Para ler o artigo da coluna Farol sobre o ViverParis!: Vivendo Paris

Foto: Petit Parisien, de Robert Doisneau

Notre-Dame de Paris: La Rosace Sud

Grégoire

Eis que surge um novo fenômeno musical no cenário da varieté française. Quem? Um rapaz parisiense chamado Grégoire. Mas não é só a música que chama a atenção nesse novo astro da música pop francesa - o surgimento de Grégoire foi também um tanto curioso.

Ele é um dos artistas filiados ao site francês MyMajorCompany, que se propõem a fazer uma verdadeira revolução musical. O site permite que os internautas vejam em vídeo o trabalho realizado pelos artistas e então escolham qual deles deseja produzir, ajudando financeiramente a lançá-lo no mercado fonográfico. Para atuar como neo-produtor o internauta precisa depositar um valor na conta da MyMajorCompany que será dedicado a ajudar o artista escolhido no lançamento do primeiro CD. O site informa o valor total que é preciso juntar para a gravação e promoção do álbum - no caso de Grégoire, 70.000,00€ que foram rateados entre os internautas. Nesse sistema a MyMajorCompany garante um percentual maior ao artista na divisão do montante arrecadado com as vendas, bons preços para os fãs adquirirem o CD, e os internautas que bancaram o lançamento do cantor recebem participação sobre os lucros - a prova de que quando as coisas são feitas de forma justa e honesta todo mundo sai ganhando.

E foi assim que Grégoire tornou-se o primeiro artista francês integralmente produzido pelos internautas - que devem estar felizes da vida com o desempenho do astro que acabaram de lançar. Seus clipes começaram a aparecer timidamente na TV há algumas semanas e hoje Grégoire já ocupa o 9º lugar no ranking geral de vendas da Fnac e o 1º lugar em audições no Deezer France. Nada mal para quem acaba de se lançar para a música.

Depois desse empurrãozinho inicial, o talento do rapaz se encarregou do resto. Musicalmente Grégoire não decepciona - ao contrário: surpreende. Ouvi o álbum completo no Deezer (várias vezes, por sinal) e gostei bastante. O tipo de varieté française cantada por ele flerta um pouco com a folk music, resultando num som bacana de ouvir em qualquer ocasião.

No vídeo Toi+Moi, o primeiro grande hit de Grégoire.

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Para ouvir: Deezer Grégoire
Para comprar na Fnac: Grégoire - Toi et Moi


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29 de outubro de 2008

Fim da parceria entre Tam e Air France

Era muito bom para brasileiros e franceses, mas acabou. No proximo dia 31 de outubro, Tam e Air France deixam de operar como empresas parceiras para o uso e acumulo de pontos em seus programas de milhagem. Assim, não sera mais possivel voar pela Air France com as milhas do Fidelidade Tam e nem usar as milhas do programa Flying Bleu para voar pela Tam.

Não procurei me aprofundar sobre o assunto, mas tudo leva a crer que o final da parceria com a Air France esta relacionado com a migração da Tam para o grupo Star Alliance no inicio do mês. Se de um lado isso deve aumentar o numero de empresas parceiras da Tam num futuro bem proximo, de outro, o fim do acordo com a Air France vai deixar na saudade muitos brasileiros que vivem na França (eu, por exemplo) e franceses que viajam constantemente ao Brasil.

Square Jean XXIII

Promoção no Cine Gaumont Gobelins

Podem comemorar com pipoca e Orangina! O Cine Gaumont Gobelins reduziu o valor da entrada para quem tem menos de 26 anos (o que infelizmente ja não é o meu caso). O valor normal da entrada que é de 8,90€ passa automaticamente para 3,90€ - bastando para isso que você apresente um documento de identidade. E esse desconto é valido durante todas as sessões, todos os dias, para todos os filmes - sem restrições.

Essa promoção faz parte do plano de revitalização cultural do 13º arrondissement desenvolvido pela Mairie de Paris em parceria com o grupo Gaumont & Pathé. O Cine Gaumont Gobelins tem 5 salas e 1146 lugares.

Cine Gaumont Gobelins
58 avenue des Gobelins
Tel.: 08 9269 6696
Metrô: Gobelins ou Place d'Italie linha 7

Para saber mais: http://www.gaumont.com/

Exposição Serge Gainsbourg

Para lembrar os 80 anos do nascimento do artista parisiense Serge Gainsbourg (1928-1991), a Cité de la Musique de Paris dedicou um pavilhão inteiro em sua homenagem até 1º de março de 2009. Nessa grande exposição estão reunidas mais de 100 imagens, extratos de filmes, arquivos áudiovisuais e textos do genial Gainsbourg, um dos mais célebres artistas franceses e de quem eu sou fã de carteirinha.

O sucesso da exposição só foi possível graças ao auxílio notável que a atriz e cantora Charlotte Gainsbourg, filha de Serge, prestou à organização do evento. O projeto tem como proposta apresentar aos visitantes os múltiplos talentos dessa grande personalidade do mundo da música, que também foi pintor, escritor, poeta, autor, intérprete, compositor, ator e produtor de cinema. A Cité de la Musique dividiu a exposição em duas partes: um primeiro percurso intitulado "Images, Mots et Musique" (Imagens, Palavras e Música) nos permite descobrir os textos e a música composta pelo artista. Já no segundo percurso a exposição se articula ao redor de quatro grandes períodos da vida de Gainsbourg: Période bleue (1958-1965), Les idoles (1965-1969), La Décadanse (1969-1979) e Ecce Homo (1979-1989).

Patrocinado por diversos parceiros culturais de peso como o Instituto Nacional do Audiovisual, a RATP, a France Télévisions e a rádio France Inter, o ciclo Gainsbourg será igualmente constituído de eventos onde serão exibidos seus filmes e acontecerão concertos em sua homenagem (21 e 25 de fevereiro de 2009). Jane Birkin (ex-mulher de Serge), Daniel Dark, Sean Lennon e Elysian Fields também prestarão homenagem ao artista em eventos noturnos que serão organizados pela Cité de la Musique.

No video de 1961, Serge Gainsbourg canta La chanson de Prévert. Simplesmente sublime.

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Exposição Serge Gainsbourg
Cité de la Musique
221 avenue Jean Jaurès
Tel.: 01 4484 4484
Metrô: Porte de Pantin linha 5
Abre de terças e quintas das 12h00 as 18h00, sextas e sábados das 12h00 as 22h00 e domingos das 10h00 as 18h00
Até 1º de março de 2009
Ingressos: 8,00€ (meia entrada: menores de 18 anos e portadores de necessidades especiais)
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Foto: Serge Gainsbourg fotografado por Pierre Terrasson.

Exposição Jacques Prévert, Paris la belle

Eterno apaixonado pela cidade de Paris, Jacques Prévert não se cansou de celebrar à sua própria maneira a ligação tão particular que sempre teve com a capital francesa. Curioso por todas as formas de arte, Prévert retratou Paris com o mesmo talento na literatura, no teatro, no cinema, na poesia, na música, em gravuras, colagens e na fotografia. E é justamente esse espírito eclético e averso ao conformismo que faz dele um dos maiores pensadores livres do século XX. A exposição Jacques Prévert, Paris la belle nos mostra os detalhes desses laços de amor que sempre uniram Prévert à Paris - desde sua infância vivida no quartier do Jardin du Luxembourg até se tornar um ícone de Saint-Germain-des-Prés. De sua juventude contestadora à sua amizade com Joan Miró e Pablo Picasso, de seus trabalhos como cenarista à cumplicidade com inúmeros fotógrafos também imortais. Essa exposição põe à mostra peças do arquivo pessoal do poeta, revela um homem cujo espírito, mais de 30 anos após sua morte, se manteve sempre fiel às suas idéias - até hoje de um frescor e de uma atualidade incontestáveis.

A exposição esta dividida segundo as fases da vida e da carreira de Prévert: A infância e adolescência; a época da rue du Château, o inventor do cadavre exquis; a época do grupo Octobre; o cinema; textos; canções; Prévert e seus amigos fotógrafos; desenhos e colagens. Um dos três idealizadores da exposição é a pintora da Beaux-Arts de Paris, Eugénie Bachelot Prévert, neta de Jacques Prévert e única detentora dos direitos sobre suas obras.

Também foram concebidas pelos organizadores da exposição atividades especialmente dedicadas às crianças, para que elas possam aprender brincando um pouquinho sobre esse grande homem que deixou ao mundo um legado de criatividade e pensamento. Vejo essa exposição não apenas como uma bonita e merecida forma de homenagear Prévert, mas como uma verdadeira declaração de amor à cidade de Paris.

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Exposição Jacques Prévert, Paris la belle

Hôtel de Ville (Sala Saint Jean)
5 rue de Lobau
Metrô: Hôtel de Ville linhas 1 e 11
Aberta diariamente (exceto domingos e feriados) das 10h00 as 19h00
Até 28 de fevereiro de 2009
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Video: Material oficial de divulgação produzido pela Mairie de Paris.

Margareth Reali, Jan Dumée & Cubrabop

A partir de 29 de novembro a cantora brasileira Margareth Reali fará uma série de concertos na Holanda em companhia do guitarrista, produtor e compositor holandês Jan Dumée e da banda Cubrabop Quintet - famosa pela maestria com a qual mescla ritmos brasileiros e cubanos. As datas das apresentações já estão disponíveis na programação do Jazzcafé Dizzy de Rotterdam, onde ela deve mostrar até o final deste ano do que é feita a boa música brasileira. Dumée, ex-integrante da banda Focus, é um apaixonado pelo Brasil (algo que se torna evidente logo que você acessa sua página do MySpace) e seu proximo CD deve contar com a participação de músicos brasileiros. Para quem ainda não conhece, o Jazzcafé Dizzy é uma das mais tradicionais casas de jazz da Holanda - se você estiver em Rotterdam, não deixe de conferir.

Segue a agenda de novembro do Jazzcafé Dizzy, com destaque para os dias 8 (com Paulo Prato e Quinteto Prato Feito) e 29 (Reali, Dumée e Cubrabop), dedicados à música do Brasil.

1 nov: Arrow Jazz Live Vibes at Dizzy: Creative Reggae
3 nov: Latin Jazz Sessie com Mark de Jong
4 nov: Guy Nikkels Quartet
8 nov: Arrow Jazz Live Vibes at Dizzy: Most Swinging Brazilian Night
10 nov: Vocal Night Sessie com Florian Friedrich
11 nov: Agog
17 nov: Groove Sessie com Axel Gunning
18 nov: Mischa van der Wekken Quartet
22 nov: Arrow Jazz Live Vibes at Dizzy: Brooklyn Edition in Dizzy
24 nov: Wycliffe Gordon & Dion Parson
25 nov: Hernan Romero Trio
29 nov: Arrow Jazz Live Vibes at Dizzy: Margareth Reali, Jan Dumée & Quinteto Cubrabop

Jazzcafé Dizzy
's Gravendijkwal 127
Rotterdam, Holanda
Tel.: +31 10 4773014
Mapa

Para saber mais:
http://www.margarethreali.com.br/
http://www.jandumee.com/
http://www.myspace.com/jandumee

28 de outubro de 2008

Saint Germain: Rose Rouge

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Album: Touriste

Le Verre Volé

Um dos bons restaurantes parisienses para se beber vinho é o Le Verre Volé. A charmosa casa instalada a dois passos do Canal Saint-Martin conta com aproximadamente 20 pratos tradicionais (e muito bem preparados) da cozinha familiar francesa que são escoltados por 300 opções de vinhos diferentes - inclusive vinhos de tendência bio e naturais, como o Cheverny de Puzelat e o Hautes-Côtes-de-Beaune de Naudin-Ferrand, por exemplo. Os petiscos são outro ponto forte do restaurante: excelentes opções de frios, embutidos, queijos e ostras frescas.

A equipe de atendimento é muito simpatica e competente, sempre pronta para oferecer excelentes dicas e informações sobre os vinhos, de acordo com a preferência do cliente. Portanto, se ficar em duvida sobre qual vinho experimentar, consulte-os sem receio.

A cave do Le Verre Volé tem vinhos cuidadosamente selecionados para atender com qualidade diferenciada a todos os gostos e bolsos. A cave-bistrô funciona na rue Lancry (10ème arrondissement), mas você também pode comprar os vinhos da seleção do Le Verre Volé no 38 da rue de Oberkampf, onde funciona outra cave da casa - porém, sem restaurante nesse endereço. Aconselho fazer reserva por telefone para o jantar.

Le Verre Volé
67 rue de Lancry
Tel.: 01 4803 1734
Metrô: Jacques Bonsergent‎ linha 5
Aberto todos os dias das 12h00 as 14h30 e das 20h00 as 23h00
Bons vinhos em taça à partir de 3,00€
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27 de outubro de 2008

Stade Parc des Princes

Um passeio pela região sul de Paris

Sábado fiz um passeio chouette completamente fora do roteiro turístico pela região sul de Paris, no 13º e 14º arrondissements. Aproveitei para incluir uma volta de tramway no percurso. Através da linha 13 do metrô cheguei a Porte de Vanves para acessar a linha T3 do tramway - um veículo que se locomove sobre trilhos e que circula em corredores exclusivos instalados nas avenidas que margeiam o limite periférico de Paris. Um transporte moderno, silencioso e confortável. Justamente por atender as zonas próximas a periferia é pouco conhecido dos turistas que visitam a cidade. O tramway é integrado ao sistema municipal de transporte e você pode usar o mesmo tipo de bilhete que usa no ônibus ou metrô - assim como o NaviGo.

Segui de tramway sentido Porte d’Ivry e desci no ponto Cité Universitaire. Localizado bem no sul de Paris, o Parc de la Cité Internationale é uma área preservada de 34 hectares onde funciona a Cité Internationale Universitaire de Paris (CIUP), universidade que acolhe anualmente por volta de 10.000 residentes de 140 nacionalidades diferentes. Por ficar longe da agitação urbana é um local muito tranqüilo, ideal para ler, estudar ou simplesmente exercitar o pensamento.

Edifício da Maison Internationale da CIUP

Além do château principal, conhecido como Maison Internationale (dedicada ao relacionamento social internacional e abriga piscinas, bibliotecas, ateliers de arte, espaço orquestra, teatro, brasserie, restaurante, espaço para o estudo de idiomas, etc.), a CIUP tem ainda outras 40 maisons dedicadas a diferentes países, cada uma com estilo arquitetônico próprio - como por exemplo a Maison du Brésil, inaugurada em 1959, a Maison d’Argentine, que data de 1928 e a Résidence André de Golveia, de 1960, dedicada a Portugal.

A Maison du Brésil lembra a arquitetura de alguns edifícios típicos de Brasília

Essas maisons servem como alojamento estudantil e são centros de difusão cultural de seus países de origem. Além dos centros de ensino e pesquisa, a CIUP tem espaços dedicados às manifestações culturais e esportivas. Com uma área verde super bonita, toda a estrutura nos lembra muito as grandes universidades retratadas no cinema. Saindo da universidade, foi preciso apenas atravessar a avenida para chegar a um verdadeiro paraíso verde: o Parc Montsouris.

O Parc Montsouris foi outra bela realização do Barão Haussmann. Inaugurado em 1869, esse parque de 15 hectares completou o projeto do Barão de oferecer à Paris uma extensa área verde para cada um dos quatro pontos cardeais de Paris: Bois de Boulogne à Oeste, Buttes-Chaumont ao Norte, Bois de Vincennes à Leste e o Parc Montsouris ao Sul. Um verdadeiro refúgio de tranqüilidade freqüentado pelos parisienses e estudantes da CIUP que o procuram para caminhadas ou um piquenique.

O lugar chega a parecer irreal de tão bonito. E ainda tem gente que diz que não existe a perfeição - pois para mim a perfeição é pura questão de ponto de vista, e o Parc Montsouris fundamenta bem minha teoria. Se uma volta pelos jardins da CIUP nos faz sentir como se estivéssemos dentro do filme Sociedade dos Poetas Mortos, o Parc Montsouris nos coloca numa paisagem de cartão postal ou de um bonito quebra-cabeça. E é exatamente neste parque que foi filmada a parte mais sublime daquele trecho do filme Paris je t’aime que postei aqui no blog mês passado.

Saindo de Montsouris segui de tramway até Porte d’Italie. A linha T3 passa bem ao lado do moderno estádio Charléty, sede do Paris Football Club. Do ponto Porte d’Italie segui a pé pela Avenue d’Italie, onde descobri a loja Maisons du Monde. Uma loja super bacana de artigos de decoração cujo piso térreo já está praticamente tomado por enfeites de Natal - os bons preços também chamam a atenção. Uma infinidade de enfeites de primeiríssima qualidade a preços convidativos. Tanto a Avenue d’Italie quanto a Avenue des Gobelins (seu prolongamento a partir da Place d’Italie) são avenidas comerciais onde você pode encontrar de tudo a bons preços. Outra loja curiosa na Avenue d’Italie é a 1001 Piles, que vende todo tipo de pilhas, baterias e carregadores imagináveis. Cheguei enfim à Place d’Italie, que vale uma parada para contemplação - uma bonita e ampla rotatória (também obra de Haussmann) rodeada pela Mairie du 13º arrondissement e pelo prédio futurista do shopping Italie 2.

A arquitetura moderna do shopping Italie 2 na Place d'Italie

A Aveue des Gobelins tem dois achados: o outlet André Stock, com sua vasta variedade de calçados a bons preços no número 31 e uma outra loja que vende toda a linha de vestimenta para profissionais de gastronomia a preços risíveis - mas que infelizmente não me lembro do nome nem do endereço exato. Mas não tem erro: descendo a Avenue des Gobelins pelo lado ímpar você acha fácil - a vitrine é grande e chama a atenção. Terminei o passeio ao chegar no marché da rue Mouffetard, cansado de tanta andança mas feliz da vida com o meu roteiro do sábado. O dia estava frio e nublado, mas e daí? Ici c'est Paris!

Alguns endereços para a sua agenda:

Maison du Monde
57 avenue d’Italie
Tel.: 01 4424 7090
Metrô: Tolbiac linha 7
Abre de segunda à sabado das 10h00 as 19h00

La Cité Internationale Universitaire de Paris
17 boulevard Jourdan
Tel.: 01 4416 6400
RER: Cité Universitaire linha B
Tramway: Cité Universitaire linha T3
Metrô: Porte d’Orléans linha 4
Abre todos os dias das 7h00 as 22h00

1001 Piles
143 avenue d’Italie
Tel.: 01 4583 5322
Metrô: Maison Blanche linha 7
Abre as segundas e sábados das 9h30 as 12h30 e das 14h00 as 18h00, de terça a sexta das 9h00 as 19h00

O legal é que a partir de Porte d'Italie o roteiro acompanha a linha 7 do metrô. Se você cansar de andar ou se quiser encurtar o passeio, basta entrar numa das estações do metrô que aparecerão pelo caminho ao longo da Avenue d'Italie ou Avenue des Gobelins. Durante o percurso você terá muitas opções de bons restaurantes a preços amistosos. Se sobrar disposição, entre no Quartier Latin pela rue Mouffetard e termine o passeio em um agradável café.

25 de outubro de 2008

Trafego aéreo mundial

Meu tio JP acaba de me enviar um video muito bacana - ainda preciso decobrir como ele faz para encontrar tanta coisa legal na Internet. Nesse video gravado pela NASA, um registro de todo o trafego aéreo mundial de um unico dia. Repare que tudo o que se move em amarelo são aviões. Note também a variação do sentido e da intensidade do fluxo de aeronaves durante os periodos do dia - e a enorme quantidade de aviões que chegam à Europa ao amanhecer. Também é interessante ver que a América do Sul praticamente desconhece o que é trafego aéreo intenso. E ainda assim o Brasil sofre com o chamado "caos aéreo".

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24 de outubro de 2008

Métro Cluny-La Sorbonne

La Marée Passy

Se der aquela vontade de comer peixe ou frutos do mar, um dos bons endereços em Paris é este charmoso restaurante localizado no quartier Passy. Totalmente decorado em madeira nautica como se fosse um yacht, La Marée Passy serve os peixes e frutos do mar respeitando sua época de pesca - assim, o menu é constantemente alterado - uma bela demonstração de respeito aos clientes e ao meio ambiente.

Os frutos do mar sempre fresquinhos vêm diretamente da Bretanha, Vendée e Normandia, e são preparados em receitas simples que visam preservar o sabor dos pescados. O ambiente é bonito e agradavel - a timida fachada do restaurante reserva um interior muito aconchegante. A cozinha é simples, saborosa e serve pratos generosos.

O site é completo e bem montado - vale a visita. Nele você pode consultar o cardapio do dia com os respectivos preços dos pratos.

La Marée Passy
71 avenue Paul-Doumer
Tel.: 01 4504 1281
Metrô: La Muette linha 9 La Muette
RER: Boulainvilliers linha C
Aberto diariamente das 12h00 as 14h00 e de 19h30 as 22h30
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22 de outubro de 2008

Raphaël: Le petit train

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Album: Je sais que la Terre est plate (2008)

Concurso Keziah Jones & RATP

Estimados, acabo de receber um e-mail da RATP me informando sobre um concurso que deve interessar a muita gente. O soulman nigeriano Keziah Jones - que recentemente virou sensação aqui em Paris por conta do lançamento de seu novo album Nigerian Woods - vai escolher um guitarrista para tocar na abertura de um concerto privé que ele fara em janeiro de 2009.

A RATP montou um site super bacana para que as pessoas possam se inscrever, o RATP Destination Musique. Além do regulamento completo, o site disponibiliza aulas de guitarra em video gravadas pelo proprio Keziah Jones, um extrato de Nigerian Woods e muita informação sobre o artista e sua tourné. Fazendo as aulas de guitarra do site você também concorre a ingressos para os shows.

A RATP e Keziah têm uma forte ligação de longa data. Em 1991 o cantor foi descoberto pelo produtor artistico Delabel France, enquanto tocava nos corredores do metrô de Paris. O rapaz que naquela época tocava no metrô para conquistar algumas moedas, retornou aos corredores e plataformas da RATP em agosto deste ano - desta vez como musico consagrado, para presentear os usuarios do metrô parisiense com 4 concertos surpresa, acompanhado apenas de sua guitarra e dos musicos que tocam no metrô.

Ah, e se você ganhar o concurso não se esqueça de me convidar para o show, OK? Bonne chance!

Para saber mais:

Foto: Apresentação de Keziah Jones no auditorio da Fnac Strasbourg em setembro deste ano.

Pub télé: Orange

Se tem uma empresa francesa que sabe fazer propaganda bonita até dizer chega é a Orange, companhia de telefonia celular afiliada da France Télécom. No video, minha propaganda de TV favorita da Orange (cada vez que a vejo sinto até vontade de trocar de operadora). Essa campanha, entitulada Rewind, fez um sucesso enorme por aqui, mas foi substituida recentemente por outra. Confira...

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Bravo!

Exposição 'César' na Fondation Cartier

Ainda dá tempo de ver a exposição em homenagem ao escultor César, na Fondation Cartier de Paris. O arquiteto Jean Nouvel foi o responsável convidado pela Fondation Cartier para escolher as 100 obras de César Baldaccini, considerado um dos maiores escultores do século XX, que integram a exposição. Nouvel foi escolhido para a tarefa por ser um grande amigo do escultor francês, morto há 10 anos.

Foi também Nouvel o responsável pela concepção do projeto do belíssimo edifício de vidro da Fondation Cartier. Recomendo essa exposição, sobretudo, para aqueles que gostam da arte contemporânea que tende a questionar o uso das técnicas tradicionais. Usando materiais pouco convencionais, César nos convida a redescobrir a arte da escultura. Destaque para suas carrocerias de carros compactadas.

A propósito, a obra mais conhecida do artista é o gigantesco polegar de La Défense (Le Pouce, 1965), que já apareceu aqui na foto do dia do ViverParis! O vídeo abaixo faz um breve tour virtual pela exposição.

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Se você ainda não conhece a Fondation Cartier, essa é uma grande oportunidade. A exposição fica em cartaz até o próximo domingo, dia 26 de outubro.

César

Fondation Cartier
261 boulevard Raspail
Metrô: Raspail linhas 4 e 6
Até 26 de outubro, diariamente das 11h00 às 20h00 (exceto as segundas)
Entrada: 6,50€ - Hoje (quarta, 22 de outubro) das 14h00 as 18h00 a entrada é gratuita a todos os visitantes


Foto e video: Revista eletrônica
elleadore.com

Le Petit Nicolas

Le Petit Nicolas é um personagem da literatura infanto-juvenil criado em 1959 por René Goscinny e ilustrado por Jean-Jacques Sempé. Suas historias retratam a visão do mundo através dos olhos de garotinho inocente e encrenqueiro (Nicolas), que nunca entende a reação dos adultos. Ele gosta muito de fazer travessuras e quando seus pais ralham com ele, o pequeno Nicolas não consegue entender o sentido da bronca - já que para ele fazer travessuras é algo tão natural quanto respirar - e desata a protestar e a chorar.

As aventuras do Petit Nicolas foram lançadas em uma série de historinhas humorísticas ilustradas publicadas em 1959 no jornal Soud Ouest Dimanche (onde os traços do personagem evoluíram e ele tomou a forma como o conhecemos hoje). Suas historias acontecem normalmente na escola e além do pai, da mãe e da avó (que sempre sai em sua defesa), a professora, o servente, o diretor e - principalmente - os amigos de classe (les compagnons) de Nicolas fazem parte de seu universo. A linguagem e o ponto de vista inocente de Nicolas nos traduzem de forma simples uma reflexão sociológica do complexo mundo dos adultos.

Sempre é o próprio Nicolas quem narra as historias. Conseguimos reconhecê-lo facilmente nas ilustrações que retratam a bagunça generalizada na sala de aula por um detalhe simples: ele é o garotinho de cabelos pretos. E apesar de sabermos que ele tem entre 6 e 10 anos, os autores jamais revelam sua idade exata. A frase mais cult de Nicolas é: “C’est drôlement chouette!” ou “C’est chouette!” - que usa constantemente para dizer que acha algo muito legal.

Nicolas gosta de: receber a visita da avó (ela sempre trás alguma coisa que ele gosta: bolo, bala, um brinquedinho, um pouquinho de frango com molho branco que sobrou do almoço, chocolate...); jogar damas (ele é imbatível no jogo de damas); fazer graça para a coleguinha Marie-Edwige (com quem ele diz que vai se casar quando crescer); rir; contar piadas para os pais (mas fica com vergonha quando o pai já conhece a piada); quando os pais recebem amigos em casa; ler gibi; ver filmes de cowboy no cinema; bagunçar no recreio; voltar sujo para casa depois de brincar com os amigos no terreno baldio; animais; ganhar dinheiro para comprar presentes para sua mãe. “Mas o que eu mais gosto, depois da mamãe e do papai é claro, é de futebol!”

Mas ele não gosta nem um pouco de: fazer lição de casa (ele vive pedindo ajuda para as tarefas); quando a mãe coloca nele a roupa azul-marinho com camisa branca e gravatinha (ele sempre diz que fica parecendo um ‘guignol’ - fantoche); ficar de castigo; arrumar o quarto; brincar sozinho; quando os amigos de escola tiram sarro dizendo que ele esta apaixonado.

Em março de 2009 o personagem fará 50 anos. Para comemorar a grande data, será lançado um filme longa-metragem (pela primeira vez o Petit Nicolas será visto em carne e osso) e um desenho animado.

Os livrinhos do Petit Nicolas têm um bonito acabamento e são encontrados facilmente em qualquer livraria do país ao preço médio de 5,50€. As crianças adoram - os adultos também (eu inclusive: Le Petit Nicolas c'est drôlement chouette!).

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Grand Marché d’Art Contemporain Bastille

Entre os dias 28 de outubro e 2 de novembro estará aberto o Grand Marché d’Art Contemporain (Grande Feira de Arte Contemporânea) na Place de la Bastille. Duas vezes por ano a feira abre espaço para que vários artistas independentes possam mostrar ao público aquilo o que sabem fazer de melhor. E eu recomendo fortemente que você prestigie o evento. Num ambiente super cool, você terá a oportunidade de conversar pessoalmente com os artistas que expõem as obras no local.

O espaço divulga trabalhos de pintura, escultura, artes plásticas nas suas mais diversas formas, artes gráficas, entre outras. Os preços são amistosos e - dependendo do artista - negociáveis. Este ano o evento terá a participação de 450 artistas.

Grand Marché d'Art Conteporain
De 28 de outubro a 2 de novembro; nos dias 28 e 30 de outubro, evento noturno até as 22h00
Place de la Bastille
Entrada: 7,00€
Aberto diariamente das 11h00 às 20h00

Dica: Os organizadores do evento disponibilizaram temporariamente no site o download de ingressos gratuitos para impressão.

Foto: O pintor Pascal Bolle em seu stand na edição 2006 do GMAC.

21 de outubro de 2008

Tea & Tattered Pages

Esse endereço é para marcar na seção coup de coeur do seu caderno de viagens. A Tea & Tattered Pages é um verdadeiro achado - daqueles que costumamos guardar como tesouro pessoal. A pequena e hospitaleira casa de chá instalada numa pacata ruazinha a pouco mais de 500m da Gare Montparnasse funciona agregada a uma livraria que só trabalha com livros em inglês de segunda-mão.

Reserve uma visita ao T&TP para aquela tarde na qual você quer um pouco de silêncio para se dedicar aos seus próprios pensamentos. As proprietárias - duas americanas simpáticas e sorridentes - têm uma bela seleção de títulos separados por categoria a preços super camaradas.

Portanto, escolha um livro interessante e depois se instale no mini-salão de chá para saborear um muffin, uma fatia de bolo de cenoura ou um crumble de maçã - tudo com aquele sabor de feito pela vovó. Complete o pedido com uma autêntica xícara de chá inglês. O ambiente é super simples e acolhedor.

A tranqüilidade e a simpatia reinam na Tea & Tattered Pages, o que faz com que você se sinta em casa mesmo se sua casa estiver do outro lado do planeta.

Tea & Tattered Pages
24 rue Mayet
Tel.: 01 4065 9435
Metrô: Falguière linha 12 ou Duroc linhas 10 e 13
Abre de segunda a sabado das 11h00 as 19h00 e domingos das 12h00 as 18h00

Endereços da Sephora em Paris

Atendendo a pedidos, segue a relação das lojas da Sephora em Paris com endereço, telefone, indicação do metrô mais próximo e link para o mapa. Os sephoramaniacos vão reparar que faltam duas lojas na lista, as quais preferi não publicar porque as informações que constavam no site da loja e a orientação do Google Maps não batiam - assim que eu confirmar essas informações eu completo o post com as duas lojas que faltam. Não gosto de deixar nada incompleto, mas prefiro isso a passar informação errada adiante.

Desta vez também optei por publicar os mapas na forma de links para que o carregamento do blog não ficasse pesado demais - muitos mapas na mesma página costumam retardar bastante o carregamento do blog. Enfim, chega de falatório e vamos ao que interessa:

Sephora Champs-Elysées
70-72 avenue des Champs-Elysées
Tel.: 01 5393 2250
Metrô: George V linha 1
Abre de domingo a quinta das 10h00 as 24h00 e sextas e sabados das 10h00 as 01h00
Mapa

Sephora Saint-Germain
79 Boulevard Saint-Germain
Tel.: 01 5542 6290
Metrô: Cluny-La Sorbonne linha 10
Abre de segunda a sabado das 10h00 as 20h00
Mapa

Sephora Rivoli
75 rue de Rivoli
Tel.: 01 4013 1650
Metrô: Louvre-Rivoli linha 1
Abre de segunda a sabado das 10h00 as 20h00 - as quintas até 21h00
Mapa

Sephora Gare de l'Est
4 rue du 8 mai 1945
Tel.: 01 4038 6340
Metrô: Gare de l'Est linhas 4, 5 e 7
Abre de segunda a sabado das 07h00 as 20h00
Mapa

Sephora Forum des Halles
11 rue de l'Arc en Ciel
Tel.: 01 4013 7225
Metrô: Les Halles linha 4
Abre se segunda a sabado das 10h00 as 19h30
Mapa

Sephora Haussmann
21-23 Boulevard Haussmann
Tel.: 01 5324 9965
Metrô: Chaussée d'Antin-La Fayette‎ linhas 7 e 9
Abre de segunda a sabado das 10h00 as 20h00 - as quintas até 21h00
Mapa

Sephora Chaussée d'Antin
66 rue Chaussée d'Antin
Tel.: 01 4970 8420
Metrô: Trinité-d'Estienne d'Orves linha 12
Abre de segunda a sabado das 10h00 as 19h30
Mapa

Sephora Passage du Havre
109 rue Saint Lazare - Passage du Havre
Tel.: 01 5332 8370
Metrô: Saint Lazare linhas 3, 12, 13 e 14
Abre se segunda a sabado das 10h00 as 19h30 - as quintas até 20h30
Mapa

Sephora Passy
50 rue de Passy
Tel.: 01 5392 2820
Metrô: La Muette linhas 9
Abre de segunda a sabado das 10h00 as 20h00
Mapa

Sephora Saint Antoine
28 bis Faubourg Saint Antoine
Tel.: 01 5346 6136
Metrô: Bastille linhas 1, 5 e 8
Abre de segunda a sabado das 11h00 as 20h00
Mapa

Sephora Gare de Lyon
Gare SNCF de Paris Lyon - Place Louis Armand
Tel.: 01 5695 0105
Metrô: Gare de Lyon linhas 1 e 14
Abre de segunda a quinta das 07h00 as 20h00, sextas das 07h00 as 21h00 e sabados das 08h00 as 20h00
Mapa

Sephora CC Italie 2
Centre Commercial Italie 2
30 avenue d'Italie
Tel.: 01 5380 8610
Metrô: Place d'Italie linhas 5, 6 e 7
Abre de segunda a sabado das 10h00 as 20h00
Mapa

Paris Saint Didier
Galerie Commerciale Paris Saint Didier
12 rue des Belles Feuilles
Tel.: 01 5690 5680
Metrô: Victor Hugo linha 2
Abre se segunda a sabado das 09h30 as 19h30
Mapa

Sephora Général Leclerc
1-3 rue Brezin
Tel.: 01 4052 8130
Metrô: Mouton-Duvernet linha 4
Abre de segunda a sabado das 10h00 as 19h30
Mapa

Paris Flandre
87 rue de Flandre
Tel.: 01 4038 8540
Metrô: Riquet linha 7
Abre de segunda a sabado das 10h00 as 20h00
Mapa

Sephora Rue du Commerce
87 rue du Commerce
Tel.: 01 5608 5030
Metrô: Avenue Emile Zola linha 10
Abre de segunda a sabado das 10h00 as 19h30
Mapa

Sephora Palais des Congrès
2 place de la Porte Maillot
Tel.: 01 5805 0200
Metrô: Porte Maillot linhas 1
Abre de segunda a sabado das 10h00 as 19h30
Mapa

Sephora Sébastopol
56-58 rue Saint-Denis
Tel.: 01 5534 9240
Metrô: Les Halles linha 4
Abre de segunda a sabado das 10h00 as 20h00
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E não se esqueça: na Sephora você pode testar tudo o que estiver a venda na loja.

Para saber mais: http://www.sephora.fr/

Albergue Espanhol

Albergue Espanhol (França, 2002) é um dos meus filmes preferidos do diretor Cédric Klapisch - o mesmo de Paris e Bonecas Russas (a continuação de Albergue Espanhol). O filme conta a história do jovem parisiense Xavier (Romain Duris), que decide passar um ano estudando na universidade de Barcelona para aprender espanhol, visando na volta conseguir um cargo no Ministério das Finanças em Paris através da influência de seu pai.

Recém chegado a Barcelona, Xavier acaba por dividir um apartamento com estudantes vindos de diversos países da Europa, como Alemanha, Dinamarca, Espanha, Itália e Inglaterra. E é justamente a convivência cotidiana de pessoas com costumes tão diferentes a grande graça do filme. Mas além de ser um filme engraçado sobre confusões culturais, Albergue Espanhol é um filme sensível e tocante sobre amizade, respeito e descoberta - as novas experiências vividas na Espanha e o constante aprendizado sobre as peculiaridades de cada cultura representada naquele pequeno apartamento, servem também para Xavier conhecer melhor a si mesmo.

Aqui na França, Albergue Espanhol é uma expressão que usamos para designar um lugar onde vamos ficar mas que originalmente não dispõe de nada, apenas o que levamos por conta própria - mesmo que seja apenas nossos costumes e a vontade de conviver, aprender e experimentar. O filme se passa na maior parte do tempo em Barcelona, mas mostra muito do estilo parisiense através de Xavier - além de ter algumas cenas memoráveis rodadas em Paris, como a lembrança do primeiro beijo do personagem, se equilibrando como pode na calçada mais estreita da cidade. A propósito, é Audrey Tautou (a eterna Amélie Poulain) quem faz o papel da namorada de Xavier no filme.

Quem assiste Albergue Espanhol acaba ficando também amigo e se identificando com cada personagem - e sabe que irá sentir se, no final, tiver que deixá-los para trás. Apesar de tratar a diversidade cultural, o filme consegue deixar claro que cada pessoa é um indivíduo único, independente de onde venha, deixando de lado a velha fórmula do uso e abuso de estereótipos. Um filme que mostra como poucos que a verdadeira amizade não conhece fronteiras.

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Ah, quer saber onde fica a calçada mais estreita de Paris? Na rue d’Orchampt em Montmartre.

Na Fnac: L'Auberge Espagnole

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20 de outubro de 2008

Fallafel do Marais

Se sábado foi dia de acompanhar o trabalho de Troy Henriksen na avenida George V, domingo foi dia de passear por um dos quartiers que considero como um dos mais legais da cidade: o Marais (Pronuncia-se 'Marré' - Sabe aquela musiquinha do 'pobre-pobre de Marais-Marais'? Voilà.).

A principal iguaria do quartier é o simples e delicioso fallafel. Na simpática rue des Rosiers extensas filas indicam claramente os melhores pontos de venda do sanduíche originário do Oriente Médio que caiu nas graças dos parisienses. Ali, diversas lanchonetes fazem uma verdadeira competição pelo título de "o melhor fallafel da cidade".

O sanduíche caprichadão consiste num pão sírio recheado com muita coisa gostosa. Aqui no Marais é servido em diversos sabores e combinações de ingredientes. Boa comida, cheia de sabor e ‘sustância’. Ainda não conseguiu realizar? Tem um que é assim: pão sírio recheado com homus, berinjela gratinada, repolho roxo, pepino, cebola, tomate, molho de iogurte com ervas e umas bolotas fritas e crocantes feitas com massa de grão-de-bico - o falafel. Pelo o que consegui entender da brincadeira, sem falafel não há fallafel. Ou seja: falafel são as bolotas crocantes parecidas com almôndegas que vão dentro do sanduíche invocadão chamado fallafel (espero não ter falado besteira).

O L'As du Fallafel em um raro momento de calmaria.

O ponto de venda mais tradicional é o L’As du Fallafel, cujo lema é “Sempre imitado, jamais igualado”. Diz a lenda que Lenny Kravitz sempre dá uma passada por lá quando está na cidade - muito discretamente, claro. Disputas a parte, independente de qual seja de fato o melhor fallafel de Paris, se você nunca o experimentou, a rue des Rosiers é o melhor lugar da cidade para prová-lo.

No L’As du Fallafel você pode sentar-se numa mesinha e fazer seu pedido, ou então fazer como os parisienses: pedir o sanduíche na área exterior da lanchonete e sair comendo pela rua enquanto busca um cantinho na calçada ou uma praça para comer sossegado.

A lanchonete em pleno movimento (claro que enfrentar a muvuca vale a pena: todas essas pessoas não podem estar erradas).

Devido às filas sempre longas e constantes, as lanchonetes de fallafel da rue des Rosiers inventaram um sistema interessante para o cliente não perder muito tempo enquanto espera. Funciona assim:

1. Vá até a porta do restaurante e escolha no painel qual sabor de fallafel você vai querer;
2. Entre na fila;
3. Chame o rapaz da lanchonete que fica o tempo todo andando ao lado da fila;
4. Diga a ele o que você quer e dê o dinheiro na mão do rapaz;
5. Ele vai voltar até você com o seu ticket do pedido e o troco;
6. Quando chegar a sua vez, entregue o ticket - eles já terão começado a fazer o seu sanduíche;
7. Faça como os parisienses: saia mordendo o danadinho enquanto encontra uma sombra aconchegante.

A rue des Rosiers é bonita e de circulação exclusiva para pedestres - a calçada é convidativa para sentar-se à sombra e saborear seu lanche. Além disso, existem várias praças bem próximas dali com bancos agradáveis sob a sombra esperando por você.

L’As du Fallafel
34 rue des Rosiers
Tel.: 01 4887 6360
Metrô: Saint-Paul linha 1
Aberto de domingo a quinta das 11h00 à 00h00 e sextas das 11h00 às 18h00

Foto menor: Sua majestade, o fallafel.